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A DOUTRINA DA “ELEIÇÃO” - Por Sandro Teixeira




(ESTUDO MINISTRADO ONTEM, 31/01/2012, TERÇA-FEIRA, NO NOSSO SEMINÁRIO DE TEOLOGIA, À RUA FONSECA HERMES, 42, CENTRO - JUÍZ DE FORA - M.G.)




“Amados, já faz algum tempo que Deus não me visita... Ele HABITA EM MIM!”

Nesta noite, o tema central do estudo, é II Tess.2:13,14

A eleição é pessoal:  Deus vos escolheu. . .
A eleição é eterna e de caráter absoluto: Deus “. . . vos escolheu desde o principio...”,
Não PARA, e sim, “. . . PELA  santificação do Espírito e fé na verdade...”

Atente para a palavra “santificação”, aqui: Não é o processo de santificação diária de que tanto falamos. É a santificação do Espírito, a santificação posicional, O SELAR DA NOSSA ESCOLHA, conforme Ef.1:11-14:

A RESPEITO DA ELEIÇÃO:

Artigo XVII da Confissão de fé da Igreja Anglicana (os trinta e nove Artigos):
“A predestinação para a vida é o propósito eterno de Deus mediante o qual (antes que fossem lançados os fundamentos do mundo) Ele decretou de maneira constante, através do Seu conselho secreto a nosso respeito, que livraria da maldição e da condenação àqueles a quem Ele escolhera em Cristo, dentre a humanidade, para conduzi-los à salvação eterna por meio de Cristo, como vasos destinados à honra. Em face disso, aqueles que foram dotados por Deus de tão excelente benefício são chamados, de conformidade com o propósito de Deus, pelo Seu Espírito, o qual atua no tempo apropriado, tendo em mira: que, pela graça, obedeçam a essa vocação; sejam gratuitamente justificados; sejam feitos filhos de Deus por adoção; sejam moldados segundo a imagem de Seu Filho unigênito, Jesus Cristo; andem piedosamente em boas obras; e, afinal, pela misericórdia de Deus, cheguem à bem-aventurança eterna”.

Um dos artigos da antiga declaração de fé dos valdenses:
“Que Deus salva da corrupção e da condenação aqueles a quem escolheu desde antes da fundação do mundo, não por causa de qualquer disposição, fé ou santidade que Ele tenha previsto neles, mas por motivo de Sua pura misericórdia, em Cristo Jesus, Seu Filho, deixando de levar em conta quaisquer outras considerações, segundo a irrepreensível razão de Sua própria livre vontade e justiça”.

O terceiro artigo da Confissão Batista (Cerca de 350 anos atrás):
“Por decreto de Deus, tendo em vista a manifestação de Sua glória, alguns homens e anjos foram predestinados ou ordenados de antemão para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, para louvor de Sua gloriosa graça; e, quanto aos demais, foi-lhes permitido continuarem em seus pecados, tendo em vista a sua justa condenação, para o louvor da gloriosa justiça divina. Esses anjos e homens, assim predestinados e ordenados com antecedência, foram particular e imutavelmente designados, e o seu número foi determinado de maneira tão certa e definida que esse total não pode ser nem aumentado e nem diminuído. No caso daqueles membros da humanidade que foram predestinados para a vida, Deus, antes de serem lançados os fundamentos do mundo e de conformidade com o Seu eterno e imutável propósito, bem como de acordo com o secreto conselho e beneplácito de Sua vontade, escolheu em Cristo, para a glória eterna e com base em Sua pura graça gratuita e em Seu amor, sem que houvesse qualquer outra consideração na criatura, como condição ou causa que O tivesse impelido a isso, aqueles a quem assim o quis”.
Faltar-nos-ia o tempo, conferindo João 17, Romanos 9, inúmeras passagens em Isaías, nos Salmos  e em toda a Bíblia.

