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O SEU JESUS É PEQUENO DEMAIS? - Por R. C. Sproul



O SEU JESUS É PEQUENO DEMAIS?


Por Robert Charles Sproul
  
Eu me recordo do extraordinário sucesso do pequeno livro publicado por J. B. Phillips entitulado Your Good Is Too Small (O Seu Deus é Muito Pequeno). Foi um grande desafio buscar um entendimento mais profundo acerca da natureza e do caráter de Deus.

     Este livro obviamente atingiu o nervo, na medida em que multidões de pessoas devoraram o livro em uma busca frenética para expandir os seus conhecimentos da majestade de Deus.

     Eu desejo que alguém também possa provocar a mesma reação com relação a Cristo. Ao longo dos meus anos de publicação e de produção de materiais educacionais para cristãos, eu tenho ficado intrigado com algo que me parece estranho.


     Eu tenho notado que os livros sobre Jesus não vendem bem nas Livrarias Cristãs. E eu não estou completamente seguro do motivo por que isto está acontecendo. Talvez isto tenha alguma coisa a ver com a suposição espalhada e difundida de que nós já sabemos muito sobre Jesus ou então que pudesse ser uma atitude não religiosa estudar a Pessoa e a Obra de Cristo tão profundamente. Talvez, tal estudo possa perturbar a simplicidade da fé à qual os cristãos estão agarrados.

     A minha carreira acadêmica e docente já dura muitas décadas. E apesar de ter ensinado no ambiente formal de Universidades e Seminários, a maior parte do meu tempo tem sido dedicada à educação adulta não formal.

     Esta ênfase começou na Philadelphia nos anos 60 quando, enquanto eu estava trabalhando como professor de Seminário, eu fui abordado pelo pastor da Igreja que a minha família frequentava para ministrar um curso sobre a Pessoa e a Obra de Cristo para adultos.

     A minha classe era composta de donas de casa, profissionais liberais, homens de negócio e outras pessoas mais. E à medida que estudamos o material, eu descobri uma resposta mais apaixonada para o conteúdo do meu ensino do que eu jamais havia descoberto ou testemunhado nas salas de aula acadêmicas.

     Estas pessoas nunca haviam sido expostas à um ensino sério de Teologia além do que já haviam experimentado no Escola Bíblica Dominical. Mas mesmo assim foi esta classe que apertou o botão em minha alma que me catapultou para o esforço de tempo integral na educação dos adultos.

O Jesus Manso, Gentil e Meigo

     Parece haver alguma coisa errada com o nosso entendimento acerca de Jesus. Nós falamos em termos doces e polidos de um Jesus manso, gentil e meigo, e falamos da Sua doçura; mas a profundidade e as riquezas da Sua natureza ainda permanecem como que imperceptíveis para nós.

     Agora, eu amo falar sobre a doçura de Cristo e não há nada de errado com esta linguagem. Mas nós precisamos entender o que é que faz de Jesus um ser assim tão doce para os crentes.

     Quando nós consideramos a Jesus como a segunda pessoa da Trindade, o eterno Logos que se tornou carne, instantaneamente nós percebemos que qualquer tentativa de sondar as profundezas da pessoa de Cristo, é como que mergulhar em águas profundas procurando pela natureza do próprio Deus.

     As Escrituras dizem acerca de Jesus em Hebreus:

     “Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
     O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.”
(Hb 1.1–4).

     Aqui, o autor do Livro de Hebreus descreve a Cristo como “o resplendor da glória de Deus e a exata imagem da natureza de Deus.”

     Imagine alguém que não apenas reflete a glória de Deus como Moisés após o encontro com Deus no Monte Sinai, mas que na verdade é o próprio brilho da glória divina.

A Grandeza da Glória de Deus

     O conceito bíblico da glória divina é reiterado repetidas vezes no Antigo Testamento. Nada pode ser comparada com a glória pertencente à essência divina e que tem lugar acida dos céus.
     Esta é a glória manifesta na Teofania da “shekinah”, a nuvem radiante que exibe o brilho puro do ser divino. Esta é a glória d’Aquele que habita em luz inacessível, que é fogo consumidor. Esta é a glória que cegou Paulo na Estrada de Damasco.

     A glória de Cristo pertence à Sua divindade como confessada no hino antigo, “The Gloria Patria”, composto pelos Trinitarianos como eles resistiram à heresia do Arianismo:

“Glória ao Pai
e ao Filho,
 e ao Espírito Santo.
 Como era no princípio,
 agora e sempre será
a Palavra sem fim.
 Amém.”

     No comentário de Hebreus 1, Atanásio declara: “Quem não vê que o brilho não pode ser separado da luz, mas que é, por natureza, própria para isto e coexistentes com isto, e que não é produzido depois disto?”
    
 Ou como Ambrósio proclamou:

     “Não pensem que houve um momento do tempo no qual Deus estava sem sabedoria, mais do que alguma vez houve um momento no qual a luz não tinha brilho. Por que quando há luz, há também o brilho, e quando aonde há brilho aí também há luz. Por que o Filho é o brilho da luz do Pai, co-eterno em virtude da eternidade do poder, inseparável pela unidade do brilho.”

A Grandeza da Revelação de Deus

     Mas o que é que pode ser dito acerca do ser de Cristo: “a expressa imagem da natureza divina”? 
Não somos todos nós criados à imagem de Deus e esta referência não simplesmente  fala do ser de Jesus, o homem perfeito, o único em quem a imagem de Deus não fora manchada ou corrompida? 
Eu penso que o texto significa muito mais do que isto.

     Phillip Hughes diz:

     “A palavra grega traduzida por ‘expressa imagem’ significa um caráter gravado ou uma impressão feita por um dado ou por um selo, como por exemplo, em uma moeda; e a palavra grega traduzida por ‘natureza’ denota a própria essência de Deus. A ideia principal é que o efeito pretendido é a correspondência exata. Esta correspondência envolve não somente a identidade da essência do Filho com o Pai, mas mais particularmente uma revelação ou uma representação do Pai pelo Filho verdadeira e confiável.”

     Nós lembramos a solicitação feita a Jesus por Filipe quando Filipe disse: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isto nos basta.” (Jo 14.8).

     Nós precisamos meditar na resposta de Jesus ao pedido de Filipe:
   

     “Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
     Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.”
(Jo 14.9 – 11).



     Aquele que quiser saborear toda a plenitude da doçura de Cristo, e perceber a totalidade da medida de sua excelência, deve estar disposto a buscar o conhecimento de Cristo como o principal propósito de sua vida. Tais propósitos não podem ser impedidos pelo sentimentalismo...







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