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A VERDADE SOBRE O DOM DE LÍNGUAS - por Robin Arnaud



Enquanto ainda ativo no movimento carismático, fiquei desiludido com a óbvia disparidade dele com as descrições e relatos da Bíblia sobre os dons carismáticos, especialmente o dom de línguas. Assim, comecei um estudo da Bíblia e da história da Igreja para determinar a verdadeira natureza e propósito bíblico dos dons carismáticos. Não estava tentando provar ou refutar nada, apenas descobrir a verdadeira natureza dos dons. Aqui estão os resultados desse estudo:

O PROPÓSITO das Línguas


Deus é um Deus de ordem e propósito (1Co 14:33). Quando Ele faz algo, o faz com um plano e um objetivo. O Senhor não falava em parábolas, por exemplo, para parecer esperto ou profundo. A Escritura ensina que Ele usava parábolas com o expresso intento de obscurecer a verdade para os não eleitos (Mc 4:11, 12). Da mesma forma, os milagres e dons devem ser entendidos em termos de um propósito particular. Eles serviram como dons validando as mensagens que acompanhavam (Jo 20:30-31; At 2:43, 4:16; 2Co 12:12; Gl 3:5; Rm 15:17-19). O propósito da concessão de dons pelos apóstolos (tanto a Escritura como a subsequente história da igreja demonstram que os dons foram concedidos APENAS pelos apóstolos e por ninguém mais – nunca!), era validar o ensino dos apóstolos.
             
Por que algumas pessoas alegam que as línguas são satânicas?

Paulo advertiu Timóteo que nos últimos tempos muitos se apartariam da fé, dando ouvidos “a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”. A grande maioria dos eruditos bíblicos crê que, visto que Cristo destituiu do poder Satanás e todos os seus anjos, o único poder que os demônios têm agora é o poder do engano. Então, acredita-se que os demônios hoje são anjos do engano. Eles fazem com que as pessoas deem ouvidos às suas mentiras, ao torná-las atrativas e sedutoras. Paulo chamou-os de “espíritos enganadores” (1Tm 4:1), pois eles ensinam falsa doutrina. Uma razão principal pela qual muitos creem na origem satânica das manifestações de hoje é que existem muitos “dons” que não validam o ensino do apóstolo. Lembre-se da garota escravizada com “um espírito de adivinhação” que seguia o apóstolo Paulo clamando: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo” (At 16:16-18). A despeito da sua mensagem, ficou evidente que as suas “profecias” eram a obra de um demônio! Paulo expulsou o demônio dela e ela parou de profetizar. Como Paulo poderia dizer que o “dom” da garota escravizada era demoníaco? Duas razões:

1. Nenhum apóstolo concedeu-lhe o dom, e 2. Suas profecias usaram o ministério de Paulo para validar SUA mensagem, um propósito diretamente oposto àquele tencionado para os dons genuínos do Espírito. Os dons carismáticos hoje são frequentemente usados para “validar” o ministério de outra pessoa – alguém cujos ensinos NÃO são aqueles dos apóstolos. Eles usam os escritos dos apóstolos e roubam suas palavras, mas usam-nas para dar credibilidade ao seu PRÓPRIO ministério. Um demônio fez exatamente isso em Atos 16! É razoável então que um espírito enganador usaria essa mesma tática hoje – não para confirmar a doutrina dos apóstolos, mas as doutrinas de um mensageiro moderno que ensina algo muito diferente.

O que a Bíblia ensina sobre as Línguas?

1. A FORMA das Línguas na Escritura

Sempre que vemos as línguas mencionadas na Bíblia, ela SEMPRE toma a forma de um idioma estrangeiro desconhecido – nunca “algaravia estática”.
                     
a) Em Atos 2, muitas pessoas de diversos lugares ouviram o evangelho pregado EM SEU PRÓPRIO DIALETO. Pedro disse à multidão que aquele evento era o cumprimento da profecia de Joel (Joel 2:28), que não faz nenhuma menção de línguas, mas fala de profecia, sonhos, visões e SINAIS. Paulo mais tarde escreveu que as línguas são “um SINAL… para os incrédulos” (1Co 14:22).

