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FUNDO

OS GAFANHOTOS DO ABISMO - Por Leonardo Dâmaso



apocalipse

TEXTO BASE: AP 9.1-12

INTRODUÇÃO

      As trombetas de Deus acentuam os seus juízos sendo executados sobre os ímpios. As primeiras quatro trombetas atingiram a totalidade da natureza, isto é, a terra, o mar, os rios, o sol e a lua (8.7-13). Ao contrário das 4 primeiras trombetas, onde o próprio Deus através dos anjos, executou diretamente os seus juízos, todavia agora, na quinta trombeta, percebemos que Deus vai executar indiretamente o seu juízo através dos gafanhotos.

      A síntese desta passagem pode ser dividida em 5 seções:

1- João descreve a visão que teve onde a primeira coisa que viu foi uma estrela caída. Depois de ver a estrela ele revela a sua identidade (vs.1, 11) e, em seguida, enfatiza o poder que esta estrela possuí (vs.1b, 3b-5).

2- João vê gafanhotos saindo do poço de um abismo (vs.2-3a) e, adiante, também revela a identidade destes gafanhotos (vs.2-3a). 3- João enfatiza o caráter dos gafanhotos (vs.7-9). 4- João denota a missão destes gafanhotos (vs.4-6,10). 5- João conclui mostrando a situação dos ímpios e da igreja diante do juízo da quinta trombeta (vs.4b).

EXPLANAÇÃO

1- A DESCRIÇÃO DA ESTRELA (9.1,11)

a) A Identidade da estrela (vs.1a, 11). 

     O soar das trombetas descritos no (8.7-13; 9.1-21) não deve ser entendido como os anjos tocando literalmente trombetas, pelo contrário; o soar das trombetas significa uma espécie de prelúdio ou anúncio do ímpeto juízo de Deus sobre a terra e sobre os ímpios.
   
     Via de regra, após o quinto anjo soar a quinta trombeta, João tem uma visão. O apóstolo vê uma estrela caída do céu na terra; ARA isto é, uma estrela que havia caído do céu na terra. NVI João não viu a estrela caindo, mas ele viu a estrela caída do céu na terra.

Diferente das estrelas literais descritas nos capítulos (6.13; 8.8), a estrela aqui referente a quinta trombeta não deve ser entendida com uma estrela literal, porém, esta estrela é apenas um símbolo. Então que símbolo a estrela representa?

      Se atentarmos para o contexto em geral do livro de Apocalipse e de algumas passagens tanto do Antigo quanto do Novo testamento descobriremos à verdadeira identidade desta estrela. Em (Jó 38.7) os anjos são descritos como estrelas. Note o que Jesus disse em (Lc 10.18) Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago. NVI

No (vs.11) percebemos também que o anjo do abismo é chamado de Abadom, no Hebraico, e de Apoliom, no grego. “Em ambos os idiomas, a palavra significa destruidor”1. Em suma, a estrela representa satanás como uma espécie de líder dos demônios a quem eles prestam lealdade e, não obstante, João aqui faz uma alusão a sua expulsão do céu que resultou em sua queda na terra.   
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1- Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 365.

b) O poder da estrela (vs.1b, 3b-5). 

     Contudo, depois de ver a estrela caída do céu para a terra, que simboliza satanás, João descreve o poder que a estrela ou o próprio satanás possuí. O apóstolo diz que a estrela (ao diabo) foi dada a chave do poço do abismo (vs.1b). NVI Note que Satanás não tem em seu domínio a chave do poço do abismo, antes ele a recebe. 

Através desta chave, a estrela (satanás) abriu o poço do abismo subindo uma grande fumaça e escureceu o sol e o ar (vs.3). Em seguida, em meio à fumaça saída do poço, saíram também gafanhotos rumo a terra; e foi dado a estes gafanhotos poder como de escorpiões da terra, e foi-lhes ordenado que não causassem dano a natureza, mas somente que atormentassem, porém, não matassem aos homens que não tem o selo de Deus por cinco meses (vs.3-5).
      
