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FUNDO

A PROFECIA DAS SETENTA SEMANAS - O MESSIAS - Por Leonardo Dâmaso



TEXTO BASE: Dn 9.20-27


INTRODUÇÃO


   

O capítulo 9, especificamente os versos 20-27, no qual vamos analisar, é a continuação e a conclusão da grandiosa oração de Daniel onde ele adora a Deus,  confessa o seu pecado, os pecados do seu povo e pede a Deus a restauração da cidade de Jerusalém. 


     Não obstante, podemos dividir esta passagem em 3 seções básicas:


     Na primeira seção temos a continuação da oração de Daniel (vs.20-23); em seguida, na segunda seção, Daniel recebe revelações do futuro como resposta da sua oração (vs.24-27); e por fim, na terceira seção, veremos o significado das setenta semanas (vs.24-27).


ESPLANAÇÃO


1. A ORAÇÃO DE DANIEL (9.20-23)


     Enquanto Daniel prosseguia a sua oração a Deus em favor do seu povo, o povo de Israel confessando o seu pecado e o pecado deles (9.1-27), de repente, o anjo Gabriel, que já tinha aparecido a ele numa visão anterior – na visão do carneiro e do bode (8.1-19) lhe mostrando o significado dela (8.20-27), aparece novamente e o toca na hora do sacrifício da tarde.  


     Embora não seja possível saber a que horas Daniel começou a orar, contudo, o texto diz que ele ainda estava orando na hora em que se oferecia o sacrifício da tarde, ou seja, na hora nona, por volta das 15:00 hs (vs.21). Na tradição judaica, é costume orar três vezes ao dia como Daniel o fazia (Dn 6.10; Sl 55.17).


      Era na hora nona, na terceira oração do dia em que se sacrificava o cordeiro que era oferecido como holocausto (Ex 29.38-41; At 3.1; 10.30) e que Esdras, o escriba, orava a Deus pedindo perdão pelos pecados dos poucos judeus que haviam retornado a sua terra após o exílio (Ed 9.5). Nesta época, Daniel viva na Babilônia, mas ainda media seus horários de acordo com as práticas religiosas judaicas.  


      Não obstante, o anjo Gabriel vem ao encontro de Daniel pela segunda vez não para lhe responder a sua oração que era apenas pela restauração da cidade, antes foi mais do que isso. 


Hernandes Dias Lopes diz que a resposta de Deus transcendeu o pedido de Daniel (vs.20). Ele pediu pela cidade e Deus, em resposta, revelou acerca do próprio Messias que viria, trazendo gloriosos benefícios (vs.24-25). 


      Daniel era um homem muito amado por Deus, disse Gabriel (vs.23). Ele viveu uma vida piedosa e irrepreensível diante de Deus e dos homens, por isso a sua oração foi respondida imediatamente. 


Todavia, a nossa justiça não é a causa de Deus responder as nossas orações e nos abençoar, mas sim, a sua misericórdia e bondade em primeiro lugar, conforme o próprio Daniel entendia e disse nessa mesma oração (vs.18; veja também Sl 27.13; 32.10; 69.16; 107.21; Lm 3.22 etc...). 


Em segundo lugar, sabemos que somos salvos não pelas obras, isto é, pela nossa falha obediência a lei, mas para as boas (Ef 2.10). As nossas boas obras como oração, meditação e estudo da Palavra de Deus, jejum, presença e comprometimento nos cultos, bom testemunho perante a sociedade, evangelismo entre outras coisas, é o meio que Deus utiliza para nos abençoar. 


     Observe o princípio de obediência como o meio condicional de receber bençãos que Jesus ensinou aos discípulos:


     João 15.16 - Não fostes vós (os discípulos e as pessoas em geral) que me escolhestes (ou escolhe a Cristo pelo livre arbítrio); pelo contrário, eu vos escolhi e vos designei a ir e dar fruto, e fruto que permaneça, a fim de que o pai vos conceda tudo quanto lhe pedirdes em meu nome. Almeida Século 21


    Hebreus 12.14 – Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor (não no aspecto de perder ou ganhar a salvação, mas no que tange intimidade com o Senhor). ARC 


       Para melhor compreensão, a passagem poderia ser traduzida desta forma: Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém terá intimidade com o Senhor.