b) Em cada evento subsequente ao de Atos 2 onde as línguas estiveram presentes, “caiu sobre eles o Espírito Santo, COMO TAMBÉM SOBRE NÓS AO PRINCÍPIO” (Atos 11:15-17), que deve significar que as línguas naquelas ocasiões eram como as línguas em Atos 2 – um idioma estrangeiro verificável, um sinal para os incrédulos.

c) A forma das línguas em Pentecostes tornou-se o paradigma para todas as formas posteriores de glossolalia. Todas as referências na Bíblia ao falar em línguas empregam a mesma terminologia básica, implicando similaridade de forma.

d) Os episódios em Corinto são definidos em termos plenamente compatíveis com aqueles em Atos. Paulo escreve, “nenhum idioma é sem significado” (1Co 14:10). Ele compara as línguas com idiomas terrenos e afirma que todos eles têm um significado coerente. As línguas, biblicamente, certamente não são a algaravia e balbucio incoerente que vemos nas igrejas carismáticas e pentecostais de hoje.

2. O CONTEÚDO das Línguas na Escritura

As línguas eram um dom REVELACIONAL – um veículo de revelação da parte de Deus para o homem. As línguas traziam a revelação de Deus tão certamente como o dom de profecia trazia a revelação de Deus aos profetas e apóstolos de outrora. Assim, as línguas devem ser entendidas na Escritura como tendo trazido comunicação inspirada, inerrante e autoritativa de Deus ao homem:

a) A primeira ocorrência de línguas é definida como profética por Pedro (Atos 2:11-18).

b) As línguas são quase sempre relacionadas com outros dons revelacionais na Escritura (Atos 2, 19, 1Co. 13 e 14). Em Atos 19 eles “falavam em línguas, e profetizavam”. Em 1 Coríntios as línguas são abordadas em associação com a profecia. A diferença era que a profecia era a capacidade de falar infalivelmente a vontade de Deus no próprio idioma da pessoa, enquanto línguas era a capacidade de falar infalivelmente a vontade de Deus num idioma que a pessoa nunca tinha aprendido.

c) As línguas são especificamente ditas ser um falar de mistérios (1Co 14:2). Quando a palavra MISTÉRIO é usada na Escritura é sempre em termos de revelação. Um mistério falado torna-se uma revelação. O CONTEÚDO das línguas, então, é visto como sendo uma revelação infalível, inerrante e inspirada dos mistérios de Deus ao homem. As línguas que vemos hoje entre os carismáticos e pentecostais certamente não passam por esse importante padrão bíblico. De fato, nos vinte anos como carismático, em cada culto que participei onde as línguas eram usadas, elas NUNCA tomaram a forma de um idioma estrangeiro discernível, e sua “interpretação” nunca era tratada como uma revelação infalível de Deus.

Costumava perturbar-me profundamente que uma palavra direta dos Céus pudesse ser tratada tão superficialmente pelos ouvintes – ao invés de serem registradas e tomar-se o cuidado de obedecê-las e publicá-las, o povo acenava e dizia: “Obrigado Senhor, por essa boa palavra”, tratando-a mais como um cartão de visita do que uma revelação do Mestre Soberano do universo. O Todo poderoso não está assentado em Seu trono mandando beijos para as pessoas sobre a Terra – Sua Palavra deveria ser tratada com o máximo cuidado e sustentada com extrema reverência – assim como alegamos tratar a Bíblia. Mas as línguas não são tratadas dessa forma hoje.

3. O Propósito das Línguas

Como mencionei no começo, Deus é um Deus de ordem e propósito, e quando Ele age, o faz com um objetivo e plano. Vemos que as parábolas tinham um propósito específico (Mc 4:11,12); que os milagres tinham um propósito específico (Jo 20:30-31, Atos 2:43 e 4:16, Rm 15:17-19, 2Co 12:12), e da mesma forma que o dom de línguas serviu a um propósito bem específico: eles validaram a mensagem dos apóstolos, e foram um sinal antecipatório da maldição do pacto sobre o Israel incrédulo.

a) As línguas eram um sinal para validar a mensagem dos apóstolos (Mc 16:17), e de Paulo em particular (At 10:44-46, 19:6). SOMENTE os apóstolos tinham a autoridade e capacidade de conceder o dom a outros por meio da imposição de mãos ou oração. Nenhuma das pessoas sobre quem eles impuseram as mãos poderia passar o Espírito Santo ou os dons a outros. Não existe um único relato na Escritura ou na história subsequente da Igreja que apoie a alegação que alguém que não os apóstolos pudesse “conceder” o Espírito Santo e os Seus dons.

