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31 DE OUTUBRO: DIA DA REFORMA PROTESTANTE (parte 7/7)

Soli Deo Gloria (Glória Somente a Deus)

por Thiago Mancini

      
“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.36).

31 de outubro     Há uma ideia dupla acerca do princípio do Soli Deo Gloria. Em primeiro lugar, a razão pela qual Deus faz todas as coisas é para a sua própria glória. Em segundo lugar, todos os homens deveriam fazer todas as coisas para a glória de Deus.

     Aqui em Rm 11.36, “dele”, “por ele” e “para ele”, encerram todo o conteúdo do capítulo 11 da epístola aos Romanos. Se alguém quer uma resposta curta de por que todas as coisas devem ser e tem que ser para a glória de Deus, a razão é muito simples, e está resumida aqui nestas três proposições: “dele”, “por ele” e “para ele”.


“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.36).

     Tudo é dEle por que Ele é o proprietário de todas as coisas! O rei Davi reconheceu esta grande verdade ao escrever o Salmo 24.1: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.”

     Além disto, tudo é dEle, por que é justamente dEle que provém todas as coisas. Até mesmo a chuva e o sol que os ímpios recebem, somente o recebem pela graça de Deus e nada mais. “E que tens tu que não tenhas recebido?”, pergunta o apóstolo Paulo em I Co 4.7.

“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.36)

     Absolutamente tudo o que existe foi feito por Ele e é também sustentado por Ele.

     “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (Jo 1.3)

     “O qual sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se á destra da majestade nas alturas.” (Hb 1.3)

     “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (Cl 1.17)

“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.36)

     Colossenses 1.16 diz que o Pai fez tudo para o Filho; e por outro lado, I Coríntios 15.28 diz que quando terminar de fazer tudo, o Filho devolverá tudo ao Pai a fim de que “Deus seja tudo em todos”.

     “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.” (Cl 1.16)

     “E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.” (I Co 15.28)

     Quando requerer que toda a glória seja dada à si próprio, Deus não é uma espécie de ser megalomaníaco e tampouco está tratando de chamar a atenção. Deus está absolutamente satisfeito em sua própria perfeição, de modo que Deus não precisa de nada e nem de ninguém para ser mais feliz ou para ser mais glorioso, já que em si mesmo e em seu próprio ser, Deus é totalmente feliz e glorioso.

     Ao exigir o recebimento de toda a glória, Deus não está buscando que o aplaudam ou o louvem, visto que depois de aplaudirmos e louvarmos a Deus, ainda estamos muito aquém do tributo que Deus merece, uma vez que nos é difícil até mesmo mesurar todo o louvor que Ele merece.

     Deus não tem necessidade de algo tão imperfeito e tão inferior como a adoração que simples pecador podem render-lhe para que seja mais feliz ou mais glorioso. Isto não quer dizer que Deus não desfruta da adoração dos eleitos; mas significa que Deus não precisa da adoração de criaturas caídas para ser “mais Deus” do que já é.

     Deus desfruta da adoração da Igreja da mesma maneira que um pai se compraz e se regozija em seus filhos quando os seus filhos assimilam bem os ensinamentos recebidos e mostram reflexos da educação recebida em suas vidas diárias.

     No caso de Deus, à medida que me torno um adorador melhor, estou mais perto da imagem de Seu Filho. E quanto mais perto da imagem de Seu Filho me encontro, melhor reflito na minha vida o propósito para o qual Deus me criou. E quanto mais perto estou do propósito para o qual Deus me criou, mais plenitude de vida eu desfruto. E quanto mais plenitude de vida eu desfruto, mais alegria eu experimento em Deus. E quanto mais alegria eu experimento em Deus, mais eu glorifico a Deus.

     Como bem disse John Piper: “Deus é mais glorificado em nós, quando estamos mais satisfeitos nEle.”

     À esta altura uma dúvida pode surgir na mente de algumas pessoas se por acaso não seria egoísta da parte de Deus que tudo seja para a glória de Deus. A razão de fazermos esta pergunta é que temos a tendência de pensar que Deus é como nós (Sl 50.21).

     Quando alguém faz algo e logo insiste em levar todo o crédito por haver feito algo bom, esta atitude nos incomoda, e nos incomoda por que entendemos que esta pessoa está manifestando o seu orgulho; e à bem da verdade, sabemos que esta pessoa não merece todo o crédito, mesmo fazendo algo bom.

