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E OS APÓSTOLOS DE HOJE? - por Leonardo Dâmaso



       
     O substantivo apóstolo αποστολος (apostellô), aparece 79 vezes em todo o Novo Testamento, sendo na maioria dos casos usado por Paulo na saudação de suas cartas. A palavra apóstolo possui três sentidos distintos no Novo Testamento:


       i. Mensageiro ou enviado. Epafrodito é chamado por Paulo de “apóstolo” no sentido de mensageiro ou enviado (veja Fp 2.25; Jo 13.16; 2 Cor 8.23).

          ii. Missionário. Paulo e Barnabé são chamados de “apóstolos” no sentido de missionários (veja At 14.4, 14), isto é, homens enviados pela igreja a pregar o evangelho como Andrônico, Júnias (Rm 16.7) e, ainda, no meu entender, Silas e Timóteo (veja 1 Ts 1.1; 2.7; At 17.1-4, 10, 14).   

      iii. Chamado e enviado exclusivamente por Cristo. O apóstolo, nesse sentido, é um representante oficial de alguém que fora pessoalmente chamado, enviado e dotado de autoridade, no caso em pauta, por Jesus a pregar e ensinar o evangelho, bem como governar em seu nome. Portanto, somente os doze (e Matias, Tiago, o meio irmão de Jesus e Paulo) foram os únicos e últimos apóstolos chamados e enviados exclusivos para este encargo singular na história do cristianismo.

      Um homem para ser de fato considerado um apóstolo no sentido de chamado e enviado exclusivamente por Cristo, tinha de ter estas três qualificações essenciais:

      1) Tinha de ser comissionado pessoalmente por Cristo (1 Cor 9.1-2). 2) Tinha de ser testemunha ocular da sua ressurreição (At 1.21-23). 3) Tinha de ter o ministério autenticado por sinais e prodígios (2 Cor 12.12).

       Em vista disso, quem não possui estas três qualificações no currículo da vida cristã, não pode ser um apóstolo. Sendo assim, não temos mais apóstolos nos dias de hoje. Contudo, o que temos visto, ao longo dos anos, e até mesmo na época dos apóstolos históricos, são homens que se autodenominaram e se autodenominam apóstolos, mas, que na verdade, são falsos apóstolos (veja 2 Cor 11.3-6; 13-15; Ap 2.2). O ministério apostólico, conforme vimos, foi restrito somente aos apóstolos históricos, e cessou com a morte deles. Hernandes Dias Lopes afirma enfaticamente que ninguém tem competência para constituir-se apóstolo, e nenhuma igreja ou denominação pode legitimamente constituir alguém apóstolo. Essa é uma prerrogativa exclusiva de Jesus Cristo.1   

      Por outro lado, ao ser comissionado por Cristo a anunciar o evangelho, o apóstolo também recebia poder e autoridade para operar operar sinais e prodígios (Lc 9.1-2; Mt 10.8; Mc 6.30, At 14.3). A função dos sinais e prodígios não era e é, conforme vemos hoje, especialmente nas igrejas pentecostais e neopentecostais que os supervalorizam em detrimento as Escrituras, algo isolado em si mesmo, no sentido de apenas proporcionar uma vida de alegria e satisfação na pessoa abençoada por eles. Antes, a função “apropriada” dos sinais e prodígios é:

      1) Apontar para a pessoa de Cristo como o filho de Deus, Deus e a sua obra redentora (Mc 2.1-12; At 2.1-38; 3.1-26). 2) Atestar que a mensagem que o apóstolo anunciava e o próprio apóstolo vinha da parte de Deus (At 2.14-41; 5.12-16; 10.34-48). 3) Fortalecer a fé dos crentes (Jo 20.30-31; At 14.1-3). Vale a pena enfatizar que, os sinais e prodígios, não tem o poder de criar a fé salvadora em alguém ou levá-la a conversão, somente o Espírito Santo através da regeneração, mesmo não havendo os sinais e prodígios (veja Rm 10.17).      


Notas:

1- Hernandes Dias Lopes. 1 Pedro, pág 28.


Contato pelo email: tadeudamaso@yahoo.com.br
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