Aqueles que receberam esse sinal e dons das mãos dos apóstolos não eram capazes de passá-los a outros. Se fossem, então não teria sido necessário enviar os apóstolos a Samaria para que os dali recebessem o Espírito Santo (e outros exemplos). O exemplo de Ananias (At 9:10-19) é frequentemente usado para refutar esse argumento, mas o texto não diz que Saulo falou em línguas ou profetizou. Diz apenas que a sua visão foi restaurada e que ele foi batizado com água. Não ouvimos mais sobre Saulo até chegarmos ao capítulo 13, onde os APÓSTOLOS colocaram suas mãos sobre ele e Barnabé.

O fato que Paulo passou os dons [charismata] a outros era uma das provas que ele devia ser contado entre os apóstolos (At 19; 2Co 12:12, Ef 3:7). Era extremamente importante estabelecer o apostolado de Paulo com “os sinais de um apóstolo” (2Co 12:12), pois Deus ter aberto o reino de Deus aos gentios era uma mudança radical da antiga aliança. E era importante que Paulo fosse contado como um apóstolo, pois ele escreveu a maior parte do Novo Testamento. Esse é o motivo de muitas das suas cartas às igrejas começaram com a frase, “Paulo, um apóstolo pela vontade de Deus…”

b) As línguas eram um sinal da maldição do pacto sobre o Israel incrédulo. Visto que esse é provavelmente o propósito mais negligenciado e incompreendido das línguas, ele exige uma explicação maior; assim, assegure-se de examinar essas passagens da Escritura no contexto e com atenção: Paulo explica esse uso do sinal em 1Coríntios 14:21-22: “Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor. De sorte que AS LÍNGUAS SÃO UM SINAL, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis”. Eis a explicação agora:

1) O Antigo Testamento ensina que Israel era um povo especial para Deus. Ele estava ligado num amor pactual especial por Israel somente, dentre todas as nações da Terra (Dt 7:6-8, Amós 3:2), de forma que somente eles receberam Sua lei (Dt 4:10-13, Sl 147:19-20), Seus oráculos (Rm 3:2), o sinal pactual da circuncisão (Rm 3:1) – de fato, todas as promessas e meios da vida pactual (Rm 9:4-5, Ef 2:12).

2) Esse pacto com Israel era uma espada de dois gumes. A vida pactual era uma de privilégio bem como responsabilidade. A obediência trazia bênçãos espirituais e materiais, e a desobediência trazia maldições espirituais e materiais (veja Dt 28:1-68 que descreve as bênçãos e maldições do pacto).

3) Israel era uma nação de pessoas acostumadas com sinais (Mt 12:38, 1Co 1:20-22). Dentro do contrato do pacto eles receberam sinais de advertência que serviriam para indicar que as calamidades que cairiam sobre eles seriam de fato julgamento de Deus sobre eles. Um dos sinais mais frequentemente vistos era a perda da liberdade e autonomia nacional (Dt 28:49). Isso é mencionado também num contexto similar em Jeremias 5:15 e Isaías 28:11. Na Escritura, as línguas estrangeiras eram um sinal da maldição do pacto sobre Israel. Com frequência ela era o idioma dos ocupantes estrangeiros de Israel, mas no raiar da Nova Aliança ela tornou-se especialmente pungente.

Tudo isso se torna relevante para o dom de línguas no Novo Testamento pelo fato que Paulo aplica o sinal da maldição pactual (Is 28:11) à sua explicação do dom de línguas em 1Coríntios 14:21-22. O fato que Paulo usou um trecho de uma passagem que lidava com a maldição pactual é extremamente significante! Para captar seu impacto você precisa olhar na referência que Paulo está citando em seu discurso de 1 Coríntios 14: Isaías 28. No próprio cerne da repreensão de Deus contra Israel está o versículo que cita… aquele que apresenta o sinal da maldição (versículo 11). Sem dúvida a passagem de Isaías referia-se à iminente invasão de Israel pelos assírios, mas o apóstolo Paulo, escrevendo sob a inspiração do Espírito Santo, aplica-a ao julgamento futuro e climático sobre Israel, logo após a rejeição de Cristo por eles.