     Mas quando exige receber toda a glória somente para Si próprio, Deus sim é merecedor de toda a glória por que “... dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.36)

     Se o homem dissesse que é o ser mais glorioso do Universo, além de revelar um tremendo orgulho, isto seria uma grande mentira; porém, se Deus dissesse que é o ser mais glorioso que existe, isto não seria orgulhoso da parte de Deus, e não é orgulhoso da parte de Deus por que Deus é, de fato e de verdade, o ser mais glorioso que existe, e dizer que Deus não é o ser mais glorioso que existe seria mentir.

     Agora, o fato de que Deus exige que todas as coisas sejam feitas para a Sua própria glória, não significam de alguma maneira que Deus seja egoísta? Esta pergunta pode ser respondida com outra pergunta: Como é que os filhos sabem que um bom pai não é egoísta quando pedem ao pai que lhe respeitem e que lhe honrem? Os filhos sabem quando vêem que os pais passam a vida inteira trabalhando para eles com a finalidade de dar provisão à eles.

     Mas suponhamos que o filho estivesse padecendo de uma enfermidade mortal, e que para que o filho pudesse continuar vivendo, o pai tivesse que doar ao filho todo o sangue que tem no corpo, e logo após morrer... Em um caso destes, será que o filho poderia acusar o pai de ser egoísta? Claro que não!

     Pois Deus fez, não somente isto, mas muito mais:

Foi Deus quem nos deu a vida.

É Deus que sustém a nossa vida.

É Deus que nos deu os dons e talentos que usamos nesta vida.

É Deus quem nos dá as oportunidades que temos nesta vida.

E como se tudo isto não fosse suficiente, Deus deu a Si mesmo quando os eleitos foram afetados por uma enfermidade mortal, da qual somente poderiam sair se o próprio Deus morresse em lugar e em favor dos eleitos... E é exatamente isto o que Deus fez, na Cruz do Calvário na pessoa bendita de Jesus Cristo. Sua morte por nossa vida.

     Será que diante de tudo isto, ainda resta alguma dúvida ou algum sentimento de afirmação de que Deus é egoísta quando exige que toda a glória seja recebida para Si próprio?

     Nós precisamos entender que quando Deus age para a Sua própria glória, os únicos beneficiados somos nós mesmos. Quando Deus exercita Seu poder, Deus não se torna mais ou menos poderoso, mas nós sim somos beneficiados diretamente por Seu poder, haja vista que é a destra divina que nos sustenta. Quando Deus exerce a sabedoria, Deus não se torna mais ou menos sábio, ou quando exerce a Sua graça, Deus tampouco sofre algum câmbio ou mudança seja para o bem, seja para o mal... Deus é Deus.

     Isto é tão importante que merece ser dito uma vez mais: quando Deus glorifica a si mesmo, exibindo Seus atributos, os beneficiados somos nós mesmos, as criaturas de Deus.

     “Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti.” (Jo 17.1).

     Quando glorificou ao Filho, Deus glorificou ao Filho na cruz, e nós somos os maiores beneficiados da morte de Cristo. Na Cruz, o Pai mostrou o amor e a graça do Filho em direção aos pecadores. E quando glorificou ao Pai, o Filho glorificou ao Pai na Cruz, cumprindo a obra que o Pai Lhe havia dado e satisfazendo a justiça do Pai... E novamente, nós fomos os beneficiados ao não termos que ir à condenação eterna.

     Então, como é que glorificamos a Deus?

     Dissemos acima que quando exerce os Seus atributos, Deus está glorificando a Si mesmo. A pergunta então seria: De que maneira nós poderíamos glorificar a Deus?

     “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” (I Co 10.31)

     Existem muitas coisas na vida do cristão que o cristão não faz para a glória de Deus. A verdade é que, com toda probabilidade, a maioria dos cristãos não fazem a maior parte das coisas de suas vidas para a glória de Deus. Por exemplo: ganhamos dinheiro, mas não ganhamos dinheiro pensando em como este dinheiro ou até mesmo esta busca pelo dinheiro glorificará a Deus, e depois de ganhar o dinheiro, gastamos o dinheiro ganho pensando menos ainda em como o gastar deste dinheiro poderia servir para a glória de Deus.

