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Pré-ordenação Divina – A. A. Hodge (1823 – 1886)


Que é scientia media?

Esta é a designação técnica do conhecimento que Deus tem dos eventos contingentes futuros, e que, segundo supõem os autores desta distinção, não
depende do propósito eterno de Deus tornando certo o evento, e sim do livre ato da criatura previsto por Deus mediante uma intuição especial. É chamada scientia media por supor-se que ocupa lugar intermediário entre a scientia simplicis intelligentice e a scientia visionis. Difere da primeira em não ter por objeto todas as coisas possíveis, e sim uma classe especial de coisas realmente futuras. E difere da segunda em não ter sua base no propósito eterno de Deus, e sim na ação livre das criaturas, simplesmente prevista.

Por quem foi introduzida essa distinção, e com que fim?

Pelo jesuíta Luiz Molina, que nasceu em 1535 e faleceu em 1601, e foi professor de teologia na Universidade de Évora, Portugal, em sua obra intitulada Lifem arbitrii cum gratice donis, divina prescientia, prcedestinatione e treprobatione concórdia. Foi excogitada com o fim de explicar como Deus podia pre-conhecer com certeza o que as Suas criaturas livres fariam na ausência de qualquer preordenação soberana da parte dEle, determinando as suas ações; fazendo assim a preordenação divina dos homens para a felicidade ou para a infelicidade depender da presciência divina da fé e da obediência dos homens, e negando que a presciência de Deus dependa da Sua preordenação soberana.
Quais os argumentos contra a validade dessa distinção?

Io. Os argumentos em que se baseia essa distinção são insustentáveis. Seus defensores alegam - (1) As Escrituras- 1 Sam. 23:9-12; Mat. 11:22,23. (2) Que essa distinção é obvia-mente necessária para tornar o modo da presciência de Deus conciliável com a liberdade do homem.

Ao primeiro argumento respondemos que os eventos mencionados nas passsagens supracitadas das Escrituras não eram futuros. Ensinam simplesmente que Deus, conhecendo todas as causas, tanto as livres como as necessárias, sabe o que qualquer criatura fará em quaisquer condições. Mesmo nós sabemos que se pusermos fogo à pólvora, seguir-se-á uma explosão. Este conhecimento pertence, pois, à primeira classe das citadas acima, ou seja, ao conhecimento de todas as coisas possíveis. Ao segundo argumento respondemos que a presciência certa de Deus envolve tanto a certeza do futuro ato livre da criatura como o envolve a Sua preordenação; e que a preordenação soberana de Deus, com respeito aos atos livres dos homens, só torna certamente futuros esses atos, e de modo algum determina que sejam praticados, a não ser pela livre vontade da criatura agindo livremente.

2o. Essa scientia media é desnecessária, porque todos os objetos possíveis do conhecimento, todas as coisas possíveis, e todas as coisas que realmente hão de ser, já foram compreendidas nas duas classes já citadas.

3o. Se Deus preconhece com certeza qualquer evento futuro, então é com certeza futuro, e Ele o preconheceu como futuro com certeza, ou porque já era certo anteriormente, ou porque a Sua presciência o tornou certo. Se a Sua presciência o tornou certo, então a presciência envolve a preordenação. Se já era certo anteriormente, então gostaríamos de saber o que foi que o podia tornar certo, se não foi o decreto de Deus determinando uma de três coisas. (1) Será que Deus mesmo causaria o evento imediatamente? (2) Será que o causaria por meio de alguma segunda causa necessária? (3) Será que algum agente livre o causaria livremente? Só temos a escolha entre a preordenação de Deus e uma fatalidade cega.

4o. Esta teoria faz o conhecimento de Deus depender dos atos de Suas criaturas fora dEle. Isso é, ao mesmo tempo, absurdo e ímpio, porque Deus é infinito, eterno e absoluto.

5o. As Escrituras ensinam que Deus não só preconhece, mas também preordena os atos livres dos homens. Is. 10:5-15; Atos 2:23; 4:27,28.

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