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FUNDO

A MULHER PODE PREGAR? (PARTE 3)


Porque Não Ter Uma Mulher Pregando? 

Uma resposta a Andrew Wilson

por Thomas Schreiner
Tradução: Thiago Mancini


     A questão específica com a qual nos deparamos é esta: 

I Tm 2.12 deixa em aberto a possibilidade de que é permitido que as mulheres preguem em reuniões semanais de uma igreja local como uma extensão dos oficiais homens da igreja ou como uma expressão sob seu governo e autoridade?




    
 John Piper diz que não (ler artigo)



Andrew Wilson diz que sim, em resposta a John Piper (ler artigo)

    

     Então, quem está correto? E por que motive isto importa?



     John Piper argumenta que as mulheres não deveriam pregar na igreja local, nem mesmo sob a autoridade dos anciãos, nem mesmo deveriam ensinar na Escola Bíblica Dominical para uma audiência mista. Eu vou argumentar aqui, contra o argumento de Andrew Wilson, que John Piper está correto, e a sua resposta é bem fundamentada.



     Me permita dizer de antemão que eu me alegro que Andrew Wilson acredita que, como as Escrituras deixam claro, que as mulheres não deveriam servir como pastores ou pastoras, e eu sempre tenho me beneficiado dos escritos de Andrew Wilson em outras áreas. Ele é um amigo e um companheiro na grande causa do Evangelho. Ainda assim, nesta questão em particular eu acredito que ele comete erros, e eu vou explicar estes erros abaixo.



Os Três Argumentos de Andrew Wilson



     Andrew Wilson fornece três argumentos para apoiar a noção de que as mulheres podem pregar sob a autoridade e permissão dos anciãos. A propósito, esta não é uma opinião nova ou uma forma original sendo disseminada. Tal ponto de vista estava certamente ao redor de mim quando eu era um estudante seminarista nas décadas de 1970 e de 1980. Nós somos relembrados que não há nada novo debaixo do céu.



     Quais sãos os três argumentos de Wilson?



Em primeiro lugar, ele argumenta que nem toda pregação é ensino.



     Existem outros tipos de pregação no Novo Testamento além do ensino, como palavras de exortação, profecia ou uma pregação evangelística. Nada proíbe as mulheres de pregarem este tipo de mensagem, diz Wilson.



Em segundo lugar, o ensino tem uma referência específica, focando na “preservação e na transmissão das testemunhas apostólicas autênticas de Jesus, na era anterior em que o Novo Testamento foi escrito.”



Em terceiro lugar, Wilson me cita para dizer que existem dois tipos diferentes de pregação.



     Ele aponta para passagens como I Co 14.26 e Cl 3.16 aonde todos na igreja são encorajados a ensinar e a instruir aos outros, e desta maneira as mulheres seriam incluídas nesta admoestação.



     “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.” (I Co 14.26)



     “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda sabedoria, ensinando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.” (Cl 3.16).



     Wilson distingue entre o grande "E" e o pequeno "e" de ensino. Ele diz:



     “No nosso contexto, aliás, nós resolvemos isto pedindo aos não anciãos de nossas igrejas que pregam a submeterem os seus sermões à um presbítero, obter dele algum comentário, e somente então, o entregar à igreja; e desta forma, o orador está fazendo o pequeno "e" de ensino, e o presbítero está fazendo o grande "E" de ensino.”



Duas Atividades Proibidas



     Antes de considerar o que Wilson diz, uma palavra sobre I Tm 2.12 é necessário. Paulo diz que ele não “permite que a mulher ensine ou exerça autoridade sobre o marido.” Andreas Köstenberger mostrou em sua análise cuidadosa desta frase que duas atividades distintas são proibidas: ambas ensinar e exercer autoridade.



     Ainda este ano, Crossway está publicando a terceira edição do livro de Köstenberger, e eu coeditei o livro, chamado Womem in the Church: An Analysis and Application of I Timothy 2.9-15 (Mulheres na Igreja: Uma Análise e Aplicação de I Timóteo 2.9-15). A terceira edição do livro de Köstenberger mostra que seu trabalho tem resistido ao teste do tempo.



     Note que Paulo não apenas proíbe as mulheres de ocuparem o cargo de ancião ou de supervisor. Ele também fala funcionalmente, as mulheres não devem ensinar os homens. É um erro limitar o que Paulo diz aqui para o escritório, e então, em seguida, permitir a função.



     Acertadamente e com razão, John Piper diz que se os anciãos permitirem uma mulher pregar, eles permitem o que Deus proibiu. Na verdade, Piper é muito cuidadoso. Ele diz que existem alguns contextos aonde as mulheres podem se dirigir à uma audiência mista, mas elas nunca deveriam pregar, e nem mesmo deveriam ensinar regularmente em uma classe de Escola Bíblica Dominical de adultos aonde há uma audiência mista.



     Wilson acertadamente diz que existem outros tipos de discurso além de ensinar, como profecias ou palavras de encorajamento. Mas estes tipos de discurso não representam a instrução regular, formal e cursiva da Palavra de Deus.



