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LÓGICA E FALÁCIAS (PARTE 2) - por Vicent Cheung


Avaliando Argumentos: Com o acima exposto em mente, introduziremos agora um procedimento básico para avaliar argumentos. Avaliar um argumento é examiná-lo com o propósito de descobrir sua força e fraqueza, e se o argumento deve ser aceito ou não. Aqui estão os seis passos da estratégia para avaliar argumentos:

1. Defina o assunto.
2. Avalie a conclusão.
3. Avalie as premissas.
4. Avalie as definições.
5. Avalie a forma do argumento.
6. Procure falácias.

Exploremos o significado e importância de cada passo.

(1) Defina o assunto. Quer alguém esteja lendo um livro, assistindo televisão, ou engajando-se num debate com outra pessoa, a primeira coisa que deve ser feita é definir o assunto da discussão. É o mesmo que responder à seguinte pergunta:

“Sobre o que estamos falando?”

Pode parecer óbvio que duas pessoas não podem ter uma conversa com sentido a menos que ambos estejam cientes do assunto; contudo, muitas falsas concordâncias e discordâncias resultaram de definições ambíguas dos assuntos sob discussão. Muitas vezes, os participantes de um debate podem concordar ou discordar de várias questões essenciais, mas se o assunto não tiver sido claramente definido, as concordâncias e discordâncias podem parecer maiores do que realmente são. Muito tempo pode ser gasto na discussão, e se for bem sucedido, apenas levará a um esclarecimento do assunto envolvido e a posição básica dos dois lados. Isso deveria ter sido feito no começo, de forma que mais tempo e esforço pudesse ser gasto abordando os pontos que estão sendo verdadeiramente disputados.

Algumas vezes discórdias desaparecem quando o assunto é explicitamente definido por ambos os lados do argumento. Sem dúvida, muitas discórdias podem permanecer mesmo após o assunto ter sido esclarecido, mas esses são os pontos que o debate intenta resolver. De modo oposto, duas pessoas que parecem concordar a princípio descobrem que discordam fortemente após o assunto ter sido claramente definido. Por exemplo, alguns afirmam que todas as religiões, ou pelo menos duas religiões sob comparação num determinado momento, são essencialmente a mesma coisa. Mas quanto mais claro o assunto e o conteúdo forem definidos, mais aparente se tornará as discórdias entre as religiões.

Quando avaliando um argumento, uma pessoa deve primeiro verificar o assunto que o argumento está abordando. Se ele toma o argumento para se referir a algo que o argumento não pretendia abordar, então tal pessoa pode se encontrar discordando do argumento, quando poderia concordar se o avaliasse como abordando o assunto que o mesmo pretendia abordar. Às vezes, o contrário pode acontecer, de forma que uma pessoa pode se encontrar concordando com um argumento, mas imediatamente discordar dele uma vez que o mesmo é entendido. Mesmo que um argumento seja entendido incorretamente, uma pessoa não será capaz de expor sua fraqueza se não entender o propósito de tal argumento.

(2) Avalie a conclusão. Uma vez que uma pessoa descobriu o assunto que o argumento em questão está abordando, ela deveria verificar sua conclusão. Isso é o mesmo que responder a seguinte pergunta: “O que esse argumento está afirmando ser verdadeiro?” Ele ainda não está tentando localizar as premissas do argumento, ou julgar se o argumento é verdadeiro ou não. Está somente tentando descobrir o que o argumento está afirmando ser verdade, quer concorde com isso ou não. A conclusão pode não ser declarada explicitamente, mas pode estar implicada.

Em tal caso, a pessoa deve observar o argumento inteiro para determinar oque o autor ou orador está afirmando como verdade. Algumas vezes pode parecer existir mais de uma conclusão. Contudo, um bom autor ou orador geralmente não é ambíguo, e uma pessoa deve ser capaz de descobrir a conclusão com um alto nível de precisão se levar em conta o contexto dentro do qual o argumento se encontra. Uma vez que a pessoa descobriu e entendeu a conclusão, ele pode concordar ou discordar dela, ou pode ficar indeciso sobre a questão. Um bom argumento não assume que o leitor ou ouvinte sempre concordará e, portanto, fornece algumas declarações de suporte para endossar a conclusão. Essas são as premissas, sobre as quais iremos falar agora.

(3) Avalie as premissas. Se alguém rejeita a conclusão de um argumento, ele deveria ser capaz de declarar a razão para tal. Mesmo se ele concordar com a conclusão, isso não significa que o argumento é sólido. Tanto ele como a pessoa que está apresentando o argumento podem estar enganados. Portanto, precisamos determinar se temos boas razões para crer na conclusão. Para fazer isso, devemos observar as premissas que estão sendo apresentadas, que supostamente levam de maneira inevitável à conclusão. Quanto à conclusão, algumas vezes uma ou mais das premissas estão implícitas. Em argumentos simples, geralmente fica óbvio quais são elas, mas em argumentos mais complexos, as premissas implícitas nem sempre podem ser óbvias, e é possível inferir premissas errôneas a partir do argumento, fazendo assim injustiça ao mesmo.

