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A NECESSIDADE DAS MISSÕES - Rev. Gildásio Reis (parte 1)


A Necessidade das Missões - Parte I

necessidade de fazer missões

Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. At 4:12

Há pessoas devotas em outras religiões, as quais confiam humildemente na graça de Deus que conhecem por meio da Revelação geral (Rm 1:19-21) e assim recebem a salvação eterna? As pessoas devem ouvir o evangelho de Jesus Cristo para serem salvas?[1]

Quem nunca fez uma destas perguntas: “os que jamais ouviram o Evangelho estão perdidos?”; ou então “os índios vão ser salvos?”. Em nossas classes de escolas dominicais, ou nas conversas sobre evangelismo e missões, sempre surgem dúvidas como essas. Normalmente nossas respostas são muito evasivas, se é que temos alguma. Não refletimos sequer nas implicações que elas possam vir a ter. Teólogos, pastores e seminaristas fazem a mesma indagação e procuram investigar o assunto sob uma perspectiva bíblica, teológica e filosófica.

Três pontos de vista sobre o destino dos não-evangelizados[2].

1) Inclusivismo: Alguns teólogos acreditam que mesmo aquelas pessoas que nunca ouviram o evangelho podem ser salvas. Se, através da criação– revelação geral – vierem a crer em Deus, ainda que não conheçam a Jesus, serão redimidas de seus pecados. Dizem que qualquer religião pode ser um instrumento útil para aproximar a pessoa de Deus. Isso é chamado de “inclusivismo”, porque Deus inclui todos em sua graça, antes de excluí-las no julgamento.

O Vaticano II abraçou esta visão ao declarar que a obra salvadora de Cristo é válida "não apenas para os cristãos, mas para todos os homens de boa vontade em cujos corações a graça atua de maneira invisível"[3]

Este posicionamento, cuja fundamentação bíblica é muito questionável, é fruto da ambiência pós-moderna e do mundo globalizado. Ricardo Barbosa explica este ponto:

Vivemos o risco de um novo modelo de intolerância. Afirmar a centralidade da obra de Cristo já pode ser visto como preconceito.Uma das contradições da cultura pós-moderna e globalizada é sua capacidade de romper fronteiras e preconceitos, tornando-a mais inclusiva e, ao mesmo tempo, criar outras fronteiras e preconceitos, tornando-a extremamente exclusiva e violenta. Nas últimas décadas, a civilização ocidental tem feito um enorme esforço para diminuir as distâncias entre as raças, romper com os preconceitos e a discriminação sociais e criar uma sociedade menos violenta e mais aberta à inclusão das minorias[4]

O que o chamado inclusivismo defende é que uma tolerância perigosa para o cristianismo. Como bem afirmou James Houston, o que ele chamou de uma nova forma de fundamentalismo, o da “democracia liberal”, que impõe sobre nós a obrigação de aceitar e admirar tudo aquilo que contraria princípios e valores que fazem parte da consciência cristã. Esta tolerância oriunda do cenário globalizado, também agora está questionando a questão da centralidade da morte e ressurreição de Cristo para a vida e a necessidade das pessoas ouvirem sobre Cristo para serem salvas. Imagino que, mais cedo do que pensamos, enfrentaremos uma forte resistência à afirmação bíblica de que Jesus é “o caminho”, “a verdade”, “a vida”, de que ele é “o único Senhor”, de que “não há salvação fora dele” e de que ele é o “único que pode perdoar nossos pecados”.

Todas essas afirmações são, por si, uma agressão ao espírito “democrático” da sociedade pós-moderna. Como vamos ver no terceiro ponto de vista sobre a necessidade de se ouvir sobre Jesus, afirmar a exclusividade de Cristo implica na negação e rejeição de qualquer outro nome que possa nos reconciliar com Deus, e isso soa como um preconceito, uma forma de discriminação inaceitável. Afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus e que só ela traz a revelação do propósito redentor de Jesus é também uma afirmação que pode ser considerada preconceituosa, uma vez que nega todas as outras formas de revelação.