     Portanto, a chave que foi dada a estrela aqui simboliza o poder que o diabo recebeu do próprio Deus, que por sinal é um poder relevante, porém não permanente, antes é um poder provisório e limitado. Através do poder que lhe fora dado, satanás abre o poço do abismo e libera gafanhotos que estavam presos neste poço para que estes saiam e atormentem os homens que não tem o selo de Deus por 5 meses. Hendriksen corrobora que o significado de Satanás abrir o poço do abismo, é que ele incita ao mal; ele enche o mundo com os demônios e com sua influência e operação malignas.2   
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2- William Hendriksen. (Mais que vencedores, pág 89).

2- OS GAFANHOTOS QUE SAEM DO POÇO DO ABISMO (9.2,3a)

a) A identidade dos gafanhotos (vs.2-3a).

     Após o poço do abismo ser aberto pelo diabo, João vê agora saindo desse poço uma fumaça. O abismo em todo o Novo Testamento refere-se a um lugar preparado para o diabo e os seus anjos malignos, onde naquele grande e terrível dia do juízo final, estes, destinados para isto, irão para lá sofrer eternamente a condenação por seus pecados (19.20; 20.10, 14, 15).

(Lc 18.31) E imploravam-lhe (os demônios a Jesus) que não os mandasse para o abismo (inferno). NVI

     Via de regra, não devemos entender que satanás e os demônios estão neste abismo ou inferno, ou que alguns “demônios mais fortes” juntamente com o diabo, o líder dos demônios, estão presos lá, enquanto outros “demônios mais fracos” estão soltos agindo operando o mal na terra. Esta interpretação popular majoritária é aceita no meio evangélico como a melhor. Não obstante, também no meio reformado, vários estudiosos seguem esta mesma linha de interpretação tendo como base as duas principais passagens que tratam deste assunto, que são as passagens de (2 Pe 2.4; Jd 6). 

     Haja vista que estas passagens de (2 Pe 2.4; Jd 6) são paralelas entre si, porém, se forem lidas e analisadas de maneira desatenta, aparentemente podem confirmar esta interpretação popular acerca do abismo como sendo a casa (dos) ou (de) alguns demônios como a correta. Em (2 Pe 2.4) é descrito que Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; NVI 

     Quando Pedro diz que Deus lançou os anjos que pecaram no inferno, e os entregou as cadeias de escuridão, ele não estava dizendo que o diabo e nem os demônios moram e reinam no inferno, e nem que atormentam as almas dos que vão para lá após a morte. O diabo e os demônios habitam na terra e, os demônios, com exceção do diabo, habitam no coração de cada ímpio.


(Jó 1.6-7) Num dia em que os filhos de Deus (os anjos) vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela. ARA

(Lc 11.24-26) Quando um espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso (em quem possa habitar), e não o encontrando, diz: Voltarei para a casa de onde saí. Quando chega, encontra a casa varrida e em ordem. Então vai e traz outros sete espíritos piores do que ele, e entrando passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro. NVI

(Mt 4.1) Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. NVI

 (Ef 6.12) Pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais (um lugar acima da terra que ainda é a terra; veja Ef 2.2). NVI 

   Contudo, inferno e cadeias de escuridão nessa passagem de (2 Pe 2.4) é uma alusão “ao estado de sofrimento, limitação e trevas em que esses anjos atualmente se encontram, aprisionados no seu próprio pecado e já experimentando em si mesmos os tormentos eternos que lhes aguardam.”3  

      Em (Jd 6) é dito: aos anjos que não guardaram o seu estado de autoridade de outrora, antes deixaram o seu lugar de habitação, Deus os lançou na escuridão e em algemas eternas. Todavia, estas duas expressões: lançou na escuridão e em algemas eternas denotam o controle de Deus sobre os demônios, ou seja, que eles estão por enquanto limitados em seu poder pela sua vontade até o dia da grande tribulação, quando serão livres destas algemas ou prisões para agir assolando a terra, cumprindo assim os planos de Deus.

