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FUNDO

A TRANSFORMAÇÃO OPERADA PELA PALAVRA - 1 Tessalonicenses 2.13





INTRODUÇÃO

Martinho Lutero certa vez disse: Não fiz nada, a Palavra é quem fez tudo.

O texto lido se trata de um relato no qual o apóstolo Paulo afirma ser a palavra de Deus o agente através do qual Deus transformou a vida de muitas de pessoas de Tessalônica.
A cidade de Tessalônica, hoje, chamada de Salônica, na Grécia, foi a capital de um dos quatro distritos romanos da Macedônia. Por ali, havia estradas de boa qualidade nas quais viajavam tanto oficiais quanto pessoas comuns. Exatamente por isso, pregadores itinerantes iam de cidade em cidade proclamando suas crenças. Tessalônica, portanto, estava repleta desses pregadores.
A igreja de Tessalônica era muito jovem e foi fundada por Paulo durante sua segunda viagem missionária de acordo com Atos 17.1-9 e muitos cidadãos da cidade, que antes eram idólatras, se voltaram para a mensagem do Evangelho (1 Tess 1.9). Essas conversões então, repercutiram em toda a região da Macedônia e Acaia (1 Tess. 1.8-9). (HENDRIKSEN, Willian. Comentário do Novo Testamento: 1 e 2 Tessalonicenses. São Paulo: Cultura Cristã, 1998, p. 13-14).
Paulo tinha uma série de temores em relação a essa igreja. Por se tratar de uma igreja jovem será que ela resistiria à pressão das pessoas hostis? Como ela lidaria com a zombaria de seus parentes e vizinhos? Será que os judaizantes contaminariam com suas heresias a fé genuína daqueles crentes? Será que esses cristãos poderiam acomodar ao ponto de voltar ao paganismo ou ao judaísmo? (HENDRIKSEN, 1998, p.18). 


Essas eram algumas das perguntas que angustiavam Paulo, no entanto, ao receber um relatório de Timóteo e Silas (At 18.5), ele respirou aliviado e por isso disse: “Porque, agora, vivemos, se é que estais firmados no Senhor”. (1Tess 3.8). 


Isso era sinal de que o Evangelho pregado por Paulo e Silas, de fato, havia mudado a vida daqueles cristãos e se mantiveram fiéis a Cristo. (1 Tes 1.3-4) 


Paulo, então, para expressar sua alegria, envia essa carta na qual também dá algumas orientações à igreja amada. Entretanto, nos deteremos, no momento, apenas na manifestação de sua alegria pela fidelidade e fervor dos crentes de Tessalônica. 


No capítulo 1 Paulo aponta as características marcantes dos cristãos de Tessalônica.
1.1 – Fé operosa; abnegados no amor, firmes na esperança.
1.6 – Imitadores do Senhor, Receberam a palavra com alegria,
1. 7 – Modelos para os demais. 


Antes, pagãos, agora, filhos de Deus, imitadores do Senhor e modelos para os demais. Outrora, idólatras, agora, homens e mulheres com fé operosa, firmados na esperança, e que têm a Palavra em alta estima. Antes, filhos da ira de Deus (Ef 2.3), agora, amados de Deus (v.3)
Todas essas características passaram a fazer parte da vida das pessoas por meio da operação transformadora da Palavra de Deus. Através da atuação poderosa do Espírito no coração de todos os ouvintes. Sem a manifestação do poder do Espírito, a mensagem do Evangelho, seria apenas mais uma religião pregada.“Porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas sobretudo, em poder, no Espírito Santo. (1 Tes 1.5)


Paulo então, em 1 Tes 2.13 aponta o processo da operação da Palavra de Deus na vida daquelas pessoas por meio da ação do Espírito Santo. Processo esse que, de acordo com o v. 13, se constitui, basicamente, de dois momentos. São eles:


1 - Recepção da palavra: (Recepção externa).

