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FUNDO

31 DE OUTUBRO: DIA DA REFORMA PROTESTANTE (parte 1/7)

Igreja Reformada Sempre Se Reformando (At 2.42-47)

Por Thiago Mancini

31 de outubro dia da reforma
     “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.
     E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.
     E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração. Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” (At 2.42-47).


     A frase Igreja Reformada Sempre Se Reformando, oriunda do latim “Ecclésia Reformata et Semper Reformanda Est” é atribuída ao teólogo reformado holandês Gijsbert Voet (1589-1676) e teria sido pronunciada em uma reunião das 154 reuniões de teólogos e líderes do movimento reformado ocorridas na cidade de Dorbrecht, Holanda, entre novembro de 1618 e maio de 1619.

     Agora, já haviam se passado 101 anos desde que Martinho Lutero publicou 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, deflagrando assim o movimento de reforma da igreja. Então, a idéia central de Gijsbert Voet é que a igreja recém formada (101 anos de idade) deveria prosseguir sendo reformada; ou seja, deveria se esforçar continuamente para retornar à prática de vida cristã adotada pela igreja primitiva.

     Ora, dizer que a igreja reformada deve sempre estar se reformando não significa relativismo doutrinário, haja vista que a Palavra de Deus, que é eterna, imutável e infalível, é a única regra de fé e norma de conduta de vida dos cristãos.

     Ou seja, dizer que a igreja reformada deve estar sempre se reformando não significa dizer que as convicções doutrinárias e que a cosmovisão cristã devem mudar para se adequar às transformações sociais ao longo dos séculos como o aborto, o feminismo, e etc...

     Dizer que a igreja reformada deve estar sempre se reformando também não é sinônimo de relativismo ético, por que os princípios morais abraçados pela cristandade são regidos pela Palavra de Deus e não pelos ditames da sociedade. Quem julga a cultura é a Bíblia; e não a Bíblia quem julga a cultura.

     Em resumo, dizer que a igreja reformada deve estar sempre se reformando não significa dizer que a igreja reformada está sempre mudando, sempre variando, sempre se alterando, sempre aceitando outros conceitos.

     Ao contrário do conceito que muitas pessoas nutrem a respeito do movimento da reforma, a reforma protestante do século XVI não foi uma inovação na história da Igreja, mas sim uma volta às origens do cristianismo apostólico e cristocêntrico, já que a Igreja havia se desviado da verdade e perdido o cristianismo puro e simples.

     Ao longo dos anos os dogmas papais tomaram o lugar da Palavra de Deus e substituíram a Palavra de Deus por tradições meramente humanas, de modo que uma infinidade de heresias tomou o lugar da verdade e apostasia tomou de assalto a vida da Igreja.

     A Reforma Protestante então, longe de ser uma inovação do Cristianismo foi um movimento de retorno à Palavra de Deus e um resgate do Evangelho puro, simples e cristocêntrico pregado pelos apóstolos.

     Desta forma, imediatamente depois do Pentecostes, a Reforma Protestante foi o acontecimento mais marcante da História da Igreja, e a Reforma Protestante é marcada por 5 Solas: Sola Scriptura (Somente a Escritura), Sola Fide (Somente a Fé), Sola Gratia (Somente a Graça), Sola Christus (Somente Cristo) e Soli Deo Gloria (Glória Somente a Deus).

I] SOLA SCRIPTURA (SOMENTE A ESCRITURA)

     “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda boa obra.” (II Tm 3.16-17).

     A Bíblia não é apenas e tão somente uma fonte de revelação de Deus ao homem; mas sim a única regra de fé e norma de conduta de vida e de prática para o homem.

     As tradições humanas por mais antigas e confiáveis que sejam, os dogmas, as crenças e as doutrinas, as decisões dos concílios, as confissões de fé, bem como todo e qualquer pensamento humano precisam passar pelo crivo da Palavra de Deus.

     O princípio Sola Scriptura da Reforma Protestante vem reestabelecer a posição de autoridade da Escritura sobre toda tradição humana e sobre toda experiência mística e espiritual do homem. Ou seja, não é a tradição que julga a Bíblia, mas é a Bíblia que julga a tradição.

     Não são as experiências espirituais, místicas e arrebatadoras que julgam a Bíblia, mas sim a Bíblia que julga as experiências; de modo que qualquer experiência que esteja em contradição com as Escrituras deve ser rejeitada e repudiada imediatamente sem encontrar abrigo no seio da Igreja:

     “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro Evangelho além do que já recebestes, seja anátema.” (Gl 1.8-9).