     Portanto, devemos entender os demônios saindo do poço do abismo não como se eles habitassem lá, e que num determinado período, que será o da grande tribulação, eles serão soltos deste lugar pelo diabo através da determinação de Deus e irão para a terra a fim de atormentar os ímpios. Entretanto, o poço do abismo deve ser interpretado como uma limitação restrita que Deus impôs aos demônios para agir, e que, após o soar da quinta trombeta, será retirada esta limitação dos demônios para que eles possam agir livremente disseminando o mal sobre a terra de acordo com os propósitos de Deus. Enfim, esta seria a melhor interpretação acerca do abismo.

     Quanto à fumaça que saiu do poço do abismo, que chegou até mesmo a escurecer o sol e o ar significa a densa e premente influência maligna que irá poluir o mundo nesta fase da grande tribulação, onde será um período de trevas moral e espiritual.5


3- Augustus Nicodemus Lopes. Série interpretando o Novo Testamento: 2, 3 João e Judas, pág 109.

4- Em Jd 6, as correntes são chamadas eternas porque é impossível que eles um dia sejam livres delas, ou que escapem de alguma forma; eles (os demônios) estão seguros por elas. O decreto, a justiça e a ira de Deus são as próprias cadeias nas quais os anjos caídos são mantidos firmes. (Matthew Henry). Calvino também afirma que não devemos imaginar que os demônios estão presos em algum lugar, pois Judas pretende  simplesmente nos ensinar quão miserável é a condição deles (dos demônios), desde o tempo em que apostataram e perderam a sua dignidade. Pois, onde quer que vão, arrastam consigo suas próprias correntes e permanecem envolvidos em escuridão.

5- Matthew Henry diz que a fumaça que sai do poço do abismo é o diabo executando seus desígnios cegando os olhos dos homens, apagando a luz e o conhecimento, e fomentando a ignorância e o erro. Desta fumaça sai um exército de gafanhotos, símbolo dos agentes do diabo que fomentam a superstição, a idolatria, o erro e a crueldade. (Comentário Bíblico do Novo Testamento, pág 312)

     Em meio à fumaça vinda do poço, podemos notar que saíram muitos gafanhotos (vs.3a). Naturais do deserto e encontrados em várias partes do mundo, os gafanhotos são insetos que devastam vorazmente plantações. Embora tenham hábitos solitários, todavia eles costumam formar grupos em grandes quantidades como nuvens para justamente atacar as plantações. Eles se alimentam de folhas e de diversos tipos de árvores ou plantas.  

    No Antigo Testamento, o gafanhoto era visto como uma praga destruidora pelos judeus, principalmente pelos agricultores. Um exemplo disso é a oitava praga no Egito descrita em (Ex 10.12-15), isto é, a praga dos gafanhotos.

“Os gafanhotos deixavam as árvores completamente sem folhas e sem os brotos; comiam as cascas das árvores; o campo era devastado e todo o trigo era devorado por eles; todas as árvores morriam; e como conseqüência, o gado morria de fome, pois não restava nada para dá-lo de comer (Joel 1.4, 7-12)”.6  

     Devido à grande destruição e aos prejuízos irremediáveis que causava aos agricultores judeus, os gafanhotos eram considerados por eles como “um povo poderoso e guerreiro.

Em seu vôo escurecem o céu; são tão destrutivos como o fogo e nada pode escapar do seu dano; são como cavalos, correm como carros de guerra, fazendo um ruído semelhante às chamas quando devoram o pasto seco; partem formando filas, como um poderoso exército; escalam as montanhas, sobem pelas paredes das casas, entram nelas pelas janelas; a própria terra treme perante sua presença (Joel 2.1-11)”.7

      Tendo como base da sua premissa a descrição da praga dos gafanhotos de (Ex 10.12-15) e do livro de Joel, João se utiliza destas características dos gafanhotos como destruidores impetuosos e aplica este princípio aos asseclas de satanás, isto é, aos demônios.

