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PRECISAMOS DE LÍDERES FORA DE MODA! - Por Pr. Ivan Teixeira

Hoje em dia há uma grande preocupação sobre a liderança. 
O mundo e a igreja enfrentam uma crise de liderança. 
Numerosos livros foram e estão sendo escritos sobre o assunto. 

Até mesmo livros seculares são estudados por membros de igreja objetivando tomar princípios e características que fazem as pessoas bem sucedidas no meio secular e de algum modo transportá-los para a igreja. 
Estes membros visam absolver o que está na moda no mundo empresarial para serem relevantes em sua liderança diante do mundo.
Há muitos comentários sobre o que torna um líder eficaz no mundo, e se tivéssemos a sorte de resumir as características da lista soaria mais ou menos assim:
Fortes líderes naturais são visionários.
Os líderes são orientados para a ação.
Organização e suporte estrutural (reforma estrutural) são as balizes da liderança de sucesso.
Eles são corajosos.
Eles são enérgicos.
São grandes ativistas.
Eles têm uma energia “infinita”.
Os líderes aplaudidos pelo mundo são aqueles orientados por objetivos em vez de serem orientados para pessoas. Estes são líderes que estão na moda. São líderes legais.
Os líderes são grandes administradores do rebanho (Isto eu li numa revista de Escola Dominical. Não é de nos admirar que definições como esta permeiem a liderança atual norteada por marketing).E assim a lista cresce dentro deste escopo.
Concordo com John MacArthur quando escreveu que “É loucura para os cristãos assumirem (como muitos fazem hoje em dia) que a melhor maneira para aprenderem sobre a liderança seja de exemplos seculares”. 
Muitos pastores numa busca frenética pelo reconhecimento popular capitulam e seguem as técnicas dos grandes empreendedores empresariais, negligenciando assim os princípios delineados nas Sagradas Escrituras. 
Estes líderes que assim fazem objetivam está na moda. Serem relevantes.
A loucura em seguir os princípios de uma liderança secular está exatamente no fato de que a liderança cristã sempre tem uma dimensão espiritual. O dever de liderar pessoas traz certas obrigações espirituais que os gurus seculares de liderança desconhecem e até rejeitam. 
E esta verdade é importante para todos os cristãos em todo tipo de liderança, pois são chamados para serem líderes espirituais. São chamados para refletirem as verdades divinas sobre uma liderança bíblica para a glória de Deus. E sem dúvidas, uma liderança que reflete as verdades bíblicas e, que enfatiza o caráter e a vida espiritual do líder está fora de moda na cosmovisão atual.
Precisamos lembrar que o papel da liderança é uma responsabilidade espiritual, e as pessoas que lideramos são uma responsabilidade recebida de Deus para a qual seremos um dia chamado a prestar conta (cf. Mt 25.14-30).
Uma Liderança Orientada Pela Sola Cultura.
A grande desgraça que observamos no cenário atual é que os líderes cristãos estão ignorando os exemplos e princípios bíblicos de liderança e, em vez disso, voltando-se para os modelos seculares em busca de fórmulas de estilo obcecado, as quais eles acham que farão deles melhores líderes. E isto deu ensejo a organizações inteiras para treinar líderes de igrejas com técnicas de liderança e estilos de gerenciamento de “peritos” seculares. Com alguns textos bíblicos fora de seus contextos colocados aqui e acolá, estes “peritos” ensinam indiscriminadamente tudo àquilo que pareça produzir “sucesso” como um bom modelo para líderes da igreja imitar.