Contudo, como mencionado acima bons autores e oradores não são ambíguos, e, portanto, ao examinar o contexto dentro do qual o argumento se encontra, uma pessoa deveria ser capaz de descobrir as premissas implícitas com algo grau de exatidão. Quando procurando as premissas num argumento, estamos tentando responder a pergunta: “Quais razões são dadas para apoiar a afirmação de que a conclusão é verdadeira?” Ao encontrar as proposições explícitas ou implícitas no argumento que responderão isso, a pessoa terá encontrado suas premissas. Então, uma pessoa deve tentar determinar se as premissas são verdadeiras ou não. Se as premissas são falsas, o argumento ainda pode ser válido se as premissas levarem inevitavelmente à conclusão quando as premissas foremassumidas como verdadeiras, sendo que nesse caso elas são falsas. O argumento ainda é válido, mas a conclusão será falsa; ele é um argumento válido, mas não é sólido.

(4) Avalie as definições. Já extraímos a conclusão e as premissas do argumento. Devemos continuar para nos assegurarmos que as palavras e termos usados estejam claramente definidos e usados consistentemente por todo o argumento. Como vimos, se o assunto do argumento não é conhecido, a confusão pode resultar em dois lados equivocadamente concordando ou discordando um do outro, quando a situação pode ser outra uma vez que o assunto tenha sidodefinido com precisão. Após o assunto da discussão ter sido definido, os pontos de concordância e discordância se tornarão mais óbvios, e a discussão poderá continuar com maior produtividade.

O significado das palavras e termos dentro de um argumento também é importante. Se o significado deles é ambíguo, o ouvinte pode tomar o argumento como significando algo diferente do que o autor ou orador tencionava, ou o argumento pode parecer ser sólido, quando não o é. Devemos fazer a pergunta: “O significado das palavras e termos é claro e consistente durante todo o argumento?” Muitas palavras possuem mais de uma definição, e precisamos conhecer que significado particular é tencionado dentro do argumento em questão. O contexto do argumento geralmente restringe o significado das palavras usadas para eliminar a maioria dos possíveis significados. Assim, o leitor deve procurar determinar como o uso das palavras pode se encaixar no contexto da discussão.

Após termos determinado as definições das palavras e termos, devemos examinar se eles estão sendo usados consistentemente. Algumas vezes, uma pode carregar um significado no princípio do argumento, e pode ser usada novamente com um significado diferente mais adiante, e então o argumento continua para formar o que parece ser uma conclusão válida. Contudo, se o significado da palavra ou do termo fosse permanecer o mesmo durante todo o argumento, a conclusão não se seguiria. Resumindo, assegura-se que o autor ou orador não muda o significado de uma palavra ou termo dentro de um argumento.

(5) Avalie a forma do argumento. Assumindo que entendemos a conclusão e as premissas de um argumento, e asseguramo-nos que as palavras e termos usados são claros e consistentes durante todo o tempo, estamos prontos para avaliar a forma do argumento. Quando avaliando a forma do argumento, estamos tentando responder a pergunta: “As premissas levam inevitavelmente à conclusão?” ou “Dadas as premissas, é possível a conclusão ser verdadeira?” Embora possam ser úteis, não são suficientes para nos ajudar a decidir se deveríamos ser convencidos pelo argumento ou não, visto que um argumento que é possivelmente correto é também possivelmente errado, e não carrega força lógica suficiente.

Contudo, um argumento válido pode somente ser provavelmente verdadeiro, e não absolutamente verdadeiro, visto que o argumento é verdadeiro somente se as premissas forem verdadeiras. Às vezes, as premissas são apenas provavelmente verdadeiras, mas já avaliamos a força das premissas num passo anterior. Se as premissas levam inevitavelmente à conclusão, então ele é válido; de outra forma, é inválido.

(6) Procure falácias. Quando completar o passo anterior, provavelmente a pessoa já determinou a verdade ou falsidade de um argumento. Terminamos agora o procedimento verificando uma lista de falácias para ver se o argumento em questão cometeu uma ou mais delas. Falácias são erros lógicos que alguns argumentos cometem, desqualificando-os de serem argumentos válidos ou persuasivos. Ser capaz de reconhecer alguns dos erros mais comuns capacitará uma pessoa a fazer julgamentos úteis sobre os argumentos lhes apresentados. Introduzirei várias falácias mais tarde neste capítulo.

