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FUNDO

REGENERAÇÃO, UMA NECESSIDADE IMPERATIVA - Por Leonardo Dâmaso




TEXTO BASE: Ez 37.1-14

INTRODUÇÃO

    O livro de Ezequiel retrata a história do povo de Israel que havia sido levado prisioneiro para a Babilônia no ano 597 a.C. Em (2 Rs 24.11-18) é mencionado que Jerusálem é invadida pelo exército do rei Nabucodonosor, onde logo depois, o próprio Nabucodonosor chega à cidade e, ele mesmo, vai até Joaquim, o rei de Jerusalém na época, o rende juntamente com toda a família real e os levam prisioneiros.  

  Foram levados para a babilônia como prisioneiros por Nabucodonosor mais de 10.000 judeus, especificamente os de posição elevada na sociedade e os mais inteligentes, deixados para trás apenas os fracos e pobres. Dentre estes prisioneiros estavam os soldados militares, os melhores artesãos e todos aqueles com habilidades e capazes de lutar em guerra apoiando os militares.

  Apesar dos Babilônios terem levado apenas os judeus fortes e proeminentes, todavia, estes, permaneceram na Babilônia numa posição privilegiada na sociedade como colonos e não como escravos, onde trabalhavam sob boas condições cultivando a terra e se mantinham juntos (Jr 29).

Em meio aos judeus que haviam sido levados prisioneiros para a Babilônia, estava Ezequiel, com aproximadamente 26 anos de idade (1.2-3) e Daniel, contemporâneo de Ezequiel, que também havia sido deportado como prisioneiro na Babilônia no ano 605 a.C. na primeira invasão dos Babilônios a Jerusalém (Dn 1.2).   
 
     Ezequiel era um homem muito inteligente. Ele tinha amplos conhecimentos gerais e culturais. Ele conhecia tanto a respeito de assuntos nacionais como também de assuntos internacionais. Por isto ele fora incluído entre os 10.000 judeus que foram levados prisioneiros para a babilônia.

     Não obstante, Ezequiel vinha de família sacerdotal (1.3) e, por conseguinte, era um exímio candidato ao sacerdócio. Era casado (24.15-18); tinha a sua casa no exílio junto com os judeus e vivia livremente (3.24, 20.1).

Entretanto, é neste período no exílio que Ezequiel, com 30 anos de idade é chamado por Deus para ser profeta na Babilônia (1.1). 30 anos era a idade que um sacerdote começava o seu ministério (Nm 4.1-3, 23). Por isto, Jesus, como profeta, rei e especialmente sacerdote que foi, começou o seu ministério aos 30 anos de acordo com a lei mosaica.  

     O (cap. 37.1-14) no qual vamos expor pode ser dividido em 3 seções:

     Na primeira seção é dito que Ezequiel teve uma visão de um vale de ossos secos (vs.1-6). Na segunda seção é dito que Ezequiel profetiza sobre os ossos secos conforme a ordem de Deus, e os ossos secos retornam a vida (vs.7-10). E na terceira seção, o próprio Deus descreve a Ezequiel o significado destes ossos secos que tornaram a viver (vs.11-14).

EXPLANAÇÃO

1- A VISÃO DO VALE DE OSSOS SECOS (37.1-6)

a) A descrição do vale (vs.1-2).

     No texto alume é dito que a mão do Senhor veio sobre Ezequiel. A “mão” יד (Yadh) aqui não deve ser entendida de forma literal, mas é um símbolo que denota o poder, os meios e a direção de Deus no que tange ao seu modo de agir. Portanto, o poder de Deus (veio sobre) ou (envolveu) Ezequiel e o levou a um vale cheio de ossos secos.
      
     Um vale é uma área ou planície que fica situado no fundo entre as montanhas. Todavia, Ezequiel não foi literalmente arrebatado ou tele transportado para este vale de ossos secos, mas este evento trata-se de uma visão simbólica dada por Deus ao profeta para um propósito específico (veja outras visões de Ezequiel 8.3; 11.1, 24).

Ezequiel simplesmente viu num estado de êxtase espiritual um vale repleto de ossos muito secos (veja At 10.9-16; 11.5-10; 16.9; 18.9-10 22.17-21).  

      Esta visão aconteceu quando Ezequiel estava exilado na Babilônia junto com seus compatriotas judeus. Quanto ao local exato onde ocorreu a visão não é possível sabermos por falta de informações precisas.

b) Uma expressa ordem (vs.4-6).

      No (vs.3) percebemos que Deus faz uma pergunta a Ezequiel. O Senhor começa a pergunta da seguinte maneira: Filho do homem (expressão que aponta para a humanidade de Ezequiel e a sua posição como servo do Senhor). Era como se Deus dissesse: homem mortal, NTLH estes ossos poderão tornar a viver? NVI Ezequiel responde ao Senhor: Senhor, meu Deus, só tu sabes se podem ou não. NTLH

     A resposta do profeta não trazia uma visão pessimista e muito menos incrédula a despeito da situação dos ossos secos, antes, Ezequiel respondeu de maneira crível.
Noutras palavras era como se ele dissesse: Senhor, eu não posso afirmar que estes ossos secos vão reviver ou não. Eu não sei acerca da sua vontade. Mas o que eu sei é que nada é impossível para o Senhor e que tu podes todas as coisas, e se o Senhor quiser e for da sua vontade, estes ossos secos podem retornar a vida. Que resposta sábia (Tg 4.13-15)!