Noutras palavras, Satanás agora, mesmo tendo liberdade e poder limitados e controlados por Deus, como um general maligno, ele dá ordens aos gafanhotos, que são os seus asseclas infernais representados pelos demônios para que atormentem todos os homens ímpios que não se arrependeram de seus pecados (vs.6).  
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6- William Barclay. Apocalipse, pág 271-272.
7- Ibid.

3- O CARÁTER DOS GAFANHOTOS (9.7-9)

a) Os gafanhotos são espíritos poderosos (vs.7).

     Os gafanhotos (os demônios) são descritos por João aqui como espíritos poderosos. Ele expressa o poder que os gafanhotos possuem enfatizando a aparência deles. João diz que estes gafanhotos tinham a aparência de cavalos preparados para a batalha NVI, e sobre a cabeça deles havia algo como que parecendo coroas de ouro;
     
     Tendo em mente (Jl 2.4) e todo o contexto do capítulo 2, onde os gafanhotos são comparados pelo profeta a um poderoso exército assolador de plantações e ladrões de alimentos; João usa deste fato histórico e aplica o princípio da ação destruidora destes insetos a uma guerra espiritual promovida pelos demônios contra toda a humanidade no período da grande tribulação, onde eles terão uma aparente vitória, que é símbolo das aparentes coroas de ouro sobre suas cabeças.

b) Os gafanhotos são espíritos sagazes (vs.7c).

     João descreve os gafanhotos agora dizendo que eles tinham um rosto semelhante ao rosto humano, o que indica inteligência. Simon Kistemaker diz que estes espíritos são criaturas demoníacas com o poder mental de seres racionais, cujo intuito é infligir uma terrível miséria às pessoas que se rebelam contra Deus. O propósito deles é enganar as pessoas que não servem e nem adoram a Deus.8       

c) Os gafanhotos são espíritos sedutores (vs.8a).

      Acerca destes gafanhotos infernais, é dito também que eles tinham cabelos, como cabelos de mulher. ARA. No mundo antigo, as pessoas costumavam comparar as cerdas dos gafanhotos, isto é, os pêlos grossos e ásperos que certos animais possuem, como também o javali, a cabelos de mulher (Jr 51.27).

     Não obstante em Israel, devido a sua cultura, o homem tinha por costume usar o cabelo comprido, porém em tranças, como era no caso de Sansão que era nazireu (Jz 16.13; 13.5; 16.17; Nm 6.1-5). Todavia, ainda sim, o cabelo era cortado regularmente, não curto, mas geralmente até a altura dos ombros, conforme (2 Sm 14.26; Lv 21.5).

Por outro lado, deixar o cabelo solto era uma atitude comum de um guerreiro do mundo antigo por causa de um juramento que havia feito. Embora o aspecto do cabelo solto fosse como de cabelo de mulher, todavia isso não significava que o homem era efeminado; pelo contrário, antes, este homem demonstrava pelos cabelos soltos força e ímpeto.

    Adolph Pohl escreve:

     Na província da Ásia Menor era difundido o culto mais popular do helenismo, a saber, a adoração de Dionísio, voltado à sensualidade. Nesse culto, os adeptos se extasiavam loucamente, meneando o cabelo volumoso – tido em muitas religiões como portador principal da força vital. Exaustos depois da dança que havia nestes cultos, as pessoas retorciam o pescoço com movimentos obscenos, e giravam os cabelos soltos em círculo. Na geração de João, esses cultos se tornavam uma tentação demoníaca para alguns dos cristãos que outrora, no passado, participavam desses cultos (Ap 2,3). Diante disso, não havia forma melhor de caracterizar o demonismo do que pela figura dos cabelos de mulher. 9  

      Portanto, dentre todas as informações em pauta, a expressão cabelos como de mulher é uma referência aos demônios, cujo intuito é enganar e seduzir os homens com suas artimanhas malignas visando perturbá-los e escravizá-los ao máximo no pecado, destruindo assim por completo suas vidas.

d) Os gafanhotos são espíritos veementes (vs.8b).