O puritano Willliam Guthrie, no seu livro, "O Maior Benefício do Crente" (1658) diz: "Qual a principal ocupação do homem neste mundo?" R.: "Ter certeza de que participa de Cristo e viver de acordo com isto", (isto é ter certeza de sua eleição, a ponto de desfrutá-la com consciência). Thomas Brooks, outro puritano famoso, no seu livro "Céu na Terra" de 1654, diz o seguinte: "Estar no estado de graça, concede ao homem o céu no futuro; saber que está no estado de graça concede o céu agora e no futuro".
Para os Puritanos, por meio das obras realizadas através da graça, os eleitos “fortalecem o seu chamado” e, a exemplo das árvores, são julgados por seus frutos [...] não sonhamos com uma fé destituída de boas obras, nem de uma justificação que poderá subsistir sem elas".
Os puritanos estavam enfrentando uma Igreja que tinha a sã doutrina, vinda da Reforma mas que havia se tornado tolerante; tornaram-se uma geração hipócrita que, por  possuir a doutrina certa, achava que isso bastava. Os puritanos diziam: "De modo nenhum! Ninguém pode ter certeza de salvação se não tiver provas concretas na sua vida; evidências da graça de Deus no seu coração!".
“Porque Deus manteria no coração de um crente rebelde, o senso de Sua Presença?” Parece uma premissa válida. Muitos se irritavam e chamavam os puritanos de presunçosos, legalistas e introspectivos, porque olhavam muito para o seu coração, para a sua vida, examinando-se, para verificar as evidências da obra da Graça de Deus, para que então pudessem afirmar que estavam salvos.
Em sua Confissão de Fé, afirmam que a certeza da salvação não faz parte da essência da fé salvadora. Estão dizendo que uma pessoa pode estar salva e ainda não ter alcançado a certeza de salvação. A fé ativa, a fé que salva, não é uma atividade intelectual somente, mas ela se centraliza no coração do homem; e uma fé que não move o coração, uma fé que não move a vontade, que não muda a conduta, não pode ser uma fé salvadora. Nesse ponto, os puritanos iam além dos reformadores. Thomas Goodwin, chamado de "o maior exegeta de todos os tempos, que do púlpito expôs os escritos de Paulo", diz as seguintes palavras no seu livro "Fé Justificadora" :

"Aquele ato de fé que justifica o pecador é diferente da convicção absoluta de que ele tem a vida eterna, e portanto esta fé pode existir sem a convicção, já que a fé não contém necessariamente uma certeza inabalável inerente em si mesma. Porém, quando se afirma que somente os que têm plena e inabalável certeza de salvação são crentes verdadeiros, condena-se uma geração inteira de justos, cuja fé, seja por causa da fraqueza ou por várias tentações, nunca chegou ainda a atingir um nível inabalável, mas que entretanto apega-se a Cristo de todo coração e caminha obedientemente em Seus mandamentos.
O principal ato da fé não é certeza ou convicção plena, visto que a fé influencia e é influenciada pela vontade, na experiência diária; e é pelo consentimento desta vontade, que ele se une a Cristo. A fé não reside primariamente no intelecto. Certeza da salvação é o selo que vem confirmar o que a fé fez e portanto vem depois dela".
E, se a salvação é um dom gratuito de Deus, então não depende do que sentimos a este respeito. Em algum momento da vida, Deus abriu nossos olhos, quando nos fez entrar pela porta do novo nascimento, e, então, a partir daí, mesmo quando somos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar-se a Si mesmo.

“Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna (que a salvação produza resultados concretos e o crente possa desfrutar dos seus benefícios). Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; (em outras palavras, como crentes, colheremos em nossas vidas, aquilo que plantarmos) Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo (portanto não perdemos a nossa salvação)” (2 Tm.2:10-13)

A Confissão de Fé da Igreja Presbiteriana, refletindo, a teologia puritana, diz, no 3º par. do cap. 8: "Esta segurança infalível (da salvação), não pertence de tal modo à essência da fé, que um verdadeiro crente, antes de possuí-la, não tenha de esperar muito e lutar com muitas dificuldades".

“Esforçai-vos diligentemente por entrar naquele descanso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência” (Hb.4:11).

Perg. 81 do Catecismo Maior: "Todos os verdadeiros crentes têm sempre a certeza [de salvação,] de que estão agora no estado de graça e de que serão salvos?"
Resposta: "A certeza da graça e salvação, não sendo da essência da fé, os crentes verdadeiros podem esperar muito tempo antes de consegui-la". Os puritanos não negavam que se pode ter certeza da salvação. Eles enfatizavam isso, mas estavam reagindo a uma situação de hipocrisia e mornidão na igreja.

Cabe aqui, algumas questões pertinentes: “Qual a diferença entre Salvação e Eleição?”

A salvação é o resultado visível da Eleição, a qual é levada a cabo pelo trabalho do Espírito Santo na vida do crente. 1 Tess.1:2-6

E quando o crente, por negligenciar os meios de graça, o estudo da Palavra, a oração, a frequência aos cultos, o ouvir a Palavra de Deus pregada, e assim enfraquecido, cometer pecados voluntários, entristecendo o Espírito Santo?
Ele perde imediatamente o “sabor” da Presença e o senso da aprovação de Deus: 2 Cor.13:5

“Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados”.

