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A IMUTABILIDADE DE DEUS - por Morgana Santos


O estudo que fazemos sobre o ser de Deus, seu caráter, suas obras e seus atributos é denominado de "Doutrina de Deus", que é o estudo da doutrina revelada nas Escrituras Sagradas sobre a natureza de Deus e Seus decretos. Nosso esforço é iniciar uma série de pequenos artigos que tenha como propósito ajustar ou esclarecer de alguma forma nosso entendimento sobre os atributos de Deus. Tendo em vista a necessidade desse ensino, de forma sequenciada, abordaremos, pedagogicamente, os atributos de Deus – incomunicáveis e comunicáveis. Heber Carlos de Campos define os atributos incomunicáveis de Deus como aqueles que distinguem Deus como Deus, sendo impar naquilo que ele é e faz. Esses atributos são a marca distintiva do Altíssimo que o tornam absolutamente inigualável. Eles são exclusivos de Deus e não há nenhuma correspondência aos mesmos na criatura. Esses atributos não podem ser transferidos aos seres humanos, pois a finitude destes impede que os possuam. 

Continuando, ele afirma que os atributos comunicáveis indicam a natureza pessoal de Deus, que se evidencia na sua atitude relacional para com aqueles que estão fora do ser divino, isto é, pode ser encontrado em nossa personalidade traços dos atributos divinos.1 

Conceito

Em Latim, a palavra imutável quer dizer in ou im, não + mutabilis, mutável ou alteração. Imutável é semelhante a inalterável, constante e fiel. Significa, de forma objetiva, que Deus nunca muda em Seus atributos ou conselhos. A palavra imutável revela o ser de Deus, Seus atributos, Suas promessas, Seus decretos e Sua concessão de dons. Segundo Paul Washer, O que Deus é, Ele sempre tem sido, e sempre será. Ele não muda em Sua mente, ou sobrepõe um decreto sobre o outro. Ele não faz uma promessa e depois muda Seu voto.2 Ele é independente e auto-existente, sobremaneira auto-suficiente. De acordo com Berkhof, a imutabilidade de Deus significa que Ele é exaltado acima de tudo quanto há, é imune de todo acréscimo ou diminuição e de todo desenvolvimento ou decadência em Seu Ser e em Suas perfeições. Seu conhecimento e Seus planos, Seus príncipios morais e Suas volições permanecem sempre os mesmos.3 Deus não muda, mas também ele não é estático, como na filosofia de Aristóteles. O pensamento de Berkhof se contrapõe com o de Aristóteles, declarando, assim que a imutabilidade divina não deve ser entendida no sentido de imobilidade, como se não houvesse movimento em Deus.

Exposição Bíblica  

As Escrituras Sagradas revelam a imutabilidade de Deus, a qual é contrastada com a mutabilidade dos seres humanos. O criador imutável e infalível contrasta com a sua criação falível e completamente mutável, revelando, com isso, a grandeza do seu Ser, que com palavras, apenas, é impossível definir quem Deus é. O pressuposto dos atributos comunicáveis baseia-se na imutabilidade divina, onde a Sua misericórdia dura para sempre, o Seu amor é incondicional, a Sua justiça não falha, a Verdade é eterna. 

Malaquias 3.6 – Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.

Tiago 1.17 – Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.

Salmos 102.27 – Mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão.

Isaías 41.4 – Quem operou e fez isto, chamando as gerações desde o princípio? Eu, o Senhor, que sou o primeiro, e que com os últimos sou o mesmo.

Isaías 46.10 – O meu conselho permanecerá de pé. 

Possíveis dificuldades e soluções

Encontramos nas Escrituras Sagradas textos que aparentemente permitem o pensamento que Deus pode arrepender-se ou sofrer uma mudança de ideia. Deus não é imóvel, isto é, Ele não é um ser parado e afastado do mundo que ele criou. Deus, de forma pessoal, interage com suas criaturas, especialmente o homem. Esse relacionamento exige um comportamento ao nível do entendimento da criatura. Denominamos tais representações como "antropomorfismos", ou seja, para uma compressão sobre Deus, foi dada a Ele uma forma. Os decretos de Deus são imutáveis, no entanto, pode haver um questionamento: Não é dito que Deus se arrependeu? Parece ter havido uma mudança em seu decreto em Jonas 3.10: Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não fez. Aparentemente deve haver uma contradição, pois vemos no Livro de Números 23.19 que: Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Thomas Watson, sobre essa alegação, diz: O arrependimento é atribuído a Deus figurativamente. Pode haver mudança na obra de Deus, mas não em sua vontade. Pode desejar uma mudança, mas não pode mudar sua vontade.4 

Deus muda sua maneira de agir, seus métodos providenciais, porém nunca muda seus decretos! Notamos que, no hebraico, há duas palavras para definir arrependimento; uma associada ao arrependimento humano e outra que significa “uma tristeza profunda ou um grande pesar” que está associado a Deus; é uma forma “antropopática” de se referir ao Criador. Franklin Ferreira observa que se a Escritura fala do seu arrependimento, de Sua mudança de intenção, e da alteração que faz de sua relação com pecadores quando estes se arrependem, devemos lembrar-nos de que se trata apenas de um modo antropopático de falar. Na realidade, a mudança não é em Deus, mas no homem e nas relações do homem com Deus. A doutrina da imutabilidade de Deus precisa ser confessada com toda a veemência, contra qualquer pensamento que afirme que Deus está sujeito a qualquer mudança em seu conhecimento e vontade, de modo que suas decisões dependam em alguma medida das ações do homem.5 

Aplicação

Conforme vimos, Deus é imutável em Suas promessas, seus decretos, seu Ser e Seus atributos. Que entendimento maravilhoso, o qual garante-nos uma vida mais convicta e segura. Respeitar e louvar a imutabilidade de Deus é algo relevante e supremo nos dias de hoje. Que como Corpo de Cristo possamos viver uma vida coerente com essa realidade da IMUTABILIDADE DIVINA que transcende e contrasta ressaltando a  nossa fraqueza. 
A Ele toda Glória (Rm 11.36).



NOTAS:

1. CAMPOS, Heber Carlos. O Ser de Deus e os Seus Atributos. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.
2. WASHER, Paul David. O único Deus verdadeiro. Granted Ministries Press, 2009.
3. BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática.. São Paulo: Cultura Cristã, 2013.
4. WATSON, Thomas. A fé cristã - Estudos baseados no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.
5. FERREIRA, Franklin. Teologia Sistematica. São Paulo: Vida Nova, 2007.

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