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FUNDO

O SINCRETISMO NEOPENTECOSTAL - por Thomas Magnum


Introdução

Quando tratamos desse problema, não listamos isso somente como forma acusativa e como uma crítica inconsequente. Diante da atual temática neopentecostal, principalmente em solo brasileiro, podemos tratar também da questão da linguagem utilizada em seus arraiais, nisso enquadramos a pregação, a música e o “dialeto” usado no contexto religioso e social da terceira onda do pentecostalismo. Também iremos tratar nesse artigo do problema semiótico, ou seja, do simbolismo empregado pelo movimento para disseminar suas ideias e crendices entre os fiéis. No campo semiótico temos, por exemplo, os pontos de contato, que, segundo os líderes do neopentecostalismo, servem de pontos de fé ou mediadores de fé entre o fiel e o divino. 


O presente trabalho visa mostrar ao leitor que o misticismo e a forte ligação pagã católica estão entranhados na alma das igrejas neopentecostais. Isso, todavia, resulta de mentes carnais e que tem cedido às palavras da serpente que seduziu Adão e Eva desde os tempos remotos a inclinação religiosa do homem a cultuar seu próprio eu, criando, assim, sua própria religião e ignorando a revelação de Deus a suas criaturas.

Discernimento Bíblico

Geralmente quando escrevo sobre erros doutrinários, é comum receber algumas mensagens ou “conselhos” de crentes, citando Mateus 7.1: “Não julgueis, para que não sejais julgados”. Uma quantidade considerável de crentes toma por base esse texto e dizem ser errado julgar posicionamentos religiosos. No entanto, o que Jesus estava ensinando aqui? Ele estava proibindo todo e qualquer julgamento? Visto que em João Ele diz: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”, João 7.24. Vemos que nem todo julgamento é proibido nas Escrituras. O Teólogo Reformado William Hendriksen esclarece: 

Aqui o Senhor condena o espirito de censura, o juízo áspero, a auto-justificativa em detrimento de outros e isso sem misericórdia, sem amor.1

Ao analisarmos com mais atenção as recomendações bíblicas, vemos que o julgamento faz parte da preservação da são doutrina e da ordem na igreja do Senhor. Vejamos alguns textos bíblicos. 

1 Coríntios 5.12 – Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro?

Tito 3.10 – Quanto àquele que provoca divisões, advirta-o uma e duas vezes. Depois disso, rejeite-o.

1 João 4.1 – Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. 

Filipenses 3.2 – Cuidado com os cães, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão! 

1 Timóteo 1.6-7 – Alguns se desviaram dessas coisas, voltando-se para discussões inúteis, querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas. 

Dada essa introdução ao questionamento, iremos, agora, nos ater aos fatos do neopentecostalismo. 

A Linguagem 

São bem populares no meio neopentecostal as frases de efeito como: você é um vencedor, você é filho do Rei, é cabeça e não cauda. Jesus conquistou tudo na cruz, seu carro, seu emprego, seu casamento, seu sucesso. Ao compreendermos esse tipo de linguagem, percebemos que não há muitas diferenças de palestras motivacionais ou livros de autoajuda. O fato de o homem moderno está imerso em desespero e angústia contribui para a fixação popular desses jargões. Como disse Sartre: o homem é angústia

A proliferação do sincretismo religioso nas igrejas neopentecostais eleva essa angústia que remete a religião do medo da idade média. Por outro lado, temos o negativo no que se refere a imposição de julgo sobre o fiel. A presença de encostos, isto é, demônios que precisam ser expulsos, de mapeamentos espirituais que precisam ser feitos para repreenderem as “entidades” espirituais do governo de localidades são promotores ativos de prisão emocional e espiritual de muitas pessoas. 

A deificação do líder também é algo curioso. Um dia desses visitei uma irmã de uma igreja neopentecostal. Ao entrar em sua casa observei que na parede tinha a foto do Pastor de sua igreja. Ela me disse que ele disse aos irmãos de sua igreja que fizessem isso, pois, afastaria o mal de seus lares. É interessante porque isso se assemelha muito a crença em padroeiros, algo bem forte no nordeste brasileiro, principalmente em cidades sertanejas. Vemos dentro do movimento lideres tomando literalmente o lugar de mediadores, usurpando sutilmente o sacerdócio de Cristo e dispensando o ministério do Espirito Santo. 

