CTO - CURSO GRATUITO DE TEOLOGIA ONLINE

CTO - CURSO GRATUITO DE TEOLOGIA ONLINE

FUNDO

31 DE OUTUBRO: DIA DA REFORMA PROTESTANTE (parte 3/7)

Sola Scriptura (Somente A Escritura)

Por Thiago Mancini

   
31 de outubro reforma protestante  “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda boa obra.” (II Tm 3.16-17).

     “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles.” (Is 8.20).


     “Os homens não rejeitam a palavra porque encontram falha na palavra, mas rejeitam a palavra porque a palavra encontra falha neles.” (John Blanchard).

     Em uma quarta-feira, dia 17 de Abril do ano de 1521, Martinho Lutero, na chamada Dieta de Worms [1] foi pedido que se retratasse de seus escritos e de 41 de suas 95 teses.

     Apesar de outros assuntos terem sido discutidos, a Dieta de Worms é sobretudo conhecida pelas decisões que dizem respeito a Martinho Lutero e os efeitos subsequentes da Reforma Protestante. Lutero foi convocado à Dieta para desmentir suas 95 teses, no entanto ele as defendeu e pediu a reforma da Igreja Católica, entre os dias 16 e 18 de Abril do ano de 1521.

     É na Dieta de Worms que se tornam célebres as palavras de Martinho Lutero: “Hier stehe ich. Ich kann nicht anders.” (Aqui estou. Não posso renunciar.)

     A resposta de Lutero, na Dieta de Worms foi a seguinte:

     “Já que vossa majestade e seus príncipes querem uma resposta clara, simples e precisa, eu lhe darei uma resposta assim, e a resposta é esta: Eu não posso submeter a minha fé ao papa e aos concílios, por que está tão claro como o dia de que continuamente eles estão errando e contradizendo a si mesmos.

     A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras, ou por razões evidentes, eu me mantenho firma nas Escrituras por mim adotadas, e minha consciência é prisioneira da Palavra de Deus, eu não posso e não quero revogar nenhum dos meus escritos, sendo que não é seguro e nem justo atuar contra a consciência. Que Deus me ajude. Amém.”

     Quando diz que sua consciência é prisioneira da Palavra de Deus, Lutero está dizendo que não deve se submeter a opiniões e a tradições humanas quanto a assuntos doutrinários.

     A Palavra de Deus é a única regra de fé e norma de conduta de vida do cristão; e isto não pode ser esquecido de maneira alguma, haja vista que existem muitas coisas, em todas as denominações, que são puramente denominacionais. Pode até ser que não sejam ensinamentos antibíblicos, mas que simplesmente representam a forma através da qual um grupo de cristãos decidiu fazer as coisas.

     A tradição não nos faz bíblicos. Quando os Credos e as Confissões de Fé coincidem com a Palavra estas declarações exigem de nós uma certa obediência; mas a sua autoridade não está nelas mesmas, senão na Palavra de Deus na qual estão edificadas.

     O Imperador Carlos V inaugurou a Dieta no dia 22 de Janeiro do ano de 1521, quando Lutero então fora chamado a renunciar ou a confirmar seus escritos, sendo-lhe garantido um salvo conduto com a garantia da segurança do seu deslocamento.

     No dia 16 de Abril do ano de 1521, Lutero se apresenta diante da Dieta quando então lhe é apresentada por Johann Eck uma mesa cheia de cópias de seus escritos, e lhe foi perguntado se os livros eram realmente seus e se Lutero acreditava no conteúdo das obras.

     Lutero então pediu um tempo para pensar em sua resposta, e o tempo lhe foi concedido. O monge, então, se retirou em oração, consultou os amigos, se apresentou diante da Dieta no dia seguinte, e Eck lhe pediu que respondesse explicitamente à seguinte questão: “Lutero, repeles seus livros e os erros que eles contêm?”.

     Lutero, então, respondeu: “Que se me convençam diante do testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão, porque não acredito nem no Papa e nem nos Concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo a si mesmos, pelos textos das Sagradas Escrituras que citei, estou submetido à minha consciência e unido à Palavra de Deus. Por isto, não posso e nem quero me retratar de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.”

     De acordo com a tradição, Lutero, disse as seguintes palavras: “Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude!”

     O Imperador redigiu o Édito de Worms no dia 25 de maio do ano de 1521, declarando Martinho Lutero fugitivo e herege.

