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FUNDO

A LUZ INTERIOR - Por Leonardo Dâmaso




 TEXTO BASE: Lc 11.33-36

INTRODUÇÃO
      Os ensinamentos de Jesus mencionados em (Lc 11.33-36; 8.16; Mt 5.15 e Mc 4.21) não possuem o
mesmo sentido, ainda que praticamente são as mesmas palavras, contudo, existem algumas diferenças em relação ao contexto que cada uma delas apresenta acerca do que Jesus realmente quer que os seus ouvintes entendam.

“No caso de (Lc 11.33) e seus paralelos em Mateus, o estudo contextual ainda mostra o fato de que as duas passagens não têm o mesmo propósito e significado. No contexto de Mateus, o sentido é: Sejam testemunhas. Aqui em Lucas, o sentido básico é antes: Permitam que a luz ilumine seu próprio coração, não a obstrua”.1

      Ainda que o propósito de deixar que a luz ilumine os demais esteja presente aqui em Lucas, como nos mostra esta sequência, não obstante, esse não é o sentido principal da passagem. O contexto precedente, que começa nos (vs.14-32) é a base de todo o ensinamento de Jesus nesta passagem.

Nos (vs.33-36) ele expande o assunto e, por fim, conclui no restante do capítulo 11 e 12 frisando num todo sobre os seus inimigos, os fariseus, escribas e muitos judeus que, pelas trevas da incredulidade, não deixaram a luz do evangelho de Cristo brilhar em suas vidas.



NOTA DE COMENTÁRIO BÍBLICO CONSULTADO:

1- William Hendriksen. Lucas volume 2, pág 138


ESPLANAÇÃO


      Senão vejamos alguns aspectos acerca da luz interior:

1- A LUZ NÃO DEVE SER ESCONDIDA (vs.33).

ANALÍSE DE TEXTO

      Aqui nesta passagem é retratada uma casa de um cômodo apenas, onde uma lâmpada tendo sido acesa não deve ser colocada num lugar escondido, e nem sobre uma vasilha, pois seria inútil;

Porém, deve ser colocado no candelabro, afim de que os que entram na casa sejam iluminados e possam enxergar e distinguir tudo nitidamente. Todavia, o propósito da lâmpada é iluminar.

      A lâmpada ou lamparina aqui descrita, “era um objeto de barro na forma de um prato com uma asa em um das bordas; no lado oposto da asa havia uma extensão em forma de furo, com uma abertura para o pavio. Na superfície da lâmpada havia duas aberturas, uma para entrar o azeite a outra para a entrada de ar”.2

“O candelabro era um objeto muito simples. Podia ser uma saliência a emergir da coluna que ficava no centro da habitação, ou uma simples pedra que sobressaía da parede interior, ou mesmo um pedaço de metal colocado de forma proeminente com o mesmo objetivo”.3

O lugar escondido era, especificamente, “um lugar escuro e oculto, um porão; já o alqueire era um vaso para medir cereais, com capacidade de 8,75 litros”.4 Noutras palavras, uma vasilha.

      “Na esfera natural, ninguém pensaria em acender uma lâmpada para em seguida escondê-la em um lugar escondido ou debaixo de uma vasilha”.5 Todavia, o propósito da lamparina ou lampião é iluminar os que estão por perto. Não obstante, a metáfora da lâmpada aqui salienta a Palavra de Deus, o próprio Cristo.

Jesus havia anunciado o evangelho para que todos pudessem ver a luz.

(Jo 8.12) Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.
Porém, muitos judeus não creram nele, antes disseram que ele expulsava demônios não pelo poder de Deus, mas por Belzebu, o príncipe dos demônios (vs.14-15). Além disso, pediram um sinal do céu, uma prova da sua divindade, de que ele realmente era quem dizia ser, o Messias, o filho de Deus, o salvador e o próprio Deus encarnado (vs.16, 29-32).

      Talvez, na mente dos judeus, estivesse ecoando este tipo pensamento, devido à conclusão equivocada que eles chegaram acerca de Jesus e suas palavras: É por tua culpa mesmo que não cremos em ti! Não era Jesus o culpado deles não crerem, mas eles mesmos eram os próprios culpados. A luz estava brilhando:

(Jo 1.4, 9, 11) Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

No entanto, os judeus é que estavam impedindo pela incredulidade que a luz brilhasse no candelabro, onde alguém que entra possa ver, ou seja, em seus corações e os transformasse. “O problema achava-se na vista deficiente deles”;6 a maneira errada como enxergavam e entendiam Jesus.