O verbo grego empregado aqui é um termo técnico para a recepção de tradições. (RIENECKER, Fritz & ROGERS Cleon. Chave lingüística do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 438). Em outras palavras, diz respeito à recepção externa (HENDRIKSEN, 1998. p. 102). Ou seja, o simples fato de ouvir.
A imagem que ilustra isso é de um discípulo ouvindo de seu mestre seus ensinamentos.
As pessoas de Tessalônica ouviam outros tipos de pregações. Pregadores ambulantes proclamavam suas idéias e crenças. Suas palavras eram de bajulação. A pregação do evangelho era o inverso desse conteúdo. Exatamente por isso Paulo afirma: “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação”. Ele completa dizendo: “Nem de intuitos ganaciosos.” Paulo diz isso porque os pregadores ambulantes se enriqueciam às custas de seus ouvintes.
A pregação de Paulo foi direta, sem rodeios, sem bajulação. Certamente ele falou sobre Cristo, sobre a ressurreição, pregou contra a idolatria e sobre a santificação.
Os homens e mulheres de Tessalônica, no contexto no qual viviam, pararam para ouvir a pregação do Evangelho e a receberam não como recebiam àquelas proclamadas pelos pregadores itinerantes, mas como de fato ela era: A palavra de Deus. Isso, contando sempre com o poder do Espírito Santo.
A implicação disso para os dias atuais é que, a exemplo dessas pessoas, devemos parar com o intuito de receber o ensino da Palavra com vistas à nossa transformação.
Há aqueles que desejam todo tipo de mudanças. Exemplos há muitos. Citaremos aqui apenas dois. Há aqueles que querem ver a sua vida financeira transformada, ou seja, sair das dívidas e ter estabilidade. E há aqueles que querem seus casamentos transformados nos quais os mesmos saiam da crise e vivam novamente como os momentos iniciais do matrimônio.
Nenhuns desses desejos são errados, entretanto, devemos ansiar por uma transformação ainda maior. A transformação do nosso caráter, do modo de agir, pensar ou crer. Isso somente é possível por meio da Palavra.
Há também muitos são aqueles que querem receber todo o tipo de bens. Seja saúde, dinheiro, alimento e outros. Todavia, não param para receber ou ouvir os ensinamentos bíblicos.
Providenciam tempo pra todo tipo de atividade, mas não há tempo para aprender de Deus. Reserva-se pra Deus a sobra, e isso, quando reserva.
Lembremos da seguinte verdade: “Na lista de nossas prioridades, Deus sempre deve ocupar o primeiro lugar”.
Essa é a primeira parte do processo. Isso foi o que ocorreu com as pessoas de Tessalônica.


2 - Pelo acolhimento (Recepção interna, sujeição)

Paulo aqui apresenta outro elemento integrante no processo de transformação de uma vida. O verbo grego aqui traduzido por “acolhestes” tem o sentido de recepção interna, o que quer dizer, sujeição, acatamento àquilo que foi ouvido.
Isso foi o resultado da recepção da mensagem como Palavra de Deus. Palavra que confronta, mas oferece a única alternativa para a redenção e salvação. A fé em Deus por meio de Jesus.
Esse elemento foi determinante, pois os cristãos não somente ouviram a mensagem, mas se submeteram a ela. A audição e submissão os conduziram à transformação.
Isso fez com que eles deixassem os ídolos e se voltassem para Deus. Note no v.9 que eles não somente creram em Deus, mas passaram a servi-lo. Exatamente por isso, no v. 3 Paulo faz menção da operosidade da fé dos cristãos.
A audição culminando na submissão fez com que os homens e mulheres de Tessalônica passassem a ter suas vidas transformadas. Eles, ao invés de serem bajulados, foram confrontados e convencidos pelo Espírito de seus pecados por meio da pregação do Evangelho. Finalmente, foram levados à submissão à mensagem pregada.
As palavras de bajulação tendem a ter mais sucesso que as palavras confrontadoras. E as palavras de Paulo não foram de bajulação (v. 5). Os bajuladores pregavam para se enriquecerem. Paulo confrontava para que as vidas fossem transformadas. Paulo pensava no outro e não em si.
Com isso aprendemos dois princípios importantes.
2.1 Devemos estar prontos para ouvir o que não queremos que Deus fale. Em geral, ninguém gosta de ser confrontado ou ter sua ferida tocada. Ninguém gosta de ter as suas convicções colocadas em cheque. No entanto, há momentos que precisamos ouvir certas verdades nosso respeito.
Esse é o propósito da Palavra, ou seja, de confrontar o pecador e lhe mostrar os seus delitos. Entretanto, a Palavra de Cristo, tem como intuito não apenas o confronto, mas conduzi-lo a revelação da graça de Deus, de seu perdão e de seu propósito de vida para seu povo.
2.2 Devemos estar prontos não só para ouvir, mas para obedecer (acolhimento interno). Há aqueles que até acham belas certas pregações, entretanto, não a tomam como palavra de Deus. Ficam apenas na contemplação das belas palavras, mas não partem para ação, ou seja, não obedecem. Ouvir sem obedecer é mera expressão de religiosidade.



Conclusão
A palavra de Deus de fato é transformadora. Os cristãos de Tessalônica são exemplos disso.

Mas para que ela cumpra os desígnios de Deus, é necessário que o Espírito Santo nos conduza em todo o processo. Precisamos receber a palavra do Senhor, e para isso, temos a necessidade de que o Espírito abra os nossos ouvidos para ouvi-la. Necessitamos que o Espírito do Senhor faça a palavra frutificar em nosso coração. Ou seja, que ela seja acolhida internamente, e assim estejamos sujeitos a ela.
Que todos, tenham o prazer e desenvolva a disponibilidade para ouvir o que Deus tem para ensinar. E que, ao sermos ensinados, não sejamos meros ouvintes, mas sim, praticantes fervorosos.
Que o Espírito de Deus continue atuando em nós a fim de que sejamos dia a dia, transformados, santificados para a glória dele. E no final possamos assim como Lutero dizer, não foi eu quem fez isso, mas a Palavra é quem fez tudo.

Fonte: Rev. Carlos Eduardo Pereira de Souza

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