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FUNDO

31 DE OUTUBRO: DIA DA REFORMA PROTESTANTE (parte 6/7)

Sola Christus (Somente Cristo)

Por Thiago Mancini


     “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (Jo 14.6).
dia da reforma

     Chegamos ao quatro Sola, o Sola Christus, um precioso ensinamento que, tal como os demais Solas, formam parte da coluna vertebral da Fé Cristã: Somente em Cristo há salvação.


     “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (At 4.11-12).

     A verdade expressa aqui em At 4.11-12 é consistente com as palavras de Jesus em Jo 14.6, que formam parte de uma longa conversa que os discípulos tiveram com o Senhor Jesus na noite anterior à crucificação, uma noite pesada e cheia de confusão...

     A confusão entre os discípulos está espelhada muito claramente pela pergunta de Tomé no versículo 5: “Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?” (Jo 14.5), ao que o Senhor Jesus responde com sua poderosa afirmação no versículo 6 de que o próprio Jesus é o caminho, a verdade e a vida.

     O próprio Jesus levou o apóstolo Tomé a fazer esta pergunta que produziu a resposta do versículo 6 que não só o apóstolo Tomé, mas que todos os outros apóstolos também necessitavam saber.

     Pois bem, o que é que Jesus está ensinando em Jo 14.6 ao dizer que é o caminho, a verdade e a vida?  Vejamos cada uma destas declarações separadamente, Jesus é o Caminho, Jesus é a Verdade e Jesus é a Vida, e como é que estas declarações se relacionam ao Sola Christus.

Jesus é o Caminho


     Antes da queda, Adão tinha acesso à presença de Deus; mas ao pecar, Adão se desviou, de modo que tanto Adão quanto nós, seus descendentes, perdemos o caminho de volta. Ainda que soubesse aonde é que Deus estava, Adão, como que “perdeu o mapa” para regressar.

     Neste processo, Satanás veio e mudou todas as placas de sinalização colocando novos letreiros, substituindo os letreiros “Graça” e “Fé” por “Moralidade”, “Filosofia”, “Esforço Próprio”, “Boas Obras”, e a todos estes letreiros, colocou como subtítulo: “Caminhos que Conduzem a Deus”. Mas a verdade é que nenhum outro caminho que não seja Cristo pode conduzir o homem a Deus.

     O único que pode nos ajudar é Jesus, que conhece o caminho, e que nos conduza pelo caminho; lembrando que Jesus é o próprio caminho... As demais religiões oferecem sabedoria humana envolta em uma linguagem mística, que é muito atraente ao homem em seu estado decaído. Jesus, ao contrário, oferece uma relação pessoal, através da qual o cristão vai sendo transformado à imagem do próprio Cristo.

     Se conta uma história de um viajante que contratou um guia para o conduzir no caminho através de uma área deserta e desconhecida... Quando chegam ao começo do deserto, o viajante viu que toda a areia do deserto parecia exatamente igual, e também observou que não havia marcas de pegada por nenhum lado...

     De imediato então o viajante perguntou ao guia: “Aonde é que está o caminho para transitar pelo deserto?”; ao que de pronto, o guia respondeu dizendo o seguinte: “Eu sou o caminho!” É exatamente assim que acontece com Jesus. [1].

Jesus é a Verdade


     Todos os demais caminhos, à exceção de Cristo, que prometem levar o homem a Deus, na verdade mentem para o homem e enganam o homem. Quando Adão caiu, caiu por que creu em uma mentira; e desde então, perdeu sua habilidade de diferenciar a verdade da mentira. E esta é justamente a razão pela qual os descendentes de Adão têm crido em tantas mentiras desde então...

     Portanto, Jesus Cristo apenas e tão somente dizer a verdade não seria suficiente, por que nós, em nosso estado caído, não saberíamos diferenciar a verdade que Cristo está dizendo da mentira.

     Assim que Cristo não veio para somente dizer a verdade, mas também para encarnar a verdade, para que nós que não sabemos diferenciar a verdade da mentira, possamos encontrar a verdade na própria pessoa de Cristo. “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (Jo 14.6).

