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ESTE MUNDO: PARQUE DE DIVERSÕES OU CAMPO DE BATALHA? – A.W.TOZER


Muitos cristãos acham ou, ao menos, vivem como se estivessem no mundo para brincar, se divertir e fazer tudo aquilo que lhe dá prazer, são adeptos não confessos do hedonismo secular. Para estes o mundo é um parque de diversões, bem alegre e divertido, sem qualquer ameça ou necessidade de vigilancia, não levam a sério as diversas vezes em que a Bíblia nos adverte dizendo: vigiai.
Neste excelente texto somos exortados a mudar nossa postura, 
boa leitura
Helbert Souza

As coisas não são para nós apenas aquilo que são, mas aquilo que julgamos que sejam. O que vale dizer que nossa atitude em re­lação a elas em análise final, é mais importante do que as coisas em si.

Este é um conhecimento comum, como uma moeda velha, amaciada pelo uso. Todavia, traz sobre si a marca da verdade e não deve ser rejeitado por ser familiar.
Um desses fatos é o mundo em que vivemos. Ele está aqui e tem estado aqui através dos séculos. Esse é um fato estável, prati­camente imutável como o passar do tempo, mas quão diferente é a visão do homem moderno daquela de nossos país. Vemos clara­mente neste ponto como é enorme o poder da interpretação. O mun­do para todos nós não é apenas aquilo que é, mas aquilo que cremos que seja. E o sofrimento ou a felicidade depende em grande parte de   nossa  interpretação.
Sem ser preciso ir muito além da época em que nosso país foi descoberto e começou a desenvolver-se, podemos observar o imenso contraste entre o comportamento moderno e o de nossos ancestrais. Nos primeiros tempos, quando o cristianismo exercia influência pre­dominante sobre o nosso modo de pensar, os homens concebiam o mundo como um campo de batalha. Nossos pais acreditavam  que o pecado, o diabo e o inferno compunham uma força única; enquanto Deus, a justiça e o céu eram a força contrária à deles. Os dois po­deres estavam em luta constante na natureza humana, sendo a sua inimizade profunda, grave e irreconciliável. O homem, segundo nos­sos pais, tinha de escolher qual o lado em que queria ficar; não podendo manter-se neutro. Para ele era um caso de vida ou morte, céu ou inferno, e se decidisse colocar-se ao lado de Deus, podia esperar guerra declarada contra os inimigos do Senhor. A luta seria real e mortífera, durando enquanto houvesse vida aqui na terra. Os homens consideravam o céu como uma volta da guerra, uma deposição da espada, a fim de gozar da paz do lar preparado para eles.
Os sermões e hinos daqueles dias tinham quase sempre um tom marcial, ou talvez um traço de saudade do lar. O soldado cristão pensava no lar, no descanso, na reunião com os seus, e sua voz se alteava plangente, ao cantar a batalha ganha e a vitória conquis­tada. Mas quer estivesse enfrentando as armas inimigas ou sonhando sobre o fim da guerra e a acolhida do Pai, jamais se esquecia da espécie de mundo em que habitava. Era um campo de batalha e muitos ficavam feridos ou eram mortos.
Esse conceito é indiscutivelmente bíblico. Descontando os sím­bolos e metáforas contidos nas Escrituras, trata-se mesmo assim de uma doutrina sólida: tremendas forças espirituais acham-se presen­tes no mundo e o homem, devido à sua natureza espiritual, se encon­tra preso entre elas. Os poderes malignos desejam destruí-lo, enquan­to Cristo acha-se presente para salvá-lo mediante o poder do evan­gelho. A fim de obter livramento ele deve colocar-se ao lado de Deus em fé e obediência. Em resumo, nossos pais pensavam dessa forma e, segundo creio, é isso que a Bíblia ensina.
Como tudo mudou hoje: o fato permanece o mesmo, mas a inter­pretação modificou-se completamente, Os homens pensam no mundo não como um campo de batalha, mas como um parque de diversões. Não estamos aqui para lutar, mas para nos divertir. Esta não é para nós uma terra estranha, e sim o nosso lar. Não nos preparamos para viver, já estamos vivendo, e o melhor a fazer é livrar-nos de nossas inibições e frustrações e vivermos plenamente. Em minha opinião, resume-se nisso a filosofia religiosa do homem moderno, abertamente professada por milhares e tacitamente mantida por outros milhões que vivem segundo a mesma sem terem dado expressão verbal aos seus conceitos.
Esta mudança de atitude com relação ao mundo teve e continua tendo seus efeitos sobre os cristãos, até os cristãos evangélicos que professam  fé na Bíblia. Através de uma  curiosa manipulação dos números eles conseguem uma soma errada,  mas  alegam  ter a  res­posta certa. Parece fantasia, mas não passa de verdade.
O fato de este mundo ser um parque de diversões e não um campo de batalha foi agora aceito na prática pela vasta maioria dos cristãos evangélicos. Eles poderiam tentar furtar-se a uma res­posta se lhes pedissem diretamente que declarassem a sua posição, mas seu comportamento os acusa. Estão fazendo as duas coisas, alegrando-se em Cristo e no mundo e contando a todos que é possível aceitar Jesus sem abandonar as diversões e que o cristianismo é a coisa mais alegre que se possa imaginar.
A "adoração" derivada dessa perspectiva de vida é tão descentrada quanto o próprio conceito em si, uma espécie de vida noturna santificada, sem as bebidas e os bêbados vestidos a rigor.
A coisa mostra-se tão grave ultimamente que tornou-se agora de­ver de cada cristão reexaminar sua filosofia espiritual à luz da Bíblia e, uma vez descoberto o caminho das Escrituras, ele deve segui-lo, mesmo que tenha de separar-se de muita coisa antes aceita como real. mas que agora à luz da verdade sabe ser falsa.
Uma visão correta de Deus e do mundo futuro exige que nós também tenhamos uma perspectiva do mundo em que vivemos e nos­sa relação com ele. Tanta coisa depende disto que não podemos ser negligentes a este respeito.

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