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FUNDO

O DRAGÃO PERSEGUE A MULHER - Por Leonardo Dâmaso




 TEXTO BASE: Ap 12.1-17

INTRODUÇÃO

     O livro de Apocalipse pode ser dividido em duas partes principais. Na primeira parte, vemos a igreja sendo perseguida pelo mundo em contraste com os juízos de Deus sendo executados sobre os ímpios e sobre a terra (1-11).

E na segunda parte, que começa a partir do capítulo 12, vemos a igreja sendo perseguida pela trindade maldita: Satanás, anticristo e falso profeta e posteriormente a vitória de Cristo e de sua igreja sobre estes inimigos.  


     O tema principal que é destacado nas duas partes do livro de Apocalipse não é a perseguição do mundo e de Satanás contra a igreja, mas sim, o triunfo de Cristo e da igreja sobre o mundo e sobre Satanás.

A igreja triunfa sobre a perseguição do mundo, porém, agora, nesta segunda parte do Apocalipse a perseguição contra a igreja será mais intensa. Satanás não medirá esforços e fará de tudo para aniquilar a igreja e cada cristão individualmente (12.17).   

      O capítulo 12 pode ser dividido em 5 seções:

1- A descrição da mulher (vs.1-2, 5a-6).
2- A descrição do filho da mulher (vs.5, 10).
3- A descrição do dragão (vs.7-17).
4- A intervenção de Deus na perseguição do dragão contra a mulher (vs.6, 14-16).
5- Os meios da vitória da mulher contra o dragão (vs.11).

EXPLANAÇÃO

1- A DESCRIÇÃO DA MULHER (12.1-2, 5a-6)

a) A identidade da mulher (vs.1a).

     No texto alume, vemos que João descreve mais uma de suas visões. Não obstante, foi visto pelo o apóstolo um grande e incrível sinal no céu. O substantivo “sinal” no grego σηματοδοτούν (semeion) tem uma gama de significados no NT que varia de contexto para contexto.

Nesta passagem, porém, significa um indício que antecede um evento futuro. Esta palavra aparece 7 vezes no apocalipse para enfatizar o agir de Deus ou o agir de Satanás e seus asseclas malignos, isto é, os demônios (12.1, 3; 13.13; 14; 15.1; 16.14; 19.20).

Em seguida, João descreve este sinal; ou seja, ele viu uma mulher. Portanto, quem seria esta mulher vista por João juntamente com todas as suas características?  Seria ela literal ou apenas um símbolo?

     No meio cristão, os estudiosos têm sugerido algumas interpretações acerca da possível identidade desta mulher. A igreja católica entende que esta mulher é Maria, a mãe biológica de Jesus. Os Dispensacionalistas acreditam que esta mulher é símbolo da Nação de Israel.

Por outro lado, existem aqueles que entendem esta mulher como sendo a igreja das duas dispensações tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. E por fim, outros ainda vêem esta mulher como um símbolo de elementos celestiais e miraculosos que fizeram com que Cristo viesse a terra e encarnasse.   

     Contudo, a melhor interpretação para esta mulher vista no céu por João, é que ela representa o Israel de Deus, isto é, a igreja. A igreja é uma só em ambas as dispensações. Não existem dois povos de Deus. O povo de Deus é um só povo! A igreja é composta tanto dos cristãos do Antigo quanto do Novo Testamento (Is 54.1; Gl 4.27-31; Rm 2.28-29; 9.6-11; Ef 2.11-19). 
         
b) As características da mulher (vs.1b).

     Após descrever o sinal que viu no céu como sendo uma mulher, todavia, João agora pinta as suas características.

