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O PERDÃO QUE DEVEMOS IMITAR - por Priscila Dâmaso


Introdução

Esta passagem do Evangelho de Mateus retrata o perdão de Deus e a nossa postura diante desta demonstração de compaixão por pessoas indignas como nós. Jesus conta uma parábola sobre um rei que decidiu cobrar as dividas de seus súditos. Ao chamar um de seus servos que lhe devia mil talentos, o rei, todavia, se depara com o desespero do tal. O homem se joga aos pés do rei implorando que o nobre se compadecesse dele e de sua casa, prometendo, então, pagar aquela dívida. O rei, movido de compaixão, dá mais uma chance ao seu servo e o despede em paz lhe perdoando aquela divida.
                                                                                                            
Com certeza aquele homem devia estar sentindo um grande alívio em seu coração. Olhando mais adiante, viu alguém que lhe devia 100 denários. Passando por ele, o cobrou e, da mesma forma da qual ele fez diante do rei, o seu conservo ajoelhou-se diante do homem pedindo misericórdia. Porém, o homem não agiu com a mesma compaixão, pelo contrario, mandou prender aquele que lhe devia bem menos do que a sua dívida com o rei. Mas os que presenciaram os dois momentos relataram ao rei o acontecido e este mandou que prendesse o tal homem.

Com esta passagem, vamos tentar entender o perdão de Deus, que é algo tão profundo, intenso e que devemos imitar.

Explanação

1. O reino dos céus é semelhante ... (vs.23)

O reino é comparado aqui por um rei humano. Um reino que estabelece determinados tipos de relações pessoais retratados por essa parábola, cujo ponto é apresentado no versículo 35.

Esta parábola que o Senhor Jesus conta aos seus discípulos mostra como é o Reino de Deus e também como a igreja de Cristo deve se portar neste mundo. Salienta que o rei, embora seja misericordioso, é também severo no julgamento dos pecadores. Assim também deve ser a igreja de Cristo. Nesta parábola, Jesus mostra que somos habitantes de um Reino que é governado por um rei piedoso e misericordioso que perdoa nossas dividas incalculáveis, e aqueles que não perdoam são excluídos do meio dos seus.

2. Certo rei

Aqui, se refere literalmente a um homem importante – a um rei. Este era um homem muito rico que emprestava grandes quantias de dinheiro aos seus servos. Não media esforços a emprestar àquele que lhe pedia.

Certo dia este rei decidiu prestar contas com os seus servos sobre aquilo que eles o deviam. Um por um foi chamado. Todavia, o Senhor Jesus menciona nesta palavra um homem que, ao ser chamado e lhe cobrado o que devia, prostrou-se e clamou pela compaixão do rei.

Sua dívida era de 10 mil talentos, que, naquela época, era uma quantia relevante. O rei aqui mencionado é uma figura de Deus que reina com justiça e amor. Da mesma forma que o rei perdoa a grande divida de seu servo que clama o Senhor, Deus também nos perdoou da grande divida que tínhamos para com ele. Era uma dívida tão grande que só a morte substitutiva de Cristo Jesus, o Deus- homem e mediador poderia ser a forma de pagamento. Mas Deus, em sua infinita misericórdia, entrega seu filho, seu único filho para que essa divida fosse paga e, assim, perdoada.

3. A divida e o devedor (vs. 24)  

Muitos não têm noção do tamanho da dívida que tínhamos com Deus. Aquele servo devia 10mil talentos. Algumas estimativas recentes sugerem que a divida deste homem equivalem, em dólares – 12 milhões. Com a inflação e a flutuação do preço dos metais preciosos, ela poderia ultrapassar um bilhão de dólares em moeda atual.1
   
A nossa dívida, digamos, é infinitamente maior com Deus. Pecamos de todas as formas contra o Rei dos reis. Pecamos contra sua Santidade ao nos entregarmos as nossas paixões, ao nos entregarmos as nossas lascívias e vícios, quando difamamos o seu templo que o nosso corpo. Pecamos contra Deus quando o negamos com as nossas atitudes e palavras; pecamos e pecamos das formas mais cruéis. Pecamos contra o nosso próximo e de todas as formas. Merecemos perdão? Não, contudo, Deus nos perdoou e nos amou sem merecermos, sem termos algo digno de tal atitude.

4. A incapacidade de perdoar (vs.28-31)

Após tamanha demonstração de compaixão vinda do rei, o homem, ao sair do palácio, se vê na mesma situação em que se encontrara alguns minutos atrás. Porém, não demostrou nenhum ato de misericórdia por algo tão pequeno que outro lhe devia. O homem demonstrou sua ingratidão lançando alguém que estava na mesma condição que ele na prisão.

Assim somos nós diante de Deus.  Deus perdoou aquilo que era imperdoável em nós e, mesmo sabendo disso, o homem não é capaz de perdoar as ofensas tão pequenas dos outros contra nós.

Por outro lado, não estou falando que é fácil praticar o perdão – é mais difícil do que se pensa. Falo com toda certeza que somente aqueles que foram tocados e que são totalmente do Senhor, eleitos Deus, são capazes de perdoar sinceramente.  Quem sabe você deve estar se perguntando: Mas existe cristão que não consegue perdoar... Irmão, irmã, quem nasceu de novo, olha para sua própria existência e vê que não merecia perdão. Sendo assim, porque devemos achar que o nosso próximo não merece ser perdoado?
  
Conclusão

Todos nós estamos sujeitos a errar, pois somos pecadores e imperfeitos. Temos que agir semelhantes ao nosso Deus, que nos amou de tal maneira que, além de nos amar, perdoou a dívida que nunca conseguiríamos pagar – uma dívida de valor infinito que somente um Deus infinito poderia pagar. Pare de se achar o melhor! Todos nós estamos no mesmo barco. Todos carecemos da misericórdia de Deus. Por maior seja o mal que te fizeram, por maior seja a dor que te causaram, nada se compara com o que eu e você fizemos contra Deus. Perdoe! Perdoe sempre! Não sejamos obstinados e prepotentes em negar o perdão aqueles que erraram conosco, pois você também foi perdoado por uma divida muito maior. Deus os abençoe! O perdão vai gerar em seu coração o amor, pois a maior prova de se perdoar é o fato de que você ama e que Deus te ama. (veja Sl 130:4; 78: 38-39; Mq 7:18; Lc 17:3-4; Mt 18:21-22).



NOTA:

1. D.A.Carson. Mateus, pág 474. 

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