     Sendo assim, a obediência aos ensinamentos de Jesus é a maior evidência se somos verdadeiros crentes ou falsos crentes. Se somos verdadeiros crentes como Daniel era, iremos dar frutos que glorifiquem a Deus e teremos nossas orações ouvidas e respondidas por Deus em bênçãos.


 Se somos falsos crentes não iremos dar frutos e não teremos nossas orações ouvidas por Deus, e como resultado, não seremos abençoados. A desobediência impede de sermos abençoados por Deus!  


      Isaías 59.2 – Mas as vossas maldades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouve. Almeida Século 21


2. A ORAÇÃO DE DANIEL É RESPONDIDA COM GRANDES REVELAÇÕES FUTURAS (9.24-27)


      Apesar da oração de Daniel ser direcionada especificamente ao seu povo e a Jerusalém, todavia, Deus vai além do seu pedido e lhe responde com grandes revelações. Portanto, quais são estas revelações?


a) A revelação do ungido (vs.25)


     O anjo Gabriel revela a Daniel que a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém até que o Ungido, o líder (ou “Príncipe” ARA, ARC), venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Ela será reconstruída com ruas e muros, mas em tempos difíceis. NVI A palavra Ungido faz referência ao messias; ou seja, o Messias é Cristo Jesus, o filho ungido de Deus e que também é Deus.    


b) A revelação da obra do Messias (vs.24)


      A restauração de Jerusalém aconteceria durante um período de setenta semanas. Será neste tempo, diz Gabriel, que o Messias executará a sua obra de fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos. ARA


       i. Fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade. A morte de Cristo na cruz em nosso lugar, em nosso favor, nos justifica diante de Deus (veja Rm 5.8; 3.24; 5.1, 9). Somos reconciliados com Deus e declarados justos diante dEle (Rm 5.10). Agora temos o perdão dos pecados. O sacrifício de Cristo satisfez plenamente a justiça divina.


       ii. Para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia. O Messias veio trazer justiça eterna para o povo de Deus. O Messias veio trazer o cumprimento da profecia. No nascimento, vida, morte, ressurreição, governo e segunda vinda de Cristo as visões e as profecias se cumprem. Tudo o que os profetas apontaram, cumpre-se em Cristo. 


       iii. Para ungir o Santo dos Santos. O messias veio trazer o sacerdócio universal dos crentes. Agora, todos temos acesso à presença de Deus. O santo dos santos é cada crente individual que compõe a igreja. Nós somos o templo do Espírito Santo (1 Cor 3.16; 6.19-20; 2 Cor 6.16b). O Espírito Santo não habita mais em templos como era no AT (At 7.48a; 17.24). Hoje, no período da nova aliança, ele habita em toda a sua plenitude em cada crente. 


c) A revelação da rejeição do Messias (vs.26)


         Daniel recebe aqui a revelação da rejeição do messias. Senão vejamos alguns aspectos dessa rejeição: 


      i. Depois das sessenta e duas semanas, será morto o ungido e já não estará. ARA Isso denota a morte do Messias.  


      ii. O povo de um príncipe que há de vir destruíra a cidade e o santuário. ARA A cidade e o lugar santo serão destruídos pelo povo do governante que virá. NVI A cidade que será destruída é Jerusalém. O Messias veio para os seus, mas eles o rejeitaram (Jo 1.11). 


      O povo judeu rejeitou Jesus como o messias que haveria de vir e veio. Não obstante Jesus chorou pela cidade de Jerusalém porque ela não reconheceu o tempo da sua visitação, isto é, a presença do Messias, o próprio Deus filho entre eles (Lc 19.41-44).