Neste ponto os pastores apenas substituem a palavra negócio por igreja, para demonstrar que os mesmos princípios de administração atualmente produzindo mega corporações funcionam para produzir megaigrejas. A suposição feita é que tudo que “funciona” nas empresas é automaticamente transferível para a igreja. Como eles dizem: “temos que aplicar o que funciona”. “Temos que surfar na crista da onda do momento”. Para eles o que interessa não é o que é certo, como aquilo que Deus revelou em Sua Palavra, mas o que dá certo, o que é legal e está na moda, como aquilo experimentado pelos grandes líderes seculares que alçaram os orçamentos das grandes empresas. A infelicidade para estes líderes está no ponto de seguirem, talvez sem saberem, o pragmatismo tão valorizado em nossa época. Sem saberem, o próprio movimento de liderança atual demonstra uma imensa dívida ao pragmatismo filosófico de William James, ao utilitarismo de John Stuart Mill, e ao consumismo do final do século vinte. Talvez nossos pastores não leiam esses autores, mas lêem os especialistas em crescimento de igreja que foram treinados em sociologia, psicologia e marketing e demonstram muitas vezes maior conhecimento dessas disciplinas seculares (que são boas dentro de sua esfera de ação) do que da teologia das Escrituras.
Podemos ouvir a cada dia histórias como a do pastor que disse que teve de mudar o nome de sua série de sermões de “Doutrinas da Igreja” para “Ensino da Igreja”, porque poucas pessoas, principalmente os jovens, se disporiam a assistir uma série denominada “doutrina”. Talvez os pastores não leiam Freud, Jung, Rogers, Lacan e outros psicólogos mais recentes, mas seus sermões pertencem cada vez menos à categoria de teológicos (e.g., “A ira de Deus, A santidade de Deus, Arrependimento e fé, A morte de Jesus”) e cada vez mais terapêuticos (e.g., “Como ser feliz e sentir-se completo”; “Leis da felicidade” e etc.,). O pecado passa a ser uma “disfunção” e “doença”, não a condição de morte espiritual, hostilidade para com Deus e completa incapacidade de responder a Deus como ensina a Bíblia (cf. Ef 2.1-8; 1Co 2.12-14; Jo 1.12-13; 6.44 etc.,). Portanto, a redenção passa a ser uma espécie de “recuperação” ou uma das muitas versões de “autoajuda” no mercado popular hodierno. Ironicamente, portanto, os que são mais seguros de si quanto à sua imunidade para com o “mundanismo” são freqüentemente os mais mundanos em termos reais, apesar do seu orgulho em evitar o “conhecimento secular”.
Assim como Paulo apelou aos escritores pagãos no Areópago, muitos Pais da Igreja encontraram utilidade na sabedoria de filósofos seculares, e os reformadores e puritanos apreciavam o conhecimento da literatura pagã como também a bíblica, assim nós devemos reconhecer que o perigo está em confundir aquilo que deveria ser sempre distinto. O problema não é a literatura secular (sociologia, psicologia e etc., elas são muito boas em suas respectivas esfera de ação), mas dar prioridade à sabedoria secular na definição e orientação de crenças teológicas e no regime espiritual da reflexão cristã e, bem como na liderança eclesiástica. De fato, a sabedoria secular é mais perigosa, não quando vem num pacote claramente marcado (como As Obras de Platão, Os Escritos de Nietsche, Os Pensamentos de Freud), mas quando ingenuamente batizamos a sabedoria secular que recebemos de segunda e terceira mãos com versículos bíblicos num esforço por “relevância” e está na moda.
É por isso, que hoje vemos muitos líderes seguindo as filosofias pragmáticas tornando as igrejas atraentes ao gosto do freguês. E o maior perigo que corremos é não estarmos atentos para a secularização das igrejas evangélicas. John Armstrong escreveu que “a cultura nos transportou para um secularismo em alta escala, até mesmo no que se refere à vida e aos labores pastorais. As pressões exercidas por essas influências secularizadora são totalmente reais”. Armstrong diz que os pastores não negam abertamente a verdade, mas fogem dela. E isto é verdade!
