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A BATALHA PELA FÉ - por Morgana Santos



Judas 3 – Amados, enquanto me empenhava para vos escrever acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever exortando-vos a batalhar pela fé entregue aos santos de uma vez por todas.

Orígenes, um pai da igreja, acerca do livro de Judas disse: "é um livro pequeno, mas cheio de um vigoroso vocabulário". Um livro muito esquecido pela maioria; vinte e cinco versículos, recheados de ensinamentos com um potente vigor apologético. Judas motiva seus leitores a pelejar, lutar pela fé, nos trazendo a memória que antigamente e que também hoje precisamos defender a fé, que foi recomendada entre o povo do Senhor. 

Não podemos afirmar a data da carta, nem ao menos o público para qual foi escrito. Existe uma certa semelhança da carta de Judas com a carta de 2 Pedro (capítulo 2), porém, podemos afirmar com toda a convicção que foi escrita para cristãos, para a igreja, o povo do Senhor. Percebemos, de forma categórica em Judas ele escrevendo para uma igreja ou para várias, tendo a intenção de ajudá-las a defender-se de um ataque específico ao evangelho: Falsos ensinos, um ataque que acontecia dentro da igreja. Notamos que na época de Judas as heresias ou falsas doutrinas tomavam um proporção no meio dos cristãos. A igreja estava sendo atacada! 

Percebemos no texto que a intenção de Judas (irmão de Tiago) ao escrever essa carta era encorajar os cristãos à compartilhar a unidade que eles tinham em Cristo. No entanto, uma situação sobreveio, e como um alerta moveu-se a falar sobre a defesa da fé. Podemos afirmar que essa pequena carta nos motiva e nos encoraja com relação a apologética. É interessante notar também que alguém poderia dizer ou pensar que a apologética destina-se somente aos que estão do lado de fora da igreja de Jesus Cristo, o que, em certo sentido, sim, entre a igreja e o mundo. No entanto, no versículo 4, observamos Judas dizer: "se introduziram com dissimulação", estavam com o intuito de trazer dúvidas a fé santíssima (1.20), causando divisões, trazendo uma influência anticristã (1.19). Como Judas os descreve? 
Ele diz que Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Corá (1.11). Estas é um exemplo tirado do Antigo Testamento, que ocorreram no contexto do povo do Senhor, e que os seus leitores conheciam bem, inclusive os apócrifos (9,14). 

O propósito de Judas seria lembrar aos seus leitores que existem falsos cristãos dentro das congregações. Esses homens entraram no caminho de Caim, que motivado por uma ira no seu coração, matou seu próprio irmão. O nome de Balaão é mencionado, levado pela ganância (Nm 31.16). A referência a Corá é chocante; um sacerdote rebelando-se contra a ordem e a estrutura divina firmada em Israel - 
contra a autoridade da Igreja no Antigo Testamento (Nm 16; 26). Em vista disso, qual o propósito de Judas com esses exemplos?

Para os leitores dessa carta, era necessário entender que esses falsos mestres não somente distorciam o verdadeiro ensino como também sorrateiramente manipulavam em prol das suas causas. Como Caim, esses invasores desejavam, de acordo com Judas, inverter a direção da igreja e assassinar o ensino a partir de dentro da casa do Senhor. Como Balaão, esses falsos mestres estão preocupados somente com o seu ganho e interesses pessoais (1.12). A citação do nome Corá, vem para provar que esses pseudocristãos estão arraigados na mesma revolta, (oposição), isto é, disputas rebeldes que os falsos mestres também estavam envolvidos.

"O problema é que a igreja tem sido infiltrada por aqueles que se opõe ao evangelho. Eles vieram para dentro da igreja e vivem entre os cristãos" disse Scott Oliphint¹. A pergunta de Oliphint, será a nossa nesse texto: Como, então, deveriam os cristãos responder a essa situação nos dias atuais?

