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MULHERES INCRÍVEIS DA REFORMA

MULHERES INCRÍVEIS DA REFORMA

mulheres reforma

por

Justin Holcomb


Com demasiada frequência, os livros didáticos se concentram exclusivamente nos homens da Reforma – Lutero, Calvino, Cranmer, e outros – e deixam de notar as mulheres fiéis que serviram entre, ao lado e com os reformadores.

Estas mulheres foram dedicadas ao evangelho de Jesus Cristo, algumas ao ponto do martírio. Muitas dessas mulheres eram bem-educadas, especialmente pelo padrão de seu tempo. Elas liam livros de teologia, especialmente a Bíblia, e qualquer coisa dos reformadores que podiam ter em suas mãos. Seus círculos de amigos faziam parte de longos e frequentes estudos bíblicos. Eram esposas e mães em sua maioria. Algumas também foram autoras, apologistas, ex-freiras e rainhas. Todas eram servas fiéis de Jesus.


ALEMANHA

Katherine von Bora era uma ex-freira que se casou com Martinho Lutero. Eles foram casados ​​por 21 anos e tiveram seis filhos. Sua rápida língua, humor e teimosia equiparavam-se aos de Martinho – não é pouca coisa. Ela administrava casa deles (que era frequentemente cheia de estudantes), tinha um grande jardim e gado, pescava e cultivava, e manteve uma cervejaria. Ela também administrava o dinheiro deles e cuidava das famílias estendidas deles. Martinho a chamava de “Minha Senhora Katie.”

Katharina Schutz Zell foi casada com Matthew Zell de Estrasburgo e ministrava em parceria com seu marido. Ela desenvolveu ministérios de mulheres e publicou um livro de Salmos para as mulheres cantarem. Ela teve um papel de liderança na organização de auxílio para 150 homens exilados de sua cidade por sua fé, e escreveu encorajamentos bíblicos para as esposas e as crianças deixadas para trás. Durante a Guerra dos Camponeses, ela organizou Estrasburgo para lidar com 3.000 refugiados por um período de seis meses.

Ursula von Münsterberg (1491?  – 1534) foi a neta do rei George Podiebrad da Boêmia. Ursula era uma freira em um convento em Freiberg, Saxônia. Ela liderou um esforço para trazer para o convento um capelão que estava familiarizado com Lutero e tinha livros contrabandeados de Lutero. Devido a isso, ela foi forçada a fugir do seu convento em 1529, sendo que depois que ela permaneceu com a família de Lutero.

Argula von Grumbach era uma nobre da Baviera, que vigorosamente desafiava a aptidão da Universidade de Ingolstadt para debater seus pontos de vista reformados. Suas cartas foram amplamente divulgadas.

Anna Rhegius nasceu em Augsburg em 1505. Ela tinha uma boa educação, que incluiu o estudo do hebraico, permitindo-lhe discutir escritos bíblicos em grande profundidade.

Elisabeth von Braunschweig casou-se aos 15 anos. Depois de ter sido casada por 10 anos, sua mãe Elisabeth a visitou e convidou um pastor luterano para pregar. Dentro de um ano, Elisabeth se converteu e resolveu criar seu filho como um luterano. Após a morte de seu marido, ela escreveu um livro tentando consolar viúvas, ajudando-as através do processo de luto.

Elisabeth Cruciger era de Pomerânia e passou um tempo no convento em Treptow em Rega. Ela deixou o convento em 1522 ou 1523 e se casou com Caspar Cruciger em 1524, evento que marcou o primeiro do casamento protestante oficial. Uma amiga de Katherine Lutero, Elisabeth estava envolvida em debates teológicos nas “conversas de mesa” de Lutero e com Philip Melanchthon, que a considerava uma mulher brilhante. Ela escreveu o primeiro hino protestante em 1524, o que criou uma polêmica já que as mulheres não eram geralmente compositoras naqueles dias.