É um engano sério para os cristãos em posições de liderança ter mais interesse com o que é atualmente popular no mundo empresarial do que com o que nosso Senhor e Seus apóstolos ensinaram sobre liderança. A nossa convicção é que os princípios bíblicos de liderança são essenciais ao sucesso autêntico que honra a Deus e edifica a igreja de Deus. Mesmo que isso esteja fora de moda para muitos. Mesmo que isto esteja num livro antigo e arcaico como a Bíblia (como muitos falam com tom de desprezo). Acredito piedosamente que estes princípios de liderança permeados nas Escrituras são frutos da multiforme sabedoria de Deus demonstrada pelos Seus santos apóstolos e profetas. Mesmo que muitos acreditem que a Bíblia seja um livro antigo e ultrapassado. Continuo asseverando Sola Scriptura (somente a Escritura) juntamente com os reformadores do século XVI.
Dewey M. Mulholland nos dá um alerta quanto a isso ao escrever: “O ministério pastoral, a educação cristã, a música sacra, missões, a construção de prédios, os esforços em fazer discípulos e equipar os crentes – tudo isso depende de uma coisa fundamental. Depende dos alicerces teológicos das igrejas. Às vezes esquecemo-nos disto e vendemos nosso ‘direito de primogenitura’ por um cozido de lentilhas de sociologia, psicologia, marketing ou filosofia educacional. Idéias procedentes destas disciplinas são úteis, mas sempre devem ser submissas à teologia bíblica [e não o contrário]. Elas podem assessorar a caminhada, mas não podem determinar a direção da caminhada, isto é, os propósitos da Igreja. Sua natureza e missão e todas as suas atividades devem ser determinadas pela teologia bíblica”.
Uma igreja que é orientada pelas ciências seculares em vez de “determinar a direção da caminhada” pela revelação explícita de Deus em Sua Palavra está, cedo ou tarde, fadada ao insucesso. Mesmo que esteja na moda seguir os princípios de liderança secular, como muitos fazem, para Deus está fora de moda. Poderá até obter resultados aparentes tais como um número elevado de membros, mas será apenas uma adesão e não conversão verdadeira. Pois a verdadeira conversão está orientada pela verdade das Escrituras e o que passa disso são lucubrações do laboratório subjetivo do homem e, bem como um estratagema de Satanás para tirar nossa visão de pautar as nossas práticas nas Escrituras.
Como Mulholland deixou claro, a igreja em “[...] sua natureza e missão e todas as suas atividades devem ser determinadas pela teologia bíblica”. Sim, a teologia bíblica é de suma importância para a vida da igreja. Uma igreja ou líder de igreja que negligencia a teologia ficará vulnerável às inovações e heresias do mercado secular religioso. Em um dos retratos esboçados por Paulo, veremos que a doutrina é de importância capital para a sustentação ministerial da igreja. Aliás, notaremos que a liderança tem uma responsabilidade apoteótica em relação à preservação da doutrina tal como foi recebida pelos grandes mestres do passado.
Por isso, afirmo que a nossa maneira de fazer as coisas; o nosso modo de proceder; os nossos conjuntos dos meios dispostos convenientemente para alcançar um fim devem estar cimentados na Palavra de Deus. Mas, infelizmente, este não tem sido o alvo da igreja do XXI. Como observa Richard Mayhue, “...a igreja evangélica como um todo, neste início de século XXI, notamos que, infelizmente, as técnicas tomaram o lugar da verdade; o estilo tomou o lugar da substância, a conveniência é muito mais importante do que a consagração e os modernos princípios de crescimentos da igreja receberam mais atenção do que a verdade sobre o crescimento bíblico para a igreja”.
Uma Liderança Orientada Pela Sola Scriptura.
