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O SOFRIMENTO HUMANO E A PROVIDÊNCIA DE DEUS

O SOFRIMENTO HUMANO E A PROVIDÊNCIA - por Heber Carlos de Campos


soberania de deus

O SOFRIMENTO DOS CRISTÃOS

Todavia, o que mais incomoda em nosso mundo evangélico é o sofrimento daqueles que são genuinamente cristãos.
Por que os crentes tem que sofrer?
 Cristo Jesus já não levou as dores deles?
 Para que, então, o sofrimento deles? 
Qual é o propósito dos sofrimentos e dores nas vidas deles?
A obra redentora de Jesus Cristo e a obra regeneradora e santificadora do Espírito Santo na vida dos crentes não lhes poupa das dores físicas e de outros sofrimentos. A realidade nua e crua é que Deus não realiza nenhum tipo de redenção do nossa natureza física nesta presente existência, nem nos livra totalmente dos sofrimentos e dores de nossa alma enquanto neste mundo.
Como norma geral os cristãos sofrem todas as coisas que os não-cristãos sofrem no que diz respeito aos males físicos e sofrimentos em geral. Eles passam por fome desesperadora quando ela é generalizada numa região ou um país. Os cristãos sofreram na Etiópia e continuam a sofrer em regiões onde a seca impera, onde a miséria campeia e a violência dos opressores se manifesta. Eles sofrem as conseqüências de um terremoto da mesma forma que os ímpios. Padecem nas grandes enchentes. Eles morrem das mesmas enfermidades que os ímpios. Possuem as mesmas angústias e ansiedades que eles.
Não há nenhuma promessa da Escritura de que os cristãos seriam livres de sofrimentos. Às vezes, eles sofrem mais do que os ímpios. Por causa desse duro é sofrimento é que muitos crentes no passado questionaram Deus (Sl 37 e 73), e mesmo crentes do presente fazem isso. Todos os males que fazem parte deste mundo caído podem vir sobre os cristãos. A obra de Jesus Cristo no lugar deles não os livra de passarem por esses sofrimentos nesta presente existência.
Os sofrimentos do povo de Israel foram principalmente por causa dos seus pecados, mas os tipos de sofrimentos que vou mencionar aqui não são típicos dos crentes. Ambos, ímpios e crentes podem passar pelos mesmos sofrimentos, embora o motivo dominantes deles seja diferente. Os de Israel sofreram guerras, pragas, doenças, oposição pessoal, etc., coisas que ímpios também sofrem.

Sl 107.39 – “Mas tornaram a reduzir-se, e foram humilhados pela opressão, pela adversidade e pelo sofrimento.”

Os povos pagãos também receberam humilhações por causa dos seus pecados. Deus julgou violentamente a Assíria, a Babilônia com os mesmos sofrimentos, quando eles invadiram Israel. Receberam a humilhação divina, mas os motivos eram diferentes.
Neste texto, o autor inspirado parece se referir ao sofrimento dos hebreus no Egito. Israel, todavia, experimentou a humilhação pela opressão dos seus exatores, os egípcios. Não há nenhuma indicação de que a humilhação, a adversidade e o sofrimento pelos quais passaram tenham vindo por causa dos pecados do povo. As razões divinas desse sofrimento nos são desconhecidas. Eles simplesmente sofreram porque isso foi parte da obra providencial de Deus sobre a nação que acabava de nascer e que haveria de ser liberta.

 Is 24.3-6 – “A terra será de todo devastada e totalmente saqueada, porque o Senhor é quem proferiu esta palavra. A terra pranteia e se murcha, enlanguescem os mais altos do povo da terra. Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto transgridem as leis, violam os estatutos e quebram a aliança eterna. Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão.”