     Em seguida, mediante a resposta de Ezequiel, Deus ordena ao profeta que ele profetize para que estes ossos secos revivam, isto é, que ele declare a vontade futura do Senhor para estes ossos dizendo:

Ossos secos ouçam a palavra do Senhor! Assim diz o soberano, o Senhor, a estes ossos: Farei a vida entrar novamente em vocês! Colocarei tendões e músculos, carne e pele sobre vocês, e depois lhes darei vida novamente. Assim vocês saberão que eu sou o Senhor. NBV 

Diga (Ezequiel) a esses ossos secos que dêem atenção à mensagem do Senhor. Diga que eu, o Senhor Deus, estou lhes dizendo isto: Eu porei respiração dentro de vocês e os farei viver de novo. Eu lhes darei tendões e músculos e os cobrirei de pele. Porei respiração dentro de vocês e os farei viver de novo. Aí vocês ficarão sabendo que eu sou o Senhor. NTLH

2- A RESSURREIÇÃO DOS OSSOS SECOS (37.7-10

a) O processo da ressurreição (vs.7-8).
          
    Depois de haver profetizado sobre os ossos secos conforme a ordem do Senhor, todavia, enquanto Ezequiel ainda profetizava, houve um barulho, os ossos foram se ajuntando um a um formando vários esqueletos.

Por conseguinte os esqueletos iam sendo cobertos de tendões, de carne e de pele, formando assim um numeroso exército de pessoas no vale; porém, de pessoas adormecidas, pois não havia o espírito nestes corpos.

b) O milagre da ressurreição (vs.9-10).

     Após a junção dos ossos secos onde se formaram vários esqueletos, e destes esqueletos se formaram corpos sem vida, não obstante, Deus diz a Ezequiel que profetiza novamente, porém, dessa vez ao espírito. A palavra “espírito” no hebraico רוח (ruah) se refere tanto ao vento natural como ao espírito humano ou ao Espírito de Deus.

    Vemos, portanto, que aqui, o milagre da ressurreição começava a acontecer. Entretanto, ainda faltava algo para que se concluísse o milagre, isto é, o espírito humano. Portanto, vemos que Ezequiel profetiza ao espírito, que vem dos quatro ventos para que assopre sobre os mortos para que eles vivam.

Em seguida, depois de Ezequiel haver profetizado como Deus havia lhe dito, o espírito de vida entra nos corpos e eles passam a viver se colocando de pé um grande exército de pessoas (Gn 2.7). 

3- O SIGNIFICADO DOS OSSOS SECOS QUE TORNARAM A VIVER (37.11-14)    

   O capítulo 36 de Ezequiel trata acerca da restauração de Israel. Jeremias havia profetizado que eles ficariam como prisioneiros na Babilônia por 70 anos (Jr 25.11-14; 29.10). Os falsos profetas haviam iludido os exilados dizendo que eles seriam libertos em pouco tempo e retornariam seguros para Jerusalém.

Diante das falsas profecias que não se cumpriram (Ez 13.3-16), o povo já havia praticamente perdido a esperança de retornar a terra prometida (33.10; 37.11).  Durante o exílio, Ezequiel profetizou que Deus poria fim no cativeiro de Israel e levaria o seu povo de volta para a sua terra, porém, depois de 70 anos, conforme fora profetizado por Jeremias seu contemporâneo (11.17; 20.34, 41-42; 28.25). 

   Conforme podemos notar, a primeira parte do capítulo 36 dos (vs.1-15) enfatiza uma profecia de esperança para Israel. Os edomitas, um dos inimigos de Israel, haviam ridicularizado Israel devido à situação de vergonha e angústia em que se encontrava diante das nações (36.1-5).

Deus havia castigado Israel. O exílio e a situação de miséria de Israel era uma conseqüência pelos seus pecados contra o Senhor. Mas agora ele diz que castigaria as outras nações, levando-as a estar na mesma situação de vergonha e angústia em que Israel estava (36.6-7). Por conseguinte Deus promete a restauração e a prosperidade do povo de Israel (36.8-15).

     No entanto, para que isto viesse a acontecer, e o povo de Israel retornasse a sua nação e desfrutasse de todas estas bênçãos do Senhor, havia uma necessidade imperativa, isto é, uma condição, que seria a regeneração do povo.

Ezequiel já havia reprovado o povo inúmeras vezes por seus pecados (2.3-7; 8.9-10; 36.16-17) e também as outras nações por seus pecados (caps. 25 – 32). Os pecados de Israel tinham causado a imundícia da terra diante do Senhor (36.16-17). Devido à sua imundícia, Deus entregou Israel às outras nações, onde o povo continuou a profanar o nome do Senhor (36.18-20).

