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FUNDO

O AMOR DE CRISTO - por Priscila Dâmaso


TEXTO BASE: Marcos 15:25-26, 29-39

INTRODUÇÃO

Passou o dia de pascoa, e mais uma vez, o povo foi para as ruas e para as lojas em busca de um ovo de chocolate gostoso e bonito para presentear um ente querido. Mas e o sentido da pascoa? Mais uma vez foi jogado ao esquecimento!

Esta data era para ser um momento de reflexão e arrependimento, pois alguém se entregou; alguém inocente e sem pecado se entregou para que homens mortos pudessem viver. Alguém morreu para que pessoas indignas fossem aceitas em um reino de amor. Que através dessas linhas possamos levar nossas mentes lá no gólgota, onde o sangue de um Homem mudou o nosso destino. Aquilo que estava escrito se cumpriu naquela noite de escuridão e dor.


EXPLANAÇÃO

Muitos são os que pensam que a dor de Jesus começou quando seu corpo estava pendurado no madeiro. Entretanto, a dor de Cristo começou com intensidade no Getsêmani, onde sua alma foi tomada de pavor e angustia. Seu coração foi mergulhado no desespero de ver que àquela hora tão esperada estava chegando. Foi uma dor tão intensa que de seus poros escorreu sangue (Mc 14:32-36). Jesus, ao chegar naquele jardim, se retirou para um lugar secreto, o qual poderia ficar sozinho com seu pai para orar.

Irmãos, pior que seu corpo ser perfurado e ser tão maltratado como Ele foi é sentir o cálice da ira de um Deus santo ser derramado sobre nossas cabeças. Jesus sentiu todo esse derramar até a ultima gota. O fenômeno raríssimo que Jesus sofreu ao expelir sangue de seus poros chama-se “Hematidrose”, que é movido por forte estresse e pânico.  As veias sudoríparas se rompem liberando sangue.

Após esse momento de angustia e desespero, o Senhor se volta para seus discípulos com a intenção de chama-los para orar com Ele. Porém, ao chegar onde eles estavam, Jesus se depara com uma cena lastimável – os seus discípulos estavam dormindo, e quando acordaram já era tarde, pois o traidor já subia o monte cercado por soldados fortemente armados ( Mc 14: 37-42).

Jesus observa aquele que andava ao seu lado, aquele que foi escolhido desde a eternidade para tão cruel decisão vindo em sua direção. Judas Iscariotes, o seu tesoureiro confiável estava ali para entregar o Mestre. Com um ato que deveria ser um símbolo de afeto e amor, Judas revela aos soldados quem era aquele que eles procuravam com um beijo na face (Mc 14: 43-46). O beijo da morte foi dado. Começaria, então, o caminho da dor e da humilhação. As chagas seriam expostas! Antes de ser levado, Jesus dirige-se aos soldados dizendo que eles não precisavam daquelas armas para prendê-lo, pois tudo aquilo já estava determinado por Deus para acontecer (Mc 14:48-50). 

Não foram os soldados que prenderam Jesus, antes, ele se entregou por livre e espontânea vontade. Os discípulos, contudo, fugiram. O senhor Jesus foi levado até o sinédrio para ser julgado e, logo após, foi levado diante de Pilatos para decidir (o que já estava decidido por Deus) o que fariam com ele. Não foi o governo romano que matou Jesus, foi a igreja daquela época, o povo do qual Jesus curou suas enfermidades e os libertou de seus demônios. 

Não pense que hoje seria diferente! Se o senhor Jesus viesse hoje para se cumprir a profecia, nós mesmos que o crucificaríamos. A igreja evangélica neopentecostal de hoje mataria Jesus com a mesma violência e intensidade. 

Vamos, então, destacar alguns pontos primordiais sobre a morte de Cristo, especificamente as etapas logo após o julgamento: 

1. A caminhada até a cruz (Mc 15:21-23) 

Jesus tinha sido preso e, na prisão, foi esbofeteado, castigado e humilhado. Os guardas vendaram os olhos de Jesus e batiam na face para que ele pudesse adivinhar quem tinha batido. Cuspiram nele e o coroaram com espinhos, que foi um meio de zombarem dele por se auto-intitular Reis dos judeus. Após colocarem a coroa sobre sua cabeça, batiam com uma vara para que os espinhos se cravassem em sua cabeça. 

