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A SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO - por Morgana Santos

páscoa
Lucas 22.15-16 – E disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus.
É inevitável durante essa semana não publicarem artigos sobre a Páscoa. Os sites e páginas de facebook estarão em grande quantidade produzindo ou reproduzindo textos sobre o importante tema. Não tenho nenhuma pretensão de repetir ou ser redundante sobre o assunto, no entanto, gostaria de meditar um pouco sobre momentos antes do grande dia da ressurreição de Cristo. E por que a ressurreição de Cristo? Ele. Sim, é o nosso Cordeiro sem defeito, nosso cordeiro pascoal!

Na tradição cristã, a "sexta-feira" através da igreja católica foi denominado o dia da "paixão", isto é, o sofrimento de Cristo que levou a Sua morte. A sexta mais significativa que define a agonia, os açoites, o sofrimento de Cristo antes que ressurgisse. No entanto, não quero me aprofundar no motivo pelo qual foi definido essa nomenclatura: a sexta da paixão.
O termo Páscoa tem origem que remonta à aproximadamente 1.445 anos antes de Cristo. No livro de Êxodo encontramos um povo sofrido, há mais de quatrocentos anos como escravos no Egito. Assim, Deus escolhe Moisés para cumprir Seus decretos (Ex 3-4); de praga em praga, Faraó, endurecido pelo próprio Deus, permite e volta atrás. Libertar o povo da escravidão do Egito foi uma grande missão. Ensinamentos marcantes, poder de Deus e maravilhas foi testemunhado por todos. Encontramos na décima praga e derradeira o caminho sem saída para os egípcios; não havia mais alternativa, os israelitas seriam lançados fora daquela terra. Deus mandou um anjo destruidor para terra do Egito com o propósito de eliminar “todo primogênito – desde os homens até aos animais” (Êx.12.12). A ordem divina foi sacrificar e isso resultaria em proteção. Daí, o termo Páscoa, do hebraico "pesach", que significa “pular além da marca”, “passar por cima”, ou “poupar”. (Ex 12.11-14).
Entendendo o sentido exclusivo para a tradição judaica desse memorial, a páscoa é uma festa solene para os judeus, comemorada com os seus rituais, significando a libertação da escravidão do Egito. Do mesmo jeito, a circuncisão, com todos os seus símbolos e valores, de fato é uma tradição judaica. Como cristãos, temos os nossos dois sacramentos, Batismo e Ceia do Senhor, ratificando os sacramentos anteriores. O cordeiro da páscoa no Velho Testamento é a prefiguração do que é Cristo – a ressurreição é a nossa comemoração redentiva.
Contudo, nossa ênfase nesse texto é lembrar que bem cedo naquela quinta-feira, os discípulos foram por ordem de Cristo preparar essa comemoração (Lc 22.8). Cristo havia dito que a hora era chegada; ele queria guardar a Páscoa, a festa dos Pães Asmos (Lc 22.1).
Lucas 22.15-16 – E disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão (παθειν); pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus (versão: Bíblia JFA OFFline).
Nenhuma família israelita poderia compreender o sentido dessas palavras. Os discípulos não estavam prontos para discernir o que isso significaria; essa atitude de Cristo de celebrar a páscoa nos mostra que Ele de fato guardou essa páscoa, Ele mesmo foi o cordeiro que definitivamente passaria por cima dos eleitos os representando naquela cruz. Essa última páscoa tornou-se a instituição da ordenação da Nova Aliança conhecida como a Ceia do Senhor. Celebrar a Ceia do Senhor, esta Nova Aliança, esse Corpo e Sangue do Cordeiro, que foi imolado, é pensar em um amor que excede o nosso entendimento. Essa paixão de Cristo mudou a nossa vida.
Ele diz, no versículo acima que, antes da minha "paixão", nessa versão a palavra "sofrimento", "padecer" foi traduzida por "paixão". Incrível, não? Não quero entrar no mérito da variação textual, questões de traduções ou variantes. A palavra παθειν na versão acima traduzida por paixão nos faz pensar que realmente foi movido por algo forte e determinante. Creio que pode não ser a melhor tradução, inclusive no tempo em que vivemos, onde esse termo não nos dá uma ideia tão pura assim. A ênfase dada aqui se refere ao discorrer da passagem, que começa com a preparação da páscoa, o anúncio do traidor, a instituição da Nova Aliança, a oração e o cântico. A ida ao Monte das Oliveiras, o traidor se aproxima, a "falsa" paixão de Pedro, a orelha colocada no seu devido lugar, a prisão, os escárnios, as injúrias, os açoites, a negação daquele que porventura havia dito que estava pronto a trocar por um criminoso, a coroa de espinhos, o peso daquela Cruz, o caminho sangrento e a morte no madeiro.
Quando observamos e meditamos na sexta que Cristo viveu, percebemos muito mais que a "paixão" que sentimos o Seu incondicional amor, e de fato concordamos que foi perfeito o sacrifício pascoal. É verdade que, no meio de tudo isso, houve, sim, um momento espetacular. No Monte das Oliveiras houve um clamor e no fim da crucificação um brado ressonante:
Lucas 22.42 – Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.
João 19.30 – Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Antes de dizer "está consumado" foi ouvida uma súplica dizendo: "se possível afasta de mim este cálice". Não havia medo da cruz e muito menos uma autorização para desertar do propósito eterno. Houve ali uma verdadeira paixão de Cristo, algo que se possível tivesse sido afastado, mas que independente da vontade Dele a do Pai prevalecesse. A ira do Pai estava para ser derramada sobre o Filho. Esse amor extremo corroía o próprio Cristo fazendo suar sangue, pois haveria de sofrer o derramar da justiça de Deus, ao nos representar naquela cruz! "[...] até que se cumpra no Reino de Deus" Lc 22.16. E você, caro leitor, está disposto a fazer uma oração como essa? Que paixão; que amor de Cristo!
Romanos 5.8 – Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.
Romanos 11.36 – A Deus toda a glória.

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Recomendo a leitura - Mt 26/27; Mc 14/15; Lucas 22/23; João 18/19.

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