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FUNDO

VISÃO REFORMADA SOBRE AS ESCRITURAS

Existem várias formas pelas quais Deus se revela:

REVELAÇÃO NATURAL - por meio da criação os atributos de Deus se revelam(cf. Sl 19:1-4 e Rm 1:18-20).

REVELAÇÃO ATRAVÉS DA CONSCIÊNCIA - esta é uma versão da lei moral, a qual foi impressa em nosso coração (cf. Rm 2:14-15). Os puritanos a chamavam de:
"espiã de Deus em nosso peito,"
"embaixadora de Deus em nossa alma,"

REVELAÇÃO ATRAVÉS DE CRISTO - A própria pessoa de Deus, o ser de Deus, revela-se de modo especialíssimo no Verbo encarnado, a segunda pessoa da Trindade (cf. Jo 14.19; Cl 1.15 e 3.9).



Dessas 3 formas pelas quais Deus se revela (REVELAÇÃO NATURAL, REVELAÇÃO ATRAVÉS DA CONSCIÊNCIA E A REVELAÇÃO ATRAVÉS DE CRISTO), duas não são perfeitas, nem suficientes:


REVELAÇÃO NATURAL e REVELAÇÃO ATRAVÉS DA CONSCIÊNCIA

Por que não são?

Não o são por causa da queda que corrompeu tanto a uma quanto a outra. Somente a revelação atráves do Verbo encarnado, Cristo, é perfeita e suficiente.

Mas como Cristo nos fala, agora?

Cristo nos fala agora pelo seu Espírito por meio das Escrituras, a palavra final, suficiente e autoritativa de Deus para esta dispensação são as Escrituras Sagradas.

A doutrina reformada defende a "autoridade suprema das Escrituras" e sua suficiência

A base bíblica dessa doutrina é tanto INFERENCIAL como DIRETA.

POR QUE INFERENCIAL?

É inferencial, porque decorre do ensino bíblico a respeito da inspiração divina das Escrituras. Visto que as Escrituras não são produto da mera inquirição espiritual dos seus autores (cf. 2 Pe 1.20), mas da ação sobrenatural do Espírito Santo (cf. 2 Tm 3.16 e 2 Pe 1.21), infere-se que são autoritativas. Na linguagem da Confissão de Fé, a autoridade das Escrituras procede da sua autoria divina: "porque é a Palavra de Deus."

Isto não significa que cada palavra foi ditada pelo Espírito Santo, de modo a anular a mente e a personalidade daqueles que a escreveram. Os autores bíblicos não escreveram mecanicamente.

As Escrituras não foram psicografadas, ou melhor, "pneumografadas." Os diversos livros que compõem o cânon revelam claramente as características culturais, intelectuais, estilísticas e circunstanciais dos diversos autores. Paulo não escreve como João ou Pedro.Lucas fez uso de pesquisas para escrever o seu Evangelho e o livro de Atos. Cada autor escreveu na sua própria língua: hebraico, aramaico e grego. Os autores bíblicos, embora secundários, não foram instrumentos passivos nas mãos de Deus. A superintendência do Espírito não eliminou de modo algum as suas características e peculiaridades individuais. Por outro lado, a agência humana também em nada prejudicou a revelação divina. Seus autores humanos foram de tal modo dirigidos e supervisionados pelo Espírito Santo que tudo o que foi registrado por eles nas Escrituras constitui-se em revelação infalível, inerrante e autoritativa de Deus. Não somente as idéias gerais ou fatos revelados foram registrados, mas as próprias palavras empregadas foram escolhidas pelo Espírito Santo, pela livre instrumentalidade dos escritores.

O fato é que, por procederem de Deus, as Escrituras reivindicam atributos divinos: são perfeitas, fiéis, retas, puras, duram para sempre, verdadeiras, justas (Sl 19.7-9) e santas (2 Tm 3.15).5


POR QUE DIRETA?

Pelo fato de que a doutrina reformada da autoridade das Escrituras não se fundamenta apenas em inferências. Diversos textos bíblicos reivindicam autoridade suprema.

Os profetas do Antigo Testamento reivindicam falar palavras de Deus, introduzindo suas profecias com as assim chamadas fórmulas proféticas, dizendo:

"assim diz o Senhor,"

"ouvi a palavra do Senhor," ou

"palavra que veio da parte do Senhor."

No Novo Testamento, vários textos do Antigo Testamento são citados, sendo atribuídos a Deus ou ao Espírito Santo.

Por exemplo: "Assim diz o Espírito Santo..." (Hb 3:7ss).

A autoridade apostólica também evidencia a autoridade suprema das Escrituras. O Apóstolo Paulo dava graças a Deus pelo fato de os tessalonicenses terem recebido as suas palavras

"não como palavra de homens, e, sim, como em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes" (1 Ts 2:13).

Que autoridade teria Paulo para exortar aos gálatas no sentido de rejeitarem qualquer evangelho que fosse além do evangelho que ele lhes havia anunciado, ainda que viesse a ser pregado por anjos? Só há uma resposta razoável:

ele sabia que o evangelho por ele anunciado não era segundo o homem; porque não o havia aprendido de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo (Gl 1:8-12).

Jesus também atesta a autoridade suprema das Escrituras: pelo modo como a usa, para estabelecer qualquer controvérsia:

"está escrito" (exemplos: Mt 4:4,6,7,10; etc.), e ao afirmar explicitamente a autoridade das mesmas, dizendo em João 10:35 que "a Escritura não pode falhar."



USURPAÇÕES DA AUTORIDADE DAS ESCRITURAS:


Apesar da sólida base bíblico-teológica em favor da doutrina reformada da autoridade suprema das Escrituras, hoje, como no passado, deparamo-nos com a mesma tendência geral de diminuir a autoridade das Escrituras. E isso ocorre de duas maneiras:

1ª) Quando procuram admitir fontes adicionais ou suplementares de autoridade, que tendem a usurpar a autoridade da Palavra de Deus.

2ª)Através da tendência de limitar a autoridade das Escrituras, negando-a, subjetivando-a ou reduzindo o seu escopo.

Com relação à primeira dessas tendências, pelo menos 3 fontes suplementares usurpadoras da autoridade das Escrituras podem ser identificadas:

1- a tradição (que degenerada se transforma tradicionalismo),

2- a emoção (que degenerada se transforma em emocionalismo) e

3- a razão (que degenerada se transforma no racionalismo). Sempre que um desses elementos é indevidamente enfatizado, a autoridade das Escrituras é questionada, diminuída ou mesmo suplantada.


Dc Helbert


Referências:

John MacArthur Jr., Com Vergonha do Evangelho: Quando a Igreja se torna como o Mundo (São José dos Campos: Editora Fiel, 1997)
Paulo Romeiro, Evangélicos em Crise: Decadência Doutrinária na Igreja Brasileira (São Paulo: Mundo Cristão, 1995).

Consciência Puritana, Entre os Gigantes de Deus: Uma Visão Puritana da Vida Cristã (Editora Fiel, 1991), 115-132.

Teologia Sist. Berkhof
O Novo Dicionário da Bíblia, vol. 3
John H. Gerstner, "A Doutrina da Igreja sobre a Inspiração Bíblica,"
http://www.monergismo.com

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