4) Cristo, o “Mensageiro do Pacto” (Ml 3:1) e “Ratificador da Nova Aliança” (Lc 22:20), veio para ajuntar e ensinar Israel. Todavia, Israel recusou Suas admoestações (Mt 23:37, Atos 28:17-31, Rm 9:31-32 e 10:3). A geração a qual Cristo ministrou foi rapidamente enchendo a medida da culpa dos seus antepassados (Mt 23:32). Portanto, AQUELA GERAÇÃO (Mt 23:36 e 24:43) recebeu a plenitude da maldição pactual de Deus:

Deus enviaria os exércitos romanos (Lc 21:20) para destruir o templo (Mt 24:2), que o Senhor deixou então desolado (Mt 28:38). Assim, o sinal do julgamento (línguas estrangeiras) foi dado a Israel por um período de 40 anos entre a ascensão de Cristo e a destruição de Jerusalém e o templo pelos romanos em 70 d.C. Deus estava voltando-se de Israel para os gentios (Mt 23:37-38; Rm 9:24-29 e 10:19-21).

5) As línguas tinham uma relevância particular para o judeu incrédulo à luz da Nova Aliança. Em Atos 2 é chamada a atenção em particular dos judeus (v. 12), após eles serem acusados de matarem o Senhor da Glória (v 22-24). A espada de dois gumes da maldição pactual caiu fortemente sobre esses homens, com o resultado que muitos foram compungidos em seus corações e se arrependeram (At 2:37) para seguir a Cristo.

6) A própria igreja em Corinto é evidência adicional brilhante que as línguas eram um sinal da maldição pactual sobre Israel! Atos 18 registra que o ministério de 18 meses de Paulo em Corinto (v. 11) foi caracterizado por oposição extremamente calorosa por parte dos judeus. Enquanto ensinando na sinagoga em Corinto, os oponentes judeus resistiam ao evangelho ao ponto de blasfêmia, fazendo Paulo lançar uma maldição sobre eles (v. 6).2 A resistência ao evangelho foi tão violenta em Corinto que o Senhor apareceu a Paulo numa visão, prometendo proteção especial do mal (v. 9 e 10). Em sua carta à igreja em Corinto, Paulo faz referência nos primeiros versículos aos judeus e ao desejo deles por sinais (1Co 1:22). A citação que Paulo faz de Isaías 28 deveria ser prova decisiva. No capítulo 10 Paulo lida com “nossos pais” e a desobediência e julgamento deles, e adverte os coríntios da mesma situação, se não fossem cuidadosos (10:1-12). Portanto, as línguas eram “para sinal” – um sinal para o Israel incrédulo, que rejeitou a Cristo. Era o sinal e prelúdio da maldição pactual, prometida por Deus.

IV. A transitoriedade das Línguas:

A Escritura demonstra qual era o PROPÓSITO das línguas – validar o ministério dos apóstolos e servir como sinal pactual para Israel, desse modo, segue-se necessariamente que uma vez alcançados os propósitos, o sinal cessaria. Mesmo aqueles que creem no moderno falar em línguas concordam que o Cânon são os oráculos completos, inerrantes e infalíveis de Deus ao homem. Assim, essas pessoas não podem usar o dom hoje no mesmo sentido que foi usado por todo o Novo Testamento. As manifestações modernas dos dons carismáticos desprezam a forma bíblica e histórica, o conteúdo e propósito descrito na Escritura e, assim, claro está que a forma de línguas hoje é uma falsificação anti-bíblica.  



Fonte: http://www.the-highway.com

2 comentários :

  1. Concordo com voce em termos, porem me preparando para o Doutorado, digo que as sua interpretação é errônea e voce está sendo antí-bíblico

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  2. O Diácono, o artigo sobre a verdade do dom de línguas não é de minha autoria, entretanto, peço que me mostre onde o autor errou e está sendo antibíblico. Estou aguardando!

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