     Em primeiro lugar, o apóstolo diz que a mulher estava vestida de sol, que é símbolo da glória de Cristo sobre ela. “A igreja reflete a beleza de Cristo. Ela reverbera o brilho da glória de Deus. A beleza de Deus está estampada na igreja. A glória de Deus refulge na e através da igreja”.1

     Em segundo lugar, a mulher tinha a lua debaixo dos pés, que significa que ela “exerce domínio.”2 “O cabeça da igreja é aquele que tem todo poder e toda autoridade no céu e na terra. A autoridade da igreja foi recebida por Jesus. Seu domínio não é político nem econômico, mas espiritual. Ela está assentada com ele acima de todo principado e potestade. Ela recebeu autoridade sobre o diabo e suas hostes”.3

     E por fim, em terceiro lugar, João diz que a mulher tinha uma coroa de 12 estrelas na cabeça. O número 12 é simbólico e representa a igreja na sua totalidade, isto é, a igreja da antiga e da nova aliança baseada nas 12 tribos de Israel e nos 12 apóstolos.     
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1- Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 257.
2- William Hendriksen. Mais que vencedores, pág 102.
3- Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 257.

c) A condição da mulher (vs.2).

      Depois de haver traçado as características da mulher, João enfatiza também a condição em que a mulher estava na visão. O apóstolo diz que a mulher estava grávida e gritava de dor, pois estava prestes a dar a luz a qualquer momento, que simboliza a primeira vinda de Cristo em carne a este mundo. 

     Via de regra, quando o livro de Apocalipse foi escrito por João, o nascimento de Jesus já havia ocorrido há anos no inicio do século. O fato da mulher sentir terríveis dores e sofrer uma angústia premente enquanto está para dar à luz, é uma alusão que o apóstolo faz nessa passagem ao conturbado nascimento de Jesus (Mt 2).

Não obstante, João acentua a oposição que satanás tem fomentado ao longo da história contra os descendentes da mulher, que são os cristãos de todos os tempos (Gn 3.15).     

d) A missão da mulher (vs.2b, 5a).

     O vital objetivo desta mulher é dar à luz a um filho homem. Note que João aqui faz menção das profecias de (Is 7.14; 66.7) que se cumpriram historicamente a despeito deste filho que haveria de vir. Portanto, a mulher, que representa a igreja da antiga aliança, deu a luz ao seu filho que é o Senhor Jesus.     

2- A DESCRIÇÃO DO FILHO DA MULHER (12.5, 10)

a) As características do filho (vs.5b, 10). 

      Após sintetizar a missão da mulher, João agora traça as características do seu filho. É dito pelo apóstolo que este filho não é um filho qualquer, antes, é um homem que irá governar todas as nações com cetro de ferro.

Vemos, portanto, que a profecia do (Sl 2.9) citada por João aqui se cumpriu no Senhor Jesus. Nessa passagem, “a descrição do filho não é de sua humanidade, mas de sua exaltação. O filho que nasceu é o Rei que tem o cetro nas mãos.”4

Cristo governa estabelecendo seu reino e aplicando seu governo sobre todas as nações do mundo (Mt 24.14). Ele governa supremamente com justiça e amor como Rei dos reis e Senhor dos senhores.5   

b) O triunfo do filho sobre o dragão (vs.5c, 10).

     Depois de a mulher haver dado à luz ao seu filho em meio a dores e angústia, todavia, no texto em pauta, é descrito que o seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono. NVI Note que João não menciona nada acerca do sofrimento, da morte e da ressurreição do Senhor Jesus nas passagens anteriores, entretanto, o apóstolo enfoca no resultado de sua vida terrena.

     Através do nascimento e da ascensão de Jesus ao céu, que significa o seu arrebatamento para Deus, satanás foi completamente derrotado (Cl 2.15); dando assim, início ao governo soberano de Cristo nos céus e na terra (Mt 28.18). A ascensão de Jesus é o prelúdio que antecede a batalha que houve no céu entre Miguel e os seus anjos contra o dragão e os seus anjos (vs.7-9).     
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4- Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 259.
5- Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 455.

3- A DESCRIÇÃO DO DRAGÃO (12.7-17)

a) As características do dragão (vs.9, 10b, 12b, 17).