     Na profecia, as pessoas proferem palavras espontâneas de Deus para ocasiões especiais: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados. E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.” (I Co 14.29-32).



     Sim, há o ensino informal que ocorre quando os cristãos estão juntos, aonde os crentes compartilham percepções acerca da Palavra de Deus:



     “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.” (Cl 3.16)



     “Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.” (I Co 14.26).



     Priscila desempenhou um papel de instruir Apollo privadamente: “Ele começou a falar ousadamente na sinagoga; e, quando o ouviram Priscila e Aquila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus.” (At 18.26).



     Mas aqui está o cerne do problema: isto é distinto de pregar para uma congregação reunida ou de uma mulher ensinar regularmente as Escrituras para homens. Este é o grande ponto de discussão entre o grande E de ensino e o pequeno e de ensino. Em outras palavras, eu acredito que a distinção de Wilson, na verdade, fala contra o seu próprio ponto de vista.



Tipos Diferentes de Discurso



     Vamos pensar novamente sobre os diferentes tipos de discurso no Novo Testamento de um ângulo diferente, e novamente eu quero sugerir que o exemplo de Wilson contradiz seu próprio ponto de vista.



     Pregação, eu diria, sempre contém ensino. Na verdade, a pregação provavelmente combina ambos os dons do ensino e da exortação. Por isto, não é plausível ou convincente dizer que a pregação sempre acontece sem ensino. Se não há ensino, então não é uma pregação bíblica autêntica, por que a pregação explica e descompacta a Palavra de Deus. Como é que isto pode acontecer sem o ensino?



     O que é fascinante é que o exemplo de Wilson do que os não anciãos fazem quando pregam dão suporte ao seu argumento. Eles não dão uma palavra espontânea como uma exortação ou uma profecia.



     Ao invés disto, a igreja de Wilson requer que o sermão seja preparado com antecedência, para ser examinado e avaliado antes de ser entregue. Isto não é o pequeno e de ensino! Isto é o grande E de ensino, e por isto é bastante diferente do tipo de instrução informal que Paulo fala em Cl 3.16 e em I Co 14.26.



O Papel do Ensino



     Um dos pontos mais curiosos de Wilson é sobre o ensino em si. Se eu o entendi corretamente, ele sugere que o ensino, corretamente definido, é restrito ao período antes do Novo Testamento ser escrito. Tal ponto de vista ignora a natureza do ensino.



     O ensino explica a transmissão pública e autoritária da tradição sobre Cristo e sobre as Escrituras:



     “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres?” (I Co 12.28-29).



     “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores.” (Ef 4.11).



     “Para o que (digo a verdade em Cristo, não minto) fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios na fé e na verdade. Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda.

              

     Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.

A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição.” (I Tm 2.7-11).



     “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça.” (II Tm 3.16).



     “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.” (Tg 3.1).



     É evidente do restante das Epístolas Pastorais que o ensino em vista da transmissão pública de assuntos de autoridade (confira I Tm 4.13; I Tm 4.16; I Tm 6.2; II Tm 4.2; Tt 2.7). Os anciãos devem trabalhar, em particular, no ensino (I Tm 5.17) para que eles possam refutar os falsos mestres que ensinam heresias (I Tm 1.3; I Tm 1.10; I Tm 4.10; I Tm 6.3; II Tm 4.3; Tt 1.9; Tt 1.11).



     É crucial que o ensino correto e o ensino apostólico passem à próxima geração (II Tm 1.12; II Tm 1.14; II Tm 2.2). Tal ensino não é restrito ao tempo anterior ao que o cânon foi completado; é o coração e a alma do ministério da igreja até a vinda de Cristo.



     Eu sou grato pela oportunidade de dialogar com Wilson sobre esta questão. Ele articula seu ponto de vista com alguma hesitação, e tais discussões amigáveis são importantes na medida em que consideramos como conduzimos a nós mesmos na igreja. Eu retorno ao lugar aonde comecei: as palavras de John Piper nesta questão são sábias, maduras e representam o ensino das Escrituras.



     Finalmente, eu não estou escrevendo isto por que John Piper é um amigo que eu quero defender. Também é importante celebrar os muitos dons que Deus deu às mulheres e as incontáveis formas pelas quais elas ministram na igreja. Nós precisamos relembrar a nós mesmos sempre que diferentes papéis não dizem nada sobre a sua importância ou sobre o seu valor.



     Ainda assim, esta questão é importante, por que como igreja nós precisamos ordenar as nossas práticas de acordo com a palavra de Deus e não de acordo com a nossa própria sabedoria.



     Quando nós nos desviamos do padrão bíblico, sempre há consequência. Deus nos deu instruções para frutificarmos e para nossa felicidade, e quando seguimos suas instruções nós mostramos que confiamos nele.


Thomas Schreiner é professor de Interpretação do Novo Testamento
e professor de Teologia Bíblica no Seminário Teológico Batista do Sul 
aonde também serve como Diretor Assistente da Escola de teologia. 
Ele é autor ou editor de muitos livros e comentários.

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