     Além dos gafanhotos serem espíritos malignos que enganam e seduzem os homens influenciando-os a trilhar caminhos tortuosos que no fim levam a morte, todavia, estes espíritos são descritos como que tendo dentes de leão. João aqui utiliza como base de sua argumentação novamente (Joel 1.6), onde o profeta compara os gafanhotos a um povo poderoso e inumerável que invadiu a terra assolando-a por completo, e que este povo tinha dentes como de leão.

      Os dentes de leão simbolizam força e voracidade. “Dentes como de leão retratam o poder destrutivo e devastador desses demônios. Eles agem com grande violência”10 e estão por trás de todo o mal exercendo sua nefasta influência destruidora no mundo.    

e) Os gafanhotos são espíritos inabaláveis (vs.9).

     No (vs. 9a) é dito que os gafanhotos tinham couraças parecidas com couraças de ferro. “As couraças eram armaduras que cobriam o tórax dos guerreiros antigos da mesma forma que os coletes a prova de bala protegem os policias modernos”.11 Note o que diz a profecia de (Naum 3.17) os seus guardas são como gafanhotos...NVI  

Via de regra, esta expressão “compara as couraças de ferro dos guerreiros assírios, os quais se destacavam por sua crueldade desumana, às couraças escamadas dos gafanhotos”.12 Entretanto, esta passagem de Apocalipse não faz menção a uma guerra física, mas a uma guerra no âmbito espiritual.

     É dito também no (vs.9b) que estes gafanhotos tinham asas, e o barulho das suas asas era como o barulho de carros puxados por muitos cavalos quando correm para a batalha. NTLH

Tendo em mente (Joel 2.4-5), João traça uma comparação entre o som das asas dos gafanhotos em seu vôo aos cavalos que saltam pelos montes como um poderoso exército preparado rumo à batalha. O som ou barulho das asas dos gafanhotos é um prelúdio, e ressalta uma guerra que está prestes a acontecer a qualquer momento.

        Estes gafanhotos são espíritos invisíveis. Eles não podem ser vistos pelos olhos humanos. Eles não podem ser detidos ou destruídos por metralhadoras ou por bombas. Estes espíritos são inatingíveis e inabaláveis. Somente Deus pode contra eles.   
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8- Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 371.
9- Adolph Pohl. Apocalipse, pág 126.
10- Hernandes Dias Lopes. Apocalipse, pág 216.
11- Simon Kistemaker. Apocalipse, pág 372.
12- Robert P. Gordon. Loricate Locusts in targum to Nahum and Revelation ; Vetus Testamentum (1983), pág 338-339.

4- A MISSÃO DOS GAFANHOTOS (9.4-6,10)

a) Atormentar dolorosamente os homens (vs.4-6, 10).

     A missão destes gafanhotos do inferno tem como objetivo principal o tormento. Estes gafanhotos são comissionados por Satanás através da determinação de Deus. A ordem dada a eles foi para que não fizessem estragos nas ervas, nem nas árvores, nem em qualquer outra planta; NTLH isto é, na natureza em geral. Entretanto, eles podiam apenas perturbar e afligir dolorosamente os homens que não tem o selo de Deus sobre a fronte, ou seja, os não cristãos.

Este selo não deve ser entendido literalmente, como se a pessoa fosse selada na testa, mas este selo é invisível. Ele é a marca do Espírito Santo sobre a vida do cristão que o distingue como eleito e propriedade de Deus. Noutras palavras, este selo é o próprio Espírito que habita no cristão plenamente (vs.4; Ef 1.13-14).  