Jesus é a Vida


     Quando Adão caiu, as consequências da queda foram simplesmente devastadoras, devastadoras até o ponto em que a Bíblia informa que estamos mortos em delitos e em pecados, situação esta que nos impede de regressar para casa. Isto fez com que Cristo viesse e se identificasse com a vida em que nós pecadores podemos ressuscitar.

     Quando Deus criou Adão e criou a Eva, e os colocou no Jardim do Éden, no meio do jardim havia uma árvore da qual, Adão e Eva não poderiam comer, a árvore do conhecimento do bem e do mal.

     “E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn 2.15-17).

     O primeiro Adão perdeu a vida ao desobedecer; mas agora, no segundo Adão, o homem recupera a vida. É incrível como no Jardim do Éden, Deus proíbe a Adão e Eva comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, mas mesmo assim, o primeiro casal da raça humana decide comer. No entanto, no Novo Testamento, Cristo se oferece como o pão da vida, como a árvore da vida da qual todos podem se alimentar para nunca mais terem fome, mas o homem não quer se alimentar desta comida.

  • Cristo é o Caminho a seguir.
  • Cristo é a Verdade encarnada na qual é necessária crer.
  • Cristo é a Vida a ser vivida.
  • Cristo é o Único Caminho, mas não é o caminho mais transitado.

     Embora Cristo Jesus seja o único caminho a Deus, temos de concordar que Jesus não é o caminho mais transitado na busca por Deus... À parte de Jesus, dentre tantos caminhos que o homem procura seguir, James Montgomery Boice, destaca 3 caminhos:

o caminho da natureza, o caminho da moralidade e o caminho da religião 2

O Caminho da Natureza

     Há pessoas que dizem: “Eu adoro a Deus na natureza!”. Não duvidamos que de fato adorem a deus, exceto que o deus que os naturalistas adoram não é Jeová, não é o Deus da Bíblia, não é o Senhor Deus... O deus que adoram é o deus natureza, as árvores, o sol, a lua, as estrelas, os astros, e etc, o que é idolatria, uma verdadeira abominação aos olhos do Deus verdadeiro.

O Caminho da Moralidade

     Muitas pessoas pensam que se vivem uma vida boa, de “boas obras”, sem pecado, sem matar, roubar e adulterar, sendo um bom cidadão, bom filho, bom pai, boa mãe, bom marido, boa esposa, e etc já merecem o céu...

     O problema é que em toda a história da humanidade não houve uma só pessoa, nem haverá, (à exceção de Jesus) que possa viver esta vida, haja vista que a Palavra de Deus revela que fora da pessoa de Jesus não existe uma só pessoa justa.

     “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.” (Rm 3.10-12).

     Ou seja, aqueles que estão confiando em seu próprio moralismo, ao invés de entrarem na vida, entrarão na condenação eterna com a ilusão de que estariam sendo salvos...

     Pior do que estar perdido e sem Deus, é estar perdido e crer ilusoriamente que está no caminho correto.

O Caminho da Religião

     O caminho a religião é o caminho pelo qual transitam todas as pessoas que dizem as seguintes frases: “Se eu vou à Igreja aos domingos, dou o meu dízimo e participo de algumas das atividades da Igreja; então, o meu lugar no céu está garantido!”.

     Todas as pessoas que caminhas pelo caminho da religião ao invés de caminharem por Cristo morrem, e ao morrerem entram em uma eternidade de condenação sendo super-religiosos, mas não sendo convertidos e nem transformados.

     Não importa se o caminho é o caminho do Hinduísmo, que afirma que ao final das minhas reencarnações eu me unirei ao Brahma; ou se eu sigo os 8 passos do budismo, tratando de me desfazer dos meus desejos egoístas; ou se eu sigo o caminho da obediência a Alá... No final, todos estes caminhos, nos deixam perdidos, e ao morrer, o que segue é a condenação eterna.

