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FUNDO

PAULO ENSINA EM COLOSSENSES 1.19-20 A EXPIAÇÃO UNIVERSAL? - por Leonardo Dâmaso


INTRODUÇÃO

Colossenses 1.19-20 é um dentre os vários textos da Escritura, especialmente do Novo Testamento, que os arminianos utilizam como base para ratificar a expiação universal ou a redenção ilimitada; ou seja, que Jesus não morreu na cruz e ressuscitou para salvar apenas algumas pessoas, mas para possibilitar a salvação de “todos” que creem em Cristo Jesus como Senhor e salvador.

Roger Olson, um dos maiores proponentes do arminianismo hoje, declarou em seu artigo intitulado – O AMOR DE DEUS ESTÁ LIMITADO AOS ELEITOS? – que, de acordo com Colossenses 1.19-20, é “impossível interpretar todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão no céu (vs.20) como se referindo apenas aos eleitos”. Ele afirma veemente que “esta passagem refuta a expiação limitada”.  

Sendo assim, vamos analisar, de forma breve e objetiva, se realmente Colossenses 1.19-20 atesta se a obra redentora de Jesus foi por todas ou somente por algumas pessoas. Para que tenhamos uma logre compreensão do tema em pauta, é necessário retornarmos ao contexto imediato – anterior e posterior e trazer à baila alguns pontos importantes. 
  
EXPLANAÇÃO

No capítulo 1 da carta aos Colossenses, podemos observar que Paulo destaca a relação de Jesus com

(1) A divindade (vs.15)
(2) A criação (vs.16)
(3) A salvação (vs.20-23)
(4) A igreja (vs.18-19)

Desse modo, os versículos 18-19 fazem alusão ao relacionamento de Jesus com a sua igreja. Não obstante, no versículo 19, Paulo explica os versículos 17-18. Em outras palavras, o versículo 19 é a resposta dos versículos 17-18. Paulo esboça que Cristo foi o primeiro a ressuscitar dos mortos, ficando implícita a obra vicária, onde, através disso, os cristãos possam ter seus corpos glorificados e terem a vida eterna. Esta obra singular de Cristo denota que ele tem a proeminência sobre tudo. Ele é soberano sobre toda a sua criação (vs.17-18).

Em suma, Paulo, contudo, realça Cristo como o cabeça (governante) da igreja (vs.18); como a origem da igreja (vs.18b); como aquele que venceu a morte (vs.18c); como aquele que tem o poder supremo sobre todo o universo (vs.18d); como aquele em que reside toda a plenitude (vs.19). No versículo 20 o apóstolo enfatiza a origem da reconciliação, mostrando a necessidade da mesma entre Deus e o homem em virtude do pecado. Foi Deus quem tomou a iniciativa da reconciliação, e não o homem. Deus nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo Jesus (2Cor 5.18). A cruz não moveu o coração de Deus para a reconciliação; antes, a cruz foi o resultado da reconciliação de Deus com os homens pelo seu amor incondicional por eles. O sangue de Jesus não possui fluído ou propriedades salvadoras em si, mas, aqui, remonta a totalidade do sacrifício vicário de Jesus por amor, que é a fonte que emana essa maravilhosa reconciliação. A cruz retrata tanto o amor quanto à justiça de Deus em punir os pecados dos crentes em Jesus, o substituto deles (2Cor 5.21).

No versículo 20, Paulo descreve a extensão da reconciliação em Cristo Jesus, mostrando que a obra a redenção alcança todo o universo. A expressão todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus, se refere à criação em geral (vs.16). O pecado não atingiu apenas os homens, mas também o universo inteiro (Rm 8.20-22). Jesus, portanto, veio para trazer a redenção dos homens e também da terra. Em breve, na segunda vinda de Cristo, a criação será redimida de sua escravidão (Ef 1.10). Desse modo, todas as coisas abarcam a criação composta tanto de homens, animais e outros seres.