O que mais precisamos hoje em dia não é de mais um livro sobre a liderança eficaz de um grande empreendedor do mercado secular. O que precisamos não é de técnicas psicológicas para melhor desempenharmos com as pessoas nossa liderança no gabinete pastoral. Mesmo que isto e outras coisas estejam na moda. O que estamos precisando é de uma liderança que reflita os princípios divinos; de uma liderança que glorifique a Deus e seja um instrumento de edificação para a igreja de Deus e, que também ame os perdidos exercendo, como disse Paulo, “o trabalho de evangelista” (2Tm 4.5). Precisamos de líderes da Palavra. Precisamos de líderes que sigam aquilo que os reformadores do século XVI chamaram de Sola Scriptura. A Reforma foi um resultado de uma dedicação de homens que se empenharam em proclamar somente as verdades das Escrituras. Eles não tinham ilusão com os sucessos aclamados pela sociedade de sua época. Os reformadores não estavam preocupados com a moda de sua época. Eles não surfavam, como muitos hoje, na crista do tsunami popular. Eles não seguiam sola cultura, mas Sola Scriptura. O compromisso destes grandes líderes da Reforma Protestante era com Deus e Sua santa Palavra. Eles olhavam e estudavam a cultura, mas não para serem guiados por ela, mas sim para aplicar as verdades bíblicas às situações da época. Os grandes líderes do passado faziam a diferença neste mundo sendo diferentes deste mundo; eles não faziam a diferença sendo iguais ao mundo. Como líderes nós estamos no mundo, somos enviados ao mundo, mas não somos do mundo. Não é o sistema corrupto deste mundo que nos guia, mas Deus Espírito Santo pela Sua obra de iluminação nos norteia em cada novo desafio que surge no cenário social. Infelizmente, muitos líderes pensam que a melhor maneira de alcançar o mundo é tornar-se mais parecido com ele. Assim, eles se esforçam para pensar, crer e agir como o mundo. Eles estão na moda para o mundo, mas para Deus estão fora de moda. Eles são relevantes para o mundo, mas para Deus são irrelevantes. Eles procuraram ser relevantes, mas se tornaram irrelevantes.
Ficamos tão preocupados em persuadir o mundo ao nosso redor de que somos legais, de que podemos “pegar o jeito”. A implicação, sem dúvida, é que o Senhor Jesus faria estas coisas também. Portanto, saímos de nosso caminho para provar que também somos tão espertos, cheios de estilos e práticos, tão bem-sucedidos e entendidos, tão poderosos e prósperos quanto mundo. Se eles fazem shows, nós também temos os nossos shows. Resumindo, desejamos que o mundo ao nosso redor conclua que os cristãos podem ser vencedores também. Contundo, ao fazer isto, estamos esquecendo a verdade central de que a “fama neste país (o céu) e a fama na terra são duas coisas bem diferentes” como escreveu C. S. Lewis.
A verdade é que o cristianismo verdadeiro significa boas-novas para os perdedores, não para os vencedores (ver Lc 5.31-32). O verdadeiro poder da fé cristão é a fraqueza humana, não a força. Leiam as memoráveis palavras do apóstolo Paulo em 1a Coríntios 1.26-29.
A cruz é o revelador supremo da diferença radical entre os valores deste mundo e os valores de Deus. “Na cruz”, escreve Tim Keller, “Cristo vence por meio da perda, triunfa pelo fracasso, adquire poder pela fraqueza e serviço, chega à riqueza dando tudo”. Tudo isto demonstra que os líderes cristãos e cada servo e serva de Deus fazem diferença no mundo por serem diferentes dele, não por serem iguais ao seguirem sua moda. Somos chamados conforme Tullian Tchividjian para sermos “fora de moda”. Nosso chamado para estar no mundo, mas não ser do mundo, é o que nos confere uma influência transformadora. Devemos ser contra o mundo para o mundo, como o Senhor Jesus foi, compreendendo que o poder da fé cristã é o poder da cruz, um poder que é contrário à intuição e ligado à fraqueza humana.