Judas no versículo 3 nos garante a resposta pratica para tal situação; ele diz que devemos "batalhar pela fé". A palavra traduzida por batalhar não é usada em nenhum outro lugar do NT. Os cristãos precisavam se ver em um campo de guerra, precisavam entender o que significa batalhar pela fé. Eles são como soldados, recrutados dentro de um exército, para glória do seu Comandante Supremo. Eles deveriam estar prontos, preparados para tudo que tinha relação com a Fé dada aos santos. Assim vemos o apostolo Pedro orientando os cristãos:

      1 Pedro 3.15 - Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.  
Vejamos mais atentamente as palavras inspiradas que Judas escreve no versículo 3:

(1) A batalhar pela fé;

(2) Fé esta que foi entregue aos santos de uma vez por todas.

Na visão de Judas, quando batalhamos por nossa fé, não estamos travando combate por algo que temos e que poderíamos perder. Não é a fé dada a nós por Deus, o que na maioria das vezes é a referência ao dom de Deus (Ef 2.8). O cerne da questão em Judas é a fé como verdade das Escrituras, verdades que compõem o Evangelho. Batalhamos pelo Evangelho! Não faço menção de algo sobre o exercício pessoal de fé. A audiência de Judas deveria batalhar sobre o conteúdo da verdade da nossa crença, a nossa declaração de fé.

"O credo cristão mais antigo de que temos ciência consistia da afirmação: "Jesus é Senhor" (1Co 12.3). Não temos nenhum modo de saber no que, exatamente, consistia "a fé" quando Judas escreveu sua epístola. Mas não devemos subestimar a capacidade dos cristãos no primeiro século de articular sua fé”. ²

Judas menciona essa fé fazendo o complemento de que foi "uma vez por todas entregue aos santos". O que ele quer dizer com "uma vez por todas"? Significa completude; foi recebido de forma completa, não sendo  mais necessário nenhuma outra revelação além da que Deus lhes dera. Nada poderia ser acrescentado ou subtraído da revelação que receberam da parte do Senhor (Dt 4.2; Ap 22.18-19). Foi uma vez por todas "entregue". Isso nos traz a memória à fonte da fé que defendemos. É uma fé revelada e dada pelo próprio Deus. Ao defender o cristianismo, precisamos entender que a nossa defesa está baseada na revelação divina, que nós a recebemos pela graça de Deus.

Fazendo uma rápida análise e comparação de 1 Pedro 3.15 e Judas 1.3, notamos que Pedro usa a palavra "santificar", e a palavra que Judas usa é "santos", derivada da mesma semântica. Poderíamos, então, pensar que essa "fé é entregue a todos aqueles que são separados, santificados. Judas escrevendo diz que Deus concedeu essa fé, de uma vez por todas, ao corpo santificado de Cristo; àqueles que são separados como santos. Segundo Scott Oliphint: "Estar em Cristo é ser "declarado santo". Ser declarado santo é ter à fé. Ter fé traz consigo a responsabilidade de defesa e recomendação dela. A apologética é para todos os santos”. ³

Vivemos nos dias atuais um tempo difícil. Podemos pensar na igreja que recebeu a carta de Judas. Desse modo, poderia ser essa a nossa condição hoje? Como, então, deveríamos responder a essa situação nos dias atuais? 


A principal forma de batalhar pela fé seria explicar e expor a realidade e verdade das Escrituras Sagradas. No tempo de Judas, os falsos mestres (12,13) estavam pervertendo a graça de Deus (v.4). Os cristãos precisavam lutar e argumentar que essa graça que leva a imoralidade é oposta à fé, mostrando que a graça genuína é resultado de uma gratidão obediente, santa e fiel a esse Evangelho. Somos, de fato, chamados por Judas a defender esse evangelho (fé) dentro e fora das nossas igrejas; porém, isso precede conhecer as Escrituras. Essa fé que culminou em Jesus Cristo, uma fé que entende que a revelação de Deus está completa em Cristo.

Judas finaliza sua carta orientando os cristãos: Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna (20,21).Termino com um trecho da canção do grupo Logos que diz: “Glória, glória ao Autor da minha fé”!




NOTAS:

1. Scott Oliphint, A Batalha pertence ao Senhor, pág 68. 
2. Ibid, pág 75.
3. Ibid, pág 83.

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