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NÃO TOQUEIS NO UNGIDO: O ASSÉDIO RELIGIOSO - por Thiago Oliveira


Incrível como tem crescido o número de pessoas decepcionadas com Deus e com o Evangelho. Essas pessoas, tempos atrás, estavam devotadas quase que 24 horas, 7 dias por semana dentro das igrejas. Obreiros dedicados a “ministérios poderosos” que cegamente confiavam em pastores, profetas e apóstolos. Hoje estão por aí juntando os cacos, tentando se reabilitar e tocar suas vidas sem serem atormentadas pelo espectro do nicolaísmo.

No livro do Apocalipse, mais precisamente nas cartas endereçadas às igrejas de Éfeso e Pérgamo, o próprio Cristo elogia a primeira e reprova a segunda. Uma é contra as práticas dos nicolaítas e a outra as alimenta. O Senhor em sua fala deixa claro que odeia a doutrina dos nicolaítas. Mas afinal, quem são estes? Dentre várias teorias a respeito do nicolaísmo, simpatizo com a que leva em consideração a etimologia. Esse termo grego é uma junção de duas palavras que significam: estar sobre (conquistar) o povo comum.

Nicolaismo, seguindo a linha etimológica, é a crença de que existe uma “casta espiritualmente privilegiada”. Na história do Cristianismo, o maior exemplo desse credo talvez seja a diferenciação que os católicos fazem entre leigos e clero. Os clérigos formam uma hierarquia que detém a espiritualidade. No topo da pirâmide está o Papa, resguardado pelo conceito da “infabilidade”, ou seja, ele não erra. Jamais erra. São homens que assumem o papel de mediadores entre Deus e os “homens comuns”. Questioná-los é inviável, pois isso pode gerar inúmeros problemas para aquele que “tocar no ungido do Senhor”.

Essa expressão (ungido do Senhor) vem sendo propagada no seio evangélico. O líder religioso, isto é, o Pastor, através do exercício carismático, coloca-se numa posição acima de qualquer suspeita. Em muitas congregações o líder sabe tudo e faz mais que todos: ele ora mais, ele lê mais a bíblia, ele profetiza, exorciza, abençoa, cura, liberta e por aí vai. O pastor é o herói. A comunidade parece gostar de usufruir de tamanha intromissão na vida pessoal. Para muitos, o pastor diz o que vestir, o que comer, se casa ou não, e com quem, e mais uma série de outros conselhos, transformados em mandamentos.

O que precede a queda de um ministério, e por consequência o ferimento de uma parcela considerável de membros, é justamente esse personalismo. Colocamos os sacerdotes em um pedestal e quando eles se apegam difícil se torna retirá-los de lá. Vi muitos falarem de como o Papa Francisco foi idolatrado durante a Jornada Mundial da Juventude, ano passado. Engraçado é que entre os Evangélicos, costumamos venerar os nossos “papas”. Se o pastor disser (e de preferência num veículo midiático) que o azul não é azul e sim amarelo, um rebanho mal alimentado com a Palavra defenderá com unhas e dentes tamanha baboseira.

A expressão “não toqueis no ungido” baseia-se numa fala de Davi (1Samuel 24:6), quando teve a chance de matar o Rei Saul, que lhe perseguia com a intenção de tirar-lhe a vida. Também pode ser encontrado em 1Crônicas 16: 21-22 e Salmos 105:15. Como diz o Rev. Augustus Nicodemus, tal frase é desculpa de quem não tem argumento e nem exemplo para dar como resposta quando é confrontado por alguém à luz das Escrituras.

Davi, não tocou no “ungido do Senhor”, por não querer matá-lo. Mas daí a dizer que ele não se opôs a Saul é pura enganação. Ele e tantos outros personagens bíblicos confrontaram autoridades político-religiosas. Não tenha medo de contrariar um líder que deturpa a Bíblia. Medo é o que querem te fazer sentir, para que o poder seja perpetuado. Lembram que Paulo, ainda novo na fé, repreendeu Pedro por este se apartar dos gentios na presença dos judeus? E alguém aqui ainda se lembra de um tal Lutero?

O que seria da história do Cristianismo se Lutero não confrontasse a Sé Romana, por estes serem “ungidos do Senhor”? Rebeldia é não acatar a autoridade que exerce o seu governo de acordo com os princípios bíblicos. Se qualquer líder religioso agir fora da Palavra, tenho o dever moral de repreendê-lo e deixar de segui-lo, caso ele não queira se submeter ao Senhorio de Cristo. Não se deixem levar pelo medo. Os falsos profetas adoram amaldiçoar aqueles que conhecem suas falhas de caráter. Antes de mais nada, é preciso averiguar os fatos e caso fique provado por A + B que determinado pastor é desonesto em seu ensino e/ou ações, não fique em cima do muro. Você não precisa vociferar contra ele, todavia não ouse defender os simoníacos. Os que mercadejam o Evangelho não são intocáveis, e muito menos ficarão impunes. 

Não há hierarquia no Cristianismo, o que existe são atribuições diferentes. Pastor não é infalível, apenas Cristo é. Não existe mediação na relação entre Deus e os seus eleitos. Todos temos acesso direto ao Pai, e como diz o apóstolo Paulo: "Cheguemos ao trono da Graça tendo plena certeza de fé". Ame e obedeça a sua liderança. No caso de desvio de conduta deles, continue amando, e por amor mostre onde se tem tropeçado. As pessoas que cegamente divinizam seus pastores, acabam assediados pelos mesmos, gerando feridas que custam cicatrizar. Não seja abusado pela religiosidade. Seja liberto pelo Evangelho. Seja livre para glorificar a Deus.

Com diz Joshua Harris: “Quando a questão é a ortodoxia, não se trata de você e de mim. A verdade não é nossa; ela vem de Deus”. Estejamos prontos para defendermos a Verdade, com mansidão e amor, no entanto com intrepidez. O ungido que devemos total devoção e confiança é Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo. Soli Deo Gloria.


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