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ONDE ESTÃO OS REFORMADORES? GEOFFREY THOMAS



O sacerdotal de Calvino foi acentuado no memorial da Reforma, inaugurado em Genebra em 1916. No muro estão as estátuas, paralelamente, com roupas sóbrias e sem destacar um do outro, Guilherme Farel, João Calvino, Théodore Béze e John Knox: quatro barbudos de pedra com a mesma Bíblia nas mãos. Na verdade, o plano era de outro monumento que destacaria Calvino à frente dos demais reformadores, mas tal projeto não se concretizou e o que se tem hoje é esse monumento mais sóbrio.
O muro dos reformadores é obra do francês Paul Landowski, o mesmo que esculpiu o Cristo Redentor do Rio de Janeiro. O escultor representou a toga talar preta comum à Alemanha luterana, mas omitiu a boina ou gorro que eles usavam, substituindo-a por calotes de pano parecidos com solidéus ou quipás judaicos, acessórios vestimentários que clérigos e doutores clérigos usavam habitualmente com os capelos e sob os barretes e chapéus.
        
É muito difícil não estar preocupado a respeito do estado das igrejas evangélicas hoje. Não é nem tanto pela abundância de erros; isto já é sério o suficiente. Mas, o que é tão sério quanto isto e mais preocupante é que o espírito de reforma nos deixou. Onde estão os reformadores? Em vão nós procuramos por eles. A ausência deles é uma das maiores evidências do fato de que nós vivemos em dias de declínio espiritual.


Como é que vamos reconhecer um verdadeiro reformador? Não será por causa de algum "plano de reforma" que ele irá publicar. Nenhum verdadeiro reformador das gerações passadas jamais anunciou algum "programa", "estratégia", ou "década de reforma". Cada um simplesmente foi fiel às Escrituras e através da sua fidelidade a Reforma veio. Quando Lutero afixou as suas 95 teses na porta da igreja ele não sabia que estava preparando o caminho para a Reforma. Ele estava simplesmente sendo fiel às Escrituras. Quando William Tyndale decidiu traduzir a Bíblia para o inglês, a qualquer custo, ele não estava ciente de que estava preparando o fundamento para o nascimento do Puritanismo na Inglaterra. Quando Thomas Chalmers lutou contra o modernismo e contra o patrocínio de ministros e exigia o direito da congregação escolher o seu pró[rio ministro e a resistir os líderes que fossem forçados a assumir o púlpito, e quando ele protestou contra todas as tentativas do Parlamento ou dos Tribunais de inferência nos assuntos espirituais ou eclesiásticos, ele não sabia que isto iria resultar no chamado hoje de Disruption (Ruptura).

Estes reformadores da igreja estavam apenas imitando o exemplo do próprio Salvador, que simplesmente pregava de maneira fiel às Escrituras. Jesus apontou os erros da igreja nos seus dias, e foi rejeitado por causa da sua fidelidade. É assim que sempre será aqui na terra. A reforma não requer conferências especiais, especialistas caros, muito investimento em propaganda; na verdade, se qualquer pessoa que poderia vir a ser um reformador passasse a gastar tempo e investir nestes planos, eles não estariam mais agindo no espírito da reforma e seriam julgados por isso.

Quando pensamos a respeito do trabalho dos reformadores da igreja, jamais devemos olhar para as pessoas apenas. O livro escrito por Lucas deveria ser conhecido como "Os Atos de Cristo Ressurreto", ao invés de Atos dos Apóstolos. A Reforma da Igreja sempre é um trabalho soberano do Senhor. Qualquer reforma que realmente mereça este nome é inteiramente o trabalho de Deus e não o fruto de uma ação ou pessoa qualquer.