     Via de regra, após ter descrito as características da mulher e do filho, João agora pinta as características do dragão. Conforme sabemos, o dragão e a antiga serpente representam o diabo ou satanás. Ambos denotam a mesma pessoa.

     A palavra diabo διάβολος (diabolos) no grego significa “acusador, caluniador”.6 “A palavra satanás é sinônimo da palavra diabo, e os termos são usados de forma alternada no Novo Testamento”.7 “Satanás é uma palavra grega derivada do aramaico (em hebraico, satan) que siginfica adversário”.8

     Em primeiro lugar, o dragão é enganador. Satanás engana o mundo e tem escravizado e destruído cada vez mais pessoas nas suas mentiras.

     A expressão antiga serpente é uma referência extraída por João de (Gn 3.1), onde é mencionado que através de uma serpente, satanás enganou Eva conseguindo influenciá-la a desobedecer a Deus comendo do fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Tendo em mente o evento da queda de Adão e Eva (Gn 3.4-13), Paulo exorta os coríntios a se precaverem do sutil engano da serpente (2 Cor 11.3).

É como se Paulo dissesse: Assim como Eva foi enganada por Satanás que usou a serpente como um instrumento para influenciá-la a pecar contra Deus, assim, Satanás usa os falsos apóstolos e os falsos profetas para disseminar o engano religioso escravizando o povo na mentira e influenciando-os a pecar contra Deus. Cuidado! Satanás é astuto! 

(13.14) Ela (a besta que subiu da terra, o falso profeta) engana o povo que vive na terra por meio dos milagres que lhe são permitidos realizar na presença da besta e lhes diz que façam uma imagem em honra da besta que fora ferida pela espada, mas que voltou a viver. Foi-lhe permitido soprar na imagem da besta para que ela pudesse falar e fazer que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem. BJC     

     Em segundo lugar, o dragão é acusador. Satanás acusou Jó dizendo que ele era fiel somente porque Deus o prosperava (Jó 1.9-10). Satanás acusou o sumo sacerdote Josué (que representa a nação de Israel) por ter pecado contra o Senhor (Zc 3.1-5). E satanás acusava os cristãos na presença de Deus de acordo com o (vs.10).

     Em terceiro lugar, o dragão é irado. Satanás está irado porque foi expulso do céu e sabe que lhe resta pouco tempo. Satanás está irado porque não pôde contra a mulher (vs.6, 14, 16), contra o seu filho (vs.5) e contra a sua descendência (vs.17). Satanás está furioso porque sabe que a igreja é protegida por Deus e que não pode destruí-la nem mesmo com a morte.

b) A queda do dragão (vs.7-9).

      Depois de João sintetizar as características do dragão, ele agora vai descrever a sua queda. João elucida que houve uma batalha no céu entre o exército de Deus comandado por Miguel e os seus anjos contra o exército do dragão e os seus anjos.

Os dois exércitos lutaram entre si, entretanto, o dragão e o seu exército não sobressaíram sobre o exército de Miguel e, por conseguinte, foram expulsos do céu sendo precipitados na terra.

     Temos aqui um quadro que não deve ser entendido literalmente. Não houve esta batalha no céu entre o exército de Miguel contra o exército de Satanás. O que este evento da derrota e queda de satanás ressalta é “o efeito do nascimento, da expiação e da ascensão de Cristo ao trono celeste”.9

Quando João diz que o dragão e os seus anjos perderam o seu lugar no céu, significa que Satanás foi destronado da sua posição de acusador do povo de Deus (Jo 12.31). Quando Jesus ascendeu ao céu e retornou ao seu trono de glória, Satanás e o seu exército foram destituídos de seus cargos de acusadores.

      Hendriksen corrobora que quando Cristo nasceu e satisfez à justiça em relação ao pecado, Satanás perdeu todo o argumento de justiça para basear suas acusações contra os crentes. Na verdade, ele conti­nua a nos acusar. Esse é o seu trabalho até então.