Porém, é importante distinguir que reconciliação universal não é a mesma coisa que redenção universal. Roger Olson não compreendeu esta distinção em seu artigo ao citar este trecho de Colossenses. Paulo não está dizendo aqui que Jesus morreu por todos os homens e, tampouco, ensinando o universalismo. Indubitavelmente ele queria mostrar que nenhuma parte do universo está fora do propósito e da consequência da obra da redenção. Paulo denota que não há nada, nem sequer os demônios podem destruir a igreja. Esta posição tem um paralelo distinto com Romanos 8.38-39 e se harmoniza com o capítulo 2.15 de Colossenses, 2 Pedro 2.4 e Judas 6. Peter T. O' Brien escreve que

Céus e terra foram restaurados à ordem definida por Deus. O universo está sob o domínio do seu Senhor e a paz cósmica foi restaurada. Reconciliar e “fazer a paz” (que envolve a ideia de trazer a paz; ou seja. vencer o mal) são expressões usadas como sinônimos para descrever a obra poderosa que Cristo realizou na história por meio de sua morte na cruz.

Acerca dos principados e potestades, Peter T. O'Brien diz que eles

... continuam a existir e se opõem a homens e mulheres (veja Rm 8.38,39), mas no fim das contas não podem prejudicar alguém que esteja em Cristo. Sua queda é certa (1Co 15.24-28). Além disso, não se pode deduzir a partir desse versículo que todos os homens e mulheres ímpios aceitaram livremente a paz alcançada pela a morte de Cristo. Mesmo que no final todo joelho se dobre diante de Jesus e o reconheça como Senhor (Fp 2.10,11), não devemos supor que todos ficarão felizes com isso. Sugerir que o v.20 aponta para uma reconciliação universal, na qual todas as pessoas acabarão por desfrutar as bênçãos da salvação, não tem nenhum fundamento.1

John macArthur corrobora que uma forma intensificada de reconciliar é usada neste versículo para se referir à total e completa reconciliação dos cristãos e, em última análise, de todas as coisas no universo criado (Rm 8.21; 2Pe 3.10-13; Ap 21.1). Essa passagem não ensina que, como resultado, todos crerão; pelo contrário, ela ensina que, no fim, todos se submeterão.2 

Nessa mesma linha de pensamento, William Hendriksen resume:

O pecado arruinou o universo. Ele destruiu a harmonia entre as criaturas e também entre todas elas e seu Deus. No entanto, por meio do sangue da cruz (Ef 2.11-18), o pecado, em princípio, foi vencido. A Demanda da lei foi cumprida, sua maldição destruída (Rm 3.25; Gl 3.13). Assim também a harmonia foi restaurada. A paz foi estabelecida. Por meio de Cristo e sua cruz o universo é reconduzido ou restaurado ao seu correto relacionamento com Deus no sentido de justa recompensa por sua obediência. Cristo foi exaltado à destra do Pai, e, desta posição de autoridade e poder, governa todo o universo para o bem da Igreja e para a glória de Deus.3    

CONCLUSÃO

Paulo não ensina uma redenção ilimitada ou universal em Colossenses 1.19-20 conforme Roger Olson declarou em seu artigo. Esta reconciliação remonta a insofismável verdade descrita nos versículos 13-14, que diz:Ele nos libertou do império das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.Ou seja, os eleitos de Deus foram reconciliados pela morte de Cristo que os libertou da escravidão do pecado e de Satanás (veja 2.13).

Assim, o relacionamento entre Deus e o homem foi restaurado (2Co 5.17-21); o homem tem agora paz com Deus e a paz de Deus (Rm 5.1); a glorificação dos eleitos em Cristo Jesus espalhados por todo o mundo (Ap 5.9) está assegurada (Rm 8.18-21) e, finalmente, a restauração da criação, que se dará na segunda vinda de Cristo.  
  


NOTAS:

1. Comentário Bíblico Vida Nova. D.A Carson, R.T France, J.A. Motyer, G.J. Wenham. Vida Nova, pág 1904-1905.
2. Bíblia de Estudo MacArthur. Notas de Rodapé, pág 1628.
3. William Hendriksen. 1, 2 Tessalonicenses; Colossenses e Filemon. Cultura Cristã, pág 343-344.


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