A Bíblia nos diz que "O Espírito do Senhor revestiu Gideão" em Jz.6:34. Isto não quer dizer que Gideão se ergueu imediatamente e entrou em ação, que ele de súbito jogou fora a preguiça e a sensação de derrota, e que o desejo de batalha o encheu, fazendo com que ele pegasse nas armas para lutar. Se isto fosse verdade, nós não estaríamos lendo a história dos Atos de Gideão, mesmo se o Espírito tivesse dado o primeiro impulso ou a primeira fagulha de ação. O que nós lemos é que "O Espírito do Senhor REVESTIU a Gideão". Estas belas palavras significam literalmente que o Espírito do Senhor revestiu a Gideão. Esta é a palavra usada quando o homem coloca sua roupa de trabalho para ir trabalhar. O soldador protege o seu rosto da solda, se reveste com óculos de proteção, o ferreiro coloca o seu avental de couro, revestindo o seu corpo de proteção, o piloto coloca sua jaqueta de vôo e está pronto para ir trabalhar. Mas ninguém é tão ingênuo que possa pensar que a roupa é quem capacita para o trabalho, mas sim, o trabalhador revestido, é quem faz o trabalho. A Bíblia nos diz que o Espírito do Senhor revestiu Gideão, e este autor compreende que naquele momento, Gideão era para o Espírito o que o avental de couro é para o ferreiro. Gideão é apenas a roupa de trabalho - quem faz o trabalho é o Espírito de Deus. Então quem estava entrando em ação para libertar o povo e elevar o padrão? Era o Espírito Santo!! O Senhor se levanta para a batalha. O livro de Juizes não é um conjunto de estórias de grandes feitos de algumas pessoas exemplares; é o resultado dos poderosos feitos de Jeová. Olhe a vida subseqüente de Gideão e irá encontrar um homem que cai. O que ele fez foi unicamente por intermédio de Deus, em um período de reavivamento.

Se a Reforma da Igreja não for vista desta maneira, nós ficaremos tão atarefados, estudando fatos e pessoas que participaram de eventos no passado. Sempre que existe um declínio na igreja e a acomodação domina, algumas pessoas ficam preocupadas e começam a reclamar do que está acontecendo. Eles dizem, "Sim, temos uma doença aqui, mas você não vai desertar da sua mãe doente!" Estas pessoas dão uma aparência de responsabilidade e gentileza, mas o diagnóstico delas está errado. As igrejas em declínio não são mães doentes; elas são médicos ruins dando veneno às mães e pais e crianças que foram colocadas sob os seus cuidados.

Também existiram pastores preocupados, trabalhando nas igrejas durante o tempo da Reforma. Este foi o caso, por exemplo, no País de Gales. Uns 200 anos foram necessários para que as verdades da Bíblia fossem aceitas pela maioria dos cristãos daquele principado. Como se explica isso? Era porque muitos pastores diziam às suas congregações que estavam preocupados com o estado da igreja, até falavam das mensagens da Bíblia, mas não entravam em ação. Eles acalmavam o povo com expressões de preocupação, mas a igreja local permanecia exatamente onde estava. Não foi transformada aquela comunidade até que a Palavra foi vigorosamente aplicada na vida daquele povo, e assim, dois séculos mais tarde eles passaram a viver e praticar o que o Novo Testamento ensinava. A oportunidade foi perdida na época, e só foi aproveitada 4 ou 5 gerações mais tarde.

Isto é o que acontece freqüentemente hoje, ministros e pastores falam dos erros existentes em suas denominações, e muitos diáconos ou presbíteros o apóiam, mas a "mamãe está doente", e nada é feito. Eles expressam a sua preocupação, permanecem "fiéis" e "evangélicos"; tomam conta do seu próprio púlpito e não fazem nada a respeito do que está sendo dito nos outros púlpitos da mesma região e denominação. Eles cooperam com todos os homens em campanhas evangelísticas e a sua estratégia alegra os moderados perfeitamente, assim, a moderação prevalece. Traição ao Evangelho está prevalecendo e eles pensam que podem trabalhar para reformar oferecendo o seu tempo. Tentam ir mudando os médicos que envenenam o povo gradualmente, até que os evangélicos como eles sejam maioria. Então elas começam por submeter-se e dialogar com os "envenenadores", e assim fazem parte deste mal que assola a igreja. Querem preparar toda a estratégia da reforma com as próprias mãos. Eles irão determinar um plano para si mesmos. Assim eles irão assumir a posição que o Espírito reservou só para Si.

