CTO - CURSO GRATUITO DE TEOLOGIA ONLINE

CTO - CURSO GRATUITO DE TEOLOGIA ONLINE

FUNDO

CONVERSÃO - Por Leonardo Dâmaso




TEXTO BASE: Lm 5.21/ Rm 10.9


INTRODUÇÃO

A definição de conversão

      Podemos definir a conversão como o resultado ou o efeito da regeneração. É “a evidência exterior da regeneração. É o ato consciente de uma pessoa regenerada, no qual ela volta-se para Deus em arrependimento e fé”.1


“Significa a mudança que Deus opera na vida do que aceita a Cristo como seu salvador pessoal, modificando-lhe radicalmente a maneira de ser, pensar e agir. A conversão é o lado objetivo e externo do novo nascimento. Por intermédio dela, o pecador arrependido mostra ao mundo a obra que Cristo operou em seu interior: a regeneração.

      Em suma, a conversão tem dois lados: um subjetivo e outro objetivo. O subjetivo é conhecido como regeneração; Somente Deus pode aferi-lo. E, o objetivo é a conversão, que pode ser constatado por todos”.2


Os conceitos da conversão

      “A palavra conversão significa um voltar-se, e inclui tanto os conceitos de arrependimento quanto de .

1- ARREPENDIMENTO é a parte da conversão na qual uma pessoa se volta do pecado, enquanto a se dá quando ela se volta a Cristo para salvação”.3  

Wayne grudem diz que: “Arrependimento é a tristeza de coração pelo pecado, a renúncia ao pecado e o compromisso sincero de abandoná-lo e de andar em obediência a Cristo”.4 “No arrependimento, o pecador primeiro chega a uma verdadeira percepção intelectual de sua condição pecaminosa.

     Visto que Deus já o regenerou, a pessoa acha sua condição repugnante e fica determinado a se voltar tanto do estilo de vida que consistia de pecados quanto de atos individuais pecaminosos. 

O arrependimento é de volição e não de emoção. Naturalmente, um estado mental que consista de nada mais que uma excitação emocional sobre os próprios pecados e faltas, sem um ato de volição de dar as costas a isso não constituir arrependimento, não resultará em fé e justificação”.5

      “Semelhantemente a fé, o arrependimento é o entendimento intelectual (de que o pecado está errado), a aprovação emocional dos ensinos das escrituras com respeito ao pecado (tristeza e ódio por ele) e a decisão voluntária de abandoná-lo e levar uma vida de obediência a Cristo”.6

“O genuíno arrependimento resultará na mudança de vida. A pessoa verdadeiramente arrependida começará a viver uma vida transformada, e podemos chamar essa vida transformada de fruto do arrependimento”.7 

2- FÉ “em sua operação é ao mesmo tempo a conversão do homem no sentido espiritual”.8 “Deus concede conhecimento a um indivíduo como o primeiro elemento da fé salvífica, habitualmente pela pregação do evangelho. Como escreve Paulo em (Rm 10.14) Como poderiam crer naquele que não ouviram? E como poderiam ouvir sem pregador? BDJ. O conhecimento também implica entendimento nesse caso.

      Assim como é impossível crer em X enquanto ele permanecer indefinido, não se pode crer em algo enquanto a definição não é compreendida. Visto que o evangelho é sempre apresentado de forma proposicional, o conhecimento e o entendimento necessários para a fé aludem à retenção e compreensão mentais do sentido das afirmações apresentadas”.9

      Hermam Hoeksema afirma que: “Pela fé os desejos da vontade são postos numa direção diferente, a direção de Deus em Cristo, e o homem chega à fome e sede de justiça”.10
_____________________________________________________________________

      Para concluir, resume-se que “a conversão inclui os seguintes elementos: (1) A iluminação da mente, pela qual o pecado é conhecido como ele é na realidade, um comportamento que desagrada a Deus; (2) Autentica tristeza pelo pecado, não remorso por causa dos seus resultados amargos; (3) Humilde confissão do pecado, tanto para com Deus como em relação aos outros que foram feridos pelo pecado;

(4) Ódio pelo pecado, incluindo a decisão de fugir dele; (5) retorno a Deus como gracioso pai em Cristo, com fé de que ele pode perdoar nossos pecados e faz isso; (6) Alegria de coração em Deus por meio de Cristo; (7) Amor genuíno por Deus e pelos outros, juntamente com prazer no serviço de Deus”.11



NOTAS:

1- Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 117.
2- Claudionor Corrêa de Andrade. Dicionário teológico, pág 97.
3- Vicent Cheung. Teologia sistemática, pág 180.
4- Wayne Grudem. Teologia sistemática, pág 340.
5- Vicent Cheung. Teologia sistemática, pág 180.
6- Wayne Grudem. Teologia sistemática, pág 340.
7- Ibid.
8- Herman Hoeksema. Reformed dogmatics – volume. 2 pág 78-9.
9- Vicent Cheung. Teologia sistemática, pág 180.
10- Herman Hoeksema. Reformed dogmatics – volume. 2 pág 78-9.
11- Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 118.