     Martinho Lutero disse que mesmo que um ensinamento provoque milagres, caso este ensinamento esteja em desacordo com as Escrituras, este ensinamento deve ser rejeitado:

     “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias.”

     Lutero disse a Erasmo de Roterdã, um reformador moral e não doutrinário:

     “Erasmo, a diferença entre você e mim é que você se coloca acima das Escrituras, enquanto que eu me coloco debaixo das autoridades das Escrituras.”

II] Sola Fide (Somente A Fé)

     “Pois não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.” (Rm 1.16-17).

     O princípio Sola Fide da Reforma Protestante vem rearfimar a doutrina bíblica de que a justificação é pela fé e somente pela fé, independentemente das obras da lei; o que significa que a base da salvação não são as “boas obras” do esforço humano, mas sim o sacrifício vicário e substitutivo de Cristo Jesus na cruz do Calvário.

     Ao crer em Cristo o homem recebe de Deus a salvação através da fé, e não através de obras de caridade.

     Muito embora o cristão, salvo em Jesus deva praticar boas obras, as boas obras do cristão são consequência da salvação e não a causa da salvação; ou seja, o cristão pratica boas obras por que é salvo e não para ser salvo. Assim, a fé não é a cauda da salvação, mas o instrumento pelo qual o pecador perdido se apropria da mesma.

     “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” (Rm 3.28).

     Martinho Lutero dizia que Sola Fide é o artigo sobre o qual a Igreja se mantém de pé ou cai, por que deixar de crer que a salvação é pela graça mediante a fé não somente deixa o homem sem salvação, mas também levará a Igreja à ruína.

     Sola Fide é a coluna vertebral da fé cristã pois distingue a Igreja Protestante da Igreja Católica, e é também a doutrina que a Igreja de Roma não crê, já que ensina que a salvação é obtida através da fé mais as boas obras.

III] Sola Gratia (Somente A Graça)

     “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2.8-9).

     O princípio Sola Gratia da Reforma Protestante vem destacar a verdade bíblica de que o pecador é escolhido por Deus para a salvação não por causa de seus méritos, suas obras ou em virtude de sua religiosidade; mas pela graça que é um dom imerecido de Deus.

     O que é graça? Graça é o que Deus dá ao homem mesmo sem o homem merecer. Vamos ilustrar o conceito de graça através de uma história.

     Certo professor de Escola Bíblica Dominical de uma congregação trabalhava com crianças carentes de uma favela perto da Igreja, e em um determinado dia resolveu comprar algumas roupas para um menino pobre que morava no alto do morro da favela.

     O menino, ao ver o professor subindo a ladeira em direção à sua casa, sem saber que o professor estava indo à sua casa para levar um presente, pensando que o professor estava indo à sua casa cobrar frequência do menino às reuniões da Igreja, pegou em pedras e as jogou no professor, que ferido e sangrando, precisou ser levado ao hospital.

     Um dia depois, para surpresa do menino, o professor está subindo a ladeira novamente em direção à sua casa, e batendo à porta, o professor é atendido pelo pai do menino.

     O professor então diz ao pai: “Eu vim trazer estes presentes para o seu filho.” E absolutamente constrangido e envergonhado, o pai diz ao professor: “Professor, meu filho não pode receber estes presentes, por que não é merecedor. Foi justamente ele quem lhe atirou as pedras que lhe feririam ontém.”

     O professor então responde ao pai: “Seu filho não merece, mas seu filho precisa!” Isto é graça.

     Graça é o que não merecemos, mas o que desesperadamente precisamos. Precisamos de salvação por que estamos perdidos em delitos e em pecados, mas não merecemos a salvação por que somos pecadores. Então, Deus nos dá a salvação (que precisamos por que estamos perdidos), mas que não merecemos (porque somos pecadores) pela graça:

     “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2.4-9).

IV] Sola Christus (Somente Cristo)

     “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (At 4.12).

     O princípio Sola Christus da Reforma Protestante reestabeleceu a incontroversa e irrefragável verdade de que entre Deus e os homens, existe um único mediador, o Senhor Jesus Cristo:

     “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (I Tm 2.5).