A reforma genuína não tem nada a ver com as estratégias e planos humanos. As pessoas "bem intencionadas" estão capengando e tentando fazer um pouco neste momento para tentar deter o movimento das denominações históricas, buscando uma união com a Igreja Católica Romana, e os modernistas são exatamente este tipo de reformadores. Eles estão fazendo algo, não com convicção, mas com a sensação de que existem muitos homens mais capazes do que eles; na verdade estes homens não estão fazendo nada.

O caminho usado pelo Senhor para levar os reformadores da Sua Igreja pertence só a Ele. Os homens são instrumentos cegos, o mero avental de couro que o Espírito Santo veste quando vai entrar em ação. Eles são soldados, não sabem de todo o plano da batalha. Eles não são diplomatas ou estrategistas que decidem onde e como irão se posicionar estrategicamente. Este tipo de estratégia é totalmente errada, quando se trata da Igreja do Nosso Senhor.

Existe uma coisa que nós sabemos a respeito dos reformadores. Eles não são compreendidos e são mal interpretados e julgados pelos seus contemporâneos. Você deve ler o que os opositores de Spurgeon escreveram a respeito da sua pessoa e do seu caráter. Neste obituário escrito no THE TIMES, Joseph Parker foi gentil quando escreveu o resumo da vida de Spurgeon desta forma: "O Sr. Spurgeon era totalmente destituído de benevolência intelectual. Se homens enxergavam as coisas do ponto de vista dele, eram ortodoxos; se eles viam de qualquer outra maneira eram heterodoxos, pestilentos e não adequados para ensinar a mente dos alunos inquisidores. O Sr. Spurgeon era dono de um egotismo (ou vaidade) superlativo; não do tipo tímido e disfarçado, mas um egotismo adulto, maduro, controlador, do tipo que toma os assentos mais importantes como se fossem seus por direito. As ;únicas cores que o Sr. Spurgeon reconhecia eram o preto e o branco". (The Time, 03-02-1892).

O padrão é sempre o mesmo. O reformador é considerado um homem brilhante, mas solitário. Ele é acusado de pensar que não é compreendido. É desconfiado, veemente, afiado, absolutista; ele vê corrupção em tudo, podridão, um processo de subversão; é agressivo, sempre quer tudo à sua maneira; vem de uma minoria cultural dentro do seu país; nunca compreende as questões; não foi educado ou instruído no certo; ele é ... velho!! Isso é o que pensam do reformador.

Neste aspecto, o discípulo não é maior do que o seu Senhor. Cristo foi rejeitado e odiado, chegou a ser chamado de glutão e tomador de vinho, que sempre estava cercado de prostitutas e coletores de impostos, que veio do lugar errado, que desprezava a lei e a virava ao contrário. Ele foi taxado de revolucionário que pregava a rebelião contra as autoridades eclesiásticas; um que surgiu no palco da vida pública sem autorização ou competência. Até hoje ainda aparecem novas acusações contra ELE.

Esta é a visão que as pessoas têm, por não entenderem que o Espírito Santo usa os seres humanos, como o trabalhador que veste sua roupa de trabalho, quando Ele vem reformar a Sua Igreja.

É este tipo de trabalhador, homens e mulheres que tenham sido revestidos pelo Espírito Santo, que nós não temos conseguido encontrar hoje. Esta é a mais triste evidência do nosso declínio espiritual.

Nota sobre o Autor: Geofrey Thomas é pastor da Igreja Batista Afred Place em Aberystwyth, País de Gales. Ele também trabalha como Editor Assistente da Banner of Truth e do The Evangelical Times.
Artigo transcrito do Jornal "Os Puritanos" - Ano II, Nº. 4.
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Traduzido por: Débora M.G. Gomes

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