Os líderes chamados por Deus são orientados pelas Escrituras Sagradas, não por aquilo que está na moda cultural. São dignas de notas as palavras do reformador genebrino João Calvino, sobre a indispensabilidade e suficiência das Escrituras em todas as coisas, principalmente na prática pastoral. Ele escreveu: “a Escritura é a escola do Espírito Santo na qual nem se tem deixado de pôr coisa alguma necessária e útil de conhecer, nem tampouco se ensina mais do que o que é preciso saber.”. O líder cristão que procura liderar para a glória de Deus precisa se apegar as Escrituras Sagradas. O líder cristão deve buscar a vontade de Deus para a liderança, não o que é popular no campo empresarial. E investigar a vontade de Deus é levar em consideração a vontade de Deus revelada na Bíblia sem perder-se em um labirinto de vã especulação e superstição. É exatamente sobre “se perder em um labirinto de vã especulação” que Paulo exortou a Timóteo quando escreveu: “Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que antes promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé.” (1Tm 1.3,4). Paulo ainda acrescenta que quando as pessoas se desviam das verdades bíblicas, se perdem em “loquacidade frívola, pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações.” (1Tm 1.6,7).
Alguns pretensos mestres em Éfeso estavam mais ocupados em fábulas e genealogias sem fim, do que na revelação de Deus em Sua Palavra. E hoje não é diferente. Vemos pastores e crentes mais ocupados em estudos de marketing, sociologia, psicologia e princípios empresariais para o sucesso, do que se emprenhando em ouvir, entender, pregar e aplicar as verdades de Deus em Sua Palavra. É por isso, que muitos estão perdidos no que Paulo chamou de “loquacidade frívola”. A palavra grega usada por Paulo é metaiologia que significa “conversa fiada, vazia”. Paulo também fala disso em Tito 1.10. Isto aponta para uma linguagem que não tem um objetivo nem um fim lógico. Em essência, é irrelevante e não produzirá algo espiritual ou edificante para os cristãos. A expressão também pode ser traduzida por “discussão infrutífera”. A falsa doutrina não leva a lugar algum, senão aos becos sem saída da especulação humana e do engano demoníaco (cf. 1Tm 6.3-5).
Os líderes cristãos em vez de se perderem no cipoal das especulações e superstições do humanismo secular precisam ouvir e seguir o que Paulo escreveu em 2a Timóteo 4.3-5:Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.
Em vez de Timóteo capitular e seguir o que é popular e que agrada as massas sanguessedentas por novidades, ele deveria não se intoxicar com o vinho das fábulas (sê sóbrio em todas as coisas), aguentar firme na liderança bíblica que agrada a Deus (suporta as aflições), nunca deixar de pregar e ensinar o santo evangelho (faze o trabalho de um evangelista) objetivando não negligenciar e ser fiel na liderança que agrada a Deus (cumpre cabalmente o teu ministério). Nada menos do que isso é digno de um ministro cristão e que pretende seguir os ditames bíblicos.
Cada líder precisa voltar-se para sola Scriptura. Esta doutrina tem dois componentes importantes para nós. Primeiro, a Bíblia é a autoridade espiritual máxima e infalível na vida dos crentes. Mas, a grande questão de hoje é o lugar das Escrituras na liderança e em nossas vidas. Se quisermos aprender a Reforma básica dos grandes reformadores, como João Calvino, precisamos redescobrir a centralidade autoritativa da Palavra de Deus. A Escritura era o centro da vida de todos os reformadores do século XVI. Eles criam, pregavam, ensinavam, aplicavam e viviam as Escrituras Sagradas.
Infelizmente, hoje alguns cristãos modernos querem fazer uma divisão e ser bíblicos em assunto de piedade pessoal e nas confissões e, ao mesmo tempo, ser culturais com relação a qualquer assunto que envolva a esfera da liderança e da igreja. Não podemos concordar com isso. As Escrituras devem ser centrais na forma de liderança eclesiástica e, bem como no esboço da natureza e objetivos da igreja.