Os espinhos da coroa entram em seu coro cabeludo causando Nevralgia do trigêmeo e do nervo occipital, que produzia uma dor tão intensa que nem morfina amenizava. 

Logo após, o senhor foi encaminhado até o pretório de Pilatos para ser açoitado e escarnecido. O chicote que os soldados usaram para castigar Jesus era feito com pontas de ossos pontiagudos, que, ao chocar-se com a carne de Jesus, rasgaram sua pele abrindo grandes feridas por todo o seu corpo. Ali, o Rei dos reis apanhava por homens imundos e sanguinários que não imaginavam que sobre aquele homem calado diante de toda dor, carregava sobre seus ombros nossos pecados e maldição. 

Começa, então, a longa caminhada em direção ao calvário. Cansado e ferido, Jesus toma sobre seus ombros a nossa pesada cruz. Ele caminha do pretório ao gólgota ao som enlouquecido dos sedentos por sangue. Açoitado cada vez mais pelos cruéis e covardes soldados romanos, depois de alguns quilômetros, não aguentando aquele imensurável castigo que nos traz a paz, Jesus se desequilibra e cai sobre o solo maldito da via dolorosa. 

Os soldados ordenam que um homem que assistia a tudo ajudasse Jesus a carregar a cruz. Seu nome era Simão Cireneu, um homem que teve sua vida tocada naquele momento pelo o olhar de amor de Jesus. Este caminhou com o senhor até o lugar de sua morte. 

2. O local da crucificação (Mc 15:22) 

O monte da caveira, mais conhecido como gólgota ou calvário, era o lugar escolhido onde o filho de Deus seria crucificado. Ali homens perigosos eram condenados onde não tinham direito nem a sepultamento. 

Muitos os que eram crucificados naquele lugar eram deixados por lá até apodrecerem em suas cruzes. Talvez o nome do lugar [monte da caveira] não tenha sido colocado pelo fato que o monte tinha um formato parecido com um crânio e pelo horror de ter sempre corpos pendurados  em estado de putrefação e pelo cheiro de morte que exalava daquele lugar. 

3. A dor física da crucificação 

Vamos analisar os efeitos físicos do sofrimento do senhor Jesus ao ser pendurado na cruz do calvário: 

3.1. Mãos. As palmas das mãos de Jesus foram perfuradas mais ou menos na base do polegar, onde passa o nervo mediano, que é uma área sensível à dor e muito resistente. Esta área das mãos suporta até 102 kg de peso com os braços pendentes num ângulo de 65º. Os pregos eram de aço e mediam 6,2 polegadas, a base de 9 mm e a ponta de 5 mm. 

3.2. Pés. Os pregos que foram usados para perfurar as mãos também foram usados nos pés. Eles pressionaram os nervos desencadeando excruciantes e contínuas dores. Existem várias opiniões a respeito de como os pés de Jesus foram pregados – se juntos ou separados. Pessoalmente eu creio que os pés de Jesus foram pregados juntos. 

3.3. Torax e pulmões: Açoites violentos causaram traumas no tórax de Jesus. Sangue e liquido acumularam-se em seus pulmões e, por isso, ele teve muita dificuldade de respirar. Quando conseguia, Jesus sentia dores extremas no peito. Com certeza ele teve uma hemorragia que causou o colapso de um de seus pulmões. 

3.4. Coração: Dores agudas no peito desencadearam Pericardite (inflamação na membrana que envolve o coração). A lança arremessada contra o peito de Jesus perfurou o átrio direito do coração e rompeu a aorta.   

4. A dor moral e espiritual da crucificação 

Jesus foi escarnecido como profeta (Lc 22:63-64), salvador (Mc 15:31) e Rei ( Mc 15: 26, 32). O Deus que se fez homem, que pregou somente o amor, a esperança e a justiça, que curou os enfermos, que libertou os cativos, foi pendurado num madeiro, considerado maldito entre dois criminosos. Foi exposta a sua nudez para se cumprir o que foi dito por Davi no Salmo 22:18 – eles rasgaram suas vestes e a repartiu entre si. Ele foi zombado e insultado até por um dos bandidos que estava nas mesmas condições. 