     Quando a verdade se encarnou na pessoa de Jesus, todo sistema religioso, incluindo o judaísmo, foi substituído.

     Concordo com Miguel Nuñez 3 quando diz que embora Confúcio tenha dito: “Eu nunca disse que era santo”, Jesus perguntou: “Quem me acusa de pecado?” (Jo 8.46), e a resposta foi ninguém.

     Embora Maomé tenha dito: “Se Deus não tem misericórdia de mim, não tenho esperança!”, Cristo disse que quem obedece ao Filho tem a vida eterna (Jo 3.36).

     Embora Buda tenha dito: “Eu sou alguém em busca da verdade!”, Jesus disse: “Eu sou a verdade.” (Jo 14.6).

     Confúcio ensinou por aproximadamente 22 anos. Maomé também ensinou por aproximadamente 22 anos. Buda ensinou por aproximadamente 25 anos. Juntos, Confúcio, Maomé e Buda ensinaram por mais de 70 anos, ao passo que Jesus ensinou somente por 3 anos, mas nenhum outro personagem da História impactou o curso da civilização como Jesus Cristo em 3 anos de ensino e mais de 2 mil anos de impacto...

     Confúcio morreu divorciado, Maomé teve 11 esposas e muitas concubinas, apesar de que o Alcorão só permite 4, e Buda abandonou a própria esposa e o filho... Não obstante, Cristo morreu sem pecado.

     Jesus foi enterrado em uma sexta-feira e ressuscitou no domingo, cumprindo assim a própria profecia, algo que nenhum outro homem ou profeta na História foi capaz de fazer... Cristo não apenas disse ser o caminho, a verdade e a vida, mas também disse ser a ressurreição e a vida:

     “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.” (Jo 11.25).

Sola Christus: A Erosão da Fé Centrada em Cristo 4:


     À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.


Sola Christus:


Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.

Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.

     João Calvino escreve em um dos capítulos mais belos de toda a Instituta [5]:

     “Portanto, visto que nossa salvação inteira, em todas as suas várias partes, é compreendida em Cristo (At 4.12), tomemos cuidado para não esperar a mínima partícula dela de qualquer outra fonte.

     Se procuramos a salvação, o próprio nome de Jesus nos lembra que a salvação vem dele (I Co 1.30); se quais dons do Espírito, eles fluem da sua unção; se força, é achada no seu governo; se pureza, em sua concepção; se gentileza, brota do seu nascimento.

     Pois por seu nascimento, ele foi feito semelhante a nós em todas as coisas (Hb 2.17) a fim de que se compadecesse de nós (Hb 5.2). Se (buscamos) redenção, é achada em sua paixão, se absolvição, na sua condenação; se livramento da maldição, na sua cruz (Gl 3.13); se satisfação, em seu sacrifício; se purificação, em seu sangue; se reconciliação, em sua descida ao inferno; se mortificação da carne, no seu sepultamento; se novidade de vida, sem sua ressurreição; se imortalidade, na mesma; se herança no Reino Celestial, em sua entrada no céu; se proteção, segurança, suprimento abundante de toda benção, em seu Reino; se expectativa confiante de não juízo, no poder dado a ele para julgar.

     Em suma, já que todo estoque de toda espécie de coisa boa sobeja nele, bebamos nossa porção de sua fonte e de nenhuma outra.”

   

Notas:

[1] Michael Green, Illustrations for Biblical Preaching, (Grand Rapids: Baker Book House, 1982), page 421.

[2] James Montgomery Boice, The Gospel of John, Volume 4 (Grand Rapids: Baker Books, 1999), page 1083 to page 1085.

[3] Miguel Nuñez, Las Doctrinas de La Gracia.

[4] James Montgomery Boice e Benjamin E. Sasse, Reforma Hoje: Uma Convocação feita pelos evangélicos confessionais. São Paulo, Cultura Cristã, 1999, p.11-17.

[5] Institutas da Religião Cristã, João Calvino, 2.16.19.

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