     Contudo, no ano 70 d.C., o general Tito Vespasiano e o seu exército invadiram Jerusalém e a destruíram, dispersando assim o povo judeu para vários lugares do mundo. Jerusalém foi assolada porque rejeitou o messias matando-o crucificado. Esta profecia se cumpriu historicamente, detalhe por detalhe conforme o anjo Gabriel revelou a Daniel sendo também reafirmada por Jesus (Mc 13.14).  


      iii. E o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas. ARA O fim virá como uma inundação: Guerras continuarão até o fim, e desolações foram decretadas. NVI
 

      As guerras que continuarão até o fim se refere tanto as guerras do mundo em geral profetizado por Jesus que sempre aconteceram e vão acontecer na história (Mt 24.6; Mc 13.7), como também as guerras e perseguições por parte do mundo ímpio e de Satanás contra o povo de Deus, a igreja de Cristo espalhada por todo o mundo que sempre aconteceram e vão acontecer até o fim dos tempos.  


d) A revelação do triunfo do Messias (vs.27) 


      Por fim, Daniel recebe a revelação de que ele fara firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele. ARA
 

      Esta profecia se cumpriu historicamente em Cristo na sua primeira vinda. Indubitavelmente o messias, Jesus, fez a aliança da redenção com muitos, isto é, com os muitos eleitos de Deus espalhados por todo o mundo por uma semana, conforme diz texto. 


      No meio desta semana ele daria fim ao sacrifício e à oferta; NVI ou seja, o fim dos sacrifícios cerimoniais, que eram sombras do sacrifício perfeito de Jesus na cruz se cumpriram nele (Hb 7.27).  


E sobre a asa das abominações virá o assolador é uma profecia de duplo cumprimento. Seria melhor se entendêssemos o texto dessa perspectiva:


 Primeiro esta profecia se cumpriu historicamente no protótipo do anticristo, ou no anticristo histórico, a saber – Antíoco Epífânio, um rei pagão que dominou Israel e dessagrou o templo em 150 a.C (8.9, 13; 11.31; 12.11). Jesus no sermão profético (Mt 24.15; Mc 13.14) mencionou acerca dele citando essa passagem do livro de Daniel.


      Antíoco Epifânio fez guerra contra a nação de Israel e a dominou. Ele entrou em Jerusalém, construiu um altar em cima do altar de Jerusalém e colocou uma estátua de deuses pagãos dentro do templo. Também sacrificou porcos no altar (o que é uma terrível abominação para os judeus pelo porco ser um animal imundo), o altar que Deus havia mandado construir.


      Segundo, esta profecia irá se cumprir no futuro no anticristo escatológico (7.25). Até que a destruição, que esta determinada, se derrame sobre ele ARA se refere a destruição do anticristo escatológico pela manifestação da segunda vinda do Senhor Jesus conforme disse Paulo em (2Ts 2.8).
 

CONCLUSÃO


3. O SIGNIFICADO DAS SETENTA SEMANAS (9.24-27)


      Daniel também recebe a revelação sobre o tempo do Messias, isto é, as setenta semanas. Vamos descobrir então o real significado destas setenta semanas. Senão vejamos:


a) A divisão das setenta semanas (vs.25-26)


     Conforme podemos observar, no texto, as setenta semanas estão determinadas sobre o povo de Daniel – os judeus (vs.24). Todavia, estas setenta semanas estão divididas em três períodos de sete. 


     Primeiro temos o período de sete “setes”; segundo temos o período setenta e dois “setes”; e terceiro temos o período da septuagésima semana. Desse modo, somando o primeiro período de semanas 7 + o segundo período 62 + o terceiro período 1 = 70. O que significa então este resultado? 


     O primeiro período de sete semanas enfatiza o tempo que começa a partir da saída do povo judeu do cativeiro babilônico que durou setenta anos (9.2) até à reconstrução de Jerusalém. O povo judeu havia sido levado cativo para a Babilônia na primeira invasão de Nabucodosor a Jerusalém por volta do ano 605 a.C. Daniel foi levado cativo nessa primeira invasão. 


Em dezembro do ano 598 a.C., Nabucodosor invadiu Jerusalém novamente e a cercou, tendo conseguido conquistá-la em março de 597 a.C. Foi nessa segunda invasão que Nabucodonosor levou cativo o rei Jeoaquim e um grupo de dez mil pessoas no qual Ezequiel fazia parte (2Rs 24.11-18). A destruição de Jerusalém e a conquista de Judá, juntamente com a terceira deportação dos judeus, aconteceu no ano 586 a.C. 


