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SOTERIOLOGIA E ORDO SALUTIS - Por Helbert Souza - AULA 1


SOTERIOLOGIA E ORDO SALUTIS
A DOUTRINA E A ORDEM SALVAÇÃO


A palavra é formada a partir de dois termos gregos Σοτεριος [Soterios], que significa "salvação" e λογος 
[logos], que significa "palavra", ou "princípio".


É a área da Teologia Sistemática que trata da doutrina da salvação humana. Estuda a aplicação da obra de redenção.

 A matéria deve ser estudada teológica (partindo de Deus), e não antropologicamente (partindo do homem). A obra de Deus, e não a do homem, é que deve estar em foco. 

Há duas possíveis formas de “fazer teologia”: partindo de Deus para o homem ou do homem para Deus. Estas posições distintas gera duas visões conflitantes quanto à Doutrina da Salvação. São elas:

A VISÃO ARMINIANA E A CALVINISTA:

ARMINIANISMO – TEOLOGIA POPULAR NO BRASIL:
Enfatiza a escolha do homem
Crê que Deus, em seu infinito amor e misericórdia, predestinou todos os homens que crerem em Cristo Jesus à salvação, cabendo ao homem aceitar mediante a fé o ato de sacrifício de Jesus na Cruz.
Segundo o Arminianismo o homem participa da sua salvação com sua escolha.
Também da mesma forma pode o homem escolher mediante seus atos decair da fé perdendo a salvação.
Todos foram escolhidos para serem salvos mas somente os que aceitam o chamado e perseveram até o final serão salvos.

CALVINISMO – TEOLOGIA REFORMADA
Enfatiza a soberania de Deus
Crê que Deus não destinou todos os homens à salvação, visto que é fato nem todos se salvarem. Neste caso Cristo morreu apenas pelos seus eleitos.
Estes ouvirão o chamado irresistível do Espírito Santo e se renderão a Cristo, sendo então justificados tão somente pela graça de Deus.
Em virtude do pecado de Adão a condição de pecador se estendeu a toda raça humana (depravação total).
Portanto, o Homem peca porque é pecador (tem a natureza do pecado) e não é pecador porque peca (ato do pecado).
Sendo assim a partir desse momento, o homem necessitava de um plano de salvação para que pudesse ser restaurado à imagem e semelhança de Deus. 

O Plano da Salvação, consistiu em Cristo morrer pelos eleitos, para que por sua graça, houvesse remissão dos pecados.

Não cabe ao Homem qualquer parte no plano de salvação, toda a iniciativa e realização é de Deus. É Ele quem muda a disposição de um coração morto e obstinado pelo pecado, transformando-o em um coração sensível à Sua voz. Nesta condição o Homem só pode dizer sim a chamada à salvação.
Uma vez "verdadeiramente salvo" o cristão não perde essa condição já que o próprio Deus sustenta o pecador regenerado. 

É digno de nota que essa doutrina não "afrouxa" a necessidade de uma vida santificada.
Um salvo deve viver como tal. 

Porém esse princípio enfatiza apenas o aspecto último da salvação, o momento final da vida de um homem, pois não são obras da vida do homem que salvam o homem, mas o perdão de Deus.

Uma pessoa que Deus perdoou têm uma vida digna de piedade aos olhos de Deus, não cabendo aos homens julgarem quem é salvo ou não, mas antes realizarem a vontade de Deus, que é viver de maneira misericordiosa, ou seja Deus encarnou na pessoa de Jesus para salvar os pecadores não os pecados.

ORDO SALUTIS:
Ordo Salutis é um termo em Latim que significa “Ordem da Salvação”

Berkhof a define da seguinte maneira:

Processo pelo qual a obra de salvação, realizada em Cristo, é concretizada subjetivamente nos corações e vidas dos pecadores. 

Busca descrever, em sua ordem lógica, os vários movimentos do Espírito Santo na aplicação da obra de redenção.

 A ênfase não recai no que o homem faz, ao apropriar-se da graça de Deus, mas no que Deus faz, ao aplicá-la. 

São os elementos da Ordo Salutis:

1. Eleição: Deus, em sua soberania e presciência, escolhe, antes da fundação do mundo, aqueles pecadores que seriam salvos pela graça.
2. Chamado: Deus, pela proclamação da Palavra, chama aqueles que Ele mesmo escolheu, e estes respondem com fé salvadora, que o próprio Deus gera no coração do homem.
3. Regeneração: Deus aplica o novo nascimento, ou seja, concede vida ao que foi chamado,  que outrora estava morto em seus delitos e pecados.
4. Conversão: Deus move nosso coração e mente para responder positivamente ao chamado do evangelho, arrependendo-nos dos pecados e colocando nossa fé em Cristo.
5.  Justificação: Deus nos declara justos, perdoando os nossos pecados e imputando a justiça de Cristo a nós.
6. Adoção: Deus nos adota como filhos, nos tornando membros de sua família. Agora não mais escravos de satanás, mas filhos de Deus.
7. Santificação: Deus, a cada dia vai nos tornando mais santos, conforme a imagem de Jesus Cristo, a medida que renunciamos o pecado. É um trabalho de Deus, mas que nós temos nossa responsabilidade também.
8. Perseverança: Deus é que vai nos sustentar durante nossa caminhada aqui na terra. Todos aqueles que foram regenerados e justificados por Deus, irão perseverar até o fim de suas vidas.
9. Glorificação: Deus finalmente vai remover todo vestígio e traços do pecado que ainda permanece em nós, e vai nos dar um corpo glorificado, ressurreto.

Conforme se pode observar, em cada um dos nove elementos acima, é Deus quem elege, chama, regenera, converte, justifica, adota, santifica, faz os eleitos perseverarem e, por fim, os glorificará.

Que obra resta ao homem na salvação?

Alguém poderá perguntar:
Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. (Rm6:15)

 Não estamos debaixo da lei (onde muitos buscavam ser salvos por seus próprios méritos como, por exemplo, o jovem rico). Mas debaixo da graça (onde Deus faz tudo por nós, que nada merecíamos).
Pecaremos por isto? De modo nenhum!

Ao contrário, o salvo (verdadeiramente) vai corresponder ao chamado.  Não fará nada para ser salvo, mas tudo fará porque é salvo.

Sabe que não é salvo pelas obras, todavia entende que suas obras evidenciam a sua salvação.


Helbert Souza
Soli Deo Gloria


REFERÊNCIAS:
  • HOEKEMA, Anthony. Salvos Pela Graça: A Doutrina Bíblica da Salvação, 2ª ed. Revisada, São Paulo: Cultura Cristã, 2002
  •   SPROUL, R. C. Salvo de quê?: compreendendo o significado da salvação. São Paulo: Ed. Vida, 2006
  •   Site: materiasdeteologia.com 


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