FRANÇA E PAÍSES BAIXOS

Jeanne d’Albret foi a rainha de Navarra e uma influente líder do movimento huguenote na França. Ela convidou pregadores reformados para falar em sua terra e declarou publicamente sua adesão ao calvinismo em 1560, no entanto, ela deixou claro que ela seguiu “Beza, Calvino e outros apenas na medida em que eles seguiam as Escrituras”. Ela tentou criar uma ponte entre católicos e protestantes e tentou trazer a paz quando as guerras começaram a acontecer. De fato, sendo uma protestante, ela permitiu a continuidade da missa em suas terras, recusando-se a punir os católicos que não se converteram ao protestantismo.

Ursula Jost foi uma mulher anabatista influente em Estrasburgo que escreveu um livro narrando suas visões proféticas do juízo iminente de Deus que viria sobre o povo de sua cidade.

Idelette de Bure era uma viúva com três filhos quando se casou com João Calvino. Uma das crianças deles morreu na infância e ela sofreu um aborto na outra. No processo, Calvino, que falou pouco de sua vida de casado, foi profundamente tocado. O relacionamento deles suavizou o coração dele profundamente.

Marie Dentière (c. 1495-1561) era de origem flamenga de uma família de menor nobreza. Ela fazia parte de um mosteiro agostiniano em Tournai, o qual ela abandonou mais tarde depois de abraçar os ensinamentos dos reformadores, um crime contra a igreja e o estado. Ela fugiu para Estrasburgo e casou-se com Simon Robert, que havia sido um padre, em Tournai, tornando-se sua assistente em seu objetivo de difundir a reforma para a área ao leste de Genebra. Após a morte do marido, ela se casou com Antione Froment, um seguidor do reformador William Farel. Marie escreveu um panfleto anônimo com o objetivo de convencer os genebrinos das intenções de Deus para sua cidade. Ela também falou em tavernas públicas e nas esquinas. Foi um sucesso porquanto Genebra se tornou uma república protestante. Ela também escreveu um livro contando a história da Reforma em Genebra.

INGLATERRA

Jane Grey escreveu cartas ao reformador Heinrich Bullinger aos 14 anos. Como rainha, Jane lutou contra intensos esforços de convertê-la a Roma quando tinha 16 anos. Ela resistiu a estes esforços com raciocínio teológico e ensino bíblico contra um professor de teologia com o dobro de sua idade.

Catherine Willoughby tornou-se a duquesa de Suffolk, em 1533 e era uma amiga de Jane Grey. Ela protegia o pregador-bispo Hugh Latimer, vítima de perseguição, até que as coisas se tornaram tão insuportáveis para ela que, para salvar sua vida, ela fugiu para a Holanda com seu bebê. Ela foi forçada ao exílio como uma defensora da Reforma.

ITÁLIA

Olimpia Fulvia Morata era uma estudiosa italiana nascida em Ferrera como a filha mais velha de um estudioso humanista, que, depois de ser forçado a fugir de sua cidade ao norte da Itália, palestrou sobre os ensinamentos de Calvino e Lutero. Olímpia floresceu em seus estudos, especialmente em latim e grego, exibindo erudição impecável. Ela escreveu diálogos em latim, poemas em grego e cartas tanto para estudiosos (em latim) quanto para mulheres menos escolarizadas (em italiano). Em seu “Diálogo entre Teófila e Filótima”, ela encorajou aqueles que temiam que seus enormes pecados iriam obstruir seu caminho para Deus:

Não temam… Nenhum odor dos pecadores pode ser tão mal cheiroso que sua força não possa ser quebrada e enfraquecida pelo odor mais doce que flui a partir da morte de Cristo, que só Deus pode perfumar. Portanto, busquem a Cristo.

Todas estas mulheres desejaram ver o triunfo da Reforma, e a boa notícia do evangelho superar a oposição, tanto dentro da igreja quanto fora dela. Elas serviram com paciência, coragem e perseverança. Elas não eram apenas observadoras da Reforma, mas também participantes. Além disso, cada uma delas foi  poderosamente usada por Deus para manter a integridade de Sua igreja e redimir uma humanidade caída.


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