“Reprovado” aqui, não significa que o crente perdeu a sua salvação, mas que ele, ao viver em pecado, perde todo o senso da presença e amor de Deus.

1 Pe.4:12-19: Depois de esclarecer a distinção entre os que obedecem e os que não obedecem, ele fala do juizo de Deus sobre os 2 tipos de crente e depois sobre o mundo pecador.

Algo muito importante a lembrar, é que a fé, só acontece no presente. E uma fé viva hoje, não garante a vitória de amanhã. Portanto, para desfrutar da eleição de Deus, como dissemos, é necessário abrir mão de tudo o que nos atravanque o progresso espiritual. Este progresso espiritual, não é para que sejamos mais amados ou ganhemos pontos com Deus. Isto nunca acontecerá.
Na verdade, o progresso espiritual é o SUCESSO do crente, na sua relação com Deus, consigo mesmo, com a vida e com o próximo.

“Qual a diferença entre Predestinação e Eleição?”

A predestinação é o termo designado para dizer que Deus determinou, de antemão, o futuro de um Povo. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus, de antemão preparou, para que andássemos nelas” (Ef.2:10)

Então Ele nos predestinou PARA um FIM determinado.

Já a Eleição, trata da escolha das pessoas que Deus iria predestinar. Não podemos saber, ao certo, qual o critério usado por Deus, na escolha e nem QUEM são aqueles que Ele elegeu.

Mas sabemos que:
1) Os eleitos, foram predestinados para as boas obras, sendo que a maior delas é o relacionamento íntimo, pessoal e constante com o Senhor.
2) Deus não escolheu alguém, baseado em algo que Ele tivesse previsto que a pessoa faria.
1º porque os nossos atos jamais nos recomendariam a Deus, mesmo que não houvesse o pecado;
2º porque, se Ele tivesse previsto que alguns seriam bons e, por causa disto, os tivesse escolhido, a salvação seria pelas obras e não pela fé. E, neste caso, o homem teria em que se estribar ou se gloriar diante de Deus.
3) Que Ele não elegeria a todos, pois do contrário, não haveria eleição alguma. Se eu disser que todos os homens são inteligentes, seria o mesmo que dizer que todos os homens não são inteligentes, pois não haveria homens pouco inteçigentes, para realçar a inteligência dos primeiros.
Se Deus elegesse a todos, não haveria eleição alguma, pois todos estariam nas mesmas condições e iriam para o mesmo lugar. (Is.43:3-10)
Então, Deus é glorificado, tanto nos que se perdem como nos que são salvos. Em face do pecado que passou a todos os homens, Deus é justo em condenar a todos. Portanto, a escolha de alguns, é Pura Misericórdia e Livre Graça!

As pessoas que reclamam e acham injusta a doutrina da ELEIÇÃO, são exatamente aquelas que:
1)    Não têm certeza de sua eleição;
2)    Ou não se interessam pelas coisas de Deus;
3)    ou estão ainda cheias de justiça própria.

Somente aqueles que já foram quebrados pelo Senhor, recebem com profundo prazer e sem fingimentos, esta verdade. Embora o trabalho do Senhor no homem não seja psicológico, todavia, há um resultado, um efeito psicológico muito interessante, resultante desta vigorosa doutrina:

Quem é o eleito que não gosta de ter a certeza de sua eleição?
Em contrapartida, quem é o não eleito que está interessado nestas coisas?

Amados, Deus é grande em poder, contudo, a ninguém despreza. Embora grande em força e majestade, o Senhor jamais rejeita aquele que O busca, com sinceridade de coração. Portanto, a coisa é feita de tal forma que jamais alguém poderá dizer:
“Eu fui para o inferno, por que Deus não me elegeu”. “Não”, responderá o coro celestial. “Você foi para o inferno, porque não se interessou pelas coisas do Senhor”.
E quando os justos, no Céu, disserem: “Só chegamos aqui, porque Deus nos elegeu”, responderá o coro Celestial. “Sim, é verdade. Mas não é só isto, você chegou aqui porque foi provado, privado, amassado, santificado, experimentado, tentado, assaltado por dúvidas, rejeições, solidão,  desprezo dos homens, visto que para isto você fora predestinado”. ALELUIA. GLÓRIA A DEUS. 

Deus nos mostrou a Sua Compaixão. Um abraço a todos!

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