ESPLANÇÃO


Conversão: obra de Deus e do homem

      “A conversão é, primeiramente, obra de Deus. Não podemos manter essa nova vida pela nossa própria força. Temos que continuar a ser fortalecidos com poder pelo Espírito de Deus em nosso ser interior (Ef 3.16). Podemos dizer que Deus é a causa da nossa conversão”.12  

      “Distinta da regeneração no sentido restrito, entretanto, a conversão é também uma obra do homem. Tanto no AT quanto no NT, a conversão é retratada mais frequentemente como obra do homem do que de Deus (Is 45.22; 31.6; 55.7) (Joel 2.12-13) (Mt 18.3) (At 2.38; 16.31) (Rm 10.9) (2Cor 5.20b)”.13

      “Conforme observamos nestas passagens, e em muitas outras, Deus nos chama à conversão, a nos voltarmos para ele, em arrependimento e fé, à reconciliação com ele. Na doutrina da conversão vemos um exemplo do paradoxo de que tratamos agora a pouco: A conversão é obra de Deus e obra do homem. É preciso que Deus nos converta e, ainda assim, nós precisamos nos converter a ele”.14

“Não podemos descartar nenhum lado deste paradoxo. O pregador, assim, tem que exortar os seus ouvintes, honesta e ardentemente, a converterem-se, confiando que Deus os habilitará para isso. E quando a conversão ocorre, ele e seus ouvintes têm de dar a Deus toda a glória”.15


Diversos tipos de conversão

1- A VERDADEIRA CONVERSÃO


       “A verdadeira conversão nasce da tristeza segundo Deus, e redunda numa vida de devoção a Deus conforme (2 Co 7.10). É uma mudança que tem suas raízes na obra de regeneração, e que é efetuada na vida consciente do pecador pelo Espírito de Deus; mudança de pensamentos e opiniões, de desejos que envolve a convicção de que a direção anterior da vida era insensata e errônea, e altera todo o curso da vida”.16

      Não obstante, a verdadeira conversão “pode ocorrer somente uma vez na vida da pessoa. A bíblia nos dá inúmeros exemplos como: Zaqueu (Lc 19.8-9), os quase três mil no dia de pentecostes (At 2.41), Saulo (At 9.1-19), Cornélio (At 10.44-48), Lídia (At 16.14), o carcereiro de Filipos (At 16.29-34)”17 entre outros.

2- A CONVERSÃO NACIONAL

       “Ocasionalmente, a Bíblia fala da chamada conversão nacional: que é um tempo quando uma nação inteira volta-se para o Senhor. Uma dessas conversões ocorreu no tempo de Josué, quando o povo de Israel prometeu servir ao Senhor e obedecer a ele (Js 24.14-27)”.18 Houve também uma conversão no tempo de Jonas, onde os ninivitas se arrependeram dos seus pecados e foram poupados pelo Senhor (Jn 3.1-10)” etc.19

         Porém, este tipo de conversão nacional “teve vida curta. Ou seja, não produziram a verdadeira conversão no coração de cada membro da nação. No caso de Israel, quando um governante piedoso era substituído por um governante iníquo, o povo voltava aos seus caminhos pecaminosos”.20 “Via de regra, eram conversões muito superficiais”.21

3- CONVERSÕES TEMPORÁRIAS

       “A Bíblia se refere também a conversões de indivíduos que não apresentam nenhuma mudança no coração e, portanto, só têm significado passageiro. Na parábola do Semeador Jesus fala dos que ouvem a palavra e logo a recebem com alegria, mas não têm raízes em si mesmos e, portanto, duram pouco. Quando lhes sobrevêm as tribulações, provações e perseguições, depressa se ofendem e caem (Mt 13.20- 21)”.22

“Paulo também faz menção de Himeneu e Alexandre, que vieram a naufragar na fé, (1Tm 1.19-20). Também em (2Tm 2.17-18 e 2Tm 4.10) ele se refere a Demas que o abandonara por amor ao presente século”.23 E por fim, João escreve em sua carta no (1Jo 2.19) que:

Saíram do nosso meio; entretanto, não eram dos nossos porque se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos. Em outras palavras, este tipo de conversão não é genuína, mas aparente e psicológica.

