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FUNDO

A DESTINAÇÃO FINAL NÃO É O ÚNICO PROPÓSITO

A destinação final não é o único propósito


 Tradução: Fabrício Moraes

teologia
Algumas pessoas podem pensar que a frase “Deus criou o réprobo apenas para torturá-lo no inferno por toda a eternidade” é um quadro acurado de um aspecto do Calvinismo. Eu já escutei essa frase sendo usada inúmeras vezes numa tentativa de criticar o Calvinismo. Qual é uma boa resposta quando alguém pergunta se é nisso que você acredita – ou caso afirme que é isso que sua crença logicamente implica?


1.      A resposta curta – As tulipas1

Uma resposta curta consiste em demonstrar que tal afirmação equivale a dizer que você compra flores para sua esposa apenas para jogá-las posteriormente no lixo. É pra lá que elas vão, certo? Mas não é absurdo supor que todo o propósito dessas flores se resume em sua destinação final? O propósito real das tulipas é embelezar a casa por um curto espaço de tempo. Sim, elas por fim hão de terminar no lixo ou numa pilha de compostagem, mas este não é o propósito primário delas. É igualmente absurdo supor que o propósito primeiro dos reprovados é a destinação deles ao lago de fogo. Há, na vida deles, mais do que isso, há mais em suas existências do que isso apenas, e Deus os usa de outras formas diferentes.

2. A resposta longa – seus ancestrais e a tulipa2 revisitada

Nós não conhecemos todos os propósitos de Deus, ou todas as razões que Ele possui para fazer as coisas que faz. Muitos dos meus e dos seus ancestrais foram reprovados, mas Deus utilizou deles para que gerassem pessoas que, por seu turno, geraram outras pessoas até que...por fim, viéssemos à existência. Sem essas pessoas, nós não poderíamos sequer existir. Creio que esse não era o único propósito que Deus tinha para eles; contudo, constitui-se como um propósito. Eles tiveram outros papéis vitais também. Você não é uma ilha, nem o eram seus ancestrais. Você e vários deles foram protegidos, servidos, nutridos e sustentados por pessoas que eram pessoas reprovadas [no decreto da Eleição divina]. Portanto, o papel dos reprovados em sua própria vida e em sua própria existência é enorme – provavelmente ultrapassa qualquer coisa que você possa compreender diretamente.
Mas voltemos à tulipa. Se você olhar por meio de um microscópio para a célula individual de uma tulipa, talvez seja difícil perceber seu propósito. Talvez a célula particular que você analisa naquele momento tenha um pigmento particular, que dá uma bela cor àflor – mas muitas das outras células não possuem tal pigmento. Há várias células no caule e nas folhas. Se você está olhando para elas em um microscópio, você pode perder de vista a figura completa de suas funções dentro da tulipa tomada como um todo. O mesmo pode ser dito em relação ao indivíduo humano.
Cada ser humano não é o todo nem o fim último do universo da Criação. O indivíduo é semelhante a um azulejo de um mosaico muito maior. Contudo, diferentemente do mosaico, Deus criou cada azulejo3. Desse modo, o azulejo não é simplesmente encontrado e encaixado arbitrariamente; pelo contrário, ele é especialmente planejado para os propósitos aos quais serve no vasto drama da História.
Então, a questão inicialmente proposta (“Deus criou o réprobo apenas para torturá-lo no inferno por toda a eternidade”) está equivocada, pois se configura tanto como míope quanto narcisista.


Notas
[1] O autor do texto faz um jogo de ideias com a ideia da flor tulipa, bastante comum na Holanda, com o anagrama mnemônico da soteriologia calvinista, que, em inglês, é também o nome da flor: TULIP. Adaptado ao vernáculo, alguns teólogos, visando fins didáticos, geralmente transliteram da seguinte forma: Total depravação; Uma eleição incondicional; Limitada expiação; Irresistível graça; Perseverança dos santos.
[2] ver nota anterior.
[3] A ênfase nessa passagem recai sobre o ato da Criação do homem (a antropogonia). Opondo-se à visão neodarwiniana do “acaso e necessidade” como moldadores da espécie humana, o Cristianismo concebe o homem como uma criatura pessoal formada pelo poder e amor de Deus, O Qual plasma Sua imagem e semelhança nela para assim estabelecer um relacionamento vivo e gratuito. A personalidade de cada indivíduo é um milagre que surge da criação voluntária e cuidadosa de Deus. Não há uma “produção industrial” de indivíduos segundo a cosmovisão cristã; antes, Deus atenta para Sua criação (Salmo 8), e, mesmo com os reprovados, Ele exerce Sua graça comum (Atos 14: 15-17).

Autor: - TurrentinFan 
Fonte: http://turretinfan.blogspot.com.br/2014/08/ultimate-destination-isnt-only-purpose.html

Tradução: Fabrício Moraes

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