CTO - CURSO GRATUITO DE TEOLOGIA ONLINE

CTO - CURSO GRATUITO DE TEOLOGIA ONLINE

FUNDO

A NECESSIDADE DAS MISSÕES - Rev. Gildásio Reis (parte 2)


1. Há Necessidade de Exercer Conscientemente a Fé em Cristo?

Seria de alguma maneira possível uma pessoa ser salva sem que tivesse sido evangelizada e tivesse consciência de ter obtido sua salvação através de Cristo Jesus? Alguns afirmam que não sabem responder a essa pergunta, enquanto outros dizem que Cristo é o único meio de salvação, mas que salva alguns que nunca ouviram dele por meio de uma fé que não tem a Cristo como “foco consciente”. Será, então, realmente necessário que as pessoas ouçam de Cristo para que sejam salvas?


Esse tipo de pensamento elimina a idéia de urgência na evangelização. Se as pessoas podem ser salvas sem que tenham ouvido de Cristo, por que sair por aí evangelizando, fazendo missões? Deus salvará aqueles que quer de um modo ou de outro. Mas não é isso o que nos ensina a Palavra de Deus.

Haverá um inferno de tormento consciente para aqueles que possuem uma fé cujo foco não seja o Senhor Jesus Cristo. Veja o que diz Daniel 12.2: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno". Apren demos ainda que haverá um castigo eterno: “A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em logo inextinguível" (Mt 3.12); "...se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno" (Mt 18.8). O fogo é eterno, sem fim. Não há como negar sua existência.

O inferno é uma terrível realidade. Por quê? Porque os infinitos horrores do inferno têm o objetivo de demonstrar o infinito valor da glória de Deus, a qual eles rejeitaram. A compreensão bíblica da justiça do inferno é um claro testemunho de que o pecado deixou de glorificar a Deus. Se não houver fé consciente no Senhor Jesus, o resultado será o castigo eterno.

2. A Necessidade da Redenção de Cristo para a Salvação.

Há pessoas que podem ser salvas de outras maneiras do que pela eficácia da obra de Cristo? As outras religiões e as provisões que elas oferecem são suficientes para levar as pessoas à felicidade eterna com Deus? Os seguintes textos bíblicos levam-nos a crer que a redenção de Cristo é necessária para a salvação de todo aquele que é salvo. Não há salvação fora daquela que Cristo conquistou com sua morte e ressurreição.

Se pela ofensa de um, e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundancia da graça e o dom da justiça, reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos. ( Rm 5:17-19 )

O aspecto fundamental aqui é a universidade da obra de Cristo, ou seja, não se limita meramente aos judeus. A obra de Cristo, o segundo Adão, corresponde à obra do primeiro Adão. Assim como o pecado de Adão leva à condenação de toda a humanidade que se uniu a ele como seu cabeça, assim a obediência a Cristo conduz à justiça de toda a humanidade que está unida a ele como seu cabeça – “os que recebem a abundância da graça” (v. 17). A obra de Cristo na obediência da cruz é retratada como a resposta divina para a condição de toda a raça humana. ( Cf.: I Co 15:21-23; I Tm 2:5; Ap 5:9-10; At 4:12; Rm 3:23-25 )

4. “Abaixo do Céu não Existe Nenhum Outro Nome”, Atos 4.12

A razão dessa mensagem salvar é que ela proclama o nome que salva-o de Jesus. Pedro disse que Deus visitou os gentios “a fim de construir dentre eles um povo para o seu nome” (At 15.14). É evidente, pois, que a proclamação pela qual Deus escolhe um povo para o seu nome seria a mensagem que depende do nome do seu Filho Jesus.

Isso é, na verdade, o que vimos na pregação de Pedro na casa de Cornélio. O sermão atinge seu clímax com estas palavras sobre Jesus: “Por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados” (At 10.43). A necessidade implícita de ouvir a aceitar o nome de Jesus que vemos na história de Cornélio é tornada explicita em Atos 4.12, no clímax de outro sermão de Pedro, desta vez perante os líderes judeus em Jerusalém.

A situação por trás dessa famosa declaração é que o Jesus ressurreto curou um homem por meio de Pedro e João. O homem era coxo de nascença, mas se levantou e correu pelo Templo louvando a Deus. Juntou-se uma multidão e Pedro pregou. Sua mensagem tornou evidente que o que estava em jogo aqui não era meramente um fenômeno religioso. Aquilo dizia respeito a qualquer um no mundo.

Então, de acordo com Atos 4.1, os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus vieram e prenderam Pedro e João, colocando-os em um cárcere até o dia seguinte. Na manhã seguinte as autoridades, os anciãos e os escribas reuniram-se e interrogaram Pedro e João. No curso do interrogatório, Pedro expôs a implicação do senhorio universal de Jesus: “Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.

Precisamos sentir a força dessa alegação universal atentando para as várias expressões muito seriamente. A razão de não haver salvação em nenhum outro é que “abaixo do céu não existe nenhum outro nome (não apenas nenhum outro nome em Israel, mas nenhum outro nome abaixo do céu, incluindo o céu sobre a Grécia, Roma, Espanha etc), dado entre os homens (não apenas entre os judeus, mas entre todos os humanos de todos os lugares), pelo qual importa que sejamos salvos”. Essas duas frases, “abaixo do céu” e “entre os homens”, reforçam a alegação da universalidade em sua extensão mais plena.