Mas ele não pode mais se louvar na obra incompleta do Salvador. A expiação de Cristo foi plenamente cumprida; a completa satisfação pelo pecado foi realizada quando ele ascendeu ao céu (Rm 8.1, 33).10 Nessa mesma linha de pensamento, Simon Kistemaker expande:

     Através de toda a história até a ascensão de Jesus, Satanás podia comparecer à presença de Deus como acusador de Jó e do Sumo sacerdote Josué (Jó 1.6; 2.1; Zc 3.1-2). A satanás não tinha sido ainda negado o acesso à presença de Deus, porém ele podia acusar o povo de Deus dia e noite (vs.10). Quando Jesus completou sua obra medianeira na terra, subiu ao céu e tomou assento à direita de Deus, tornou impossível a Satanás comparecer diante de Deus para acusar os santos. Jesus assumiu o papel de advogado junto ao Pai (1 Jo 2.1). Ele pagou o preço pela liberdade de seu povo, e como resultado, Satanás tornou-se incapaz de apresentar acusações caluniosas contra o povo de Deus.11  
     
c) O poder do dragão (vs.3-4a).

     Além de ver nesta visão uma mulher grávida, vestida de sol, com os pés sobre a lua e sobre a sua cabeça uma coroa de 12 estrelas (vs.1-2), todavia João vê um segundo sinal, ou seja, o apóstolo vê um grande dragão vermelho com 7 cabeças e 10 chifres, tendo sobre as cabeças 7 coroas. NVI

    O substantivo “grande” aqui evidência o poder que o dragão possui. “Ele é um inimigo terrível, perigoso e destruidor.”12 A cor vermelha do dragão simboliza o seu poder de guerra e destruição (6.4). As 7 cabeças do dragão e os 10 chifres representam o poder e autoridade que ele possui em todo o mundo (Jo 12.31; 14.30; 16.11; Ef 2.2; 6.12).

Adão governava a criação. Essa foi à posição que Deus o havia colocado (Gn 1.26b). Após a queda, Adão não mais podia governar a criação, e Satanás usurpando dessa posição, passou a governar o mundo.

Satanás agora tem domínio sobre o mundo contrário a Deus, sobre o governo e sobre as autoridades políticas que regem todo o sistema. As 7 coroas sobre as cabeças do dragão representam uma suposta grandeza. Satanás gosta de pensar que tem todo o poder.

Ele tem poder, mas não todo o poder que pertence somente a Deus. Satanás é orgulhoso e invejoso! Ele pensa que é uma divindade! Ele tenta imitar a Deus em vários aspectos.

Assim como a trindade bendita, Satanás tem a sua trindade maldita composta por ele próprio, pelo anticristo e pelo falso profeta. Assim como Cristo é Rei e Soberano, Satanás “gosta de pensar” que também é um “Rei Soberano” desse mundo (Mt 4.8-9).   

Lenski diz que Satanás se veste de símbolos e domínio arrogado13; isto é, de certo poder que lhe foi dado por Deus para agir. Hendriksen salienta que “as coroas de Satanás não são grinaldas de vitória, mas meras coroas de pretensa autoridade”14.

    Um outro aspecto do poder de Satanás mencionado por João aqui extraído de (Dn 8.10) é que ele, quando expulso do céu, arrastou com a sua cauda um terço das estrelas e as lançou na terra. O valor equivalente a um terço aqui não é literal, porém simbólico. Quanto as estrelas do céu, elas também não são literais, mas simbólicas.

Satanás em sua queda não levou consigo um terço das estrelas do céu para a terra. As estrelas aqui como em (Jó 38.7) representam uma parte dos anjos os quais “Satanás arrastou consigo para o pecado”.15    

d) A missão do dragão (vs.4b, 17).

