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A CORRUPÇÃO DO MÉTODO E A REDUÇÃO DA EVANGELIZAÇÃO - por Morgana Santos


Visto não haver outro caminho de salvação a não ser o revelado no Evangelho e visto que, conforme o usual método de graça divinamente estabelecido, a fé vem pelo ouvido que atende à Palavra de Deus, Cristo comissionou a sua Igreja para ir por todo o mundo e ensinar a todas as nações. Todos os crentes, portanto, têm por obrigação sustentar as ordenanças religiosas onde já estiverem estabelecidas e contribuir, por meio de suas orações e ofertas e por seus esforços, para a dilatação do Reino de Cristo por todo o mundo (veja Jo 14.6; At 4.12; Rm 10.17; Mt 28.19,20; 1Cor 4.2; 2Cor 9.6,7,10. [CFW - XXXV, IV]).

A necessidade de uma evangelização fundamentada na soberania de Deus é urgente em nossos dias. A grande comissão descrita em Mateus 28.18-20 foi distorcida no que chamamos hoje de "evangelismo ritualístico". Reduzimos e corrompemos seu verdadeiro significado. Podemos hoje questionar a igreja com essa pergunta: Qual a parte do IDE você, cristão, não entendeu? O significado da palavra corrupção usado no título se refere ao ato de “degenerar, afastar de uma conduta reta ou possuir uma variante”. O que vemos hoje é uma intrigante subtração dos métodos e dos conceitos sobre o que significa evangelismo bíblico. Devemos voltar às Escrituras e à teologia bíblica redefinindo, outra vez, o sentido e o conceito da grande comissão e suas perspectivas bíblicas. "Missões" não é o alvo final da igreja, porque o propósito final da igreja não é o homem. O alvo final da igreja é a adoração a Deus – isso sim é o nosso propósito final, ou seja, tornar Deus conhecido para que os homens possam adorá-Lo (Sl 117.1). Missões não significa enviar missionários; antes, significa levar a verdade de Deus, as boas novas através de homens e mulheres pecadores regenerados que entendem o sentido bíblico dessa grande comissão.

Reduzir o método de evangelismo em quatro leis espirituais ou formas de abordagens para declaramos alguém salvo diante de Deus é o maior estrago que a igreja têm feito nos últimos tempos. Chegar para alguém e "perguntar se ele é um pecador", "se ele quer ir para o céu", "se ele deseja fazer uma oração de cinco minutos" e depois confirmar se essa "oração que foi feita com sinceridade" para declarar a salvação dessa pessoa é uma grande heresia. Mas você pode questionar dizendo que a própria Escritura afirma que devemos somente receber a Cristo. De fato, precisamos entender o que significa receber a Cristo. A mensagem deve ser: "Arrependei-vos e credes no Evangelho" (Mc 1.15) e receber a Cristo pela fé através da sua irresistível Graça (Ef 2.8). O método pragmático do evangelismo moderno além de ser medíocre em seu conteúdo, leva também a igreja de Cristo a viver confirmando a "salvação" daqueles que simplesmente levantam a mão no meio do culto ou dizem que um dia já fizeram uma "oraçãozinha" pedindo para Jesus entrar no seu coração. Definitivamente, concordo com um pregador reformado que diz: "Choremos pelas almas enganadas! Não é por esse tipo de evangelização que Deus manifesta a Sua graça, e sim apesar dessa evangelização."

É nítido que boa parte desse movimento evangelístico moderno, ainda que a graça de Deus seja mencionada, não quer dizer que foi compreendida. Os adeptos deste tipo de evangelismo sustentam a ideia herética de que pela graça, todos os homens tem a habilidade de escolher acreditar e aceitar o evangelho. Precisamos como igreja quebrar alguns paradigmas, corrigir alguns falsos ensinos que corrompem inteiramente as doutrinas da graça. Contemplando as adições feitas às Escrituras, a igreja foi envolvida numa esfera pragmática, onde o lema dos pragmáticos é este: "È verdade que não está na Bíblia, mas funciona". Assim, a igreja é levada a uma prática evangelística não bíblica, porém "válida", dizem eles. O que temos hoje é um método influenciado por ideias pelagianas ou semipelagianas. Corrompendo o método, afirmando ser a graça apenas uma ajuda externa de Deus, um tipo de ação que persuade o homem pela razão, fazendo-o escolher através do seu livre arbítrio o que deve fazer ou não, e fazendo o homem um ser independente, afirmando a ideia de que a fé não é um dom, e sim, uma obra meritória para levá-las à salvação, podendo, assim, o homem fazer uma escolha por Cristo, dependendo apenas de sua própria vontade.