Porém, há ainda aqui mais coisas que precisamos ver. Geralmente a interpretação dos comentaristas de Atos 4.12 é que, sem a crença em Jesus, uma pessoa não pode ser salva. Em outras palavras, Atos 4.12 é visto como um texto essencial para responder à indagação de que aqueles que nunca ouviram o evangelho de Jesus podem ser salvos. Mas Clark Pinnock representa outros que dizem que “Atos .12 não diz coisa alguma sobre [essa questão]. ... ele não faz nenhuma observação sobre o destino do pagão. Embora essa seja uma questão de grande importância para nós não há ninguém a respeito de quem Atos 4.12 expresse um julgamento, quer positivo ou negativo”. Pelo contrário, o que Atos 4.12 diz é que “a salvação em sua plenitude é disponível à humanidade somente porque Deus, na pessoa de seu Filho Jesus, proveu-a”. Em outras palavras, o versículo afirma que a salvação vem somente por meio da obra de Jesus e não apenas pela fé em Jesus. Sua obra pode beneficiar aqueles que têm um relacionamento particularmente com Deus sem ele, por exemplo, com fundamento na revelação geral na natureza.

O problema com a interpretação de Pinnock é que ela não considera o verdadeiro significado da focalização de Pedro sobre o “nome” de Jesus. “Abaixo do céu não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos”. Pedro está dizendo alguma coisa a mais do que não haver outra fonte de poder salvador e que você pode ser salvo por algum outro nome. O fato de dizer que “não existe nenhum outro nome” significa que somos salvos por invocar o nome do Senhor Jesus. Invocar seu nome é a nossa entrada na comunhão com Deus. Se alguém é salvo por Jesus incógnito, não pode falar que foi salvo por seu nome.

Observamos anteriormente que Pedro afirmou em Atos 10.43: “Por meio de seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados”. O nome de Jesus é o foco da fé e do arrependimento. A fim de crer em Jesus para obter o perdão dos pecados, você deve crer em seu nome. O que significa que você precisa ouvir a respeito. Dele e saber que ele é um homem especial que fez uma obra salvadora especifica e levantou-se dentre os mortos.

A finalidade de Atos 4.12 para as missões é tornada explicita pelo modo como Paulo colocou a questão do “nome do Senhor” Jesus em Romanos 10.13-15. Voltaremos a essa passagem agora e veremos que as missões são essenciais precisamente porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?”

Algo de imenso significado histórico aconteceu com a vinda do Filho de Deus ao mundo. Tão grande foi o significado desse evento que o foco da fé salvadora, desde então, teve seu centro em Jesus somente. Tão repleto estava Cristo da revelação de Deus e de todas as esperanças do povo de Deus que, desde então, seria urna desonra para ele que a fé salvadora repousasse em qualquer outro que não nele. Havia uma verdade que não estava completa e claramente revelada antes da vinda de Cristo. Essa verdade, agora revelada, é chamada de mistério de Cristo, porque é a verdade, vinda por meio do evangelho, o qual está sobre Cristo.

O evangelho não é a revelação de que as nações já pertencem ao Senhor. Ele é o instrumento para trazer as nações para o estado de salvação. O mistério de Cristo está acontecendo por meio da pregação do evangelho. Portanto, ninguém pode ser salvo se não tiver ouvido o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

5. Como Crerão Nele?

Vimos que há necessidade da consciência de fé em Cristo para salvação e de que há somente um mediador entre Deus e os homens, e estes não podem ser salvos sem ter ouvido de Jesus. Se há necessidade de ouvir, é preciso que haja quem pregue.

Em Romanos 9.30-10.21, o apóstolo Paulo apresenta Jesus como sendo o foco da fé salvadora. É nesse contexto que ele cita o profeta Joel: "... acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo" (10.9); e, depois, como cita Isaías 28.16: “Todo aquele que nele crê não será confundido" (10.11). Paulo quer deixar claro que nessa nova era da história da redenção, Jesus é o objetivo e o clímax do ensino do Antigo Testamento e, então, é o Mediador entre o homem e Deus como objeto da fé salvadora.

A seqüência de versos é muito familiar e com freqüência é citada em relação á obra missionária: "Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!" (Km 10.14-15).

Mas como esses versículos se encaixam na linha de pensamento de Paulo. Por que no seu inicio há a expressão "porém"? Por que o verso seguinte (16) começa assim: “Mas nem todos obedeceram ao evangelho"?

A resposta parece ser a seguinte: O "porém" no inicio do verso 14 e o "mas" no inicio do verso 16 apontam para o fato de que a série de questões nos versos 14 e 15 são realmente o relato de que Deus já havia trabalhado para trazer, sob essas condições, o chamado para a salvação no Senhor Jesus. Portanto, o ponto principal nos versos 14-16 é que, embora Deus tenha providenciado os pré-requisitos para o chamado no Senhor, eles, entretanto, não obedeceram. O que fica claro é que o povo do Antigo Testamento pôde ouvir de Jesus, ou da promessa da sua vinda, mas não deu crédito á Palavra de Deus. Eles também ouviram do evangelho. A salvação já implicava na necessidade de ouvir sobre Cristo, e nele crer. Mas para que isso aconteça, é preciso que alguém pregue. É necessário que os pregadores do evangelho sejam enviados. Isso é a realização da obra missionária.

Conclusão: Jesus Cristo é o foco consciente da fé salvadora. Não há meio de as pessoas serem salvas, senão por intermédio de sua obra expiatória. É preciso que as pessoas ouçam a mensagem do evangelho e creiam em Jesus para que sejam salvas. Nesse contexto, a igreja possui a função de pregar o evangelho, de levar a mensagem de salvação ás pessoas. Essa é uma grande responsabilidade, pois sabemos que não há como ser salvo sem ouvir o evangelho do Senhor Jesus Cristo. "E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?"

Fonte:
http://gildasioreis.blogspot.com.br

OBSERVAÇÃO:
NEM TODAS AS POSTAGENS TRADUZEM, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DO SITE MATÉRIAS DE TEOLOGIA

Soli Deo Gloria