     Sola Christus afirma a verdade bíblica que Jesus é o único Senhor e Salvador, e que não existe salvação em nenhum outro nome dado entre os homens, pelo qual importa que os pecadores sejam salvos.

     Sola Christus afirma que Jesus é o único caminho para Deus e a única porta de entrada para o céu. Sola Christus significa que o acesso do homem a Deus não é por meio de Maria, não é por meio de Pedro e nem tão pouco por qualquer santo; mas unicamente e exclusivamente por meio do Filho de Deus.

     Jesus é o único caminho para Deus: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (Jo 14.6).

     Embora seja o único caminho para Deus, Jesus não é o caminho que o homem procura seguir para chegar a Deus. Para chegar a Deus, via de regra, o homem prefere seguir o caminho da religião.

     Transitam pelo caminho da religião para chegar a Deus as pessoas que dizem assim: “Eu vou à Igreja aos domingos, dou dízimo e participo de algumas atividades da Igreja. Então, minha entrada no céu está segura, certa e garantida!”

     Ao morrerem, as pessoas que querem se achegar a Deus transitando pelo caminho da religiosidade entram em uma eternidade de condenação mesmo que sejam super religiosos, por que não são convertidos e nem transformados.

     Não importa se o caminho é o hinduísmo, que afirma que no final das minhas reencarnações eu me unirei a Brahma; ou se eu sigo os 8 passos do budismo, tratando de me livrar dos meus desejos egoístas; ou se eu sigo o caminho da obediência a Alá... No final das contas, todos estes caminhos nos deixam perdidos no deserto, e ao chegar a morte não nos livram da condenação eterna!

     Confúcio disse: “Eu nunca disse que era santo!”; mas quando Jesus pergunta quem lhe acusa de pecado (Jo 8.46), ninguém lhe aponta o dedo.

     Maomé disse: “Se Deus não tem misericórdia de mim, eu não tenho esperança!”, mas Jesus diz que quem lhe obedece tem a vida eterna (Jo 3.36).

     Buda disse: “Eu sou alguém em busca da verdade!”; mas Jesus diz que é a verdade (Jo 14.6).

     Confúcio ensinou por aproximadamente 22 anos, tempo similar ao que Maomé ensinou, enquanto que Buda ensinou por aproximadamente 25 anos. Confúcio, Maomé e Buda, juntos, ensinaram por quase 70 anos. Jesus Cristo, por outro lado, ensinou por apenas 3 anos, mas nenhum outro personagem da História impactou o curso da civilização como Cristo...

     Confúcio morreu divorciado, Maomé teve 11 esposas e várias concubinas, apesar de que o alcorão só permite 4 esposas, enquanto que Buda abandonou a esposa e o filho. Mas Jesus Cristo morreu sem pecado.

V] Soli Deo Gloria (Glória Somente a Deus)

     “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.36).

     O princípio Soli Deo Gloria da Reforma Protestante vem restaurar o Teocentrismo ao invés do Antropocentrismo; ou seja, que é Deus e não o homem o centro e a medida de todas as coisas.

     Não é Deus quem vivem para a glória do homem, mas é o homem que deve viver para o louvor da glória de Deus. A primeira pergunta do Catecismo Maior de Westminster é: “Qual é o fim supremo e principal do homem?”; e a resposta é que: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e alegrar-se nele para sempre.”

     A idéia principal, central e fundamental do Soli Deo Gloria é que a razão pela qual Deus faz todas as coisas é para sua própria glória, e que nós também deveríamos fazer todas as coisas para a glória de Deus:

     “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” (I Co 10.31).

Conclusão

     Atualmente, quase que 500 anos depois da Reforma Protestante, afirmamos a plenos pulmões que a Reforma deve continuar. Estamos precisando, e precisando urgentemente de uma nova Reforma, e precisamos de uma Reforma não apenas na Igreja institucionalizada, mas, sobretudo precisamos da restauração da Igreja que somos nós.

     Precisamos de uma Reforma na Igreja? Sim, e urgente; mas precisamos também de uma reforma pessoal, como restaurar o compromisso com Deus, o compromisso pessoal de uma vida piedosa e santificada de oração e de estudo das Escrituras, restaurar a mente e o coração para atendermos na medida do possível as necessidades dos irmãos que congregam conosco domingo após domingo.

     “Ecclésia Reformata et Semper Reformanda Est”, Igreja Reformada Sempre Se Reformando...

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