4- SEGUNDAS CONVERSÕES

      “Embora as conversões verdadeiras não se repitam, que são as conversões no sentido soteriológico, é possível que um crente se desvie de Deus e precise se converter a ele de novo”.24 Davi era genuinamente convertido, um homem segundo o coração de Deus; “no entanto, caiu em pecado. O Salmo 51, escrito depois da sua queda, relata sua segunda conversão”25:

Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve. Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário (vs.7, 9, 10,12).
      “Uma segunda conversão também foi necessária na vida de Pedro”.26 Antes de ele negar ao Senhor Jesus três vezes, Jesus havia lhe dito em (Lc 22. 31-32) que Satanás o pediu para cirandar como trigo. Mas Jesus lhe disse que havia rogado por ele, para que a sua fé não desfalecesse; Daí as palavras de Jesus: Tu, pois quando te converteres (gr. Quando tiveres voltado à fé ênfase acrescentada por mim), fortaleça os teus irmãos.
      “Esta conversão não pode ter sido a primeira conversão de Pedro, uma vez que ele havia feito a grande confissão: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo (Mt 16.16), e uma vez que Jesus também disse: que a tua fé não desfaleça. O que Jesus predisse foi o retorno de Pedro a fé no Senhor depois do pecado”.27

      Antony Hoekema ressalta que: “Segundas conversões dessa natureza não são sempre necessárias na vida dos crentes. Mas fazem-se necessárias algumas vezes. Quando são necessárias, não o são no sentido de abandonar o pecado na sua totalidade, como na conversão verdadeira, mas de abandonar algum pecado especifico no qual tenham caído” (Ap 2.5-16,22; 3.3,19).28


Variações no padrão de conversão

      “Ainda que a verdadeira conversão ocorra uma só vez, pode haver muitas variações no seu padrão”29. Herman Bavinck mostra algumas interessantes diferenças de conversão entre os reformadores:

“A conversão de Lutero foi uma transição de profundo sentimento de culpa para a alegre consciência da graça perdoadora de Deus, em Cristo. Zuínglio experimentou a conversão particularmente como ser liberto das prisões da lei para a felicidade de conhecer-se como filho de Deus. A conversão de Calvino foi à libertação do erro para a verdade, da dúvida para a certeza”.30  

      “A variação mais comum no padrão é entre a conversão gradual, como nos casos de Jeremias e Timóteo e a conversão instantânea ou a de crise. Um exemplo bíblico marcante de uma conversão de crise é a de Paulo (At 9.1-19).

Saulo, respirando ameaças, a caminho de Damasco para perseguir os cristãos, de repente, por meio de uma luz que cegava e de uma voz dos céus, foi transformado em Paulo, o missionário”.31

“A conversão do carcereiro de Filipos (At 16.25-34) também é um exemplo de uma conversão de crise. Parece que muitos dos gentios, que foram levados a Cristo por Paulo e pelos outros apóstolos, experimentaram a conversão de crise, uma vez que a conversão não significava para eles, só o reconhecimento de Jesus como o Cristo, mas também a quebra abrupta com uma vida pregressa de pecado (1Cor 6.11; Ef 2.11-13)”.32


CONCLUSÃO


      “A conversão é um passo ou aspecto necessário do processo de salvação. Nem todos os do povo de Deus experimentam a conversão da mesma forma. Não podemos determinar um padrão de conversão que sirva a todos. O que é mais importante com respeito à salvação não é a forma como ela ocorre, ou quando ocorre, mas a sua antenticidade”.33  



NOTAS:

12- Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 118.
13- Ibid, pág 119.
14- G. W. Bromiley. Coversion, ISBE, 1:768-70.
15- Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 118.
16- Berkhof. Teologia sistemática, pág 478.
17- Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 120.
18- Ibid, pág 120.
19- Berkhof. Teologia sistemática, pág 478.
20- Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 120.
21- Berkhof. Teologia sistemática, pág 478.
22- Ibid.
23- Ibid.
24- Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 120.
25- Ibid, pág 120-121.
26- Ibid.
27- Ibid.
28- Ibid.
29- Ibid, 122.
30- Herman Bavinck, Roeping en Wedergeboort (Kampen:Zalsman, 1903, pág 184-185.
31- Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 122.
32- Ibid.
33- Ibid, pág 124.

OBSERVAÇÃO:
NEM TODAS AS POSTAGENS TRADUZEM, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DO SITE MATÉRIAS DE TEOLOGIA

Soli Deo Gloria