Ouçamos pastores, novamente, uma voz mais sábia, comprovada pelo tempo, do que a nossa, João Calvino:
 “Eis o supremo poder de que convém sejam investidos os pastores da igreja, por qualquer nome que sejam chamados [líderes, presidentes, bispos e etc.,], isto é, que a tudo ousem confiantemente pela Palavra de Deus; obriguem todo poder, glória, sabedoria, exaltação do mundo, a sujeitar-se e a obedecer-lhe à majestade; sustidos em seu poder, imperem sobre todos, desde o mais alto até o mais baixo; edifiquem a mansão de Cristo, desmantelem a de Satanás; apascentem as ovelhas, desbaratem os lobos [e nunca entretenham os bodes!]; ensinem e exortem os dóceis; acusem, censurem, submetam os revéis e contumazes; liguem e desliguem; enfim, se necessário se faz, relampejem e despeçam raios; tudo, porém, na Palavra de Deus.”.
Como concluiu Douglas Wilson: “Essa é a capacitação dos pastores. Todas as coisas na Palavra de Deus. Se isso parece grande e inspirador, isso é bom porque realmente é grande e inspirador. Mas isso também parece aterrorizante, e parece apresentar uma carreira devastadora, então provavelmente você está mais perto de entender que isso realmente significa. Cornelius Val Til mostrou-se um verdadeiro herdeiro de Calvino quando disse que esse livro [a Bíblia] é autoritário em tudo o que discute... e ele discute tudo.”.
Os verdadeiros líderes cristãos estão verdadeiramente comprometidos, mesmo que isso esteja fora de moda, com a Palavra de Deus, mesmo que isso despedace tudo!
Uma Liderança Contracultural.
Em vez de tentarmos nos encaixar com todas as nossas forças, devemos ser encorajados e desafiados pela advertência bíblica de que o povo de Deus sempre serviu melhor o mundo ao seu redor quando foi contracultural, de tal forma moldados pelos caminhos de Deus que eles eram nitidamente diferentes do mundo (cf. Rm 12.2,3). É uma tentação para o líder cristão perder pouco a pouco seu caráter distintivo ao acomodar-se à cultura. São dignas de notas as penetrantes palavras de Charles H. Spurgeon: “O grande mentor do mundo é a moda e o seu deus é a respeitabilidade – dois fantasmas diante dos quais os homens corajosos riem! 
Quantos de vocês olham para a sociedade para saber o que fazer? Vocês observam a tendência geral e, então, flutuam sobre ela! Estudam a brisa popular e acertam as velas de sua embarcação de acordo com ela. Os homens verdadeiros não agem assim. Você pergunta: “Está na moda? Se está na moda, deve ser feito”. A moda é a lei das multidões, no entanto, não é mais do que o consenso comum dos tolos. Aquele que se casa com a moda de hoje é o viúvo de amanhã”. Nosso Senhor disse algumas coisas fora de moda. De acordo com Jesus o cristianismo não é legal. Não está na moda. Ele disse que se você quer viver, você deve morrer. Se você quer encontrar sua vida, você precisa perdê-la. Ele falou sobre sacrifício próprio e sobre carregar a cruz e sofrimento e morte e sobre o perigo das riquezas. 
O Senhor Jesus chama Seu povo para viver por aquilo que é eterno e não por modismos, para tomar a cruz e segui-Lo, mesmo quando isso significa ir contra as normas sociais. Tendo isto em mente podemos afirmar que se aquilo que está na moda em nossa sociedade nos interessa então o verdadeiro cristianismo não nos interessará.
Hoje as pessoas nos dizem que, para sermos bem-sucedidos, devemos buscar poder, riqueza, reconhecimento, status, nos acomodar. Porém, o que encontramos na Bíblia é um Deus que explica sucesso em termos de dar, não tomar, de sacrifício próprio, não de auto-indulgências; de ir para trás, não para frente; de fidelidade, não de modismo. É por isso, que precisamos de uma liderança bíblica. E uma liderança bíblica estará fora dos modismos da sociedade atual. Uma liderança bíblia é totalmente contracultural.