     Ao invés de pensarmos na glória de Deus, pensamos em primeiro lugar em como satisfazer aos desejos de nossa carne... Nós seres humanos somos tão egoístas, mas tão egoístas, que até mesmo na hora de fazer uma boa ação, fazemos a boa ação desejando internamente que a pessoa a qual ajudamos nos agradeça e nos veja com bons olhos; quando na realidade, se houvéssemos feito tal boa ação simplesmente e unicamente para a glória de Deus, nem nos importaríamos se a outra pessoa ficou agradecida ou não, por que não fizemos para receber elogios, e sim para a glória de Deus...

     Então, como é que podemos glorificar a Deus? Podemos glorificar a Deus, por exemplo, em adoração, quando cantamos acerca dos atributos de Deus... Podemos glorificar a Deus, por exemplo, em oração, quando reconhecemos quem Deus é, quando reconhecemos que Deus é capaz de suprir as nossas necessidades... Podemos glorificar a Deus, quando amamos a Deus acima de todas as coisas, por que ao amar a Deus acima de todas as coisas estamos mostrando que Deus vale mais do que qualquer outra coisa na vida, e que não existe absolutamente nada e nem ninguém que podem competir com Deus...

     Podemos glorificar a Deus sendo agradecidos a Deus mesmo nas circunstâncias mais adversas da vida, por que ao sermos agradecidos a Deus até mesmo nas adversidades, revela que Deus é suficiente, e é melhor e é maior do que as bençãos...

     Podemos glorificar a Deus evitando o pecado, refletindo a santidade de Deus em nós... Mas quando eu evito o pecado, Deus não se beneficia em nada, o beneficiado sou eu... Quando evito a avareza, me beneficio por que não termino escravizado pelo afán frenético de ganhar dinheiro.

     Quando o dinheiro está em primeiro lugar, o dinheiro me escraviza. Quando o trabalho está em primeiro lugar, o trabalho me escraviza. Quando meus desejos sensuais estão em primeiro lugar, a luxúria me escraviza. Deus é o único ser que demanda estar em primeiro lugar sem, contudo, escravizar-me... De fato, e de verdade, somente quando tenho a Deus em primeiro lugar na minha vida é que eu sou verdadeiramente livre!

     Podemos glorificar a Deus também sendo produtivos: “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.” (Jo 15.8). Neste sentido podemos glorificar a Deus usando nossos próprios dons e talentos de uma maneira que outros possam entender que o que faço com excelência, faço por que Deus fez com que isto fosse possível!

     Podemos glorificar a Deus como os mártires fizeram, que defenderam a verdade de Deus e morreram pelo Evangelho. Sofrer por causa de Deus e dar graças a Deus no meio da dor são maneiras extraordinárias de glorificar a Deus. Cristo fez assim, o apóstolo Paulo fez assim, os reformadores fizeram assim... Jo 9 narra a história de uma pessoa que nasceu cega, e esteve cega por vários e longos anos para que a glória de Deus se manifestasse nele... Cristo não veio à Terra com a intenção de viver aqui com a menor quantidade de dor possível; Cristo veio à Terra para glorificar a Deus, independentemente do quanto isto custaria, mesmo que fosse sua própria vida!

     Agora, caso você que está lendo estas palavras não queria glorificar a Deus das maneiras acima descrita; jamais você poderá desfrutar da plenitude de Deus!

     A primeira pergunta do Catecismo de Westminster é: “Qual é o fim supremo e principal do homem?”, e a resposta é: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e alegrar – se nele para sempre.” Ou seja, a minha alegria depende de que eu glorifique a Deus.

     A implicação disto é algo muito forte: se você não está se alegrando em Deus e desfrutando da plenitude de Deus agora, é por que a vida que você está vivendo não está glorificando a Deus. É impossível viver glorificando a Deus e não viver alegre.

     A alegria é o resultado natural de viver uma vida de plenitude em Deus, glorificando a Deus em tudo o que eu faço e em que desejo fazer.


Soli Deo Gloria: A Erosão do Culto Centrado em Deus 1:


     Onde quer que na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os interesses de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dEle a nosso modo.

     A perda da centralidade de Deus na vida da Igreja de hoje é comum e lamentável. É essa pedra que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do Evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido.

     Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

     Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Soli Deo Gloria:


Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorifica-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.

Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a autoestima e a autorrealização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Notas:

[1] James Montgomery Boice e Benjamin E. Sasse, Reforma Hoje: Uma Convocação feita pelos evangélicos confessionais. São Paulo, Cultura Cristã, 1999, p.11-17.

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