Novamente vemos aqui sofrimentos comuns a ímpios e a crentes, embora neste caso a causa seja os pecados do povo.
O profeta Isaías está antevendo, por revelação divina, o que haveria de acontecer ao seu povo e à sua terra, porque tudo isso o que o texto mostra é produto da ordenação divina. A terra de Israel haveria de ser devastada e totalmente saqueada pelos inimigos, como demonstração do desgosto de Deus contra os pecados de Israel. Eles “violaram a aliança eterna” que constituía de leis e estatutos (v.5).
Esses sofrimentos se constituem na queima de tudo o que há na terra, na eliminação de muitos homens. Somente alguns sobrariam e ficariam na terra (v.6). A tristeza invadiria aquela terra e todos haveriam de gemer (v.7). Ninguém mais haveria de cantar e nem rir, nem tocar os instrumentos musicais que expressavam alegria (v.8). A desolação haveria de cair sobre toda a terra (v.9-12).
Esses sofrimentos vêm tanto a crentes como a incrédulos, mas o que quero enfatizar aqui é que mesmo os crentes não escapam dos sofrimentos que são comuns a todos os desobedientes.
Do Senhor Deus é que procede esse sofrimento, porque ele é quem devasta a terra usando os seus instrumentos humanos para esse propósito (v.1). Nabucodonozor foi esse instrumento divino. Desses sofrimentos ninguém escapou, fossem os homens ricos ou pobres, importantes ou não, senhores ou servos, credores e devedores (v.2). Todos os homens regularmente recebem sofrimentos como uma manifestação do descontentamento de Deus por causa de seus pecados.
A seguir, o texto abaixo mostra a profecia de Isaías acima sendo cumprida literalmente, porque foi o Senhor que falou essa palavra.

Lm 1.1-5 – “Como jaz solitária a cidade, outrora populosa! Tornou-se como viúva, a que foi grande entre as nações; princesa entre as províncias, ficou sujeita a trabalhos forçados! Chora e chora de noite, e as sua lágrimas lhe correm pelas faces; não tem quem a console entre todos os que a amavam; todos os seus amigos procederam perfidamente contra ela, tornaram-se seus inimigos. Judá foi levada a exílio, afligida e sob grande servidão; habita entre as nações, não acha descanso; todos os seus perseguidores a apanharam nas suas angústias. Os caminhos de Sião estão de luto, porque não há quem venha à reunião solene; todas as portas dela estão desoladas; os seus sacerdotes gemem; as suas virgens estão tristes, e ela mesma se acha em amargura. Os seus adversários triunfam, os seus inimigos prosperam. Porque o Senhor a afligiu, por causa da multidão das suas prevaricações...”

Quase cento e cinqüenta anos depois da profecia de Isaías, o quadro se delineia vividamente. As cidades de Judá está desoladas, os seus moradores foram para o exílio, exerceram trabalho forçado, viveram na Babilônia por 70 anos sem qualquer consolação, zombados pelos adversários, sofrem muitas angústias. Ficaram de luto pelos que morreram. Os líderes religiosos assim como os liderados todos sofreram em amarguras “porque o Senhor os afligiu, por causa da multidão das suas prevaricações” (v.5b).
Todo o livro de Lamentações é o retrato da profecia de Isaías: desolação, miséria, fome, tristeza, morte, lágrimas e desconsolo. As crianças de peito e os meninos e meninas desfaleciam pelas ruas da cidade, morrendo nos braços de suas mães. (Lm 2.11). Mães acabaram por devorar seus próprios filhos por causa da fome (Lm 4.10); mesmo os que eram justos receberam os sofrimentos por causa dos malfeitores de Judá (Lm 4.13); as virgens foram violentadas e as esposas viúvas forçadas (Lm 5.11); os príncipes foram enforcados e os velhos desrespeitados (Lm 5.12). O terror e a violência contra Judá foi extremos. O sofrimento de Judá foi extremamente grande!
 Tudo isso foi produto da disciplina providencial de Deus sobre um povo rebelde. Todo sofrimento que Judá sofreu outros povos conquistados também sofreram, mas o que importa aqui é que Deus não poupa seu povo pelo simples fato de ser seu povo. O desagrado de Deus é com todos, embora os propósitos do sofrimento sejam diferentes entre os ímpios e os crentes.


Fonte:
O Ser de Deus e as suas obras: A providência e sua realização histórica
Dr. Heber Carlos de Campos

Editora Cultura Cristã, 2001
Coleção Fé Evangélica, volume 2
Teologia / Obras de Deus / Providência


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