      O segundo período de “setes”, as sessenta e duas semanas começa a partir do tempo da reconstrução de Jerusalém até o tempo da primeira vinda de Jesus. Por fim, o terceiro período, a septuagésima semana, acontece no tempo da morte do Messias.
 

b) O início das setenta semanas (vs.25) 
   

      A ordem para restaurar Jerusalém marca o inicio do primeiro período das setenta semanas. O historiador Flávio Josefo diz que quando o rei Ciro leu a profecia de Isaias a seu respeito (Is 44.28; 45.13), ele mandou reconstruir o templo que os babilônios haviam destruído. Contudo, a ordem para reconstruir a cidade aconteceu no 445 a.C., no reinado de Ataxerxes (Ne 2.5-8).   


c) Uma analíse da septuagésima semana 


      Essa semana é dividida em três períodos: Temos o primeiro período de 445-49 (7 semanas de anos) = 396 a.C. (da ordem de Artaxerxes à restauração de Jerusalém). O segundo de 396 – 434 (62 semanas de anos) = 38 d.c. O ano do nascimento de Cristo e o inicio do ano 1 da era cristã. A partir disso, passou a se estabelecer os conceitos de “antes de Cristo” (a.C.) e “depois de Cristo” (d.C.) na contagem dos anos.


      Porém, a partir do século 17, com os recursos da astronomia, novos cálculos foram feitos e chegou-se à conclusão de que a data do nascimento de Cristo estava errada por 4 a 7 anos de diferença. A rigor, o nascimento de Cristo deu-se por volta do ano 4 a.C. Dessa forma, chegamos ao ministério de Cristo no período de 31 a 34 d.C. Isso está de acordo com o relato bíblico que nos informa que Cristo iniciou seu ministério aos 30 anos (Lc 3.23).


      Sendo assim, como entender a septuagésima semana então? Senão vejamos as duas principais linhas de interpretação que se destacam nesse ponto:


      i. Os pré-milenistas dispensacionalistas entendem que a septuagésima semana é um período de tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, isto é, o intervalo da igreja, o tempo dos gentios. Dessarte, a septuagésima semana então é uma lacuna profética, ou seja, um intervalo de tempo.

     Todavia, eles acreditam que a septuagésima semana foi adiada e que só irá acontecer no fim do mundo. Indubitavelmente, esta interpretação é improvável! Note que Gabriel indica claramente que o Messias seria morto durante aquela semana (vs.24).

 Se a septuagésima semana foi adiada para o fim do mundo, isso denota que Jesus não morreu ainda por nós e que ainda estamos presos em nossos pecados. A redenção dos pecadores eleitos então ainda irá acontecer nesse entendimento.

      Os dispensacionalistas acreditam também que o príncipe que destruirá a cidade não é Tito Vespasiano, mas o anticristo. Eles acreditam que o ele (vs.27) é o anticristo, e não Cristo; e que o templo de Jerusalém será reconstruído novamente e haverá a volta dos sacrifícios judaicos no período da grande tribulação.


      ii. Os amilenistas entendem que Cristo não morreu na septuagésima nona semana, mas depois dela, ou seja, na septuagésima semana. A linha de interpretação amilenista não acredita na lacuna profética ou no intervalo de tempo. Os amilenistas não acreditam que a igreja é um parêntesis da história. Não acredita no tempo dos gentios (Rm 11.25; Lc 21.24).

A igreja é composta tanto de judeus como de gentios eleitos. A aliança de Deus no NT é com a sua igreja, e não mais com Israel como no AT. Cristo morreu na septuagésima semana, fazendo a expiação dos nossos pecados (9.26; Is 53.8). O amilenismo acredita que a septuagésima semana está ligada à primeira vinda, e não com a segunda vinda de Cristo, visto que fala do Ungido.

      Por fim, vemos no (vs.27b) que a septuagésima semana estende-se a todo período da dispensação da graça, e que vai da morte do Ungido até o aparecimento do anticristo.  Estamos atualmente nas setenta semanas. Sendo assim, as setenta semanas não devem ser entendidas literalmente, mas apenas como um período de tempo indeterminado.

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