CTO - CURSO GRATUITO DE TEOLOGIA ONLINE

CTO - CURSO GRATUITO DE TEOLOGIA ONLINE

FUNDO

SERÁ QUE PODEMOS JULGAR? É PECADO JULGAR O PRÓXIMO? - Por Leonardo Dâmaso




     É muito comum vermos no meio evangélico muitos crentes dizendo: É pecado julgar o próximo! É errado ter tal atitude! Não podemos julgar ninguém! Quem julga é somente Deus! Não obstante muitos até citam pasagens bíblicas para atestar esta "suposta verdade" que não podemos julgar. Via de regra, antes de expormos a premissa acerca deste fato, precisamos entender primeiramente o significado da palavra JULGAR. Julgar significa AVALIAR, FORMAR UM CONCEITO, PRONUNCIAR UMA SENTENÇA, FORMAR JUÍZO ACERCA DE ALGO OU ALGUÉM.


      Entretanto, SERÁ QUE PODEMOS JULGAR? É PECADO JULGAR O PRÓXIMO?
A resposta é ao mesmo tempo SIM e NÃO. Vejamos então algumas passagens muito usadas pelos que defendem a idéia de que não podemos julgar e entendermos o real significado de cada uma dessas passagens a luz do seu contexto e sobre a questão em pauta.

      (Mt 7.1-6) Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? HIPÓCRITA! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para TIRAR O ARGUEIRO ("julgar" no contexto) DO OLHO DO TEU IRMÃO. Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.

      Nesta passagem, se você fizer uma leitura atenta, irá perceber que Jesus não está dizendo de forma alguma que não devemos julgar o nosso irmão. Pelo contrário, o que Jesus está dizendo aqui e condenando é o JULGAMENTO HIPÓCRITA que alguém faz dos outros sem olhar as suas próprias falhas e erros. O Senhor determina que primeiro nos examinemos e nos submetamos humildemente ao mesmo crivo que queremos usar para medir e avaliar o procedimento e as palavras dos outros. E, então, removamos a trave do nosso olho, isto é, que mudemos os nossos caminhos e nossa conduta.

       Por conseguinte, uma vez que enxerguemos com clareza, o próprio Senhor determina que tiremos o argueiro do olho do nosso irmão. O que ele quer evitar é que alguém quase cego com um tronco de árvore no olho tente tirar um cisco no olho de outro. Mas, uma vez que estejamos enxergando claramente, após termos removido o entrave da nossa compreensão e percepção, devemos proceder à remoção do cisco do olho de outrem.

Nesta passagem fica claro então, que o Senhor nunca proibiu que julgássemos os outros, e sim que o fizéssemos de maneira hipócrita, maldosa e arrogante. Paulo menciona sobre este tipo de julgamento hipócrita em (Rm 2.1) Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo. (Rm 14.4) Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. 

      (TG 4.11-12) Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz. Há só um legislador que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?

Portanto, todas estas passagens aqui descritas condenam não o julgamento em si, porém, o julgamento hipócrita!

JULGAR faz parte essencial da vida cristã. Somos diariamente chamados a exercer o papel de juízes movidos por amor pelas pessoas e zelo pelas coisas de Deus. Observe o que diz (Mt 18.15-17) Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e REPREENDE-O = (censurar energicamente, "julgar") entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.

      (1 Cor 6.1-4) Ousa algum de vós, tendo algum negócio contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja?

       Observe o que Jesus diz em (Jo 7.24) Não julgueis segundo a APARÊNCIA, mas julgai SEGUNDO A RETA JUSTIÇA).

     Quem não julga contribui para que o erro se propague na igreja e para que as pessoas continuem nele. Pessoas assim são pessoas sem convicções e omissas. Elas se tornam coniventes e cúmplices das mentiras, heresias e atos imorais e anti-éticos dos que estão ao seu redor. Para concluir, julgar não é errado, no entanto sobre estas condições:

a) que primeiro nos examinemos;

b) que nos coloquemos sob o mesmo juízo com que vamos julgar e estejamos prontos para admitirmos que nós mesmos estamos sujeitos a errar e pecar ;

c) que nosso alvo seja ajudar os outros a acertar e consertar o que porventura fizeram ou disseram, e não condená-los implacavelmente sem misericórdia!




OBSERVAÇÃO:
NEM TODAS AS POSTAGENS TRADUZEM, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DO SITE MATÉRIAS DE TEOLOGIA

Soli Deo Gloria