     Por direção e orientação do Espírito Santo, o apóstolo Pedro registrou em sua carta alguns princípios relacionados ao tema Sola Scriptura:

     “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (II Pe 1.20-21).

     A interpretação das Escrituras não é uma questão pessoal apenas. Por tanto, temos que ter muito cuidado quando ouvimos alguma pessoa dizer o seguinte: “Para mim, esta porção das Escrituras significa isto...”, e outra pessoa dizer: “Bem, para mim, em particular, estes versículos querem dizer o seguinte...” tendo significados contrários, e que logo depois ambos estão satisfeitos com o que cada qual entendeu do mesmo texto.

     Em nossa humanidade sabemos que duas pessoas ortodoxas em sua teologia podem divergir acerca da interpretação de um mesmo texto; mas isto não significa que ambos estejam corretos...

     De fato, duas interpretações diferentes acerca do mesmo texto não podem estar corretas ao mesmo tempo! O Espírito Santo que inspirou o texto sabe qual é a interpretação correta, de modo que é este entendimento o qual temos que tratar de encontrar.

     Nenhum dos ensinamentos da Palavra de Deus chegou até nós como consequência de intenção, desejo ou projeto humano. O homem não decidiu ter uma revelação de Deus e nem tão pouco decidiu escrever esta revelação. A revelação escrita de Deus, que é Bíblia, a Palavra de Deus, é produto da vontade divina e não humana.

     A Bíblia é a voz de Deus em linguagem humana, é o depositário de toda a vontade de Deus para o homem. João Calvino afirmou que a Escritura é a escola do Espírito Santo na qual nem se tem deixado de pôr coisa alguma necessária e útil de conhecer, nem se ensina mais do que é preciso saber.

     A Bíblia é o livro por excelência: inspirado por Deus, escrito por homens, concebido no céu, nascido na terra, odiado pelo inferno, pregado pela igreja, perseguido pelo mundo e crido pelos eleitos.

     Quando os autores da Escritura escreveram a revelação de Deus, escreveram da parte de Deus, inspirados pelo Espírito Santo. Tanto que em II Tm 3.16 lemos que toda a Escritura é inspirada por Deus.

     “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça.” (II Tm 3.16).

     A palavra traduzida como inspirada aqui em II Tm 3.16 é a palavra grega theopneustos, o que significa que toda a Escritura é inspirada por Deus; e é justamente esta inspiração divina das Escrituras que nos obriga a colocar a Bíblia acima de toda outra e qualquer autoridade, opinião ou declaração humana.

     Como a Bíblia é a Palavra de Deus, subtrair qualquer conteúdo ao conteúdo das Escrituras como se este conteúdo estivesse errado, ou mesmo agregar qualquer conteúdo ao conteúdo das Escrituras como se este conteúdo não fosse bom o suficiente e precisasse de acréscimos é um assunto muito sério, é sinônimo de violar a sua integridade.

     “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.” (Ap 22.18-19).

     Acrescentar qualquer conteúdo às Escrituras é como colocar na boca de Deus palavra que o Senhor não disse, da mesma forma que tirar qualquer conteúdo das Escrituras é como que eliminar verdades que Deus deseja comunicar ao homem.

     Eis o que diz o Artigo V da Confissão da Igreja Reformada da França, adotada em 1559:

     “Não é lícito aos homens, nem mesmo aos anjos, fazer, nas Santas Escrituras, qualquer acréscimo, diminuição ou mudança. Por conseguinte, nem a antiguidade, nem os costumes, nem a multidão, nem a sabedoria humana, nem os pensamentos, nem as sentenças, nem os editos, nem os decretos, nem os concílios, nem as visões, nem os milagres devem contrapor-se a estas santas Escrituras; mas, ao contrário, por elas é que todas as coisas se devem examinar, regular e reformar.”

     O pastor Miguel Núñez, em Las Doctrinas de La Gracia, define o que é o Sola Scriptura[2]:

Sola Scriptura significa que a Escritura é: inspirada por Deus, está completa em si mesma, é inerrante (não contém erros), é infalível (e portanto, incapaz de errar ou de guiar ao erro), e é a autoridade suprema (acima de toda outra e qualquer tradição ou autoridade).