O Mundo o Teatro, A Bíblia o Roteiro.
Uno-me ao grande reformador João Calvino que chamou este mundo de “Teatro de Deus” e, que nosso roteiro no drama da redenção é a eterna, infalível e suficiente Palavra de Deus. O mundo todo é um teatro no qual a majestade de Deus é revelada. A revelação geral (criação) é esse teatro, e um teatro majestoso. A revelação especial (Bíblia) é o roteiro santo de Deus. Não devemos ser atores improvisados, que procuram imaginar as falas olhando para os ornamentos da sociedade empresarial e dos movimentos de marketing e, ainda do movimento de crescimento de igreja. Temos um roteiro em nossas mãos e, nesse roteiro, temos nossas falas. Esse roteiro é o que Paulo chama de “padrão das sãs palavras” que devemos manter, mediante o Espírito Santo que habita em nós (2Tm 1.13,14).
A fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17). Como crerão sem um pregador e como pregarão se não forem enviados? Deus, por meio de Cristo, no poder do Espírito Santo, já nos enviou. Enviados para fazer o quê?
Não fomos enviados para limpar a garganta nervosamente, querendo chamar a atenção de uma pessoa. Não fomos enviados para fazer algumas sugestões suaves. Não fomos enviados para tolerar algumas intromissões pós-modernas de natureza teológica. Não fomos enviados para entreter bodes. Não fomos enviados para fazer do púlpito um palanque de políticas humanas. Não fomos enviados para fazer do evangelho um produto agradável a um auditório consumista. Não fomos enviados como mascates da Palavra de Deus, adulterando-a para agradar as multidões. Fomos ordenados por Deus para obrigar toda manifestação de poder, glória, sabedoria e exaltação mundana a se render e a obedecer a majestade de Deus, em total harmonia com a Sua Palavra. Fomos ordenados a alimentar as ovelhas e expulsar os lobos, e tudo pela Palavra de Deus. Fomos enviados para ligar e para desligar, e tudo pela Palavra de Deus. E, se necessário for, fomos ordenados a abrir a Palavra completamente, pressioná-la contra o púlpito e segurar dos dois lados desse púlpito, orar pedindo a proteção divina e pregar como se fôssemos trovão e relâmpago. Como poderíamos deixar de fazer isso? A Escritura é uma grande nuvem de tempestades.
João Calvino, servo de Deus em Genebra, um homem de verdade feito de barro de verdade. Mas ele tinha um coração de verdade e tinha uma Bíblia de verdade em suas mãos. E, por causa disso, era servo de um Deus de verdade e tinha o que podemos chamar de um ministério de verdade. Deus o usou verdadeiramente em uma época verdadeira, porque ele creu no poder da verdade de Deus.
Dando o Que Eles Não Têm.
Na década de 1950, quando Billy Graham estava se tornando um pregador do evangelho muito conhecido, um famoso ator o puxou de lado e disse: “Billy, nunca tente competir com Hollywood, porque Hollywood sempre fará melhor do que você. Dê ao mundo a coisa principal que Hollywood não pode dar – a verdade honesta e eterna do evangelho”. Durante mais de sessenta anos foi exatamente o que ele fez.
De muitas maneiras, os líderes de igreja precisam ouvir com atenção o conselho daquele ator. Muitos líderes perderam a fé nos caminhos diferenciados de Deus. Muitos estão gastando muito tempo e dinheiro tentando “ser Hollywood” para, assim, nos encaixarmos.