     O maior objetivo do dragão é devorar o filho da mulher quando este nascer. Após a queda de Adão e Eva, Deus pronuncia a Satanás uma promessa de vitória futura dizendo que da descendência de Eva viria um que o derrotaria (Gn 3.15). Por toda a história vemos que Satanás tem buscado incansavelmente aniquilar a geração de Eva.

     Após o nascimento de Jesus em Belém da Judéia, o rei Herodes, com medo e inveja de perder o governo e o poder para o Cristo, o Rei dos judeus profetizado pela Escritura que haveria de vir e que já estava entre o povo; influenciado por Satanás, mandou que matassem todas as crianças de 2 anos para baixo a fim de se livrar de Jesus, porém o seu plano fracassou (veja os detalhes em Mt 2.1-18).

      Portanto, a missão de Satanás é perseguir e tentar de todas as formas até a volta de Cristo destruir a mulher, que representa a igreja, e os seus descendentes, que são os cristãos.  
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6- Dicionário Vine, pág 562.
7- Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 460.
8- Dicionário Vine, pág 973.
9- William hendriksen. Mais que vencedores, pág 105.
10- Ibid, pág 106.
11- Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 458.
12- Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 261.
13- R.C.H Lenski. The interpretation of St. John`s Revelation (1943), pág 365.
14- William Hendriksen. Mais que vencedores, pág 102.
15- Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 453.

4- A INTERVENÇÃO DE DEUS NA PERSEGUIÇÃO (12.6, 14-16)

a) A provisão de Deus para a mulher (vs.6, 14b).

      Depois de ter a sua tentativa frustrada por Deus de devorar o filho da mulher assim que ele nascesse, pois o menino foi arrebatado para Deus e o seu trono, todavia, o dragão, agora, furioso, tem como objetivo perseguir a mulher cujo intuito é destruí-la. Porém, Deus intervém com provisão para igreja em meio à perseguição levando-a para o deserto.

      Este período de 1.260 dias, 42 meses ou um tempo, tempos e metade de um tempo de intensa tribulação não é literal, mas denota um tempo curto que não pode ser contado (Mt 24.22). Será neste tempo também em que às duas testemunhas, que representam a igreja, recebem poder para pregar a palavra de Deus (11.3). 

b) O refúgio de Deus para a mulher (vs.14).

      Além de Deus preparar para a mulher um lugar no deserto em meio à perseguição, pois o deserto aqui simboliza a provisão e o sustento de Deus, não obstante foram dadas a mulher duas asas da grande águia, para que ela pudesse voar para o lugar que lhe havia sido preparado no deserto; NVI 

      “Com as duas asas da grande águia, que a mulher recebe de Deus, ela não mais foge, mas literalmente voa para o lugar que lhe fora preparado no deserto. A igreja tem asas para voar longe e escapar em segurança dos ataques do diabo”16. As asas aqui representam o próprio Deus como o lugar de refúgio para a igreja perseguida (Sl 91.4; Is 40.31, Dt 32.11).  

c) A proteção de Deus para a mulher (vs.15-16).

      Após o dragão não conseguir devorar o filho da mulher (vs.4), e a perseguição contra ela para destruí-la ter sido em vão, pois Deus lhe deu asas para fugir para o deserto; não obstante, o dragão tenta mais uma vez contra a mulher. João salienta que dessa vez a serpente lançou de sua boca água como um rio a fim de que a mulher fosse submergida pelo rio.

      Entretanto, mais uma vez esta tentativa de Satanás contra a mulher para destruí-la é fadada ao fracasso. Todos os seus esforços foram em vão. Em vez das águas tragarem a mulher, a terra abriu a sua boca e engoliu o rio que o dragão havia lançado.

     A água que sai da boca do dragão como um rio e a terra não devem ser entendidos literalmente. O rio que Satanás lança da sua boca e tenta afogar a igreja é o rio das heresias e do engano como o rio do pragmatismo, do antropocentrismo, da teologia da prosperidade, do triunfalismo, do misticismo, do mundanismo e do ecumenismo. A terra representa a intervenção de Deus para proteger a sua igreja.