William Hendriksen diz que “o Pai enviou ao mundo o seu filho para ser luz, mas essas pessoas estavam voltando às costas para esse grande dom”.7

APLICAÇÃO

      A Palavra de Deus é a luz que brilha neste mundo escuro para mostrar o caminho da vida aos que se encontram em trevas. No (Sl 119.105) diz que Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. (Pv 6.23) Porque o mandamento é uma lâmpada e a lei é uma luz;
     De fato, não é suficiente a luz do evangelho brilhar só externamente em nós, no que tange uma compreensão intelectual acerca da pessoa de Cristo, das doutrinas e suas implicações. Contudo, a luz deve penetrar interiormente em nossa vida através da nossa crença e prática do evangelho, afim de que, pela nossa fé e decisão, Deus produza as mudanças necessárias que requerem o nosso ser;

Quer seja em nos convertermos ao Senhor em arrependimento e fé através da obra da regeneração pela pregação do evangelho, pois “a conversão é obra de Deus e obra do homem. É preciso que Deus nos converta e, ainda assim, nós precisamos nos converter a ele”;8

Quer seja nas mudanças da nossa conduta moral, que são necessárias a cada dia, para assim, progredirmos no processo da santificação e crescermos e desenvolvermos na vida cristã, produzindo frutos e mais frutos que glorificam a Deus.

(Rm 6.22) Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.
 (2Cor 7.1) Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.

2- O CONTRASTE ENTRE A LUZ E A ESCURIDÃO (vs.34).

ANALÍSE DE TEXTO

      Conforme vimos anteriormente no (vs.33), onde a lâmpada simboliza a palavra de Deus, o próprio Cristo. Já aqui, “o olho é o orgão que recebe luz, e Jesus fala dele como sendo a lâmpada do corpo”.9 “Os olhos são a lâmpada – isto é, a fonte da luz para o corpo”.10

      “Quando os olhos de uma pessoa (aqui no singular e no grego, olho, em vez do plural) estão em boa condição, todo o corpo recebe o beneficio da luz e saberá exatamente o que fazer. O pé saberá onde pisar. A mão discernirá o que deve pegar etc”.11 Em suma, “o homem pode realizar praticamente qualquer atividade do corpo quando tem boa iluminação”.12   

      Entretanto, se os olhos de uma pessoa não estiverem em perfeitas condições, “de modo que ela não possa fazer uso da luz, quase toda função será prejudicada. A deficiência dos olhos afeta de maneira adversa tudo quanto o homem faz”.13

“Os órgãos do corpo sobre os quais normalmente ele exerceria um controle consciente, agora se negarão a funcionar adequadamente. É como se estivesse no escuro sem saber o que fazer. Noutras palavras, essa pessoa andará aos tropeços no escuro”.14

APLICAÇÃO

     A figura do olho sadio é interligada à da lâmpada (vs.33). “Ambas as figuras falam sobre o efeito positivo da verdadeira luz”.15 Quando uma pessoa é verdadeiramente convertida ao Senhor Jesus, isto é, se ela nasceu do Espírito Santo, todo o seu corpo será iluminado.

Ou seja, quando fixamos o nosso olhar na luz de Cristo, nós recebemos todos os benefícios do glorioso poder de Deus na nossa vida através de uma profunda comunhão com ele em oração e santidade.

(Hb 14.2) Olhando para Jesus, autor e consumador da fé;
     Você tem olhado para a luz? Quando olhamos para o Senhor nós oramos, mantemos uma vida piedosa e dedicada a Deus e a sua obra.
Se você não tem levado uma vida prática de oração, de leitura e estudo da bíblia, e buscado progredir na santificação, no que se refere à abstinência de atos pecaminosos, você não tem olhado para o Senhor, mas sim, olhado para você mesmo, para os  prazeres da carne e para o mundo.
     Quando o olho do homem é mau, e a sua atenção enfoca-se no mal, ele é corrompido por inteiro nas trevas. Se você está em trevas, ore a Deus e peça a ele o que diz no (Sl 18.28) O senhor meu Deus, derrama luz nas minhas trevas.  
Por outro lado, “as pessoas que buscavam somente sinais e milagres na época de Jesus, não precisavam de mais luz, pelo contrário, precisavam prestar mais atenção à luz que já estava iluminando”.16 John MacArthur ressalta que “o problema era a percepção deles, não a falta de luz.
Eles não precisavam de um sinal, precisavam de um coração para crer na grande mostra de poder divino que já tinham visto”.17 “O que Deus estava fazendo por intermédio de Jesus já era mais do que suficiente”.18 “Os escribas e fariseus afirmavam ver a luz ao estudar a Lei, mas na verdade estavam vivendo nas trevas da incredulidade (Jo 11.35-37)”.19
     Muitas pessoas não precisam de mais luz; precisam de olhos para permitir que a luz entre em suas trevas e a dissipem.


3- COMO IDENTIFICAR A LUZ E A ESCURIDÃO (vs.35).

ANALÍSE DE TEXTO

     Enquanto o discurso de Jesus nos (vs.15-20) tinha como alvo a multidão num todo, agora, o foco do Senhor é cada pessoa individualmente. Ele diz para termos cuidado e examinarmos a nós mesmos para que a luz que está em nosso interior não sejam trevas.

