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O EVANGELHO É PARA POUCOS - por Thiago Oliveira



Toda a narrativa encontrada em João 6 me deixa impactado e emocionado com a pessoa e o ministério de Jesus. É um capítulo que nos traz diversos ensinamentos sobre como deve se portar o ministro do Evangelho. João 6 nos mostra que o comprometimento com a Verdade é inegociável e que o apelo popularesco de muitos pastores que desejam moldar suas mensagens conforme o público ouvinte é uma irresponsabilidade com a Palavra de Cristo. Terminando o capítulo fica nítido que o Evangelho é para poucos e não para multidão. O Evangelho é para um grupo minoritário. É apenas para aqueles a quem o Pai trouxe para o Filho (v.44). A Salvação é para os Seus eleitos.

Se possível deixe sua Bíblia aberta no capítulo mencionado e vá averiguando - como bom Bereiano - se as palavras desse pequeníssimo artigo estão de acordo com o Escrito Sagrado. João começa sua narrativa dizendo que Jesus estava numa cidade próxima do Mar da Galileia, que viria ser posteriormente conhecida por Tiberíades. Estava se aproximando a Páscoa e grande multidão o seguia porque vira os seus sinais sobre os enfermos. Jesus provavelmente curou muita gente naquela cidade e, quanto mais curava, mais pessoas vinham até ele com o objetivo de serem curadas também.

As horas vão se passando e a multidão não arreda o pé. Jesus pergunta para Filipe: Onde compraremos pão para dar de comer a esta gente? Os doze não sabem como proceder, mas o seu Mestre já tinha tudo arquitetado. Usando cinco pães e dois peixes, uma multidão com cerca de cinco mil homens foi alimentada. A população ficou extasiada e queriam a todo custo que o seu benfeitor, aquele que cura e que alimenta, fosse proclamado rei. Jesus se retira ao saber do plano para entronizá-lo; enquanto isso, os seus discípulos embarcaram e seguiram em direção a Cafarnaum. Houve uma tempestade e as águas se agitaram, e eles temeram ao ver uma pessoa andando sobre o mar - era Jesus, para o alívio daqueles homens assustados. Não demorou muito para que eles chegassem ao seu destino em segurança.

Quando o dia raiou e a multidão viu que Jesus e os seus discípulos não estavam mais por lá, embarcaram para Cafarnaum em busca do seu “rei”. O encontrando lhe disseram:“Rabi, quando chegaste aqui?” Aqui começa a reviravolta. Jesus se dirige para aquela multidão e diz (v. 26 e 27): “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.”

Jesus por três vezes vai se declarar o Pão da Vida (v. 35, 48 e 51). Ele é o alimento do qual o homem precisa. Ele fala categoricamente: “Eu sou”. Tal expressão é uma alusão ao nome de Deus revelado a Moisés na sarça ardente que lhe disse: “Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós (Ex 3:14)”. Tais declarações deixam o povo confuso e incrédulo. O povo murmura entre si. Esse não é o filho de José? Por que ele está falando como sendo Deus? Por que ele diz que desceu do céu? Com a mente obscurecida para as coisas que são do alto, eles pedem um sinal para crer no Filho de Deus. Parece que esqueceram tudo que tinham visto no dia anterior. Queriam um sinal tal como o maná que seus antepassados comeram, mas Jesus oferece outro alimento: Sua carne e seu sangue.

O alimento que Cristo oferece escandaliza os que ali se faziam presente: “Como pode este nos dar a sua carne para comermos?” Todavia, Jesus não retira o que disse e bate na mesma tecla.

Necessário é participar do seu sofrimento para que depois participemos de seu triunfo. Ele nos dará a vida, mas é necessário comer da sua carne. A multidão que antes o aclamava passa agora a se dispersar. A desculpa é de que a palavra foi muito dura. Como diz um velho ditado tão comum da região Nordeste: “Rapadura é doce, mas não é mole não.” O curioso é que dois milênios se passaram e as pessoas continuam agindo da mesma maneira. Jesus perde seguidores, caindo de cinco mil para doze homens em apenas um sermão. Imaginem um pastor começar a pregar para milhares e antes de concluir o sermão ter apenas uma dúzia de pessoas ainda lhe dando ouvidos. Foi assim naquele dia em Cafarnaum. Mas como foi que se portou o Salvador?

Ora, Jesus não negocia com incrédulos e não muda o seu discurso para agradar plateia. Quando olha para os doze pergunta se estes também não querem abandoná-lo. Ele estaria disposto a ficar sem nenhum seguidor, mas, de modo algum, alteraria a sua mensagem. Obviamente ele sabia quem iria crer, quem não iria e quem o trairia (v.64). No entanto, ele deixa-nos um exemplo para todos os ministros do Evangelho e a lição é a seguinte: A Verdade é dura, porém deve ser pregada tal como é.

Ultimamente venho escutado muita gente falando que recebeu o chamado para ser “pai (ou mãe) de multidões”. O relato de João 6 nos mostra que isso é totalmente desvirtuado do que Cristo ensinou e praticou. Multidão não pode segui-lo. Isso é óbvio demais. Multidão não passa pela porta estreita. Multidão precisa de avenida para se locomover, não dá para passar por um caminho estreito. A multidão segue a estrada larga que tem por destino final a perdição. O Evangelho é para poucos e isto não resta dúvidas: “Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido” (v.65). Repense seus conceitos e não se anime com o virtual crescimento dos evangélicos. Os discípulos continuam sendo um grupo minoritário.


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