Sola Scriptura implica que a Palavra de Deus é a única que obriga a consciência de maneira universal. Sola Scriptura não elimina o valor dos Concílios e das Confissões de Fé que coincidem com a Palavra, e que pressupõe várias horas de estudos e de debates teológicos por homens santos e piedosos.

Sola Scriptura não nos permite fazer uso de uma interpretação privada com a finalidade de torcer o significado da Palavra. Sola Scriptura não nos permite o desapego do passado trazendo para o dia de hoje interpretações novas que contradizem a fé histórica. Sola Scriptura necessita das regras de interpretação bíblica transmitidas ao longo do tempo.

Sola Scriptura julga a Igreja e os pastores e não o contrário.

Sola Scriptura necessita de homens e mulheres que manejam com precisão a Palavra da Verdade.

     Por tudo isto, nenhuma Igreja poderá se levantar e sobreviver sem a autoridade, sem a luz e sem ser guiada pela Palavra de Deus. Nossa única esperança como Igreja, como indivíduos e como sociedade está nesta Palavra revelada.

     Sola Scriptura: A Erosão da Autoridade [3].

     Só a Escritura é a regra inerrante da vida da Igreja, mas a Igreja Evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a Igreja é guiada, por vezes demais pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes têm mais voz naquilo que a Igreja quer, com como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música.

     À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.

     Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o Evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da Igreja.

     A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade.

     A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na Igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensinos, não a expressão de opinião ou de ideias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.

     A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo.

     A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.

Sola Scriptura:

Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.

Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

     A Aliança de Evangélicos Confessionais, reunida em Cambridge, Massachusetts, em 1996, fez um pedido clamoroso a todos os crentes para que se arrependessem do mundanismo infiltrado na vida da Igreja:

     “Convocamos a Igreja, em meio a nossa cultura moribunda, para que se arrependa do seu mundanismo, para que recupere e confesse a verdade da Palavra de Deus como fizeram os reformadores, e para que veja essa verdade incorporada na doutrina, no culto e na vida.”

     Haja vista que em algumas igrejas carismáticas a profecia moderna é considerada como mais importante do que a própria Escritura, chegando ao absurdo de ensinar que como a Bíblia está desatualizada precisa ser completada com profecias modernas, o princípio Sola Scriptura precisa ser defendido pela Igreja.

     O movimento carismático afirma que já como o Espírito ainda está revelando profecias, por que os crentes não devem buscar estas revelações proféticas e adicionar estas revelações proféticas na Escritura?

     No Livro Strange Fire [4], John MacArthur afirma que o Movimento Carismático Moderno, falsamente se chama evangélico, mas mina a autoridade e a suficiência das Escrituras.

     O reverendo Augustus Nicodemus Lopes, em seu livro Apóstolos [5], mostra alguns membros de destaque da liderança no meio evangélico, como por exemplo, Peter Wagner, que abertamente rejeitam o Sola Scriptura, chegando a afirmar que:

     “O espírito demoníaco da religião é que leva os líderes religiosos a se concentrar no que o Espírito Santo disse (as Escrituras) e não no que o Espírito diz (mediante os novos apóstolos).”

     Em meio ao cristianismo contemporâneo, aonde o Sola Scriptura tem sido negado abertamente, cremos que este clamor da Aliança de Evangélicos Confessionais deve ser repetido e repetido a plenos pulmões para que a Igreja seja cada vez mais bíblica e menos mundana.

Notas:

[1] A Dieta de Worms (em Alemão: Wormser Reichstag) foi uma reunião de cúpula oficial, governamental e religiosa, chefiada pelo imperador Carlos V que teve lugar na cidade de Worms (Alemanha), entre os dias 28 de Janeiro e 25 de Maio de 1521.

[2] Las Doctrinas de La Gracia, Miguel Núñez.

[3] James Montgomery Boice e Benjamin E. Sasse, Reforma Hoje: Uma Convocação feita pelos evangélicos confessionais. São Paulo, Cultura Cristã, 1999, p.11-17.

[4] John MacArthur, Fogo Estranho, editora Thomas Nelson, página 91.

[5] Augustus Nicodemus Lopes, Apóstolos, A verdade bíblica sobre o apostolado, editora Fiel, página 323.   

0 comentários :

Postar um comentário

OBSERVAÇÃO:
NEM TODAS AS POSTAGENS TRADUZEM, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DO SITE MATÉRIAS DE TEOLOGIA

Soli Deo Gloria