Aqui somos exortados a refletirmos sobre se a luz do evangelho que há em nós tem produzido mudanças em nosso interior, de modo que, os frutos do Espírito evidenciam e comprovam o novo nascimento, a nossa genuína conversão, ou se na verdade estamos enganados e, que dentro de nós, há somente escuridão e vazio.

APLICAÇÃO

     Cada um de nós deve examinar sua própria vida. O evangelho tem produzido mudança em sua vida, te santificando, te renovando a cada dia, te fortalecendo na presença de Deus, causando em você o temor a Deus, o desprazer pelo pecado e tem te impulsionado a trabalhar na obra de Deus?

Ou será que a sua vida está inerte e nada de bom tem acontecido? Nem força você tem mais para ir à igreja, muito menos prazer em ouvir a pregação do evangelho? A oração e a leitura da palavra se tornaram um enfado, e já faz muito tempo que você deixou de praticar isso?

      Se a tua vida está dessa maneira, a luz não tem brilhado e talvez você possa estar em trevas.
Arrependa-se dos seus pecados e volte-se para Deus, tome a decisão de mudar de vida, pois o Senhor é poderoso para mudar a sua história e transformar todo o teu ser.

(Ap 2.5) Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar.
(Pv 28.13) Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.
E, se porventura você é luz e não tem andado como se fosse luz, lembre-se de (Ef 5.8-9) que, você noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; portanto, andai como filhos da luz (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade);

CONCLUSÃO


4- O RESULTADO DA VIDA ILUMINADA PELA LUZ (vs.36).


      Nesta ultima passagem aqui descrita, temos o resultado de uma vida iluminada pela luz de Cristo. Apesar disso, outro aspecto de vital importância é mencionado no texto. Embora Jesus enfatize o que acontece na vida de uma pessoa totalmente iluminada, via de regra, existem as condições necessárias para isto se tornar realidade.

      O texto diz que: Se, portanto, todo o seu corpo está cheio de luz, note o caráter da condição: e nenhuma parte dele estiver escura, estará completamente iluminado, como quando a lamparina o ilumina com seu brilhante resplendor.

Noutras palavras, o que Jesus estava querendo dizer era isso: A condição para você estar completamente iluminado por mim (a lamparina) é você crer e deixar a minha palavra o transformar (vs.33); é você não deixar de olhar para mim e olhar para outras coisas que não edificam e são más, que tirem o seu foco do evangelho (vs.34);

E você ter a certeza que nasceu de novo através dos seus frutos, se não, arrependa-se, largue a prática do pecado e volte-se para mim e se converta (vs.35). Daí, estas são as condições, e o resultado é você ser iluminado plenamente, cada vez mais forte pela luz inefável do Senhor da glória (vs.36b).

(Pv 4.18) Mas a vereda (o caminho) dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.







COMENTÁRIOS BÍBLICOS CONSULTADOS E UTILIZADOS:

2- WilliamHendriksen. Lucas voume l, pág 573, 574.
3- Ibid.
4- Fritz Rienecker e Cleon Rogers. Chave lingüística do Novo testamento grego, pág 130.
5- WilliamHendriksen. Lucas volume 2, pág 139.
6- Bíblia de estudo NVI. Notas de rodapé, pág 1752.
7- WilliamHendriksen. Lucas volume 2, pág 139.
8- Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 119.
9- Leon Morris. Introdução e comentário de Lucas, pág 191
10- Bíblia de estudo macarthur. Notas de rodapé, pag 1345, 1346.
11- WilliamHendriksen. Lucas volume 2, pág 139.
12- Leon Morris. Introdução e comentário de Lucas, pág 191.
13- Ibid.
14- WilliamHendriksen. Lucas volume 2, pág 139.
15- Bíblia de estudo Plenitude. Notas de rodapé, pág 1045.
16- Bíblia de estudo Genebra. Notas de rodapé, pág 1342.
17- Bíblia de estudo macarthur. Notas de rodapé, pag 1346.
18- Bíblia de estudo Genebra. Notas de rodapé, pág 1342.
19- Warren Wiersbe. Comentário bíblico expositivo do Novo Testamento, pág 282.



LEXICOS GREGOS CONSULTADOS:

1- Novo Testamento Interlinear grego/português.
2- Fritz Rienecker e Cleon Rogers. Chave lingüística do Novo testamento grego.



VERSÕES BÍBLICAS CONSULTADAS:

1- ARA (Almeida revista e atualizada)
2- ARC (Almeida revista e corrigida)
3- NVI (Nova versão internacional)
4- NTLH (Nova tradução e linguagem de hoje)
5- NVB (Nova bíblia viva)
6- BJC (Bíblia judaica completa).

OBSERVAÇÃO:
NEM TODAS AS POSTAGENS TRADUZEM, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DO SITE MATÉRIAS DE TEOLOGIA

Soli Deo Gloria