Infelizmente, é perceptível que muito dos nossos métodos de evangelização provém dessa fraude firmada em cima de princípios que reconhecem o pecado original como simplesmente uma enfermidade moral, onde é defendido que com o homem é aquele que dá o primeiro passo em direção a Deus. Notemos o sistema de apelo por decisões iniciado por Charles Finney, levando o homem a tomar uma decisão através de um convite, "pelagiando", assim, o efeito da sua conversão. Todavia, o semipelagianismo defendido por Armínio trouxe em sua totalidade uma influência em quase tudo o que vemos hoje na área da evangelização. Essa visão é completamente incompatível com o pensamento reformado, a visão bíblica sobre a evangelização fundamentada na soberania de Deus. Muitos sem nunca nem ler sobre a teologia reformada, de forma brutal acusam os reformadores de estarem alheios à evangelização.

E quem disse que a doutrina da eleição não leva a evangelização? Precisamos entender que a grande comissão na perspectiva dos Evangelhos e do livro de Atos esta completamente arraigada na soberania de Deus e ligada aos meios da graça. A eleição não é uma motivação a passividade, mas sim para atividade. O próprio Calvino, que até hoje é rotulado avesso à evangelização (conheça a sua história) declarou que a evangelização não era opcional, mas era parte de ser do ser cristão. Não somos responsáveis pelos resultados da nossa evangelização, mas pela fidelidade da mensagem e pelos métodos que usamos. O crescimento vem de Deus conforme 1Coríntios 3.6-8 ressalta. Podemos exemplificar o que foi escrito na lápide do missionário David Livingstone: "Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las". Um missionário que se dispôs ir à África, em constante busca pelas ovelhas do Senhor. Precisamos de homens e mulheres, cristãos que possam defender as antigas doutrinas da graça, um evangelho centralizado na soberania de Deus, o autor e consumador da nossa fé e da nossa salvação. (Hb 12.2)

A evangelização bíblica que precisamos voltar a saborear é aquela que procura a conversão de pecadores juntamente com o discipulado daqueles que já nasceram de novo. Vejamos como diz o livro A Tocha dos Puritanos, de Joel Beek. "A tocha da evangelização foi acesa originalmente, no Velho Testamento. Acesa pelo próprio Deus na primeira promessa messiânica que Ele deu a Adão e Eva, lá no Éden" (Gn 3.15). A evangelização bíblica está fundamenta na soberania divina; dessa forma, Deus demonstra que tem os meios para levar avante este projeto evangelístico escolhendo João Batista para transpor a tocha da evangelização à era do Novo Testamento e quando Jesus ressurge dos mortos, comissionando seus discípulos para um grande desafio que assegura seu sucesso. (Mt 28.18) Note que os meios que Deus usa na ação da Sua soberania são homens pecadores como nós. Nossa motivação consiste no mandamento do mestre." p. 14,15.

A soberania de Deus no ato de eleger não permite ao evangelista reformado ficar inerte a isso, contudo, como Calvino, que nunca foi contra a evangelização, entendia que essa evangelização não deveria ser da forma errada. Entendendo que devemos ir, cumprindo essa ordem para que o propósito final seja satisfeito, no caso, "fazer discípulos de todas as nações" por meio do ensino e batismo (Mt 28.19-20). Precisamos encarar a realidade da grande questão: como devemos ir? A grande comissão foi ordenada para discípulos, portanto, só discípulos irão cumprir. Devemos ir não por uma motivação emocional ou ardor passageiro, não isentando o conhecimento teológico. O nosso sentido de urgência deve preceder um encontro como o do próprio Isaías (Is 6), como diz São Francisco de Assis: "Pregue o Evangelho e se possível use as palavras". É impossível uma evangelização sem teologia. Creio que temos uma missão de evangelizar para evangelizarmos com a missão de ensinar tudo o que Jesus ordenou para que seja obedecido. (Mt 28.20) "Todo cristão ou é um missionário ou um impostor", disse Charles H. Spurgeon.

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