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A IMPORTÂNCIA DA ESCATOLOGIA - KENNETH L. GENTRY, JR.

Poucas doutrinas da Bíblia recebem maior atenção entre os evangélicos hoje que a segunda vinda de Cristo. E visto que o seu retorno é uma doutrina fundamental da fé cristã histórica, ela bem merece nosso interesse.[1] Contudo, infelizmente o segundo advento é mais profundamente amado e firmemente crido do que biblicamente entendido e corretamente proclamado. Com muita frequência os evangélicos tendem a ter
um “zelo sem conhecimento” quando abordando esse grande tema bíblico. Isso é especialmente trágico pois compreender essa doutrina corretamente é vitalmente importante na construção de uma cosmovisão cristã. Afinal, ela exalta a glória consumada da sua vitória redentiva, completa o plano soberano de Deus para a História, e balanceia uma teologia completa da Escritura. Com respeito a isso, eu observaria:
Primeiro, a segunda vinda exalta a vitória de Cristo na redenção. Quando Cristo veio em sua encarnação no primeiro século, ele veio num estado de humilhação. Isto é, ele habitou entre os pecadores no pó da terra, sofreu rejeição, ofensa e tormento deles, e então morreu em agonia na cruz, experimentado até mesmo a rejeição por parte de Deus o Pai (Mt 27.46), e foi sepultado num tumba no pó da terra. Como Paulo expressou, “achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.8; cp. Mt 1.21; Lc 19.10). Mas a Escritura não o deixa na cruz ou na sepultura; ela ensina sua consequente glorificação através de quatro passos: ressurreição, ascensão, sessão e, por final, retorno.
O retorno de Cristo em glória é necessário para completar sua vitória redentiva, pois então ele retornar como o Redentor-Rei que a tudo conquista. “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11). Mas como Hebreus observa: “Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas” (Hb 2.8b). Assim, então, a vinda de Cristo é necessária para conclusivamente demonstrar sua vitória redentiva para todos ver.
Segundo, a segunda vinda completa o plano de Deus para a História. Embora Cristo tenha assegurado legalmente a derrota do pecado, morte e do diabo no primeiro século, todos os três males permanecem conosco (Rm 7.18-25; 1Pe 5.8-9). Assim como fomos legalmente santificados no passado (Hb 10.14), estamos sendo experiencialmente santificados no presente (Rm 6.19-22), e seremos finalmente santificados na ressurreição (1Ts 5.23), assim a Escritura apresenta a vitória de Cristo em três estágios: ele conquistou esses inimigos legalmente diante do tribunal judicial de Deus (Co 1.13-14; 2.13-15). Ele continua conquistando-os historicamente por meio do progresso contínuo do evangelho (At 26.18; 1Co 15.20-23). Ele conquista-los-á eternamente em seu segundo advento, concluindo então a História (Rm 8.18-25; Ap 20.10-15).
Uma das consequências trágicas da teologia moderna conhecida como hiper-preterismo [2] é o fato dela deixar o pecado e a morte em operação no Universo, de forma que Deus deve suportar a presença destes males para sempre e sempre. Contudo, a Escritura ensina que a História será concluída com uma conquista final e permanente do diabo: “segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2Pe 3.13). Isso ocorre quando Cristo retorna: “E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda… Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.31-33, 41; cp. 2Pe 3.3-15). “O último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (1Co 15.26), algo que acontece em seu retorno (1Co 15.23-25, 54). Dessa forma, a segunda vinda de Cristo conclui apropriadamente a História.
Terceiro, a segunda vinda balanceia a teologia de Deus na Escritura. Essa doutrina gloriosa não somente finaliza a vitória redentiva de Cristo (derramando a glória eterna em seu amor redentivo) e completa o plano de Deus (demonstrando a sabedoria divina em seu plano da criação). Mas ela nos fornece também um sistema doutrinário completo, balanceando as verdades bíblicas majestosas. Não fosse pelo segundo advento:
Teríamos uma criação (Gn 1.1; Hb 11.3) sem uma consumação (At 3.20-21; Ap 20.11), resultando num Universo iniciado, mas sem fim (1Co 15.23-24; 2Pe 3.3-4).
Teríamos um mundo que gemeria eternamente (Rm 8.22; 2Co 5.1-4), sem qualquer perfeição gloriosa (Rm 8.21; 2Pe 3.12-13).
Teríamos um Salvador quietamente se apartando dos seus seguidores (Lc 24.50-52; 1Co 15.5-8), sem jamais desfrutar de uma exibição vitoriosa do seu poder (Rm 14.11; Fp 2.10-11).
Teríamos uma redenção espiritualmente focada (Rm 8.10; Ef 1.3), sem uma dimensão física (Rm 8.11; 1Ts 4.13-18).
Teríamos um Redentor assunto ao céu corporalmente (At 1.8-11; Cl 2.9), sem qualquer ligação física familiar com ele (1Co 15.20-28; Fp 3.20-21).
Teríamos um evangelho continuamente necessário (Mt 28.19; At 1.8), sem qualquer vitória final (Mt 28.20; 1Co 15.24) – o número dos eleitos jamais seria completado.

Verdadeiramente, a segunda vinda é uma “bendita esperança” sobre a qual devemos nos focar cuidadosamente.[3] Infelizmente, embora seja “bendita” e cheia de esperança, “a escatologia, talvez mais que qualquer outro ramo da teologia, está carregada de divisões, e isso é particularmente verdadeiro nos círculos evangélicos conversadores”.[4] Tragicamente, esse assunto “tem sido uma questão de debate, algumas vezes áspero”.[5] De fato, talvez nenhuma doutrina tenha dividido mais o Protestantismo evangélico moderno”.[6] Assim, antes de podermos entender apropriadamente todas as implicações da segunda vinda, devemos estabelecer nosso contexto teológico.
Comecemos nossa busca considerando:
O Significado de “Escatologia”
A Prioridade da Escritura
A Filosofia da História
As Implicações da Escatologia

NOTAS:
[1] – Veja meu capítulo sobre credos em Mathison, When Shall These Things Be?, cap. 1.
[2] – Para uma apresentação e crítica desse fenômeno recente, veja o apêndice “O Erro Hiper-preterista”. Veja também: Gentry, “Christ’s Ressurrection and Ours” (CR) (Abril, 2003). Jonathan Seraiah, The End of All Things (1999). Sproul, “… in Like Manner” (Tabletalk): 4-7. Crisler, “The Eschatological A Priori of the New Testament: A Critique of Hyper-Preterism” (JCR): 225-56. Mathison, Postmillenialism (1999), App. C. Mathison, e.d., When Shall These Things Be? Jay Adams, Preterism (2003).
[3] – Veja minha discussão de Tito 2.13 e a “bendita esperança” no capítulo 19 (“Objeções Bíblicas”).
[4] – Bloesch, The Last Things, 28.
[5] – Sauter, Eschatological Rationality, 33.
[6] – Bloesch, The Last Things, 87.



Fonte: He Shall Have Dominion [Third Edition], Kenneth L. Gentry, Jr., p. 1-4.
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto

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