2) Perseverança Divina: Outros dizem que ninguém será salvo com base no conhecimento que possam ter de Deus através da natureza. No entanto, chegam ao absurdo de afirmar que, logo após a morte, aqueles que nunca ouviram o Evangelho terão uma oportunidade de dizer “sim” ou “não” a Jesus. Deus concederá a todos os homens a chance de ouvir o evangelho e optar, ou não, pela redenção trazida por Jesus. Tomam por base alguns textos difíceis de 1 Pedro (como o cap. 3: 18ss). Dão ao seu ponto de vista o nome de “perseverança divina” ou “evangelismo post-mortem”

3) Exclusivismo (restritivismo):[5] Há também os teólogos que ensinam não haver qualquer oportunidade de salvação para o homem, se não existir conhecimento de Cristo e uma resposta pessoal e consciente ao seu chamado. Essa posição é conhecida como “exclusivismo”; às vezes também “restritivismo”. Para que alguém seja salvo, é fundamental ouvir o Evangelho nesta vida e fazer uma decisão por Jesus. Essa é a interpretação que mais parece se afinar ao ensino geral das Escrituras Sagradas.

Essas três opiniões têm alguns pontos interessantes de semelhança bem como diferenças. Como já foi observado, todas as três afirmam que a salvação em Jesus é a palavra final bem como a singularidade dessa salvação. O restritivismo e o inclusivismo concordam, numa posição contrária à defendida pela perseverança divina, que nosso destino já está selado no momento da morte e que não existe nenhuma oportunidade de salvação após ela. O restritivismo e a perseverança divina concordam, contrariamente ao inclusivismo, que o conhecimento da mensagem do evangelho é uma condição necessária para a salvação. Mas discordam sobre se a mensagem deve ser apresentada por um agente humano antes da morte. O inclusivismo diverge das duas outras opiniões ao sustentar que Deus concede salvação mesmo onde o Evangelho é desconhecido. O inclusivismo e a perseverança divina afirmam que Deus, em Jesus Cristo, torna a salvação disponível a todas as pessoas que já viveram, ao passo que o restritivismo nega isso.

O exclusivismo cristão, tem sido ensinado ao longo dos séculos pelas igrejas reformadas, e a Confissão de Fé de Westminster ( Cap. X, 4) defende este ponto:

Os não eleitos, posto que sejam chamados pelo ministério da palavra e tenham algumas das operações comuns do Espírito, contudo não se chegam nunca a Cristo e portanto não podem ser salvos; muito menos poderão ser salvos por qualquer outro meio os que não professam a religião cristã, por mais diligentes que sejam em conformar as suas vidas com a luz da natureza e com a lei da religião que professam; o asseverar e manter que podem é muito pernicioso e detestável. (Ref. Mat. l3:14-15; At. 28:24; Mat. 22:14; Mat. 13:20-21, e 7:22; Heb. 6:4-5; João 6:64-66, e 8:24; At. 4:12; João 14:6 e 17:3; Ef. 2:12-13; II João 10: l 1; Gal. 1:8; I Cor. 16:22.)

A supremacia de Deus nas missões é confirmada biblicamente pela afirmação da supremacia de seu Filho, Jesus Cristo. É uma verdade surpreendente do Novo Testamento que, desde a encarnação do Filho de Deus, toda fé salvadora deve, dali por diante, se fixar nele. Isso nem sempre foi verdade, por isso aqueles tempos eram chamados “tempos da ignorância” (At 17.30). Mas agora é e Cristo tornou-se o centro consciente da missão da igreja. O objetivo das missões é levar “graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios” (Rm 1.5). Isso é mais uma coisa nova que ocorreu com a vinda de Cristo. A vontade de Deus é glorificar seu Filho, fazendo-o foco consciente de toda a fé salvadora.

3. A unicidade e a universalidade de Cristo

Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se deu uma só vez em resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e o homem. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como "o Salvador do mundo" não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor[7]

[1] Texto extraído e adaptado do livro de John Piper – Alegrem-se os Povos: A Supremacia de Deus em Missões, São Paulo, SP: Ed. Cultura Cristã. 2001. pp. 124-176
[2] Sobre este tema há um livro que sugiro seja consultado por aqueles que queiram aprofundar um pouco mais esta três posições: Donald E. Price, org. Que Será dos Que Nunca Ouviram? São Paulo, SP: Ed. Vida Nova. 2004.
[3] STOTT, John., Ouça o Espírito, Ouça o Mudo. São Paulo, SP: ABU 2005. p.235
[4] Cf. http://www.monergismo.com/textos/pos_modernismo/pos_modernidade_singularidade_cristo.htm capturado em 27/01/2006.
[5] Cf. Artigo de Ronald Nash “Restritivismo”
[6] Disponível em www.monergismo.com. (acesso em 12/04/06)

[7] http://www.abub.org.br/1principal/1recursos/Pacto_%20Lausanne.htm#3. capturado em 28.05.08


Fonte:
gildasioreis.blogspot.com.br

OBSERVAÇÃO:
NEM TODAS AS POSTAGENS TRADUZEM, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DO SITE MATÉRIAS DE TEOLOGIA

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