A prática católica de pagamento de penitencias também é algo muito similar em igrejas neopentecostais. O crente tem que participar das campanhas financeiras, das correntes, das quebras de maldição e por aí vai. O interessante da história é que em tudo isso gira o capital financeiro. 

O pagamento das indulgências e desembolso de valores para de missas do sétimo dia para que o ente falecido saia do purgatório tomou uma nova cara no neopentecostalismo. O contribuir não mais é fruto da gratidão do coração do cristão, mas, sim, um pagamento por uma “vitória” que deseja se alcançar. A questão da obtenção das bênçãos de Deus por meio de obras e esforços humanos foi algo rebatido pelos reformadores que, agora, retorna em uma roupagem nova aos arraiais evangélicos. As obras devem ser fruto da fé, e não o contrário, como disse Thiago:  

Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.” Tiago 2.26

A Questão Semiótica

Quando falamos em semiótica, nos referimos aos símbolos utilizados no neopentecostalismo. Nisso iremos perceber o sincretismo presente dentro de tal movimento que não tem nada de pentecostal. Percebemos tal sincretismo principalmente no contexto brasileiro, devido à formação social e religiosa do país. 

Desde o período colonial com o catolicismo e depois as práticas religiosas dos povos africanos que, se misturando com a pajelança indígena deram origem ao fenômeno da religiosidade brasileira. A mistura do catolicismo e candomblé, depois do catolicismo com o pentecostalismo, deu origem ao movimento carismático, chegando, finalmente, na mistura de elementos pentecostais como o baixo espiritismo. Vemos também o dualismo presente, a figura pontifícia do líder maior, o valor da tradição em detrimento a doutrina bíblica a idolatria e uso de pontos de contato para mediarem a fé do crente. 

É interessante sublinharmos também a questão do líder maior que geralmente se distingue na nomenclatura: Apóstolo, Bispo, Patriarca, Anjo, Arcanjo. Entendemos essa questão hierárquica como o pensamento de um sumo pontífice. Isso leva o líder a ter de uma forma mais fácil o controle administrativo e psicológico do rebanho. A cega submissão, a divinização do líder e sua palavra é como o próprio “Deus falando”. Cristo é diminuído como na pregação de Edir Macedo, onde ele diz  que “Jesus não precisava ter feito o milagre de transformar água em vinho; não havia necessidade”. Outro fator importante para mencionarmos é a questão dos apetrechos, amuletos e superstições que estão presentes, tais como: a rosa, o corredor dos milagres, o sal grosso, o manto ungido, a campanha de troca de anjo da guarda, a campanha dos trezentos e dezoito, a fogueira santa, escrever os pecados num pedaço de papel e queimar, ungir os pertences com o óleo de Israel, ter uma foto do líder em casa e a campanha do embelezamento. Isso é real, porém, faço a pergunta: Isso é bíblico?  Onde está na Bíblia algum Apóstolo ungindo seu cavalo? Onde está um discípulo trocando de anjo? Onde diz que Jesus mandou queimar os pecados numa fogueira? Ou enterrar os pecados? Como disse o pastor Lucinho? Ou cheirar a Bíblia? Ou fazer um quarto em casa para o Espirito Santo morar? Ou marcar território urinando? Ou a unção dos animais, em que cada pessoa imita um bicho? Absurdo é a única palavra que vem a mente.

A antiga crença católica que as imagens nos templos eram meios pedagógicos para os menos instruídos volta à tona no meio “evangélico”. As práticas romanas abomináveis, que precederam a reforma estão, agora, nas igrejas evangélicas. Pastores usando quipá judaico, com candelabros judaicos nos templos, não é um fato  novo. Como disse Salomão: “O que foi isso é o que há de ser; e o que se fez isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1.9). As igrejas da galácia foram assoladas por essas práticas judaicas que os judaizantes queriam inserir no culto cristão. O galacionismo continua, o gnosticismo continua, o docetismo ainda é presente. 

Paulo nos adverte: “Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho”;

que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. “Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!” (Gálatas 1.6-9). E ainda nos diz a Escritura: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.” (Mateus 7.15). Esses tais são os que tem erguido seu império religioso. Vale citar mais uma advertência bíblica: 

2 Timóteo 3.1-5 – Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.  



Notas:


1. Comentário de Mateus. Volume 1. Ed. Cultura Cristã.

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