Ali também estava “satanás em meio ao som frenético do povo”, dizendo: salva-te a ti mesmoSe Jesus tivesse ouvido as palavras do povo e resolvesse descer da cruz, nós no mesmo instante, desceríamos para o inferno. 

5. O grito de desamparo (Mc 15:34-35) 

Jesus tinha sido desamparado pelos discípulos, pelo povo, pelos lideres religiosos, pelos ladrões e o pior – ele sentia o desprezo do Pai naquele momento. Esse foi o momento em que o universo se contorcia de dor. O sol escondeu o seu rosto e houve trevas ao meio dia sobre a terra. Momento crucial! A sede, o desamparo e a agonia se tornam símbolos do inferno. Na cruz, Cristo mergulhou sua alma nas profundezas do inferno; na cruz se fez pecado e maldição; foi na cruz que ele sorveu o cálice da ira de Deus da qual temeu no Getsêmani. Na cruz que suspirou a pior e mais dolorosa das perguntas: Eloí, Eloí Lama sabactami. Neste momento decisivo todo o pecado dos eleitos cai sobre Ele (Is 53.5)! 

6. A morte (Mc 15: 37-41) 

A terceira hora do dia, ou seja, às 9 da manhã, Jesus é Crucificado. Do meio dia às 3 horas da tarde houve trevas sobre a terra. Seis palavras foram proferidas por Jesus naquelas seis horas que estava pendurado na cruz:

6.1. Palavra de perdão ( Lc 15:25) 
6.2. Palavra de salvação ( Lc 23:43) 
6.3. Palavra de afeição e cuidado (Lc 19:26-27) 
6.4. Palavra de desamparo (Mc 15:34) 
6.5. Palavra de agonia ( Jo  19:28) 
6.6. Palavra de Vitoria (Jo 19:30) 

A morte de Cristo Jesus naquele momento nos garantiu nossa redenção. Nossa divida foi paga, assinada com tinta de sangue. Assim, nada pode nos separar do amor de Deus que esta em cristo Jesus, o nosso Senhor. 

7. O véu do santuário rasgado (Mc 15: 38) 

Isso significa o cumprimento da lei cerimonial judaica. Agora temos livre acesso ao santo dos santos. Jesus abriu um novo e vivo caminho para Deus. Seu sacrifício foi perfeito. A porta do céu se abriu novamente para os eleitos de Deus. 

8. A ressurreição (Mc 16:1-18) 

Depois de toda agonia, Cristo ressurge, levanta dentre os mortos, vence o mundo e a morte e se assenta em seu trono de glória majestoso, glorioso. Reina para todo sempre e é adorado nos céus e na terra. Seu nome está acima de tudo e de todos. 

CONCLUSÃO

Diante de tudo o que foi esboçado, você ainda acredita que o coelho da pascoa merece toda a atenção. Somente Jesus merece toda Honra e glória! Ninguém, nem santo, nem religião, nenhum ser fez por nós, miseráveis homens, o que Jesus fez. Ninguém na terra, no céu e em debaixo da terra teve tanto amor assim. Nenhuma teologia humana, nenhuma filosofia e nem mesmo a própria religião feita por homens pode ofuscar o brilho desse tão profundo amor. É intenso demais! 

Só existe um lugar para o qual devemos correr desesperadamente – para os braços de Jesus. Devemos nos esconder debaixo de suas asas, inclinar nossa cabeça em seu peito e ouvir batidas intensas de um coração que nos ama de verdade. Nele encontramos a cura e o consolo para nossa alma ferida e abatida.

Arrependamos, então, de todo mau. Olhemos intensamente para o autor e consumador de nossa fé. O senhor que nos comprou com tão grande preço voltará e enxugara de nossos olhos toda a lágrima. Habitaremos eternamente com o nosso amado o adorando e o exaltando pra sempre. A Ele seja toda a glória, amém.

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Soli Deo Gloria