     Não obstante, podemos observar no (vs.5) que a liberdade e o poder que estes gafanhotos demoníacos tem para atormentar os homens é limitado. Estes espíritos podem afligir severamente, porém não podem matar os homens. Por conseguinte, o tempo deste sofrimento também foi limitado por Deus a um período de 5 meses.

     No (vs.10) João se utiliza do ciclo de vida dos gafanhotos (insetos) que é de 5 meses apenas para enfatizar que o período de tribulação será curto; porém, será um período intenso de angustia, pavor e conflito como que a picada de um escorpião, que a principio não leva a morte, mas deixa a pessoa agonizando pela forte dor.

As pessoas desejarão a morte do que continuar vivas sofrendo tão cruelmente. Elas não terão paz na grande tribulação! Nem mesmo nas suas diversas e inimagináveis tentativas de suicídio terão sucesso, pois a morte fugirá delas.13  
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13- O sentido de a morte fugir das pessoas nesta fase da grande tribulação acredito eu, não será a princípio, nas diversas tentativas de pôr fim à vida que irão falhar, mas também e principalmente porque o próprio Deus está no controle de tudo, e não permitirá que estas pessoas morram para que sofram por não se arrependerem de seus pecados enquanto tiveram tantas oportunidades de arrependimento.   

5- A CONDIÇÃO DA IGREJA EM MEIO AO TOQUE DA QUINTA TROMBETA (9.4b).

a) A igreja estará Imune aos ataques dos gafanhotos (vs.4b).

     O sofrimento que haverá para os ímpios na grande tribulação será de caráter superlativo. Será uma fase obscura de intensa dor, medo e inquietação. O sofrimento será crescente. À medida que Deus vai executando cada um dos seus juízos, o tormento vai aumentando gradativamente (vs.12).

      Porém, o povo de Deus, o remanescente fiel, aqueles que não se apostataram da fé, os cristãos genuínos são distinguidos dos ímpios pelo selo de Deus (7.4). Eles estarão imunes e serão protegidos dos ataques dos gafanhotos. (1 Jo 5.18) Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, aquele que nasceu de Deus ele o guarda, e o maligno não lhe toca (a não ser por “permissão” e propósito de Deus). ARA

CONCLUSÃO

APLICAÇÃO

     Que lições podemos extrair desta passagem para o nosso aprendizado? O que a quinta trombeta do Apocalipse tende a nos ensinar? 3 lições principais estão inseridas nesta passagem.

1) A tribulação é inevitável! Ela sempre visita a nossa vida. Quer cristãos ou não cristãos, todos nós somos pressionados de forma tal que não podemos fugir dela. Isto é um fato irrefutável.

(Jo 16.33) Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo. NVI

(Sl 34.19) Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas. ARC

(2 Cor 4.8-9) De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. NVI

2) Deus não nos livra das tribulações, mas nas tribulações. Deus não livrou os amigos de Daniel da fornalha, mas na fornalha (Dn 3.20-26). Deus não livrou Daniel da cova, mas na cova (Dn 6). Deus não nos livrará da grande tribulação, mas na grande tribulação do seu juízo destruidor.

3) Deus é soberano e onipotente. Todos os eventos do mundo foram predeterminados por Ele. Nada escapa do seu controle. Mesmo quando não parece haver mais saídas; quando não há mais esperança e quando só resta à expectativa de ser sucumbido pela tribulação, Deus intervém nos livrando e nos dando forças para prosseguir e perseverar até o fim.

(2 Cor 1.8-10) Irmãos, não queremos que vocês desconheçam as tribulações que sofremos na província da Ásia, as quais foram muito além da nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida. De fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos. Ele nos livrou e continuará nos livrando de tal perigo de morte. Nele temos colocado a nossa esperança de que continuará a livrar-nos. NVI

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