A verdadeira igreja não é enganada pelo rio de Satanás. O Senhor livra os seus escolhidos do evangelho de Satanás (Mc 13.22). Por outro lado, à falsa igreja, composta pelos falsos crentes, já estão se afogando e serão completamente engolidos pelo rio de satanás!
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16- Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 467.

5- OS MEIOS DA VITÓRIA DA MULHER SOBRE O DRAGÃO (12.11)

 a) Pelo sangue do cordeiro (vs.11a).

     Depois de João enfatizar a queda de Satanás e o seu exército na terra (vs.7-9); e o seu fracasso em tentar destruir a igreja, agora, o apóstolo vai mostrar que a igreja não venceu Satanás pelos seus próprios méritos, antes, a igreja só triunfou sobre ele pelo sangue de Cristo.

Perceba que João escreve no pretérito perfeito como se todos os filhos de Deus já estivessem na glória. O apóstolo, contudo, mostra a vitória da igreja sobre Satanás e sobre a morte mesmo antes da volta de Cristo. “A morte de Cristo é a nossa vitória. O sangue de Cristo é a nossa arma mais poderosa. Seu sacrifício na cruz desfez toda a possibilidade de Satanás triunfar sobre o povo de Deus (2 Co 5.21)”.17

b) Pela palavra do testemunho (vs.11b).

     Um outro aspecto da vitória da igreja sobre Satanás é pela palavra do testemunho. “A igreja vence quando testemunha de Cristo mesmo em face da perseguição e da morte. Ela prefere ser uma igreja mártir do que ser um igreja apóstata. Ela prefere morrer a negar o nome de Jesus.

Ela, assim, mesmo morrendo, vence a Satanás. O diabo e seus agentes, em sua fúria vão perseguir e matar os santos, mas estes vencerão o diabo e seus anjos, no próprio ato de morrer por amor a Cristo”.18 Muitos dos filhos de Deus já foram, estão sendo, e serão vitoriosos após a morte estando com Cristo para sempre.
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17- Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 265.

CONCLUSÃO

APLICAÇÃO

     Que lições podemos extrair de Apocalipse 12 para a nossa vida? O que esta passagem nos ensina? 3 lições são destacadas aqui:

1) Enquanto Cristo não regressa para buscar a sua igreja e restaurar a terra com a descida da Nova Jerusalém, Satanás não deixará de perseguir a igreja.

Satanás não persegue os falsos crentes que compõe a falsa igreja corrompida pelas heresias e pelo mundanismo porque esta igreja é sua! Todavia, Satanás persegue os verdadeiros crentes que compõe a verdadeira igreja que foi comprada pelo sangue de Cristo.

(Ap 5.9) pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação. NVI

2) Satanás é um inimigo derrotado, porém não desanimado. Ele lutou contra Cristo, contra o arcanjo Miguel e contra a igreja e foi derrotado nas 3 lutas. Mesmo nessa posição, Satanás continua lutando contra a igreja. Ele não pode roubar a salvação dos verdadeiros crentes, mas ele pode obter pequenas vitórias sobre nós.

 Satanás tem conseguido escravizar muitos crentes no pecado; ele tem conseguido distrair muitos crentes com o trabalho, com os atrativos seculares fazendo-os diminuir a freqüência nos cultos e perder o interesse pela oração, pela leitura e estudo da palavra de Deus. Através disso, Satanás tem conseguido alguma vitória sobre parte da igreja.

(1 Pe 5.8) Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. NVI
3) Por mais terrível que seja o ataque de Satanás contra a igreja e contra cada cristão individualmente, Deus intervém na situação provendo o escape, protegendo e sendo o lugar de refúgio do seu povo.

(Sl 46.1) Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. ARA

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Soli Deo Gloria