     Mas Deus não se esqueceu do seu povo! Ele não abandonou os seus! A salvação do Israel eleito não foi por mérito deles, mas porque Deus agiu por amor do seu próprio nome (36.21-32).

Ele mesmo disse que chegaria um tempo em que purificaria Israel dos seus pecados, lhes daria um novo coração e colocaria o seu Espírito, regenerando e capacitando o seu povo para servi-lo e obedecê-lo (36.24-28), onde o povo se arrependeria e sentiria nojo de seus pecados outrora cometidos (36.31). Senão vejamos:

a) Quem são estes ossos secos?

     Depois de Ezequiel contemplar a sublime visão que teve do milagre da ressurreição dos ossos secos, Deus revela ao profeta o significado da visão dizendo que estes ossos secos e mortos representam a nação de Israel exilada na Babilônia em profunda miséria, angústia e completamente sem esperança de voltar para Jerusalém, sua terra natal (vs.11, 16-17, 19).   

b) Esta profecia já se cumpriu ou ainda irá se cumprir?

     No (vs.12) vemos que Deus, pela terceira vez, diz a Ezequiel que ele profetize ao povo de Israel, porém, a despeito de uma promessa futura. Deus diz através de Ezequiel que ele abriria as sepulturas onde Israel estava enterrado, ou seja;

Deus reuniria o seu povo disperso levando-os novamente a sua terra, e quando se cumprisse a promessa, o povo glorificaria o seu nome (36.24-32). Além disso, Deus também, ao levar o seu povo de volta a sua terra, poria o seu Espírito sobre eles, os mortos espirituais vivificando-os para uma nova vida (36.27).

  Via de regra, esta profecia é uma profecia de cumprimento parcial, isto é, parte dela se cumpriu parcialmente e historicamente no povo de Israel após o exílio por volta do ano 515 a.C. Parte dos judeus retornou para Jerusalém (Ed 1-2; Is 26.19). O templo foi reconstruído onde recomeça o culto e a adoração em Jerusalém (Ed 3-6; Ez 37.23-28).  

E cerca de 60 anos depois, outro grupo de aproximadamente 1500 judeus, liderados por Esdras, voltam a Jerusalém onde se é reorganizada a vida religiosa e social do povo também por Esdras para que se preservasse a integridade espiritual (Ed 7-10).

Outra parte dela se cumpriu no período da nova aliança da graça através da obra de Cristo e em Cristo (Ez 37.23-28; Is 26.19; 55.3; 66.14; Jr 31.31-34; Hb 8.1-12). E outra parte ainda se cumprirá finalmente no futuro na terra restaurada ou no novo céu e na nova terra (Ez 37.23-28; Is 66.14; Jr 31.31-34; 32.40; Dn 12.2; Os 13.14).  

CONCLUSÃO

APLICAÇÃO

     Como os ossos secos representam a nação de Israel, assim, Israel, representa a igreja. A igreja não é um templo feito por mãos humanas (At 17.24). A igreja é cada um de nós (2 Cor 6.16-18). A igreja é composta por cada cristão comprado pelo sangue de Cristo que está espalhado por todo o mundo (AP 5.9b).

   Não obstante, a igreja contemporânea é um vale repleto de ossos secos (vs.11a). É uma igreja semelhante à igreja de Sardes, tem nome que vive, mas está morta (AP 3.1-6). É uma igreja que não é fria e nem quente, mas é morna como a igreja de Laodicéia (AP 3.15-16). É uma igreja seca pelas heresias, pelo mundanismo e pelo pecado.

    Cada osso seco representa uma vida dentro da igreja, porém, uma vida completamente destruída pelo pecado, pela dor, pela angustia e pelas perdas (vs.11b).

Por outro lado, existem alguns ossos, que representa pessoas, que pela palavra de Deus profetizada por Ezequiel, que representam os pastores, chegam até se tornarem esqueletos e de esqueletos a corpos completos com tendões, carne e pele, ou seja, pessoas aparentemente vivas, cristãos genuínos (vs.7-8).

Entretanto, lhes falta algo, o Espírito de Deus (vs.8). O Espírito que transforma. O Espírito que traz o arrependimento, a fé e produz o novo nascimento (Jo 3.3, 5-8). Estes são cristãos superficiais. São cristãos que não tem uma vida de oração.

São cristãos que não tem prazer de estudar a palavra de Deus. São cristãos que não tem uma vida piedosa. São falsos cristãos! São muitos também os teólogos, os que pregam e ensinam a palavra de Deus, que evangelizam, que louvam ao Senhor e são ativos no serviço na igreja, porém, não são regenerados.

     Este é o retrato da igreja contemporânea que necessita urgentemente do poder transformador de Deus. Uma igreja que precisa nascer de novo e ser purificada pelo evangelho puro e simples de Cristo Jesus, na qual ela já se desviou há muito tempo. Assim como o Senhor deu vida aqueles ossos secos, assim também ele fará aos nossos ossos secos (vs.14).





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Soli Deo Gloria