Para resumir, quando avaliamos um argumento, devemos primeiro nos certificar sobre o assunto que o argumento está abordando. Mesmo um argumento forte pode parecer fraco para uma pessoa que entende incorretamente seu propósito, e vice-versa. Então, devemos identificar no que o argumento está tentando fazer que creiamos; isto é, o que o argumento está afirmando ser verdadeiro. A despeito de concordarmos com a conclusão ou não, devemos continuar para localizar as razões ou premissas sendo dadas para apoiá-la, e devemos nos perguntar se são verdadeiras ou não. Para avaliar apropriadamente as premissas e a conclusão, devemos entender as palavras sendo usadas, e nos assegurar que elas carregam o mesmo significado ao longo do argumento. Se o argumento segue uma estrutura que torna a conclusão necessária, então ele deve ser aceito como verdadeiro se as premissas forem verdadeiras.

Examinaremos agora vários argumentos usando os procedimentos acima, que
esclarecerão o processo e os problemas envolvidos.

Eu posso dizer que:

1. Se X é uma mulher, ela teria duas pernas.
2. X tem duas pernas.
3. Portanto, X é uma mulher.

Mesmo tal argumento simples apresenta vários desafios. Por exemplo, encontramos ambigüidade mesmo no primeiro passo do nosso procedimento, que é definir claramente o assunto sob discussão. Simplesmente porque (1) diz que, “se X é uma mulher, ela teria duas pernas” não significa necessariamente que a discussão é apenas sobre seres humanos, embora isso seja possível. É também possível que estejamos falando de algum X que pode não ser um ser humano de forma alguma. A conclusão neste argumento é clara, que X é afirmado ser uma mulher – um ser humano que é do sexo feminino.

Ao examinar as premissas, vemos que este argumento não é convincente, visto que as premissas não levam necessariamente à conclusão; elas deixam muitas possibilidades abertas. Por exemplo, uma galinha também tem duas pernas, de forma que se X fosse uma galinha, ela também teria duas pernas. Uma mulher não pode ser também uma galinha e, portanto, o argumento como proposto falha em estabelecer X como uma mulher. Podemos dizer também que todo homem tem duas pernas e, portanto, X, mesmo que humano, pode ser macho ou fêmea. A conclusão não segue necessariamente
das premissas.

Agora mudemos o argumento da seguinte forma:
1. Se e somente se X é uma mulher, ela teria duas pernas.
2. X tem duas pernas.
3. Portanto, X é uma mulher.

Este é um argumento válido, e a conclusão deve ser verdadeira se as premissas forem verdadeiras. A primeira premissa diz que X pode ter duas pernas somente se for uma mulher. Se X tem duas pernas, ela deve ser então uma mulher. Sem dúvida, embora o argumento seja válido neste caso, a conclusão é errônea, visto que a premissa (1) é falsa. Outros seres, tais como os pássaros,
também têm duas pernas.

Quanto às definições de palavras e termos, parece que elas são consistentes durante todo este argumento. As palavras “mulher” e “pernas” carregam o mesmo significado do princípio ao fim deste argumento. Não há problemas nessa área. Tomemos M para representar “mulher”, D para representar “duas pernas”, e X para representar os seres cuja natureza estamos tentando determinar. Podemos então colocar a primeira versão deste argumento assim:

1. Se M, então D.
2. D.
3. Portanto, M.

Este argumento contém a falácia formal de afirmar o conseqüente, onde o argumento afirma o resultado da condição declarada na primeira premissa, mas a primeira premissa não exclui outras condições de produzir o mesmo resultado. “Se M, então D” não é o mesmo que “Se e somente se M, então D”. Se tomarmos o último como a primeira premissa do argumento, isso faria dele um argumento válido. Isso é o que fizemos com a segunda versão do argumento, conforme abaixo:

1. Se e somente se X é uma mulher, ela teria duas pernas.
2. X tem duas pernas.
3. Portanto, X é uma mulher.

Se X tem duas pernas, ele não pode ser outra coisa senão uma mulher. Na primeira versão, X pode ou não ser uma mulher, mas não podemos determinar isso a partir desse argumento. Esse argumento falha em persuadirmos de sua conclusão, que X é uma mulher. Sabemos que o argumento está provavelmente abordando o assunto do sexo de X, e a conclusão proposta é que X é uma mulher. O exposto acima é uma ilustração simples, e talvez até mesmo tola. A maioria das pessoas deveria ser capaz de dizer que o argumento é imediatamente não convincente. Mas sem conhecer os procedimentos para avaliar os argumentos, eles podem ser capazes de explicar o motivo de o argumento estar errado, e exatamente que mudanças são necessárias para torná-lo um argumento válido. Se o argumento fosse mais complexo, a pessoa não treinada poderia não ser capaz de avaliá-lo.


FONTE: www.monergismo.com 


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