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FUNDO

INTRODUÇÃO À 1 PEDRO (Última parte) - Por Leonardo Dâmaso



8. O PROPÓSITO DA CARTA

      Em suma, Pedro escreve esta primeira carta com o intuito de encorajar os seus leitores a nunca perderam a esperança em Deus (1.3, 13, 21; 3.5, 15), e a permanecerem firmes e obedientes na sua graça diante das perseguições e dificuldades (5.12; 1.1-2; 2.11-12, 18-19). 

Matthew Henry destaca que a principal intenção de Pedro ao escrever esta carta foi preparar os cristãos para o sofrimento.33 Apesar de todo o sofrimento que estavam passando, o apóstolo escreve que estes cristãos não deveriam desanimar da fé, antes, eles deveriam olhar para o sofrimento de uma perspectiva espiritual, ou seja, glorificar a Deus nele e se alegrar, porque estavam sendo bem aventurados em participar dos sofrimentos pelos quais Cristo também passou quando viveu entre os homens (4.12-19).

      Myer Pearlman diz que esta primeira carta de Pedro foi escrita para animar os fiéis a estarem firmes durante o sofrimento e leva-los à santidade.34 Contudo, ainda que o propósito principal de Pedro nesta primeira carta seja prático, isto é, encorajar os cristãos a manter viva a chama da esperança e a permanecerem firmes e obedientes a Deus em meio ao sofrimento, todavia, o apóstolo também é didático. Ao mesmo tempo em que na síntese de sua carta Pedro traz uma mensagem simples, porém edificante e oportuna, ele, acima de tudo, instrui os seus leitores doutrinariamente.

      Senão vejamos a teologia e as principais doutrinas que o apóstolo ensina no tópico a seguir: 

9. O TEMA DA CARTA

        Embora haja mais de um tema presente, todavia, os estudiosos concordam que o sofrimento é o tema predominante desta primeira carta. Pedro enfatiza a questão do sofrimento praticamente em todos os capítulos desta carta (veja 1.6-9; 2.11-21; 3.14-17; 4.12-19; 5.9-10).
       Simon Kistemaker corrobora que o tema do sofrimento, na verdade, amarra a epístola como um todo, transformando-a numa unidade literária. É verdade que a epístola de Pedro é uma mistura de teologia e admoestações para o viver cristão prático; mesmo assim, esse tema em particular fala a uma situação real dentro das comunidades cristãs primitivas que passavam por opressão e perseguição.35  
       Não obstante, além desta primeira carta ser uma carta prática, isto é, com ensinos práticos para o viver cristão diário, contudo, é também uma carta doutrinária. Apesar de ter sido um homem simples e iletrado (sem formação na teologia rabínica), Pedro é, conforme o próprio conteúdo de sua carta atesta – um exímio teólogo. Vejamos então a teologia e os temas doutrinários que o apóstolo ensina nesta primeira carta: 

       a) Teontologia (doutrina do ser de Deus)

         O tema central e proeminente desta primeira carta de Pedro é a doutrina de Deus (veja 1.2a-3 5, 17; 2.9-10; 3.12, 17, 20-21; 4.10; 5.7,10-11).

       b) Cristologia (doutrina de Cristo e sua obra)

       Embora não desenvolva com maestria a doutrina de Cristo e a sua obra nesta primeira carta, contudo, Pedro faz questão de enfatizar a humanidade e divindade de Jesus (veja 1.2c, 6-11, 13, 18-21; 2.4-8, 21-25; 3.18-22; 4.1-2, 5, 12-16; 5.1-4, 14).

       c) Pneumatologia (doutrina do Espírito Santo)

Apesar de haver poucas referências ao Espírito Santo nesta primeira carta, Pedro, todavia, o descreve de maneira vasta e profunda (veja 1.2b, 11, 12; 3.18; 4.14).        

         d) Eclesiologia (doutrina da igreja)

       Pedro não utiliza o termo igreja em nenhuma parte desta primeira carta, ainda assim, ele descreve a igreja de Deus através de algumas expressões retiradas do Antigo Testamento, pois o apóstolo entendia que a igreja não é [também] a nação de Israel dentre os gentios, mas que a igreja é uma só, composta tanto de Israelitas como de gentios eleitos (veja 2.5, 9-10; 5.2-4).

       e) Escatologia (doutrina dos últimos acontecimentos na história)

     Em vista do veemente sofrimento pelo qual os seus leitores estavam passando, Pedro os encoraja a perseverarem na fé e a manterem a esperança através da mensagem da segunda vinda de Cristo, que discorre sobre toda a carta (1.5, 7, 13; 2.12; 4.7, 12-13, 17; 5.1, 4, 10).  



       f) Ensinamentos morais

       Conforme vimos, apesar de ser teológico em sua carta, Pedro também é prático. O apóstolo ensina as grandes doutrinas da fé cristã aplicando-as na vida de seus leitores. Ele mostra praticamente em toda a carta através de uma série de imperativos que a teologia não deve ser aprendida de forma teórica apenas, mas, acima de tudo, deve ser vivida (veja 1.13-16, 22; 2.1-2, 11-25; 3.1-12, 15-16; 4.1-2, 7-11; 5.1-3, 5, 8). 

10. PARALELO COM A CARTA DE TIAGO

         Se fizermos uma leitura minuciosa e alternada da carta de Tiago e de 1 Pedro, iremos perceber claramente que há um paralelismo entre estas duas cartas. Todavia, por ser um amigo próximo de Tiago, é bem provável que Pedro estava familiarizado com a sua carta e tenha extraído dela parte do seu texto onde ele o expandiu em sua primeira carta. Tanto Tiago como Pedro citam Provérbios 3.34 em suas cartas. Tiago cita o texto de provérbios no capítulo 4.6-7a, e Pedro no capítulo 5.5-6. Ambos também fazem referência ao diabo. Tiago o faz no capítulo 4.7b, e Pedro no capítulo 5.8. Dentre outras semelhanças entre a carta de Tiago e 1 Pedro veja e compare (Tg 1.1 e 1 Pe 1.1; Tg 1.2-3 e 1 Pe 1.6-7; Tg 1.10-11 e 1 Pe 1.23). 

11. PARALELO COM OS ENSINOS DE JESUS

      A primeira carta de Pedro contém vários ensinos de Jesus, alguns dos quais são evidentes, enquanto outros são revelados por sinônimos. “De fato, Pedro se lembrava dos ensinamentos de Jesus e, além disso, havia ensinado o evangelho durante décadas quando escreveu a sua carta”.36 Note e compare um paralelo explícito de um ensinamento de Jesus extraído por Pedro:

         João 20.29 – Disse-lhe Jesus (a Tomé): Porque me viste, creste? Bem aventurado os que não viram e creram.

         1 Pedro 1.8 – a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória...

         Por fim, Robert H. Gundry observa que Pedro faz um exame das passagens do evangelho onde [essas palavras de Jesus] aparecem mostra que, na maioria dos casos, o apóstolo é um participante especialmente ativo nos contextos narrativos.37


NOTAS: 

33- Matthew Henry. Comentário Bíblico Atos-Apocalipse. CPAD, pág 857.
34- Myer Pearlman. Através da Bíblia, pág 323.
35- Simon Kistemaker. Epístolas de Pedro e Judas, pág 33. 
36- Ibid, pág 20
37- Simon Kistemaker citando Robert H. Grundry. Epístolas de Pedro e Judas, pág 20.
       


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