Muitos líderes para não serem ultrapassados pelo mundo ao seu redor entram em competição com ele. Em alguns círculos, a transformação da proclamação do evangelho em entretenimento está rapidamente se tornando o padrão, não a exceção. Os pastores se superam uns aos outros tentando se tornar tão modernos e insinuantes quanto qualquer ator da Rede Globo, Record e Hollywood. Mais do que isso, muitos líderes desenvolvem uma “imitação” cristã de tudo que existe na cultura pop. Procure em várias livrarias cristãs e você encontrará camisetas “cristãs” (imitando propagandas com dizeres cristãos), ou balas “cristãs”, boates “cristãs”, futebol “cristão”, e jogos e brinquedos “cristãos” (como o boneco Jesus).
Até os grupos musicais cristãos contemporâneos imitam intencionalmente as bandas não cristãs. Não se fazem mais cruzadas evangelísticas, mas shows gospels. Luzes, fumaças, gritaria frenética fazem parte dos shows. E quando se convida um pregador ele não pode “extrapolar” os míseros quinze minutos.
Ken Myers argumenta que os cristãos, de modo geral, têm respondido à cultura circundante desenvolvendo uma cultura semelhante. Em vez de criar algo novo, algo agradavelmente diferente, os líderes cristãos parecem contentes em copiar o mundo ao seu redor. Mesmo no campo das idéias, muitas expressões do cristianismo se tornaram indistinguíveis de algumas tendências intelectuais de nosso mundo no que diz respeito à verdade, ao conhecimento e à moralidade. Nas palavras de Paul Grant, muitos líderes foram “seduzidos pelo legal”.
Sem dúvida, isso não é novidade. Os israelitas de antigamente rejeitaram a Deus como seu rei em favor de um rei humano “como o têm todas as nações” (1Sm 8.5). O povo de Deus sempre lutou com o desejo de se entrosar. Os líderes e povo sempre sucumbiram à tentação de imitar os pagãos.
Esta é uma fraqueza que precisamos superar. Os fiéis, de acordo com o Senhor Jesus, não têm por objetivo estar na moda. Não têm obrigação de se adequar. Foram chamados do mundo para serem “estranhos”. De fato, nossa estranheza é essencial para nossa fidelidade. Em outras palavras, fidelidade a Cristo requer um alheamento para com as distrações em voga no mundo. Requer o que Paulo disse: “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12.2). O que Paulo está dizendo é que o mundo tem uma fôrma e, nós não devemos ser como metal derretido nesta fôrma para recebermos suas características. O que devemos fazer é “[...] transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”. A vontade de Deus deve ser o alvo de todo ministro e cristão.
É somente nas Escrituras que encontraremos os princípios, a natureza de uma liderança para os desafios dos últimos dias. Quando lemos as Escrituras descobrimos que a ênfase da liderança não está naquilo que o líder faz ou usa como método para alcançar suas ambições. A Palavra de Deus aponta para o caráter, para a natureza, para aquilo que o líder deve ser (isto está fora de moda atualmente). A ênfase bíblica não é o carisma, mas o caráter do líder, pois aquilo que o líder é será aquilo que sua liderança será. A vida do líder é a vida de sua liderança.

As qualificações de uma liderança que sobreviverá às tensões e que se manterá de pé na maré dos últimos dias são exigentes. Elas são difíceis de cumprir. Mas, mesmo assim são fundamentais para os propósitos de Deus. Em Oséias, o profeta disse: “Como é o povo, assim é o sacerdote” (4.9). As pessoas não vão subir mais alto do que os seus líderes, em geral. E onde há um vácuo na liderança real, haverá problemas sérios na igreja. O povo é um reflexo do seu líder. O povo é aquilo que o líder é. Ele faz o que o líder faz. Ele vê aquilo que o líder vê. O povo ama o que o líder ama. O alvo do líder será o alvo dos liderados. A vida do líder refletirá na vida dos liderados. Porque a vida dos liderados será marcada pela vida de seus líderes.

Extraído do excelente livro " Uma Liderança Fora de Moda", cujo o autor, Pr. Ivan Teixeira, lançará este mês.
Pr. Ivan Teixeira
Site: privanteixeira.blogspot.com
Contato: professorivanteixeira@gmail.com

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